ANÁLISE: For Honor

Luta corpo a corpo e visceral é o foco, mas os problemas de servidor atrapalham

Em meio a muitas expectativas, For Honor chega às lojas com a promessa de inovação e realismo no quesito luta corporal. Desde o seu anúncio, com um vídeo visceral e arrebatador, a Ubisoft omitiu o tipo de jogo que ele seria. Ninguém sabia ao certo o que estava assistindo: se era um game de ação, aventura, estratégia ou até mesmo um tipo de RPG. Esse mistério foi se desvendando com o tempo, até que a produtora lançou o primeiro beta fechado, três semanas antes do game ser lançado. E para a surpresa de alguns, For Honor é definitivamente um game de luta corporal com armas brancas. Isso é ruim? Não, nem um pouco, desde que você encare com paciência a dificuldade e realismo nos combates.

O Modo História

Praticamente "escondido" a sete chaves, o Modo História de For Honor era uma incógnita. Apenas dois pequenos trechos foram divulgados em eventos, mas sem nenhuma informação relevante, nem mesmo como seria contada. A suspeita era de que seriam usados os mapas do multiplayer com Bots, e com algumas pequenas variações de cenário, usando um pequeno enredo de fundo para dar sentido à tudo. Isso acabou gerando um boicote ao modo, onde muita gente que comprou For Honor, comprou apenas pelo multiplayer. Por esses motivos, o Modo História era a minha maior curiosidade, até porque joguei exaustivamente os dois betas onde existia apenas o modo Multiplayer.

Para a minha surpresa, o Modo História acabou não sendo descartável pelo enredo de reviravoltas, pelas variações de cenários - alguns belíssimos, e é uma pena não ter no Multiplayer -, e pela jogabilidade em terceira pessoa, que embora tenha momentos semelhantes aos combates multiplayer, traz características únicas e interessantes.

A História tem três Campanhas distintas totalizando 18 missões, sendo seis para cada facção, onde a primeira é baseada nos Cavaleiros, a segunda nos Vikings, e a terceira nos Samurais. O enredo se desenrola a partir do conflito entre as três facções. Tudo começa quando elas se reerguem após uma calamidade mundial, e acabam lutando entre si. Fica difícil contar mais da Historia sem entregar "spoilers", já que há uma enorme conspiração por trás de tudo e que culmina com missões bem elaboradas deixando um gostinho de "quero mais".

Embora seja interessante o Modo História, a narrativa é confusa. Confesso que assisti as cenas de corte mais de uma vez para tentar entender melhor a história. É bom que se diga que nos cenários há determinadas áreas em que o jogador olha e ativa uma pequena citação relacionada aquela batalha. Ajuda a compreender um pouco mais, mas não é o ideal. De todo jeito, o mais bacana desse Modo História é o fato de você poder jogar com um amigo de forma cooperativa.

Ao contrário da maioria dos jogos, esse Modo História é fundamental para o jogador se dar bem no início do Multiplayer. Acontece que no decorrer da jogatina o jogador ganha diversos itens para serem usados no Multiplayer, como emblemas e baús com itens Premium de armamento e armaduras.  Além disso, há diversos vasos quebráveis contendo aço. Aliás, falando em aço - a moeda do jogo -, ao final da jornada, o jogador poderá receber cerca de cinco mil aços, ou mais, para gastar na compra de itens para os combates online.

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Se já não bastasse, o Modo História tem um outro atrativo que ao meu ver é o principal: ensinar a jogar com os vários personagens que você usará no Multiplayer. Talvez esse seja o principal motivo de For Honor ter um modo História. Seria tedioso você jogar com um personagem no Multiplayer, chegar num level 5 ou 6, e ver que esse personagem escolhido não é o ideal para o seu estilo de jogo. Agora imagina fazer isso com 12 personagens! Seria cansativo e chato. Jogando o Modo História, o jogador terá a oportunidade de usar e conhecer as técnicas de cada um deles.

Obviamente que esse Modo História não é o foco do game. Apesar de ser interessante em vários aspectos, ele não serviria para um jogo solo, ou seja, sem um multiplayer robusto.

Gráficos e Som


Um dos grandes destaques de For Honor é seu belíssimo visual, principalmente no modo História, onde a qualidade melhora incrivelmente em comparação ao multiplayer devido a inclusão de novos cenários e com mais detalhes. Ao usar um tom pastel nas cores, o game se torna mais agradável visualmente, sem aqueles exageros na saturação e efeitos gráficos surreais, presentes em muitos jogos. Com isso, For Honor acaba tendo um visual geral mais realista, o que é bom para dar um aspecto mais visceral e repulsivo em alguns momentos da jogatina.

Agora, na questão das texturas o game se comporta de maneira desordenada, alternando drasticamente a qualidade do visual dos personagens. Nos protagonistas a qualidade é espetacular, você consegue observar os mínimos detalhes, incluindo até mesmo marca de golpes, sujeira nas armaduras, marcas de sangue, rasgo em roupas, e tudo de forma dinâmica, surgindo no decorrer dos combates. Realmente bem feito.

Por outro lado, alguns personagens secundários e os NPCs destoam do resto no quesito qualidade. Nas cenas de corte a diferença de qualidade fica mais evidente. Provavelmente o motivo disso tudo é o fato do game ter uma quantidade elevada de NPCs na tela ao mesmo tempo, e todos lutando entre si. Então é aceitável que personagens genéricos tenham uma qualidade baixa.

