ANÁLISE: Alienware 15

Notebook gamer recheado de recursos e com alta performance, mas por um preço bastante alto

A Alienware fez o seu retorno ao Brasil, trazendo aquilo que é sua especialidade: hardware pra gamers de alta performance com design bastante chamativo. A linha focada em games da Dell reestreia no país após anos de ausência, e chega com dois modelos de notebooks gamers e acessórios. Testamos o Alienware 15, que como o nome nos leva a suspeitar, chega com tela de 15,6 polegadas, sendo que também está disponível um modelo maior com tela de 17".

Como se trata de uma marca que já traz um status de "grife", naturalmente os preços não são dos mais amistosos: o modelo de 15 polegadas pode custar de quase 8 a até mais de 16 mil reais. Nessa variação e preços temos desde um Core i5 até um Core i7 geração Skylake e chips gráficos que variam de um GeForce GTX 965M até um 980M. Além do notebook em si, a Dell enviou também o dock com possibilidade de utilizar uma VGA externa, o que eles vem anunciando com o curioso nome de "amplificador gráfico". Hora de ver o que o robusto notebook tem a nos oferecer!

Design


Arrojado e chamativo, como um Alienware costuma ser

Recentemente lançamos a análise do Inspiron 15 Gaming, e uma característica daquele notebook era esconder seu alto desempenho atrás de "uma cara austera e discreta". Aqui temos o extremo oposto desse conceito: como é comum a produtos Alienware, o Alienware 15 é um notebook feito para ser notado. Todo seu design é robusto, as linhas são arrojadas e vários acabamentos e esquemas de iluminação garantem que ele não é um notebook comum. Falando ainda em estética, o "visual gamer" também fica por conta de um conjunto de LEDs na tampa e parte inferior, que tem seu efeito e cores customizáveis. Além da estética externa, o teclado e touchpad também acompanham essa característica, e podem ser definidos com um esquema de cores diferentes através de luzes.

O sistema de luzes customizável permite deixar o notebook com diversos visuais


Uma característica importante é o porte: ele não é dos mais leves e nem dos mais finos, com 3,02 kg e pouco mais de 3 centímetros de espessura, ele é um notebook "parrudo". Enquanto existem outros modelos como o Razer Blade ou o MSI GS60, que tentam trazer mais portabilidade e designs finos, o Alienware assume totalmente a pegada gamer no sentido de comprometer um pouco suas medidas para entregar um notebook com um sistema de resfriamento mais robusto, e assim consegue extrair mais performance de seus componentes.

O Alienware 15 não é dos mais finos nem dos mais leves, seu design é feito para garantir funcionamento em alta performance dos componentes

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O teclado vem no padrão americano e conta com seis botões adicionais na lateral esquerda, sendo um para o AlienwareFX e mais 5 que atuam como macros. Sem muito foco na produtividade, coisas como teclado numérico e também versões em ABNT-2 ficaram de fora. Sobre o teclado tenho uma restrição: a presença do botão Windows na lateral esquerda, sendo que em um notebook gamer é sempre uma boa pedida deslocá-lo para a direita.

Performance


Alto desempenho para encarar games

A pegada gamer do Alienware não está restrita ao design. O notebook vem equipado com componentes de alto desempenho para jogos, e mesmo em seu modelo mais básico (Core i5 + 8 GB de RAM + GTX 965M) temos um hardware com perfil para encarar games em qualidade média e alta na resolução FullHD. Nosso sistema de testes veio equipado com uma GPU Geforce GTX 970M, 16GB de memória e um processador Core i7-6700HQ, o que representa um custo total de R$ 11 mil (ouch!).

Começando com alguns testes de performance geral, vemos um bom posicionamento do Alienware, resultado de sua combinação de CPU rápida, GPU potente e SSD agilizando a abertura e execução de programas. No Benchmark do HD Tune temos um comparativo tanto com um HD, caso do presente no Dell Inspiron 15, quanto com SSDs, sendo que o caso do GT72 Dominator Pro é um extremo: ele possui um RAID 0 com 3 SSDs.

