ANÁLISE: F1 2017

O melhor e mais bonito jogo da franquia, mas ainda assim com os velhos problemas

A cada ano a Codemasters anuncia um novo F1 e as expectativas sobre as novidades da edição sempre aumentam, principalmente após o game do ano passado, F1 2016 (leia a nossa análise), ser considerado o melhor de todos até hoje. E olha que essa edição de 2017 é o nono game da franquia.

Desde 2009, quando adquiriu a licença oficial da FIA para produzir jogos da Fórmula 1, a produtora vem trazendo novidades para os games. A melhor delas foi na edição 2013 (leia a nossa análise) onde havia um modo Clássico com carros realmente nostálgicos como a icônica Lotus 98T preta de 85 e a Ferrari F1-87-88C de 88. Além disso, trazia pilotos oficiais do calibre de Alain Prost, Nigel Mansell e Emerson Fittipaldi, e ainda circuitos clássicos como Estoril e Jerez de La Frontera, dentre outros.

Carros Lendários, mas os pilotos...

Na nova versão, a Codemasters anunciou Carros Lendários. O entusiasmo foi enorme. Imagina correr em circuitos clássicos com essas carangas e seus pilotos famosos, tal qual em 2013, mas com a qualidade dos games atuais? Pois é! Vamos correr com 12 carros Lendários da Fórmula 1 sim, mas não em circuitos antigos e nem mesmo com seus respectivos pilotos.

Os Eventos Exclusivos com os carros clássicos são adicionados aos poucos em pequenos desafios dentro do modo Carreira. Ou seja, de inicio todos os eventos nos quais são usados estes carros, estão bloqueados. Eles vão sendo liberados conforme se avança no modo Carreira e dependendo da performance do jogador. Claro que você pode correr de inicio usando um desses carros em pistas atuais da Fórmula 1 nos modos de Grande Prêmio, Tomada de Tempo, Campeonato e Multiplayer, mas não os Eventos Exclusivos.

Sendo o destaque da edição 2017, a recriação de cada carro Lendário é primorosa. Desde o som característico do ronco do motor de cada época, até a maneira que eles se comportam na pista - e isto inclui as dificuldades na dirigibilidade de cada um - tudo foi milimetricamente recriado. É extremamente prazeroso correr com a McLaren de Senna, a MP4/6 de 91, principalmente pela sua dificuldade sem os aparatos tecnológicos atuais. Além dela há as icônicas Williams FW14B de 92 e a Ferrari 412 T2 de 95.

No total são 12 carros que inclui, além dos já citados, a Williams FW18 de 96, McLaren MP4-13 de 98, Ferrari F2002 de 2002, Ferrari F2004 de 2004, Renault R26 de 2006, Ferrari F2007 de 2007, McLaren MP4-23 de 2008, Red Bull Racing RB6 de 2010, além da clássica McLaren MP4/4 de 88. Porém todos os pilotos são fictícios. Ou seja, você irá correr contra o Yasar Atieh, Naota Izumi, Klimek Michalski, Esto Saari, Wilheim Waldmuller, dentre outros. É decepcionante saber que na edição 2013 você corria contra feras lendárias das pistas e agora, não.

Jogabilidade


Chuva pra que te quero!

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Houve uma melhora na jogabilidade. De fato o game está mais gostoso de jogar. Foram feitas mudanças na sensação de pista emborrachada, na trilha que os carros deixam durante as provas com chuvas, até mesmo ao ativar o DRS e/ou usar o vácuo de algum adversário a sua frente. Em 2016 já era ótimo, sem dúvidas, mas a Codemasters aprimorou os efeitos causados por essas circunstâncias.

A mais perceptível foi a reação do carro ao ficar atrás do adversário recebendo um forte spray d’água durante uma tempestade quase que torrencial. A turbulência é gigantesca! É realmente incrível a ponto de dar medo do que pode acontecer, e isso acaba te obrigando a sair de trás do carro por diversas vezes para poder enxergar algo, e assim ocasionando uma mudança de traçado. Pilotar a McLaren MP4/6 debaixo de uma tempestade, sem enxergar nada na frente e com uma turbulência desumana lhe faz respeitar mais ainda Ayrton Senna, considerado o "rei da chuva". Isso já vale o jogo!

Outra característica marcante é o efeito de “emborrachamento” das pistas. Melhorou bastante, a ponto de você sentir no volante o quanto a pista fica mais lisa ou mais áspera, caso saia do traçado. Isso sem falar na estabilidade do carro na área emborrachada. São pequenos detalhes que fazem a diferença em um game de Fórmula 1 tornando-o praticamente completo, mas fica uma sensação de que não há mais o que evoluir para uma próxima edição da franquia F1 já que é difícil achar algo que tenha faltado nesta edição 2017.