A variação climática é outro ponto interessante, especialmente nas missões ambientadas na cidade dos Samurais, com uma torrencial chuva acontecendo em meio ao caos dos combates sanguinários. A iluminação, incluindo os belíssimos efeitos de raios de sol, é outro detalhe que se destaca pela qualidade e é encher os olhos.

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Vale destacar que o jogo é totalmente dublado e, mantendo a linha de alta qualidade para as dublagens, a Ubisoft caprichou também em For Honor. Aqui você vai reconhecer diversas vozes famosas, presentes em Blockbusters de sucesso. É um ponto a favor, até porque muitos dos jogos lançados recentemente com dublagens são abaixo da média, onde usam “dubladores” sem experiência.
A Ubisoft sempre opta por estúdios profissionais reconhecidos pela qualidade exemplar das dublagens.

Multiplayer

Logo de cara já se percebe que foco de For Honor é o Multipayer, inclusive já foi anunciado campeonatos de E-Sports. O jogo possui três tipos de partidas:

Domínio é o mais popular. Consiste em um combate entre dois grupos de quatro jogadores, seja humanos ou IA. Quem atingir mil pontos, tem a chance de vencer a partida matando os quatro componentes da equipe adversária. Os pontos são conseguidos conquistando áreas do mapa e matando guerreiros adversários.

Mata-Mata se parece com o Domínio. Há dois modos de jogo, o Eliminação e o Conflito. Aqui os jogadores se dividem também em duas equipes de quatro jogadores, onde no Eliminação basta matar todos os inimigos e pronto. No Conflito, a situação é praticamente igual ao Domínio.

Duelo e Briga é o modo mais controverso. Embora seja bem interessante, é o que mais se parece com um jogo de luta clássico. Existem dois tipos, o Luta onde apenas um jogador luta contra outro, e o Briga que é justamente o modo mais controverso. Esse modo funciona da seguinte forma: são dois contra dois, sendo que um jogador luta com outro em um canto do mapa, e do outro lado, os outros dois lutam entre si.

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Acontece que os jogadores estão agindo da seguinte forma: assim que a partida inicia, um jogador corre até o parceiro para ajudar na luta contra apenas um único jogador adversário. Se os adversários humanos perceberem a jogada, dá para “tentar” impedir isso correndo também para ajudar o parceiro. Mas e quando for contra a IA? Bom, aí que está o problema, já que você sempre vencerá as partidas. Muitos jogadores jogam somente esse modo a fim de aumentar level dos lutadores e conseguir melhores armas e armaduras para, aí sim, lutar contra humanos nos outros modos Multiplayer. É uma tática que até então funciona, e é comum você ver jogadores iniciantes no multiplayer com humanos, com level e armamento forte.

Cada uma das três facções - Vikings, Samurais e Cavaleiros - possuem quatro classes, que são Vanguarda, que é o guerreiro padrão e mais fácil de jogar; Assassino, que é o mais rápido de todos mas também é o mais frágil; Pesado, que embora tenha o golpe mais forte ele é o mais lento de todos; e o Hibrido, que possui um toque de cada classe.

Os combates são realistas, por vezes até em demasia, podendo afastar muita gente do jogo. Acontece que em For Honor os golpes e defesas são detalhadas no sentido de que há três diferentes tipo de golpes para cada força usada. Ou seja, usando golpe fraco ou forte, o jogador terá que escolher onde pretende encaixá-lo no adversário: de frente vindo de cima, pela lateral esquerda ou pela direita. A defesa se comporta da mesma forma, mas aqui há um porém: é preciso ser extremamente ágil para conseguir defender de forma correta. A curva de aprendizado é longa. Eu perdi dezenas de vezes para um jogador mais experiente até conseguir derrotar ele. É preciso entender como o adversário se comporta, seja humano ou não, e assim tentar se antecipar ao golpe.

Vale lembrar que para jogar com uma equipe de quatro ou em duplas, é fundamental que você conheça seus parceiros para traçar táticas de combate. O ideal é jogar com amigos e todos usando MIC. Jogar com pessoas desconhecidas é bem complicado, e praticamente impossível vencer uma equipe de amigos, mesmo que eles tenham um level inferior.

Agora vem um problema grave. Tem ocorrido problemas com o multiplayer há vários dias, até a finalização dessa análise. A Ubisoft lançou um patch ontem, dia 06/03, no momento da finalização do texto, e nada surtiu efeito. Ela já estava ciente dos problemas na semana passada, e inclusive bonificou os jogadores com itens dentro do game como pedido de desculpas. Aparentemente o problema continua. A alegação é de que os servidores estão superlotados. Enfim, fica complicado jogar assim, como podem ver o vídeo abaixo mostrando uma dos erros que ocorre.

 

For Honor não é um jogo para qualquer um. É importante ter em mente de que se trata de um game de luta corporal, com um grau de dificuldade elevado, e uma curva de aprendizagem relativamente longa.
Sabendo disso, For Honor marca um novo estilo de games de luta: realista, desafiador, recompensador e viciante quando se tem uma equipe entrosada jogando com você. Tudo pela Honra!

Conclusão

 

Avaliação: For Honor

História
7.0
Jogabilidade
8.0
Multiplayer
9.0
Gráficos
9.0
Áudio
9.0

 

PRÓS
Um dos melhores combates corpo a corpo
Visual belíssimo
Efeitos sonoros de primeira
Modo História serve como treinamento
12 personagens com estilos diferentes de combate
Multiplayer empolgante e recompensador
CONTRAS
Narrativa confusa
Combates podem ser frustrante às vezes
Alguns bugs de colisão
Quase impossível vencer uma luta contra dois adversários juntos
Precisa ficar 100% conectado
Problemas constantes de servidor
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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