ANÁLISE: Furi

Uma grata surpresa: indie é desafiante, frenético e recompensador

Desenvolvido pela The Game Bakers, "Furi" é um jogo independente com foco nos combates em terceira pessoa. Em um mês praticamente vazio de grandes lançamentos, o título chega como uma grata surpresa por oferecer uma dose equilibrada entre dificuldade, desafio e recompensa. 

Abaixo você confere a análise de "Furi", baseada na versão para Playstation 4. O game também está disponível para PC.

História


Mistérios e metáforas

A história de "Furi" não é muito elaborada, mas é satisfatória o suficiente para não afastar ninguém. Sem entregar muito, o enredo segue a jornada de um guerreiro que conquista a liberdade para explorar o seu mundo. A narrativa destaca o seu amadurecimento como herói, mas tudo à base de poucos esclarecimentos sobre as suas principais motivações. O jogador é abastecido apenas com breves diálogos que antecipam ou acontecem após os combates, sempre recheados de muitas metáforas que dão margem a interpretações diversas.

Essa definitivamente não é a melhor forma de conduzir o jogador pela jornada, já que gera muitas confusões e incertezas. Ainda assim, é um recurso que garante o interesse de quem joga pelo suspense da próxima descoberta. Muito desse envolvimento vem de um guia que acompanha o guerreiro, sempre aguçando a curiosidade com frases de efeito e dando indícios sobre os próximos desafios e áreas que o jogador vai visitar. No final das contas, a história cumpre o seu papel básico de envolver, servindo mais como muleta para o que realmente importa: a jogabilidade. 

Jogabilidade


Combates frenéticos e desafiadores, mas recompensadores

A jogabilidade de "Furi" concentra toda a sua mecânica em combates em terceira pessoa. O jogador tem o controle total de um guerreiro extremamente ágil e habilidoso com espadas e armas de fogo. Os comandos são precisos, bem otimizados a acada botão e, depois de alguns minutos de partida, já é possível se sentir capaz de vencer cada um dos inimigos do game. O título não tem exatamente uma campanha solo, sendo necessário apenas cruzar algumas áreas breves que intercalam as arenas de lutas contras os chefes. 

Sem locais para explorar ou quebra-cabeças para resolver, o game sabe entregar batalhas frenéticas contra os chefes. Cada um deles tem uma dinâmica de desenvolvimento totalmente diferenciada na forma como se deve atacar, revidar e defender, em que a experiência no geral se aproxima bastante à mecânica consagrada da franquia "Dark Souls". Isso significa que o jogador é obrigado a dominar os controles, a estudar os inimigos e a reconhecer seus padrões de movimento para poder ter alguma chance de vencer. A diferença é que "Furi" não tem dragões nem criaturas de outro mundo, mas seres mágicos extremamente intimidantes e versáteis. 

- Continua após a publicidade -

Ações triviais como se deslocar, desviar, acertar a defesa no tempo certo e atirar projéteis à longa distância de nada adiantam se não forem executados com coerência e não estiverem dentro do padrão de reação dos chefes. Sendo assim, é inevitável esbarrar em momentos de pura frustração, repetição exaustiva e inúmeras mortes, muitas vezes por erros bobos e impensados. É daqui que surgem os sentimentos mais negativos que o game consegue fazer brotar, mas que, na verdade, fazem parte de todo um aprendizado de mecânica em que atuar desesperadamente e sem consciência plena nunca funcionam.

Em contrapartida, ser paciente, ter frieza e domínio absoluto do que se faz é que se chega ao auge da jogabilidade de "Furi": a incomparável sensação de triunfo e recompensa pelo esforço contínuo de conseguir derrotar a fera do momento. E, no total, são 9 delas. É interessante notar que não existem itens e sistemas de evolução ou de melhorias de equipamentos que concedam vantagens ou alterem a mecânica com o tempo. O jogador tem tudo de que precisa para passar pelos desafios desde o início, sem por nem tirar. Só precisa mesmo se adaptar às sólidas regras do título para não sofrer à toa.     

Gráficos


Visual estilizado agrada aos olhos

"Furi" também agrada nos gráficos. A estética diferenciada do jogo remete aos desenhos animados, mas sem os exageros das cores ou efeitos muito vibrantes para chamar atenção. O visual é bastante estilizado e traz uma forte saturação de tonalidades que agregam identidade própria ao título, sempre combinando com a proposta da aventura épica do guerreiro solitário. 

Junto a isso, todos os cenários têm elementos que não se repetem em mais nenhum outro trecho do game. Além de demonstrar todo um cuidado na composição visual de cada um dos ambientes para driblar a mesmice, essa medida também garante uma variedade de arenas de combate convidativas à observação, inclusive durante as lutas mais frenéticas. O trabalho é realmente ótimo.       

Áudio


O melhor de Furi

- Continua após a publicidade -

O áudio de "Furi" é sensacional. A trilha sonora é uma das mais empolgantes já produzidas para qualquer jogo, seja independente ou de alto orçamento. As batidas eletrônicas mixadas com efeitos de techno, pop e rock, comandam a maior parte das lutas e combinam com absolutamente tudo o que se vê na tela.

Ritmos que remetem aos anos 70 e 80, cada uma com seus cortes de edição extremamente bem posicionados, também aparecem e sabem guiar certeiramente a dinâmica e as emoções e frustrações sentidas em cada batalha. Sem dúvidas, é a melhor parte do jogo.  

"Furi" é uma grata surpresa em um mês carente de grandes lançamentos. A jogabilidade viciante e os combates desafiantes garantem a diversão por toda a aventura. Como o jogo também capricha nos quesitos mais técnicos, não é difícil recomendá-lo para qualquer jogador. Por isso, quem assina a Playstation Plus deve aproveitar que o título está gratuito para baixá-lo neste mês. E quem joga no PC, basta aguardar uma promoção, pois o preço de R$70 é incompatível pelo que "Furi" oferece no conjunto da obra.

Conclusão

 

Avaliação: Furi

História
7.0
Jogabilidade
8.5
Gráficos
8.0
Áudio
9.0

PRÓS
Trilha sonora marcante e empolgante
Chefes diversificados e únicos 
Combates desafiantes e igualmente recompensadores
Gráficos estilizados garantem a beleza da aventura
Controles muito bem otimizados à mecânica
Ausência de itens, evolução e equipamentos é uma escolha certeira de design
CONTRAS
Dificuldade alta pode afastar os mais impacientes
História metafórica mais confunde do que esclarece
Ausência de uma campanha padrão pode incomodar
Tags
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.