ANÁLISE: Lenovo Moto Z Play

Cada vez mais bateria por um preço cada vez maior

A linha Play da Motorola se popularizou como um intermediário com boa duração de bateria e uma relação interessante entre custo e benefício. Seu sucessor subiu o nível: o Moto Z Play mantém a premissa de trazer um aparelho interessante, mas agora com um design mais premium e uma câmera melhor, encaixando-o nesse curioso segmento dos "intermediários premium", junto com aparelhos como o Zenfone 3 e Galaxy A7.

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Infelizmente, junto com a melhoria em seus componentes, o preço do Moto Z Play é consideravelmente mais salgado que seus antecessor. Será que ainda está valendo a pena?

Comparativo

Lenovo Moto Z PlayZenfone 3 5.5"Samsung Galaxy A7 2016

Preços

Preço no lançamentoR$ 2.199,00 R$ 1.799,00 R$ 2.499,00
Preço atualizadoR$ 1.499,90 R$ 1.599,00 R$ 1.599,00

Especificações

Armazenamento interno|32GB| |64GB| |16GB|
Cartão microSDAté 2TB Até 2TB Até 256GB
Memória RAM3GB 4GB 3GB
Número de núcleos8 8 8
Portas de conexão|USB Tipo-C| |USB Tipo-C| |Micro-USB|
Sistema OperacionalAndroid 6.0 Android 6.0 Android 5.1
Update disponível para o sistemaAndroid 6.0
ProcessadorQualcomm Snapdragon 625 Qualcomm Snapdragon 625 Exynos 7580
Clock2,0GHz GHz2.0 GHz1.6 GHz
GPUAdreno 506 Adreno 506 Mali-T720MP2
Bateria3.510mAh mAh3000 mAh3300 mAh
Dimensões156,4 x 76,4 x 6,99 mm152.59 x 77.38 x 7.69 mm151.5 x 74.1 x 7.3 mm
Peso165 g155 g172 g

Recursos

GPSSim Sim Sim
Leitor de DigitalSim Sim Sim
LTESim Sim Sim
NFCSim Não Sim
Número de cartões SIM2 2 2
RadioNão Sim Sim
Tipo de cartão SIMNano SIM Micro SIM Nano SIM
TV DigitalNão Não Não
Bluetooth4.1 4.1 4.1
ExtrasSuporte a módulos Moto Snaps Asus ZenUI 3.0 Samsung Pay

Display

Resolução1080 x 1920 1080 x 1920 1080 x 1920
Tamanho5.5 polegadas 5.5 polegadas 5.5 polegadas
TecnologiaSuper AMOLED IPS Super AMOLED
ProteçãoCorning Gorilla Glass 4 Corning Gorilla Glass 2.5D Corning Gorilla Glass 4

Câmera

Vídeos2160p 30 fps 2160p 30 fps 1080p 30 fps
Traseira16 16MP 13
Frontal5 8MP 5

Análise em vídeo

Design


Mais bonito, mas com suas falhas

O Moto Z Play manteve o estilo do Moto Z: e um aparelho com acabamento metálico nas bordas e o uso do vidro na parte traseira, resultando em um visual mais bonito que o de seu antecessor. Ao invés do formato grande e com uma curvatura na parte traseira, o Moto Z Play agora continua grande porém com uma traseira reta. Em geral o aparelho fica bem encaixado na mão, graças as bordas de metal na lateral, mas a pegada é menos ergonômica que o "curvo" Moto X Play. Algo que tornou a ergonomia do Moto Z Play mais interessante é sua maior espessura comparado ao Moto Z. Apesar dela, a câmera ainda é protuberante e está um pouco exposta na parte traseira, com o agravante de não ser protegida com um vidro mais resistente, o que gera eventuais riscos nas lentes.

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O Moto Z Play continua sendo um aparelho grande com uma tela de 5,5 polegadas, um pouco difícil de ser manejado com apenas uma mão. Suas bordas nas laterais não são muito largas, porém no topo e especialmente na base temos bordas bastante grandes. Na parte de baixo a justificativa para o espaço é a presença do sensor de digitais, que acaba formando um espaço sem muito uso em suas laterais. O sensor também gera um estranhamento: apesar de estar em uma posição que outras fabricantes costumam colocar botões, ele não atua como o tradicional "home" da interface Android.

O Moto Z Play ficou bom um visual mais premium, com o uso de metal e vidro na carcaça

Falando na tela, ela possui uma resolução FullHD e utiliza a tecnologia Super AMOLED, trazendo dessa forma uma boa saturação das cores e uma densidade de pixels suficiente para gerar imagens de boa qualidade. O balanço das cores está adequado e o brilho de tela é suficiente para lidar até mesmo com situações com muita luz, como usá-lo em um ambiente ensolarado.

O padrão na traseira tem um formato curioso cheio de linhas, que felizmente é discreto e quem não curtir poderá usar os snaps de estilos para mudar. Os snaps compatíveis são os mesmo presentes no Moto Z, inclusive deixando a pegada mais confortável e fazendo com que o sensor da câmera não fique mais tão exposto. Os snaps usam um sistema de ímãs e se encaixam de forma praticamente imediata, só evitaria os com acabamento em tecido, pois não ficam tão bem encaixados nos cantos como os demais modelos.