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Performance em games

Hitman
A franquia clássica ganhou mais um episódio em 2016, com desenvolvimento por conta da I/O Interactive e distribuição da Square Enix. Entre os destaques do game está o uso da API DirectX 12 já em seu lançamento, sendo um dos primeiros jogos a já contar com essa tecnologia. Com fases complexas, com até 300 personagens em cada cenário, o game é um interessante desafio para o hardware.

Rise of Tomb Raider
O mais recente game da franquia de Lara Croft, "Rise of Tomb Raider" trouxe um grande salto na qualidade sobre a versão anterior, prometendo exigir muito das placas de vídeo, mesmo os modelos de alta performance.

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Tom Clancy's: The Division
O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos.

Grand Theft Auto V
O game "GTA V" para PC está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques ótima qualidade gráfica. Confiram abaixo o comportamento das placas rodando o game:

Como observamos ao longo dos testes, o Alienware 15 equipado com a GTX 970M é um notebook capaz de encarar os games mais pesados na qualidade média ou alta e na resolução FullHD. Partindo para franquias mais leves, ele não terá dificuldade nenhuma em bater os 60FPS em qualidade alta e 1080p. 

O Alienware 15 é feito para rodar games pesados em qualidade média/alta e na resolução FullHD

Autonomia e aquecimento

Dois fatores bastante importantes em notebooks são seu aquecimento e autonomia. Com a missão de serem "computadores móveis", eles precisam conseguir lidar com períodos longe da tomada e, por conta de seu design mais portátil, devem encarar problemas de aquecimento de seus chips mais potentes (CPU e GPU). 

Observando os resultados de produção de ruído e aquecimento, vemos como o sistema da Alienware se saiu muito bem em "manter a discrição" durante testes mais intensos, atingindo no máximo 42 decibéis para manter a temperatura do chip GeForce GTX 970M sob controle. Quanto a temperatura, porém, vemos que ele aqueceu um pouco mais que modelos como o Inspiron 15, algo que não é anormal: chips mais potentes são mais difíceis de manter a temperatura baixa, e um exemplo disso é o maior aquecimento do Avell e sua GPU GTX 980M.

O Alienware 15 faz um bom serviço no resfriamento da GPU, com temperaturas sob controle e pouca produção de ruído

Falando em autonomia, o notebook se sai bem dentro de sua categoria de notebooks de alto desempenho. Mesmo portanto componentes que, por conta de sua maior performance também consomem mais, ele conseguiu ficar 5 horas e 46 minutos longe da tomada, realizando um benchmark de atividades leves em seu modo de economia de energia com o brilho de tela no mínimo.

Recursos adicionais e acessórios

Talvez o mais curioso dos acessórios, e um dos principais diferenciais desse notebook, é o "Amplificador Gráfico", que segue um conceito semelhante a de docks com GPUs externas para notebooks, como o Razer Core. Uma diferença importante, porém, é que o amplificador gráfico da Dell utiliza um padrão proprietário de conexão, o que significa que o "amplificador gráfico" só irá funcionar com o próprio Alienware. Isso é um ponto bastante negativo, já que modelos de rivais tem optado por padrões mais populares, como Thunderbolt e USB 3.1. A presença de uma porta USB Tipo-C, inclusive, tornaria esse modelo compatível com outras docks que usam essa conexão.

O amplificador gráfico conta com quatro conexões USB e um slot PCI para receber uma placa de vídeo dual-slot. Mesmo placas mais longas são compatíveis com o dock, que foi generoso em seu espaço e resfriamento, com uma fan na parte frontal auxiliando na circulação de ar. A fonte é da própria Dell, e afirma ter potência máxima de 460W, suficiente para placas de vídeo de alto desempenho (lembrando que o dock só precisa lidar com a alimentação da placa de vídeo, logo as recomendações de fontes das fabricantes não se aplicam aqui, afinal eles sempre incluem todo o sistema "na conta").