Carreira mais complexa

O modo Carreira contém literalmente tudo da edição de 2016. Até os menus básicos são iguais. A adição são as opções de troca de peças de motor e caixa de câmbio, que se desgastam e é extremamente importante saber quando trocá-las. Não adianta sair trocando a cada duas ou três corridas, quando já bate cerca de 50% de desgaste, porque são vinte corridas no total e há punição caso troque mais vezes do que o regulamento permite. Em um determinado momento o jogador será obrigado a trocar peças para não correr riscos de quebra durante as provas, mas é preciso pensar bem sobre o que trocar, até porque o motor se divide em várias partes trocáveis.

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Já a parte de aprimoramento (confira a imagem abaixo) sofreu um upgrade enorme. Agora há muito mais opções para se gastar os pontos obtidos no jogo, e a complexidade desta árvore de aprimoramento assusta. Enquanto que na edição anterior era possível melhorar bastante o carro em apenas uma temporada, mesmo em equipe pequena, agora a coisa mudou. Devido a quantidade enorme de coisas "aprimoráveis", não há como melhorar muito o carro em apenas uma temporada.

Provavelmente a ideia foi obrigar o jogador a participar de várias das dez temporadas presentes no game. Durante a análise participei de uma temporada completa, e só consegui ativar cerca de 30% das opções, e isso se você completar todas as obrigações de cada etapa como, teste de pneus, economia de combustível, dentre outras. Para se ter uma ideia, na parte de Aerodinâmica há 26 itens e mais 10 opções de Túnel de Vento, na parte de Durabilidade são 23 opções, na Cadeia Cinemática são 15 opções e na parte de Chassi são 21 opções com mais 10 itens de fabricação dos Chassis. No total são 105 itens de melhorias no carro.

É importante dizer que o jogo permite importar seu piloto - apenas o piloto - da edição 2016, caso o jogador tenha jogado na mesma plataforma e ainda possua o savegame.

Mesmo sendo complexo interessante e longo, o modo Carreira não ficou livre de bugs. Por duas vezes ocorreu do meu carro ter problemas e terminar a qualificação lá atrás, por exemplo, em décimo sétimo. Não ganhei os pontos dos desafios, onde um deles era largar em sétimo. Para minha surpresa, na corrida eu apareci em quinto lugar na largada! Como assim?! Vale dizer que eu fiz uma temporada inteira e não tive problemas, mas houveram dois patches antes do lançamento do game. Após o segundo patch, este problema da classificação começou a aparecer tanto no Grande Prêmio da Espanha quanto no de Mônaco. Espero que a Codemasters corrija isso bem rápido.

Campeonatos e Eventos pra todo gosto

O modo Campeonatos é interessante e se divide em duas partes: Campeonatos e Eventos Exclusivos Clássicos. Os Campeonatos são divididos em vinte tipos diferentes que variam de Campeonato Oficial 2017 da Fórmula 1, Campeonato de Sprint, Campeonato de Dobradinhas, Série de Rua Clássica, Turnê de Grandes Prêmios da Ásia, Campeonato Premier Multicategoria, Liga de Corridas na Chuva, Liga de Grandes Prêmios de Resistência, dentre outros. Eles vão sendo habilitados conforme o jogador vai ganhando pontos.

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Já os Eventos Exclusivos com Clássicos são habilitados conforme o jogador avança no Modo Carreira. Com vinte desafios no total, eles variam de Perseguição, Ultrapassagens, Contra o Tempo, Desafio dos Checkpoints e Corridas. Vale lembrar que só podem ser usados os carros clássicos nesse modo, e com pilotos fictícios, o que tira um pouco o brilho.

Há ainda um modo Eventos onde a Codemasters cria uma situação de corrida que dura 7 dias e o jogador pode participar e entrar em um ranking mundial. Por exemplo, o desafio atual o jogador encarna Max Verstappen durante a prova da Bélgica, onde o carro dele quebra o Cone de Nariz perdendo tempo em relação aos outros pilotos. O jogador terá que reverter e situação toda e vencer a prova.

O modo Multiplayer segue a mesma linha do game anterior, com corridas públicas e privadas, além de Campeonatos Online onde o jogador cria um campeonato completo definindo regras, etapas e tipo de carros que variam de Clássico (C1), Clássico (C2), Clássica (Mista) e Carros Modernos de F1. Além disso há a possibilidade de apenas assistir ao campeonato, como se fosse uma transmissão de TV, o que não deixa de ser interessante.

Gráficos


Destaque é o HDR

Há uma melhora significativa nos gráficos do F1 2017 durante as corridas. Logo de cara o que se destaca é o visual espetacular quando se roda o jogo em uma TV com HDR, já que esta edição traz pela primeira vez suporte a tal tecnologia. Realmente é de cair o queixo. Embora nem todo mundo possa usufruir dessa tecnologia gráfica, mesmo com ela desativada, o game traz uma sensível melhora no visual durante as provas. O efeitos de iluminação estão belíssimos, principalmente se correr em horários alternativos como no fim da tarde, além das corridas noturnas, que esta edição traz como novidade, Mônaco.

