ANÁLISE: Drevo Calibur RGB

Um teclado mecânico RGB sem fio

Teclados mecânicos sem fio são raros no mercado. Teclados mecânicos sem fio com RGB? Mais ainda, por isso é interessante fazer a análise do Drevo Calibur 4.0 RGB.

Drevo Calibur 3.0 (sim, o modelo anterior deste da análise), tinha problemas graves quando operava via Bluetooth, sendo incapaz de processar a entrada de caracteres corretamente, por isto ao digitar várias frases rapidamente, letras faltavam ou ficavam repetidas várias vezes, algo simplesmente patético.


Fonte: http://probably.ninja/keycool-71-rgb-review/

O que temos aqui é o Drevo Calibur 4.0, que opera através de Bluetooth 4.0 ao invés de 3.0. A princípio, o problema do Bluetooth fora corrigido neste modelo, mas e o restante? Será que ele é um bom teclado?

Construção Externa

Já usei vários teclados, mas o Drevo Calibur branco é simplesmente um dos mais bonitos que já vi na vida, ainda mais ligado na cor ciano:

Sim, este é um dos poucos e raros teclados mecânicos sem fio com iluminação, e vocês vão entender depois o motivo para haverem poucos teclados assim.

Tendo um layout bastante diferente, sendo uma mistura do layout "60%" porém com teclas de navegação, o Drevo Calibur é vendido em duas variantes, uma na cor branca e outra na cor escura:

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No verso do teclado há quatro pés emborrachados e os dois ajustes de altura, também emborrachados, além de uma pequena chave para ligar e desligar o Bluetooth, a qual é bem mais difícil do que deveria ser para ativar:


Suas keycaps (esse plástico com algo escrito em cima) são do tipo Double-Shot, que é o melhor tipo de impressão disponível para keycaps, sendo bastante superiores em qualidade a keycaps feitas a Laser (ex: teclados da Corsair, Cooler Master, Logitech, Razer, etc...), mas há um certo diferencial nelas que vou discutir logo abaixo...

A fonte utilizada por estas continua sendo uma fonte "gamer", mas não chega a ser exagerada igual à da Motospeed e de outras marcas chinesas, a legibilidade da maioria dos caracteres é boa.

Agora, algo bastante diferente deste teclado, é que há um acabamento emborrachado em cima destas keycaps, o qual proporciona maior "aderência" e uma sensação bastante diferente à de teclas de outros teclados.

E confesso que ODIEI este acabamento, pois a sensação é de estar colocando o dedo em cima de giz de quadro, fora que além de seus dedos aderirem melhor à superfície, sujeiras também grudam mais fácilmente nela, razão porquê este teclado suja MUITO mais fácil do que o Motospeed CK103 Branco e já estava amarelado com apenas 4 meses de uso, enquanto que o CK103 Branco não mostra nem sinais:

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Porém, claro, é possível sim limpar estas teclas, especialmente por estas serem Double-Shot ao invés de Laser.

A ausência de tinta significa que pode-se utilizar produtos mais abrasivos para limpeza, tal como o Cif cremoso:

Limpei cada uma das teclas com a ajuda de uma esponja, esfregando cada uma, deixei de molho por uma meia-hora e depois secar por outras 6 horas na sombra. Tive que aplicar depois um pouco mais de Cif diretamente nas teclas mais sujas com a ajuda de um pano seco, mas o resultado é que realmente limpou um bom tanto, mas não saiu completamente devido ao maldito acabamento emborrachado que ficou impregnado com sujeira.

E sim, realmente deu serviço demais e agora parece até que esta análise é um infomercial da Cif:

Além do mais, em poucas semanas o teclado voltou a ficar imundo, e o sentimento de admiração pela sua beleza que eu tinha nas primeiras semanas de uso, hoje se tornou desprezo.

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"Mas wetto, é só comprar o modelo preto, daí não vai ter problema"

Bom... Não vai amarelar, mas sabia que este acabamento emborrachado desgasta e deixa as teclas meladas e feias?


Créditos da imagem para Paulo Rodrigues

Ao invés de ser um ponto positivo, o acabamento emborrachado é um dos piores aspectos deste teclado.

Enfim, a construção externa do Drevo Calibur parece bem feita por fora, mas na verdade o maior diferencial dele e que outros teclados não costumam ter, que é o acabamento emborrachado em suas teclas, é o seu maior pecado e uma das razões para evitar o Drevo Calibur.

Construção Interna

O Drevo Calibur parece ser vendido por duas marcas, ele também é vendido pela Keycool sob o nome Keycool 71 mini, embora este modelo da Keycool utilize switches diferentes também.

A construção interna do Drevo Calibur possui mais componentes do que achava que teria, não achei que ele tivesse cinco controladora individuais para iluminação, mas não vejo elas sendo bem aplicadas em seus efeitos de iluminação, maioria que são extremamente simples.

No coração do teclado temos uma MCU M103CB, modelo que eu nunca havia visto e que só é utilizado no Drevo Calibur e no Keycool 71 mini, que é o mesmo teclado. 