Realizamos uma bateria de testes com a GTX 980 e também a recém-lançada GTX 1080, para verificar o aproveitamento da performance de placas de diferentes perfis de desempenho. Também incluímos os resultados de nossos testes com nosso sistema de alto desempenho utilizado nas reviews, com hardwares que teoricamente não limitam em nada a capacidade dessas placas de vídeo.

Como fica evidente, o "amplificador gráfico" não é capaz de extrair toda a performance disponível nas GPUs. Uma serie de fatores influenciam nesse processo, desde as limitações do notebook em performance, algo que não deve ser o principal elemento já que temos aqui um modelo com componentes potentes, e até mesmo a largura de banda e velocidade de comunicação através desse padrão de conexão utilizado na ligação entre o notebook e o dock pode ser um dos gargalos. Em nosso teste se mostrou mais sensato utilizar a GTX 980, que resultou em saltos expressivos na performance do notebook e não ficou tão abaixo de seu "desempenho pleno".

Um dos primeiros componentes a ficar obsoleto em um notebook gamer é a GPU. Uma placa de vídeo externa é uma boa forma de contornar o problema

O amplificador gráfico é uma solução bem interessante para o principal problema dos notebooks gamers a longo prazo: a velocidade que o chip gráfico se torna obsoleto. Com menos desempenho que os modelos para desktop, as GPUs dos notebooks sentem mais rápido a obsolescência, e poder contar com a ajuda de uma placa de vídeo externa é muito importante, afinal as memórias e o processador tendem a sofrer menos com a passagem do tempo e com os novos lançamentos de jogos.

O acelerador gráfico realmente traz saltos em desempenho, mas não extrai toda a performance disponível na placa de vídeo

Apesar dos resultados interessantes, tenho algumas considerações sobre o dock. Além de usar um formato proprietário, o que tornará ele inútil caso você saia do ecossistema da Alienware no futuro, ele só conta com conexões USB, o que o torna menos interessante que outros produtos que já contam com entradas de cabo de rede e tornam mais cômodo o uso. Outro detalhe importante é que a fan na parte da frente produz um ruído perceptível e constante, mostrando que não há um gerenciamento avançado de seu funcionamento. Mesmo quando o PC está ocioso, ela fica operando e produzindo ruído. E por fim, mais desmotivante de tudo é com certeza o preço: com custo de R$ 1.5 mil, essa solução é bastante cara, ainda mais considerando que você também vai precisar comprar uma placa de vídeo, pois só a fonte está inclusa.

Apesar de não trazer um teclado numérico completo, o Alienware usou o espaço adicional nas laterais para inserir uma nova coluna de teclas. São um total de 5 botões mais um que serve para alterar o perfil em uso. O gerenciamento dos macros, customização do efeito de cores e outras funções do notebooks são ajustadas através do software da Alienware. 

O software é separado em quatro áreas. o AlienFX é o gerenciador do sistema de luzes, tanto do teclado quanto das partes externas do notebook e inclusive da luz na parte frontal do "amplificador gráfico". O software é bem intuitivo, com várias opções pré-definidas e também a possibilidade de mudar manualmente cada uma das luzes, desde a suas cores até o padrão em que elas irão acender e apagar. A úncia falta que senti foi da cor branca: curiosamente ela é a única que não está disponível no sistema de LEDs na carcaça e no teclado do Alienware 15.

O Alienware Fusion faz o gerenciamento das características de energia do notebook, trazendo opções relativamente semelhantes ao que temos nas configurações avançadas do próprio Windows. Aqui você pode criar perfis para performance, luzes e funcionamento baseado em situações como "estar ligado na tomada" ou "operando na bateria". O Alienware TactX fica responsável pelo ajuste do teclado, sendo que é aqui que você mudará o funcionamento dos botões adicionais da lateral, atribuindo novas funções a eles e realizando gravações de Macros.

