ANÁLISE: Homefront: The Revolution

Franquia aposta em mundo aberto sem diferenciais e o resultado é catastrófico

"Homefront: The Revolution" é a sequência do FPS de mundo aberto lançado em 2011. Depois da falência da THQ, a ex-detentora dos direitos da saga, a franquia saiu das mãos da produtora Kaos Studios e ficou sob responsabilidade da novata Dambuster Studios, que pertence à Deep Silver. Será que essa mistura de empresas e de redefinição de projetos resultou num jogo decente?

É isso o que você vai descobrir abaixo na análise de "Homefront: The Revolution", baseada na versão para PC. O título também está disponível para Playstation 4 e Xbox One.

História


O dia em que a Coréia do Norte conquistou os EUA

A história de "Homefront: The Revolution" acontece em 2029, época fictícia em que Estados Unidos e Coréia do Norte disputam a supremacia global na economia e na corrida tecnológica. Os orientais implantaram, em todos os eletrônicos vendidos aos ocidentais, um mecanismo que desativa qualquer dispositivo que circula nos EUA, deixando o país completamente vulnerável. A Coréia do Norte se aproveita da situação, invade e domina a até então superpotência invencível.

A premissa é absurdamente promissora e chega a motivar nos primeiros momentos pela forma como se apresenta através de uma realidade alternativa que, embora esteja longe de acontecer, retrata parte das ameaças recentes da Coréia do Norte a países ocidentes, sobretudo aos EUA. A empolgação, entretanto, dura pouco: algumas horas adentro na experiência e o jogador topa com diálogos forçados e situações corriqueiras que não sabem representar a polêmica da temática.

Quem jogar Homefront: The Revolution e gostar não vai ser pela história nem pelos personagens

Junto a isso, a falta de personagens marcantes e verossímeis, que poderiam sustentar a atitude rebelde de guerrilheiros ressurgentes que buscam libertar os norte-americanos dos norte-coreanos, é uma grande problema, derrubando qualquer tentativa de criar algum tipo de envolvimento ou identificação com suas personalidades. Por isso, quem se aventurar em "Homefront: The Revolution" e gostar definitivamente não vai ser pela história, pois é praticamente impossível se importar com qualquer um dos revolucionários do enredo. 

Jogabilidade


FPS em mundo aberto com mecânicas típicas e igualmente datadas

A jogabilidade de "Homefront: The Revolution" combina elementos de tiro, furtividade (stealth) e exploração. Tudo acontece em primeira pessoa e, em relação ao jogo anterior, a movimentação passou a ser em mundo aberto. O jogador não apenas ganhou liberdade para se deslocar pelos mapas, mas também mecânicas típicas desse tipo de jogo para se divertir. As novidades são bem-vindas à franquia e a evolução é perceptível em alguns pontos. Entretanto, essas mudanças não vieram exatamente para melhorar a experiência como um todo. 

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A fonte dos problemas de "Homefront: The Revolution" está no fato de que absolutamente nenhum recurso de jogabilidade em mundo aberto consegue se diferenciar ou ser melhor executado do qualquer outro título de mundo aberto já produzido. A própria fórmula consagrada de acesso a missões se repete exaustivamente, sem nenhuma novidade qualquer: é preciso cumprir os objetivos da história para liberar novos pontos do mapa e, assim, realizar tarefas secundárias. E, para piorar, essas missões também são muito pouco variadas e inspiradas, cortando praticamente qualquer vontade de continuar jogando por conta da mesmice escrachada. 

As missões principais se resumem a sair de um lado e chegar ao outro extremo do mapa, conquistando novas localidades, passando por túneis subterrâneos e derrubando inimigos pelo caminho. Isso pode ser feito com muito tiroteio ou por furtividade. O primeiro jeito é o mais divertido, pois parte para a ação direta simples e evita a fadiga das infiltrações, que em praticamente nada lembram a emoção dos jogos do gênero. A mecânica não oferece recursos eficientes para furtividades bem planejadas, nem recompensa o jogador com prêmios válidos para seguir jogando dessa forma.  