Também, os conectores da bateria e do plug USB são removíveis, o que facilita tanto o reparo, como também o aumento da bateria caso alguém queira trocar ela.

Falando na bateria, o Drevo Calibur possui uma bateria de 1200 mAh, o que é um valor esperado de um teclado sem fio. Não é um dos teclados com mais bateria do mercado, mas longe de ser um fiasco como foi o Dare-U EK820-68 e sua bateria de 300 mAh.

Agora vamos entrar em uma parte polêmica. Primeiro de tudo, este teclado foi comprado como sendo um teclado com switches Outemu, e quando chegou, estavam nele switches "Drevo", o que não agradou a mim e nem ao dono deste teclado (Arthur Pinheiro).

Sei que a Outemu está tendo alguns problemas para manter o controle de qualidade, mas não adianta trocar Outemu por algo bem pior.

Ao entrar em contato com a loja oficial da Drevo, que fora de onde este teclado foi comprado, fomos informados que estes switches seriam equivalentes em qualidade aos Outemu, enquanto para outras pessoas fora informado que estes switches são feitos pela própria Gaote (dona da Outemu):



O veredito quanto a isto? MENTIRA!

Após uma comparação lado a lado entre ambos os switches feita pelo @Guilherme Moraes da Silva, foi possível notar que haviam características bem diferentes entre um e o outro, assim como o uso de materiais de menor qualidade no caso do switch da Drevo:



Carcaça Branca: Outemu, Carcaça Escura: Drevo

E ironicamente, após 3 meses de uso também começaram surgir problemas na unidade do Drevo Calibur da análise, este tendo 4 teclas com problemas de double-click (a tecla aciona duas vezes quando só foi pressionada uma vez), nas teclas W, E, O e M. Aplicar álcool isopropílico resolveu o problema em algumas destas teclas, mas apenas temporariamente, ele volta pouco tempo depois.

A boa notícia, é que a Drevo notou toda a resposta negativa da comunidade sobre seus switches, sendo que agora ela promete que os novos lotes do teclado estarão utilizando switches Outemu:

A má notícia (para ela) é que os teclados com switches Drevo continuam no mercado e vamos avaliar este modelo da análise com base neste switch e na mentira da fabricante.

Recursos e Extras

Drevo Calibur possui software, mas nem sei se devo abordar ele aqui, pois este software é conhecido por brickar teclados, especialmente modelos antigos. Se puder, minha recomendação é nem usar ele, pois se algo ocorrer durante a atualização, a Drevo não se responsabiliza por seu teclado ter virado um peso para papel.

Achava que não dava para ser pior do que a Motospeed em softwares, mas parabéns Drevo... Parabéns...

O software da Drevo adiciona alguns recursos a mais ao teclado, tal como macros, sendo que é possível configurar suas teclas para funções multimídia, outras teclas do teclado e até como mouse:

Agora, com tão poucas teclas em um teclado, fica difícil escolher quais utilizar para configurar. Por exemplo, pode-se configurar as teclas Del, Insert, Home, End, Page Up e Page Down para responderem como sendo um mouse, o que pode ser interessante para um HTPC. Ao mesmo tempo, perder a funcionalidade destas teclas pode ser prejudicial para muitas pessoas.

Além do recursos de macros, o software também conta com controle de iluminação, embora ele sinceramente seja muito mal feito:

Este controle de iluminação não trabalha em tempo real. Se você quer que o programa saiba como está a iluminação do teclado, é necessário clicar no "Read" para ele carregar a iluminação do teclado. Se você quer que as mudanças que você aplicou nas cores tomem efeito, é necessário clicar em Write.

Clicar em Set All define uma cor para todas as teclas, enquanto Color Set permite que você escolha uma cor para as teclas que você clicar em cima. Parece simples? Não é, pois várias cores não correspondem ao que está na tela.

Várias cores do software da Drevo não correspondem às cores que estarão no teclado

Ao colocar laranja, você acaba com uma espécie de branco. Ao colocar rosa, a mesma coisa acontece, fora que a tecla acima do Enter (o sistema do Adrenaline não permite que eu escreva ela) começa ficar piscando no teclado em cores aleatórias, não sendo possível trocar a cor dela.

Enfim, o Drevo Calibur é um teclado que nem precisava de software adicional para macros por já ter tão poucas teclas. Adicionemos isto ao sistema de iluminação mal feito e ao fato deste software brickar alguns teclados e temos aqui algo que eu recomendo evitar.

Bateria e Comunicação

Existe uma razão para teclados mecânicos RGB wireless não serem comuns. Esta razão é uma única: bateria.

O Drevo Calibur possui, segundo a sua fabricante, uma duração de bateria de 20 horas, o que é pouco para um teclado wireless e o faria ser pior que o Dare-U EK820-68 que analisamos há pouco, mas ela não especifica em qual configuração o teclado possui uma duração de 20 horas.