Por fim, o Alien "nome do usuário do sistema Windows" é onde você pode criar perfis diferentes de funcionamento do notebook baseado em aplicativos. Assim você pode criar perfis de luz e de macros específicos para um game, por exemplo. Outra capacidade dessa área é fazer o gerenciamento o Amplificador Gráfico, definindo se está ativo ou não, e também configurando qual ação deve ser feita o conectá-lo com o computador ligado: reiniciar "por conta" ou alertar o usuário da necessidade de desligar o sistema para colocar a VGA externa e as conexões adicionais USB em ação.

Como muitos dos produtos da linha Alienware, esse notebook traz como características marcantes um design bastante chamativo e alta performance. Por conta da alta capacidade de customização das luzes, é possível deixá-lo com muitos visuais diferentes, desde um discreto "quase todas as luzes apagadas" até um chamativo "todas as cores piscando e se alternando". Esse é o tipo de solução que resolver qualquer caso, acertando o gosto de qualquer consumidor e com a vantagem que, se você está cansado de um estilo, facilmente pode trocar todo o esquema de luzes para sair da rotina. Por si só, mesmo com todas as luzes apagadas, o Alienware 15 é um daqueles notebooks pra games que deixa bem claro seu propósito: com linhas arrojadas e um porte maior, ele é nitidamente um aparelho para alta performance.

Na hora do gameplay, vemos que esse é um notebook que irá rodar qualquer game na resolução FullHD e com qualidade alta, sendo que jogos mais pesados podem tornar necessário o uso de configurações médias para garantir uma boa taxa de quadros. Em franquias mais leves ele irá passar sem nenhuma dificuldade, o que garante que qualquer MOBA ou games como Overwatch serão executados sem nenhuma necessidade de economizar nos gráficos ou lidar com poucos FPS. Situando sua performance dentro do mundo dos desktops, temos aqui um desempenho pouco abaixo do que uma GeForce GTX 960M tem para oferecer.

O Amplificador gráfico é um recurso bastante interessante ao aproveitar toda a força de uma placa de vídeo externa para acelerar os games. Apesar de interessante, esse acessório não parece ser o ideal por uma serie de fatores, que incluem o uso de um padrão proprietário na conexão, a incapacidade de utilizar toda a performance da placa de vídeo, a falta de alguma conexões como portas de rede e, com certeza o mais impeditivo, seus custo de R$ 1.2 mil, conta que nem inclui a placa de vídeo que deverá ser adquirida separadamente.

O Alienware 15 é um notebook com excelente performance e recheado de recursos interessantes, mas seu preço não é para qualquer um

Além da performance e do design, outra característica da Alienware (e de toda marca que alcançou o status de grife) é seu alto custo. No caso desse modelo de 15 polegadas, isso significa que você precisa desembolsar no mínimo 8 mil reais para levar o notebook em sua versão mais básica, que já entrega um bom desempenho através da combinação de um Core i5 Skylake, 8GB de RAM e uma GeForce GTX 965M. O modelo desse teste, equipado com um Core i7 e uma GTX 970M eleva esse valor para impressionantes 11 mil reais, algo que tira qualquer perspectiva de balanço entre custo e benefício e o torno caro até comparado com outros modelos com chips gráficos semelhantes, como alguns produtos da Avell com a GTX 970M e um valor na casa dos 8 mil reais. Se você busca um notebook gamer de alta performance, deseja todos esses diferenciais de design, como um sistema customizado de luzes, conjunto de resfriamento eficiente, um teclado com botões adicionais, possibilidade de utilizar uma placa de vídeo externa e, o mais importante, o valor não é um problema, temos aqui um notebook que será bastante interessante. 

Conclusão

 

Avaliação: Alienware 15

Design
10
Tela
9
Performance
10
Autonomia
8
Preço
6

PRÓS
Alta performance
Sistema de luzes customizável
Design eficiente de resfriamento
Botões adicionais na lateral
Compatível com acessório de VGA externa
CONTRAS
Alto custo
Design grandalhão
Amplificador gráfico não extrai toda a performance da VGA
Teclado fora do padrão ABNT-2
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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