Homefront: The Revolution não oferece nada de novo em relação a qualquer outro game de mundo aberto. As missões principais não empolgam e as secundárias são demasiadamente genéricas

As missões secundárias têm esse mesmo vigor criativo. Extremamente triviais e genéricas, essas atividades fazem com que o jogador passe algumas horas hackeando torres, dando esmola para mendigos, ativando rádios ou entregando encomendas a estranhos. Tudo em troca de itens que pouco vão ajudar na progressão da aventura. Algumas delas, inclusive, são obrigatórias para poder continuar jogando, transformando a experiência num festival de ideias manjadas muito pouco atrativas aos olhos de quem já jogou games melhores e muito mais divertidos.

Para não ser totalmente injusto, a jogabilidade de "Homefront: The Revolution" tem seus méritos. Os controles são responsivos e precisos, do jeito que se espera de um jogo de tiro em primeira pessoa. Embora tenha uma grande quantidade de combinações de comandos para cada tipo de situação e a curva de aprendizado dessas variações seja um pouco alta, o jogador nunca é prejudicado pelo excesso de opções ou por nenhuma outra falha que possa comprometer a partida.

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Fora isso, ainda existe um modo cooperativo online chamado Resistance Mode, em que até 4 jogadores simultâneos podem se reunir para cumprir uma série de objetivos fora da campanha, defendendo bases e conquistando novos territórios. Algumas atividades extras, como ativar torres ou abater hordas insistentes de inimigos, ajudam a diversificar a jogatina e deixam essa modalidade um pouco mais interessante e convidativa, algo que não apenas traz frescor à fraca campanha solo, como também um sólido divertimento momentâneo.        

Gráficos


CryEngine 3 ainda tem fôlego de sobra

O melhor de "Homefront The Revolution" são os gráficos. Desenvolvido com a CryEngine 3, o jogo se destaca em três partes: texturas convincentes bem empregadas, iluminação realista surpreendente e excelentes efeitos de partículas suspensas. A direção de arte também tem seus méritos: o apelo futurista de um país destruído pela guerra mostra cenários amplos e opressores, lotados de detalhes que ajudam a criar um ambiente imersivo cujas características são reforçadas com elementos desoladores e hostis.

Esteja o jogador explorando a céu aberto ou percorrendo túneis em passagens ocultas, a impressão que se tem é de caos e desesperança. Já as expressões faciais é que estão extremamente superficiais e falsas, prejudicando a identificação das emoções dos personagens. Esse descuido não é algo que compromete a experiência, mas também não é compatível com o que se espera da poderosa engine da Crytek.  

Áudio


Desolação e suspense ditam o ritmo, mas faltou empolgar

No áudio, "Homefront: The Revolution" também tem seus altos e baixos. A trilha sonora, por exemplo, sabe se impor com músicas que despertam desolação e suspense nos trechos de exploração e com batidas agressivas nas partes mais frenéticas. As melodias costumam combinar com a proposta destrutiva da temática e é comum se sentir envolvido pelas composições. Mas aqui começam os problemas: elas não chegam a impressionar ou a realmente empolgar enquanto se está jogando em momento algum. Em outras palavras, não é algo que vai ficar marcado ou que de alguma forma será lembrado futuramente pelos jogadores. Fora isso, não existe dublagem em português brasileiro (apenas legendas, na localização), fugindo do padrão adotado pela maioria das outras produtoras de grande representação no país.  

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"Homefront: The Revolution" abandona a linearidade do antecessor para entregar um mundo aberto recheado de ideias clichês. Tirando a parte gráfica e alguns momentos do áudio, a mecânica de jogabilidade em mundo aberto não apresenta absolutamente nenhuma novidade na estrutura de missões quando comparada a outros títulos semelhantes, trazendo missões principais e secundárias extremamente genéricas e pouco convidativas à jogatina. Se ainda quiser arriscar, o modo cooperativo pode trazer algum divertimento em grupo, mas é por pouco tempo. Caso contrário, não perca seu tempo nem gaste seu dinheiro com esta sequência banal e desnecessária.

Conclusão

 

Avaliação: Homefront: The Revolution

História
4
Jogabilidade
6
Gráficos
7.5
Áudio
7

PRÓS
Muitas opções de customização de equipamentos
Variedade gigantesca de armas e acessórios de combate
Cooperativo online para 4 jogadores
Atmosfera futurista
CONTRAS
Enredo muito mal aproveitado
Bugs aleatórios impedem a progressão da aventura
Missões principais pouco inspiradas
Missões secundárias absurdamente triviais
Nenhuma novidade na mecânica de mundo aberto
Menus burocráticos
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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