ANÁLISE: Abzû

A exuberância do fundo do mar retratada em um game imperdível

Criado por Matt Nava, a mente por trás dos consagrados Flower e Journey, "ABZÛ" chega com a premissa de ser um dos games mais belos e intrigantes já produzidos. E de fato, é. Mas aqui não estamos falando apenas de visual, mas sim de um todo que inclui, claro, os gráficos, mas também a ambientação e a qualidade simplesmente espetacular da trilha sonora exclusiva gravada por uma orquestra.

ANÁLISE: Journey

Quando iniciar a jogatina pela primeira vez, você vai se sentir jogando uma espécie de "Journey aquático". Todas as características do premiado game, que foi lançado originalmente para Playstation 3, estão lá. Desde o misterioso personagem, até mesmo a mecânica de comunicação com o mundo a sua volta - o som é praticamente o mesmo! - e também as descobertas de pequenos locais que se parecem com "santuários" na qual você liberta diversos tipos de animais.

No inicio do gameplay, ele não informa o que o personagem é, o porque de estar ali, ou o que tem que ser feito. Tudo é muito misterioso ao ponto de você terminar o jogo e correr o risco de ficar sem entender nada. Há uma parte do game onde o personagem muda um pouco o visual, e nesse ponto dá pra se ter uma pequena ideia do que ele é. Ou melhor, do que ele é feito. Mesmo assim, a ideia central ainda é um completo mistério, e essa é a graça de "ABZÛ".


Um jogo curto
A duração pode ser um problema para muita gente. Vasculhando uma boa parte do cenário, consegui terminar o jogo em 2 horas, mas há relatos onde o jogo foi zerado em pouco mais de 1 hora. A questão é que cada um dos oito capítulos do game traz muita coisa extra que inclui áreas de meditação, algumas conchas que ficam escondidas, além de pequenos santuários onde animais aquáticos são libertados. Mas é importante dizer que nada disso é necessário para que o jogo prossiga, ou seja, você pode zerar o jogo sem precisar fazer esses extras.

Mas um jogo que demora 2 horas para zerar não é curto demais? Sim, é. Mas há uma característica que faz com que você jogue muitas e muitas vezes: a imersão! "ABZÛ" é um jogo mágico, desestressante e relaxante em todos os aspectos. Eu cheguei no final por três vezes e em todas elas o jogo me mostrou espécimes de vida diferentes e em quantidade cada vez maiores. Isso acontece porque os animais que você "libertou" dos pequenos "santuários" ficam livres para sempre, mesmo que você inicie um novo jogo do zero.

Jogabilidade


Simples e sem mistério

"ABZÛ" é um jogo bastante enigmático. No inicio é preciso achar três pequenos robôs que guiam o jogador ao seu destino na fase atual. Pode-se dizer que eles servem como um pequeno "tutorial" sobre o que fazer e onde ir. Por outro lado, eles intrigam ainda mais o jogador: "Por que pequenos robôs estão enterrados no fundo do mar?".

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No decorrer da jogatina o jogador vai descobrindo novas espécimes de animais aquáticos e os maiores são controláveis bastando segurar neles, inclusive podendo fazer "acrobacias" e ate mesmo pular fora d’água.

Em cada uma das oito fases há uma espécie de "totem" que o jogador ativa sentando em cima. Eles servem para meditar, observando cada espécie de animal aquático daquela fase. É bem interessante porque uma vez meditando, o jogador pode seguir todos os cardumes de peixes, as baleias, tartarugas, lulas, tubarões, caravelas (água-viva), e até mesmo animais menos conhecidos do homem que vivem nas profundezas do oceano, e ver as reações de cada um. Inclusive o jogo mostra o nome do animal, tornando algo até didático. Ao destravar esses "totens", eles aparecem no menu principal do jogo onde o jogador poderá ir direto a eles afim de observar os animais em sua vida marinha.

Gráficos


Visualmente uma obra prima

Com o significado de "Oceano da Sabedoria", "ABZÛ" traz um dos visuais mais lindos dos últimos tempos. Embora o jogo seja cartunesco e com uma modelagem até simplória, com cores chapadas praticamente sem texturas, a diversidade de cores, suavidade das animações e a quantidade de animais aquáticos na tela ditam o tom.

Esse é o tipo de jogo onde não basta ver fotos. É preciso assistir vídeos para observar a qualidade excepcional do game, o que inclui a ambientação completa com animações, efeitos de luz e a fabulosa trilha sonora. A imersão é tão grande que você vai zerar o jogo sem levar em conta que se passaram cerca de 2 horas. E no final vai ficar com gostinho de quero mais.

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Os efeitos de iluminação são belíssimos, principalmente ao fazer acrobacias e pular por cima d’água. As animações com características exclusivas de cada animal são fielmente representadas. Experimente seguir os diversos cardumes de peixes. É simplesmente maravilhoso e relaxante.

O jogo possui centenas de animais diferentes, e em alguns momentos ao se deparar com esses gigantescos cardumes, a sensação é de que há literalmente milhares de peixes na tela e o visual é deslumbrante principalmente porque eles te seguem caso você se comunique com eles através dos sinais sonoros.

Áudio


Magnífica trilha musical

Por ser ambientado no fundo do mar, "ABZÛ" possui uma variedade pequena de efeitos sonoros, e por esse motivo o que se destaca é a sua trilha musical. Composta por Austin Wintory, ela é simplesmente um das melhores já produzidas para um game. Totalmente orquestrada, a trilha gera emoção no toque certo e em momentos precisos. Esse jogo é a prova cabal de que basta uma boa música para que um game toque o coração do jogador, criando uma mistura de emoções. Realmente magnífico.

"ABZÛ" é imperdível e fundamental para quem curte games. A produtora Giant Squid Studios criou uma obra- prima relaxante, enigmática e mágica. Apesar de curto, "ABZÛ" poderá ser jogado diversas vezes e a cada vez, novidades irão aparecer, as reações dos animais serão diferentes, novas espécimes irão surgir e a sua interpretação sobre a história central poderá ser diferente. Resumindo, a cada jogatina, uma nova experiência surge mostrando que um jogo pode te dizer muita coisa, mesmo sem diálogo.

Conclusão

 

Avaliação: Abzû

Graficos
9.0
Jogabilidade
9.0
Áudio
10.0

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PRÓS
Visual belíssimo
Imensa variedade de animais aquáticos
Trilha musical espetacular
Mergulhar e saltar com os golfinhos é demais
Um jogo mágico
CONTRAS
Curto
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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