ANÁLISE: Uncharted 4: A Thief's End

A despedida triunfal de uma franquia que vai deixar saudades

Um dos jogos mais aguardados de 2016, "Uncharted 4: A Thief's End" é o novo episódio da consagrada franquia de aventuras da Naughty Dog. O game chega cercado de extrema expectativa e empolgação, sobretudo porque este é o último jogo da saga. Mas será que o título é uma despedida digna e faz jus ao legado construído nos últimos 10 anos pela série mais ambiciosa e prestigiada dos consoles da Sony

Linha do Tempo Adrenaline: franquia Uncharted

É exatamente isso o que você vai descobrir na análise abaixo. "Uncharted 4: A Thief's End" está disponível exclusivamente no Playstation 4.

História


A busca épica por um tesouro pirata lendário   

Sem entregar muito, a história de "Uncharted 4: A Thief's End" mostra a busca de Nathan Drake por um tesouro lendário localizado próximo à região de Madagascar, ao sul da África. A riqueza, cujo valor estimado é de US$400 milhões, remete à Henry Avery, um dos piratas mais obstinados que os 7 Mares já conheceram. O protagonista não apenas está acompanhado de Elena Fischer, sua esposa, e Victor Sullivan, seu mentor, como também de Samuel Drake, seu irmão que misteriosamente apareceu depois de tantos anos e agora está encrencado até o pescoço. Somente a recuperação do tesouro pode livrá-lo da morte.    

No desenvolvimento do enredo, o game começa devagar. Os fãs vão estranhar a calmaria das ações, muito focadas em diálogos e momentos consideravelmente banais. Esse padrão se repete nos primeiros capítulos e gera uma mistura de sensações que vão do desconforto à desconfiança. Nem a aparição de personagens secundários importantes e inéditos na série, como Sam Drake, e os vilões Nadine Ross e Rafe Adler, conseguem amenizar essa impressão inicial. Felizmente, esse marasmo negativo logo se converte numa das caçadas mais empolgantes e bem trabalhadas já vistas em um jogo eletrônico.   

Como qualquer outra narrativa da Naughty Dog, o jogo é certeiro em balancear momentos de história com exploração, resolução de puzzles e tiroteios em terceira pessoa. Em "Uncharted 4: A Thief's End", essas qualidades são levadas a outro nível de transição entre todas essas seções. Existe todo um cuidado para nunca deixar uma parte se sobressair sobre a outra, ao passo que cada uma delas confere um peso ideal de importância e impacto dentro da construção geral de como os eventos, que agora estão mais sérios e igualmente épicos, são mostrados ao longo da aventura. Alguns capítulos a mais adentro e o jogador já está completamente envolvido com as personalidades dos novos personagens e sedento para saber como tudo vai ser concluído. 

Jogabilidade


Cenários abertos verticalizados e tiroteios extremamente prazerosos 

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A jogabilidade de "Uncharted 4: A Thief's End" retoma os clássicos tiroteios em terceira pessoa à base de muita cobertura. Elementos de plataforma permitem ao protagonista se pendurar, escalar e percorrer os cenários na busca pelos caminhos certos para seguir ou para buscar segredos ocultos. Os controles são absurdamente precisos, responsivos e rapidamente adaptáveis, nada de diferente do que já se espera de um jogo da franquia.

Entretanto, a forma de progressão de Nathan Drake pelos cenários mudou bastante: os ambientes estão bem maiores e mais abertos do que antes, passando uma sensação de aventura de exploração bem mais verossímil do que qualquer outro jogo da saga. Ainda existem trechos lineares em que o personagem apenas interage com objetos ou fala com personagens secundários, mas boa parte das suas principais ações e cenas de combate acontecem em áreas livres de limites de exploração e de movimentação.

Os cenários não apenas cresceram horizontalmente, mas também ficaram verticalmente maiores e integralmente acessíveis. Essa expansão do modelo de design de fases da franquia não apenas caracteriza uma evolução extremamente bem-vinda, como também acrescenta pelo menos uma nova camada na jogabilidade, pois automaticamente possibilita a criação de estratégias complementares de ação, tanto para os trechos de pura exploração quanto para os de tiroteios frenéticos. 