Falando em snaps, o acabamento na área de comunicação dos módulos com o celular está menos caprichado no Moto Z Play, que além de deixar os contatos dourados evidentes também tem uma borda de plástico em torno deles. Outro defeito da traseira é que o acabamento em vidro risca com muita facilidade, e em pouco tempo ele fica bastante marcado. Naturalmente, se você usar qualquer snap esses detalhes passam a ficar encobertos.

Em geral o Moto Z Play ficou mais bonito que seu antecessor e usa acabamentos e materiais mais "premium". Porém, poderia ter bordas mais discretas em torno da tela, e o sensor de digitais poderia atuar como um botão, já que está em uma posição em que praticamente todas as fabricantes convencionaram um nessa região e por se tratar de uma interação interessante.

Performance e autonomia


Eficiente para o cotidiano

As especificações técnicas do Moto Z Play são ponderadas, evitando um preço exagerado como acontece nos modelos topo de linha. Os componentes utilizados são display de 1080p, 3GB de memória RAM, Snapdragon 625 e 32GB de armazenamento interno, uma combinação de hardware que traz uma experiência fluida e eficiente com o sistema Android.

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Em performance geral, o Moto Z Play se situa próximo do Zenfone 3, outro aparelho com bom desempenho para uso cotidiano e com uma faixa de preço relativamente próxima. Já em performance gráfica, como podemos ver no teste abaixo com o 3DMark, sua pontuação fica consideravelmente atrás de SoC mais potentes, mas ainda atinge patamares suficientes para rodar games sem maiores problemas.

Na experiência prática, o Moto Z Play se saiu muito bem no dia-a-dia, alternando rapidamente entre múltiplos programas graças a sua boa capacidade de RAM e seu processador que, apesar de não figurar entre os mais potentes disponíveis, tem desempenho suficiente para garantir o bom funcionamento do Android. Os 32GB de memória interna também são uma boa pedida, atendendo a necessidade da maioria dos consumidores e sobrando lugar para fotos e aplicativos.

Seus componentes intermediários e boa quantidade de memória entregam uma experiência competente com o Android

Em termos de desempenho, não há nenhuma dúvida que o destaque do Moto Z Play é sua duração de bateria. Por conta de sua bateria maior (valeu a pena os milímetros a mais que o Moto Z) e componentes mais discretos, que por consequência consomem menos, ele tem boa vantagem comparado ao Moto Z nesse aspecto, e só não figura no topo de nosso benchmark de bateria porque temos nele também o LG X Power, um intermediário bem mais discreto e "socado" de bateria.

A excelente autonomia é um dos grandes destaques do Moto Z Play

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Na experiência prática os dados dos testes são replicados. Em nossos testes, ele chegou ao final do dia com quase 40% de sua carga disponível, e segurou até a metade do segundo dia. Já faz tempo que não vejo um smartphone segurar tanta carga ao longo do uso, principalmente devido ao meu perfil de usar muito o aparelho ao longo do dia. Sem dificuldades ele deve passar de dois dias na mão de um usuário mais ponderado.



Confundi o aparelho nesse tweet, esse é o gráfico do Moto Z Play.

Câmera


Câmera tem bons resultados, só ficou devendo estabilização ótica

O Lenovo Moto Z Play é equipado com uma câmera traseira de 16MP e uma frontal de 5MP, com uma lente com abertura ƒ / 2.0. As fotos trazem resultados bem interessantes em termos de cores e definição, e a captura é ágil mesmo com o modo HDR sempre ativo no modo automatizado. Outro fator importante para a agilidade da câmera é o uso do sensor a laser combinado com o foco através de fases, algo que torna a câmera do Moto Z Play rápida e ao mesmo tempo eficiente em acertar o ponto do foco.

Boa luz


Moto Z Play, Zenfone 3 e Galaxy A7 (2016)

Pouca luz


Moto Z Play, Zenfone 3 e Galaxy A7 (2016)

Flash


Moto Z Play, Zenfone 3 e Galaxy A7 (2016)

 

O Moto Z Play, curiosamente, possui uma câmera traseira com resolução superior a do Moto Z, e por consequência faz fotos com maior captura de detalhes que o modelo que se situa acima no line-up da Lenovo. Em cenas menos iluminadas, ele sofre a inevitável perda de desempenho, com uma perda de resolução na imagem para contornar a maior granulação causada pelo aumento do ISO. Nessas cenas mais escuras, o Moto Z Play conta com um recurso interessante: flash frontal com um LED. Apesar de solitário, ele consegue dar um ganho interessante em locais excessivamente escuros, porém irá desbalancear as cores para um tom amarelado. Na parte traseira, apesar de possuir LEDs em dois tons, o flash também deixa as cenas com as cores um pouco desbalanceadas, com fica evidente nos comparativos que fizemos entre ele e outros aparelhos ali acima.