Por isto, fizemos testes e descobrimos:

- LEDs na cor ciano com o brilho em 100%: 11 horas

- LEDs na cor verde com o brilho no nível 2: 18 horas

- LEDs desligados: cerca de 40 horas

Com base neste dados, já podem adivinhar qual a cor que prefiro usar quando conectado ao HTPC:

É uma duração de bateria curta na nossa opinião, mas por algum motivo ele parece durar mais do que o Dare-U EK820-68 que também oferece supostas "40 horas".

Não é tão horrível quanto parece e acaba combinando com a duração da bateria do Logitech G900 que usamos em conjunto, mas é muito curta perto do que alguns teclados mecânicos sem fio topo de linha oferecem, tal como o Logitech G613 e seus 18 meses de bateria, sem contar teclados de membrana que conseguem durar anos...

Mas, o que realmente foi bem projetado, foi o sistema de comunicação Bluetooth deste teclado. Enquanto que outros teclados Bluetooth que temos tiveram falhas quando colocamos obstáculos próximos a estes ou deixamos o teclado longe demais do receptor, o Drevo Calibur raramente falhou.

O teclado também conta com três perfis Bluetooth para dispositivos diferentes e é bem fácil e rápido alternar entre cada um deles, bastando apenas pressionar FN + QW ou E.

Aliás, algo que notei e que indica que o sistema do teclado foi bem planejado, é que quando a bateria está fraca (um LED vermelho começa piscar na barra de espaço, diferente do EK820 que nem sinal dá), os LEDs do teclado começam perder força, algumas cores chegam até sumir do teclado, mas as teclas jamais falham quando a bateria está fraca.

Enquanto em outros dispositivos a bateria estar fraca costuma resultar em problemas de comunicação, não é isto que acontece no Drevo Calibur. Enquanto houver um restinho de bateria, os LEDs podem perder força ou até desligar, mas o teclado vai continuar enviando as teclas que foram pressionadas ao teclado, sem falhar.

Achei isto fantástico, pois em outros teclados sem fio que possuo, quando a bateria está no fim ocorrem todo tipo de problema, desde teclas repetirem, atrasarem ou não funcionarem, mas não no Drevo Calibur. Quem quer que programou o sistema de comunicação e controle de energia deste teclado, está de parabéns.

O Drevo Calibur em sua versão branca é um dos teclados mais bonitos que já utilizei, mas é necessário olhar além da beleza para avaliar um teclado.

Houve uma preocupação muito maior no Drevo Calibur 4.0 quanto à comunicação Bluetooth do que em seu modelo anterior, agora não apenas todas as teclas são registradas não importa a velocidade que você digite, mas o envio das teclas para o computador é priorizado sobre a iluminação do teclado. Quando a bateria está fraca os LEDs podem perder força, mas enquanto houver bateria, as teclas jamais falharão.

Também, seu layout pode ser estranho, mas após algumas semanas de uso se torna agradável ao usuário, embora seja necessário modificações via software para poder digitar acentos como o "Acento Grave" e o "Til".

O caso do Drevo Calibur é triste. Ele é um teclado que tinha tudo para ser bom, mas por más decisões de sua fabricante, tal como o uso de emborrachamento em suas teclas, de switches "próprios" feitos por uma empresa de fundo de quintal e a inclusão de um software que pode brickar o próprio teclado, tornaram este um teclado mal projetado.

Se você quiser meter a mão na massa, trocar as péssimas keycaps e colocar alguns switches que prestem pode fazer deste um ótimo teclado, mas é serviço e gasto demais.

E na verdade, há outro teclado mecânico Bluetooth bastante popular no mercado e que dá uma surra no Drevo Calibur em termos de qualidade e recursos: o Obins Anne Pro.

O Anne Pro possui switches de melhor qualidade da Gateron, um sistema de iluminação muito mais avançado, acompanha um receptor Bluetooth, suas teclas são Double-Shot porém sem nenhum maldito emborrachamento, possui um software para Android e iOS (dá pra regular o teclado pelo celular enquanto você usa ele por cabo no PC) e também custa na mesma faixa de preço.

O Drevo Calibur não é um teclado ruim em seus modelos novos com Outemu, mas entre ele e o Anne Pro, é fácil saber qual o melhor teclado.

Este teclado foi emprestado pelo meu amigo Arthur Pinheiro.

Conclusão

 

Avaliação: Drevo Calibur RGB

Construção Externa
5
Construção Interna - Switches Drevo
5.5
Recursos e Extras
6
Bateria e Comunicação
8
Preço - US$ 70
6.5

PRÓS
Boa gama de efeitos de iluminação
Keycaps Double-Shot
Funciona por Bluetooth ou por fio
Sistema Bluetooth bem projetado
CONTRAS
Acabamento emborrachado das teclas é horrível, faz as teclas amarelarem rapidamente e desgasta com o tempo
Software com recursos mal implementados e que pode inutilizar o próprio teclado
Switches de baixa qualidade da Drevo (embora unidades futuras vão usar Outemu)
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  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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