Todos os circuitos foram melhorados e agora parecem ter mais vida, principalmente pelo aumento da quantidade de gente no Paddock, no público, em torno da pista e até mesmo na linha de largada. As animações dos fiscais, dos mecânicos e equipes de TV, melhoraram. Mas há um problema, que ao meu ver é grave e que vem ocorrendo em todos os games da Codemasters: o bug dos "irmãos gêmeos". Para se ter uma ideia, em uma corrida com carros antigos, o pódio foi composto por três pilotos iguais! Em outro momento, ao vencer uma corrida a imagem corta para a reação nos boxes e para minha surpresa quase todos os mecânicos eram iguais. Claro que isso não afeta o jogo, mas é extremamente feio para um jogo da geração atual.

As texturas ainda padecem de resolução melhor nos carros. O lado "bom" é que isso só fica perceptível ao usar câmeras alternativas, normalmente em replays, onde a aproximação com a lateral dos carros é maior.

A versão enviada pela Codemasters para análise foi a do PS4, e nesta versão as texturas tendem a demorar para carregar conforme o jogador fica mais tempo jogando. A impressão que passa é de que o game vai consumindo memória conforme o jogo rola, chegando ao ponto do macacão e o capacete dos pilotos ficarem literalmente sem texturas ao final das corridas. É realmente feio e a Codemasters precisa consertar isso bem rápido.

Áudio


Narração ainda descartável

Com os aprimoramentos gráficos, vieram também as melhorias no áudio, principalmente com efeitos de vento e chuva. Não basta ter um visual espetacular se o som não corresponder a altura. E a Codemasters pensou nisso.
É incrível o barulho do spray d’água dos carros da frente durante as provas com chuva pesada, batendo no seu carro. Para não ser diferente, o som do vento ao ativar o DRS gera mais realismo. A Codemasters realmente acertou nesses quesitos.

Por ter carros de outras época, a produtora teve que recriar diferentes tipo de roncos de motor. São todos diferentes uns dos outros, e bem caprichados a ponto de ser possível identificar cada carro apenas pelo ronco do motor de cada época. A sensação nostálgica com aqueles roncos altos e agudos não tem preço.

A narração continua no nível mediano das edições anteriores, eu diria até com algumas falas repetidas - como de praxe, ou seja, as mesmas de games anteriores. Isso não seria um problema se não fossem os diversos bugs. Por várias vezes o narrador está falando e do nada é cortado pelo comentarista, que também é cortado  por ele próprio e começa a falar de outra coisa. Isso aconteceu diversas vezes e com cortes bruscos. O lado bom é poder desativar por completo a locução, já que os comentários são sempre genéricos e muitas vezes não condiz com o que ocorreu na corrida como, por exemplo, quando o comentarista disse que o destaque da corrida foi o piloto Esteban Ocon que chegou em último lugar. Hã?

O rádio é interessante. Ocorre de tudo, desde interferências dentro do túnel de Mônaco até o engenheiro dizer que não entendeu o que você falou devido a estática, e até mesmo informando que a rádio ficará inutilizável por um tempo devido a problemas. As informações são pertinentes, e muitas ou você as segue ou literalmente não completará as corridas. E isso aconteceu por duas vezes comigo onde meu carro ficou sem combustível na última volta e tive que abandonar.

F1 2017 é sem dúvidas o melhor jogo da franquia. Superou a edição do ano passado, trazendo mais complexidade ao elogiado modo Carreira, além da adição dos carros Lendários. A parte gráfica traz o que há de melhor em visual geral com os efeitos de chuva de, literalmente, cair o queixo e compatibilidade com HDR.

A parte de áudio acompanhou o aprimoramento gráfico trazendo efeito sonoros novos, principalmente relacionado ao vento e chuva, isso sem falar nos diversos tipos de ronco de motor.

Porém, poderia ser muito melhor se a Codemasters tivesse adicionado circuitos antigos - como em 2013 - e não tivesse colocado pilotos fictícios nos carros lendários. Realmente é chato correr contra um "Esto Saari". Decepcionante nesse ponto.

Conclusão

 

Avaliação: F1 2017

Gráficos
9.0
Áudio
9.5
Jogabilidade
9.0
Multiplayer
9.0

Agradecemos a Codemasters que nos enviou uma Key da versão Playstation 4 para análise!

PRÓS
Jogabilidade aprimorada
Visual espetacular
HDR
Carreira mais complexa
Campeonatos, muitos campeonatos
Carros icônicos
Circuitos com traçados alternativos
Pilotar a McLaren MP4/6 debaixo de um temporal
CONTRAS
Texturas sem carregar
Personagens repetidos
Sem circuitos clássicos
Sem pilotos lendários
Bugs na Classificação
Tags
PS4
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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