Comparado com os concorrentes do segmento, seus maiores defeitos são dois: a ausência de estabilização ótica, um recurso que ajuda a melhorar o resultado em vídeos e também a possibilitar exposições mais longas se gerar imagens borradas, algo presente tanto no Zenfone 3 quanto no Galaxy A7 2016, e também a exposição excessiva da lente sem uma melhor proteção. Enquanto rivais como o Zenfone 3 trazem vidro tipo sapphire, muito mais resistente, a falta de uma proteção maior na região da lente fez com que riscos surgissem por ali em pouco tempo de uso.

Ficou faltando estabilização ótica e uma melhor proteção para a lente bastante exposta do Moto Z Play

Modularidade e extras


O truque novo dos Moto

Assim como o Moto Z, o Moto Z Play também implementou a modularidade, e inclusive utiliza a mesma tecnologia. Isso significa que os Moto Snaps do Moto Z são também compatíveis com o Moto Z Play, desde os estéticos até os que trazem funções adicionais como retroprojetor ou câmera aprimorada. 

Assim como no Moto Z, o encaixe dos Snaps é muito eficiente e funcional. Um sistema de ímãs combinado com o sensor protuberante da câmera auxiliam no alinhamento do módulo, que praticamente "se encaixa sozinho". Assim que conectado, em poucos segundos o módulo já entra em ação, e os módulos que testamos se mostraram bastante funcionais. São atualmente três: um com sistema de áudio mais avançado da JBL, um projeto, um para fotografia com zoom ótico e botões dedicados para as fotos e vídeos e um módulo de bateria. Eles são interessantes ao atender nichos de consumidores, mas ao mesmo tempo tem preços praticamente impeditivos, muitas vezes superando o custo de um bom smartphone completo. 

No caso do Moto Z Play, o snap de bateria também acaba perdendo "um pouco de seu brilho". Com apenas 2000 mAh, ele nem é capaz de recarregar toda a bateria do smartphone, e como o próprio Moto Z Play já tem muita autonomia sem esse recurso, acaba ficando sem muito sentido. Some isso ao fato do snap de bateria custar em torno de 400 reais, bem mais caro que muita powerbank com mais capacidade, e realmente o acessório não ganha muito motivo para ser adquirido.

Um diferencial da linha Moto é a alta responsividade dos aparelhos através de seus sensores, e o Moto Z também traz esse recurso. Para desbloquear a tela, basta fazer um movimento com o pulso, assim como chacoalhar o smarpthone faz com que ele ligue o LED para funcionar como uma lanterna. Mexer o aparelho do lugar também faz com que ele ligue o display e mostre informações básicas como hora e novas notificações. A única diferença comparado ao Moto Z é que por possuir menos sensores na parte frontal (algo que inclusive deixou seu visual menos poluído) ele é menos responsivo a gestos como acenar para acionar a tela.

Os Moto são smartphones muito responsivos, reagindo a gestos dos usuários

Outro destaque do Moto Z Play e de vários aparelhos da linha Moto são as poucas modificações no sistema Android. São pouquíssimos os aplicativos pré-instalados nesse aparelho, e o sistema praticamente não traz modificações comparado a interface e funcionalidades do Android original feito pela Google.

O Moto Z Play trouxe melhorias interessantes comparado ao Moto X Play mantendo alguns de seus elementos principais, como desempenho e câmera regular e excelente duração de bateria, tudo aliado a diferenciais da linha Moto como alta responsividade a gestos e um Android pouco modificado. O seu principal problema é que as melhorias no design acabaram encarecendo o produto, que chegou com preço sugerido acima dos 2 mil reais. Assim ele acabou deixando de ser um bom Android "custo x benefício" do segmento intermediário e se tornou um dos novos "intermediários premium".

Com a chegada de concorrentes como o Zenfone 3 e seu maior tempo no mercado, ele já começa a aparecer no patamar de R$ 1.799, porém ainda está com um preço um pouco elevado para quem quer uma boa opção com alta relação entre custo e benefício. O Moto Z Play é um Android competente que tem como grande destaque sua excelente duração de bateria, porém fica devendo alguns recursos como estabilização ótica, uma melhor proteção para a lente da câmera e receptor de rádio FM. Apesar de interessante, o recurso da modularidade atende apenas à nichos, e o alto custo dos Snaps acaba tornando essa capacidade em um diferencial menos atrativo. Fica por conta do consumidor pesar suas características com a de concorrentes e, se encontrar por um preço competitivo, pode ser uma excelente opção.

Conclusão

 

Avaliação: Lenovo Moto Z Play

Design
8.5
Câmera
8.5
Desempenho
9
Autonomia
10
Recursos
9.5
Preço
7.5

PRÓS
Excelente autonomia
Boa performance
Belo design e tela
Aceita módulos
Bastante responsivo através de seus sensores
Android praticamente intocado
CONTRAS
Módulos são muito caros
Falta estabilização ótica
Traseira e lente da câmera riscam fácil
Sem rádio FM
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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