ANÁLISE: Gears of War 4

Tiroteios clássicos maçantes e multiplayer para todo mundo se divertir

Produzido pela The Coalition, "Gears of War 4" é o novo jogo da consagrada franquia de tiro em terceira pessoa. O game não apenas é um dos mais aguardados neste ano, como também é um dos principais exclusivos do ecossistema de plataformas da Microsoft. Mas será que o título mantém o nível de qualidade da série, implementa novidades relevantes e consegue divertir os jogadores?

É isso o que você vai descobrir abaixo na análise de "Gears of War 4", baseada na versão para Xbox One. O título também está disponível para PC, inclusive através do serviço Xbox Play Anywhere, que torna possível comprar uma cópia digital e jogar em ambas as plataformas sem custos adicionais.

História


Filho de Marcus Fenix estrela um game morno

25 anos após os eventos de "Gears of War 3", a história de "Gears of War 4" mostra a estreia em combates de JD Fenix, o novo protagonista e filho de Marcus Fenix, lendário protagonista da franquia. O rapaz está companhado dos amigos Kait Diaz, Oscar Diaz e Del Walker que, juntos, devem destruir os autômatos DeeBees e os alienígenas do Enxame, uma nova raça de inimigos tão nojenta e letal quanto os antigos Locust

Embora se esforce bastante para justificar as motivações de personagens enrolados em tanta encrenca, o enredo de "Gears of War 4" falha diversas vezes em ser interessante. As personalidades dos novos heróis costumam ser vazias e pouco colaboram no envolvimento do jogador com a trama. Além disso, desferem frases de efeito e piadinhas gratuitas que soam nada naturais na maioria das vezes. O próprio desenvolvimento da relação entre JD e Marcus, foco da narrativa, também não é dos melhores e pouco faz para alimentar a curiosidade de continuar jogando. 

Felizmente, nem tudo está perdido. O que verdadeiramente sustenta a vontade de seguir na aventura são as excelentes cenas de corte, explicando e contextualizando os principais acontecimentos do game em momentos épicos. Tudo é ritmado com ângulos de câmera dramáticos, explosões e destruição por todos os lados. É comum se sentir surpreendido e agraciado com tanta coisa impactante acontecendo na tela ao mesmo tempo.     

Jogabilidade


Tiroteios competentes ficam maçantes e repetitivos em pouco tempo

Na jogabilidade, "Gears of War 4" retorna com a identidade clássica da franquia: tiroteios em terceira pessoa à base de muita cobertura. Tudo acontece em cenários lineares que eventualmente se expandem em áreas mais abertas com a chegada de muitas hordas de inimigos para derrotar. Esse é o padrão de execução da mecânica, algo que os fãs de longa data imediatamente vão reconhecer e automaticamente gostar. 

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Os tiroteios de "Gears of War 4" são competentes, uma referência de um gênero que ganhou destaque na indústria com o primeiro jogo da série (X360, 2005). A execução, dentro dos parâmetros do que a mecânica oferece, é isenta de falhas, e o jogador se sente constantemente no controle de tudo o que acontece na tela. Os comandos do jogo, para isso, são bastante intuitivos, responsivos e confortáveis de manejar, exemplo de otimização simplificada para fisgar qualquer tipo de soldado.

Só que, em menos de uma hora de jogatina, o jogador tem a noção exata de que a mecânica já mostrou todo o seu potencial. E de que não vai ver nada de muito de diferente daquilo até o final da aventura. O resultado é que, ao longo das cerca de 7 horas de campanha, "Gears of War 4" nunca sai da zona de conforto do seu padrão clássico para tentar inovar ou diversificar seus tiroteios, caindo na armadilha da repetição exagerada em diversos trechos.

Algumas partes dos 5 Atos do jogo são tão automáticas quanto previsíveis, cansando e desestimulando o jogador antes mesmo dos tiroteios começarem. Basta olhar os caminhos percorridos e o estilo de design dos cenários para sacar o que vai acontecer logo em frente. Como os objetivos também são bastante banais e muito pouco criativos, também há uma sensação constante de perda de tempo de que se poderia estar jogando algo mais substancial, menos maçante e mais divertido. 

Felizmente, "Gears of War 4" tem atrativos que evitam a monotonia absoluta. Num deles, JD Fenix pilota uma motocicleta e precisa derrubar um avião cargueiro. Ainda que seja um tanto limitado em termos de movimentação, é empolgante e transmite uma sensação bastante sólida de empoderamento. Além disso, existem batalhas conta inimigos especiais, alguns com status e dinâmica diferenciada de chefes de fase, que são desafiantes e exigem preparação e estratégias únicas de combate. 

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Gráficos


Um dos mais bonitos no XOne

Graficamente, "Gears of War 4" é facilmente um dos jogos mais bonitos do Xbox One. Os destaques são a iluminação, os efeitos de partículas suspensas e de fumaça, que estão bastante naturais e realistas na maneira como se espalham e influenciam na visibilidade dos cenários. As expressões faciais estão convincentes e as texturas são bem aplicadas, ainda que algumas rochas, paredes e portas tenham borrões perceptíveis.

Fora isso, existe toda uma preocupação da produtora The Coalition em mostrar cenários bem diversificados que, embora não sejam muito detalhados, são imponentes e costumam surpreender o jogador com estruturas impactantes e paisagens altamente convidativas à contemplação. É para fã nenhum botar defeito.

Áudio


Músicas esquecíveis e dublagens satisfatórias

No áudio, "Gears of War 4" se esforça bastante em tocar músicas condizentes com as nuances dos desdobramentos da aventura. O resultado geral, contudo, deixa a desejar. Tirando algumas composições mais épicas, principalmente nas cenas de ação recheadas de explosões, todo o restante não consegue gerar envolvimento genuíno. Pouquíssimas melodias são verdadeiramente instigantes ou marcantes e dificilmente serão lembradas pelo jogador. 

Fora isso, as dublagens em português brasileiro estão satisfatórias. Embora as vozes combinem com os personagens, algumas interpretações são um tanto forçadas, não acompanhando a importância de cada momento. Em caros raros, inclusive, a leitura dos textos é visivelmente apressada, algo que automaticamente gera desconforto nos ouvidos. O trabalho está longe de ser ruim, mas está definitivamente abaixo de títulos como "Sunset Overdrive", "Quantum Break" e "Forza Horizon 3".

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Multiplayer


Opções diversificadas para todo mundo se divertir

Além dos gráficos, se existe algo em "Gears of War 4" que entrega excelência de conteúdo diversificado e bem executado é no multiplayer. O cooperativo da campanha, por exemplo, pode ser jogado com até outro jogador localmente ou online. E, definitivamente, jogar a experiência acompanhado de outras pessoas é muito mais divertido e dinâmico do que ir sozinho com inteligências artificiais que às vezes nem fazem diferença na jogatina. É quase um outro jogo, que funciona de forma bem mais orgânica e sistemática, cada um explorando os seus potenciais e fugindo das deficiências.

Já o competitivo, chamado de Versus, é a verdadeira fonte de desafios variados e de diversão em "Gears of War 4". Alguns dos principais destaques desta parte do game, certamente a mais movimentada em toda a experiência, são a diversidade de mapas, de equipamentos e personagens para desbloquear. Fora isso, existe uma quantidade consistente de modalidades de jogo, cada um com seus estilos e regras de funcionamento exclusivos. O tradicional Mata-Mata em Equipe pede para um grupo de jogadores somar mais abates do que a outra equipe. Já os inéditos Escalation e Arms Race On Fallout exigem, respectivamente, defesa de bases com posicionamento estratégica de armas decisivas e contagem de mortes com troca aleatória de armamentos.    

Por fim, o clássico modo Horda, agora na sua versão 3.0, está de volta. O esquema é basicamente o mesmo das edições anteriores: sobreviva a ondas constantes de inimigos, que ficam cada vez mais numerosos e melhor armados. A principal novidade fica com o Forjador, uma caixa de ferramentas que pode ser transportada pelos cenários e possibilita comprar armamentos e defesas, como arames farpados e torretas, itens primordiais para criar estratégias eficientes de combate diante dos ataques inimigos. Existe uma ótima variedade de mapas, armas, armadilhas e as inéditas classes de soldados, que trazem equipamentos pré-definidos e agilizam as escolhas do jogador com o tipo de jogatina que mais se identifica.    

"Gears of War 4" é uma boa estreia da franquia no Xbox One. Tirando a campanha, seus personagens rasos e os tiroteios muito repetitivos, o título oferece uma experiência bastante convidativa à jogatina para quem admira gráficos de ponta e um multiplayer online capaz de divertir por centenas de horas. Os fãs de longa data certamente vão se deliciar. Mas se este não foi o seu caso, sua percepção e opinião sobre o que sempre achou da série definitivamente permanecerão intactas, pois não há nada de muito de diferente ou inovador do que já não tenha sido feito em qualquer outro jogo da saga.

Conclusão

 

Avaliação: Gears of War 4

História
7
Jogabilidade
8
Gráficos
10
Áudio
7
Multiplayer
10

 

PRÓS
Experiência online completa: co-op, modos competitivos e Horda 3.0
Gráficos sensacionais: cenários imponentes se destacam
Cenas de ação épicas e impactantes
Variedade de armas
CONTRAS
Campanha decepcionante
Novos personagens pouco envolventes e mal trabalhados
Tiroteios cansam rapidamente pela repetição exagerada
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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