Outras duas camadas de inovações incorporadas à jogabilidade da franquia são a inclusão de um gancho de apoio e de elementos de infiltração. O primeiro serve não apenas para função de deslocamento do personagem, mas também como recurso de ataque surpresa das alturas, usando galhos de árvores ou estrutura de madeira como suporte central. Já o segundo elemento permite ao herói se esconder em matagais mais densos para elaborar formas de incursão silenciosas e certeiras, eliminando inimigos desaviados e acumulando mortes despercebidas. 

O bacana de todas essas novidades trazidas por "Uncharted 4: A Thief's End" é poder utilizá-las simultaneamente. É a na hora do desespero e da correria dos combates em terceira pessoa que o jogo mostra o seu verdadeiro potencial como uma experiência cinematográfica recheada de momentos marcantes e com gameplay bem casado com a proposta. É realmente empolgante e divertido combinar cada uma destas novas habilidades de Nathan Drake para derrotar uma avalanche de inimigos que insistem em aparecer aos montes, nos locais mais inoportunos e que ainda possuem inteligência artificial acima da média.

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Lendo assim, é tentador acreditar que a jogabilidade do game seja perfeita. É quase isso. Mas existe um problema facilmente identificável já nos primeiros minutos de jogatina: as funções de cobertura e de rolamento lateral foram atreladas a um mesmo botão de comando, o que acaba atrapalhando nos momentos de maior aperto. É raro acontecer, mas quando acontece é impossível não se sentir prejudicado. E isso pode ser decisivo entre alcançar um novo checkpoint ou repetir todo um trecho de desafio absoluto. Nas dificuldades mais impiedosas, essa falha pode gerar algum tipo de frustração.     

Gráficos


O que existe de melhor nesta geração

"Uncharted 4: Thief's End" é a vitrine máxima da Naughty Dog em relação a gráficos. Sem dúvidas, o game não apenas é o mais bonito do Playstation 4, mas também entre todos os consoles desta geração. E não é exagero afirmar que não existe produção mais impecável tecnicamente, em termos de polimento e esmero no desenvolvimento de um jogo eletrônico, em qualquer plataforma do mercado, inclusive no PC. Simplesmente não existem concorrentes por aqui. 

Muito desse vigor visual vem da direção de arte descomunal do jogo. Os cenários mais abertos são absurdamente deslumbrantes e têm um senso de escala colossal, do tipo que desviam a atenção do jogador só para ficar admirando o capricho da produção. Em locais mais fechados, o foco passa para o preenchimento detalhado e minucioso de objetos e estruturas que compõem cada terreno, edificação, tumba, floresta e até mesmo no fundo do mar, com características pertinentes de cada área e sempre bem contextualizadas com a história.   

As animações dos personagens também têm grande destaque na produção. A tecnologia de captura de movimentos, incluindo a reprodução das expressões faciais, definitivamente superam a de qualquer outro jogo. E quando nem se percebe que houve uma transição entre uma cena comum de narrativa para o gameplay propriamente dito, é que se tem a real noção do patamar altíssimo alcançado pela desenvolvedora em questões técnicas. Tudo no game foi pensado e desenvolvido para impressionar. E o resultado que se tem é exatamente esse.

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Fora isso, as texturas estão extremamente realistas, precisas e consistentes, vigor que também se repete nos efeitos gráficos complementares de iluminação, fumaça, reflexos em água, explosões e de partículas flutuantes, agindo conjuntamente como elementos adicionais na imersão absoluta do jogador. Por fim, todo esse cuidado é também traduzido no desempenho geral do jogo, que crava os 30 quadros por segundo estáveis, em resolução FULL HD, praticamente durante toda a aventura.   

Áudio


Plasticidade sonora impecável, sensível e envolvente 

"Uncharted 4: A Thief's End" também demonstra capricho e sensibilidade absolutos na construção e na aplicação do áudio. A trilha sonora, por exemplo, não toca gratuitamente a todo momento, mas em momentos específicos para realçar a importância, a dramaticidade, o desconhecido e o apelo emocional dos momentos de jogatina e no desenvolvimento da história pelos personagens. 

Nos trechos de exploração, as melodias são intimistas, serenas e instigantes, sempre envolventes e incentivadoras de continuar na busca pelos tesouros do game. Os efeitos sonoros adicionais transparecem todo um cuidado de imposição para refletir a sensação exata em cada momento da jogatina. Já nas passagens mais caóticas, regadas a muito tiroteios e cenas de ação espetaculares, as músicas assumem uma conduta bem mais agressiva e impactante, sem nunca parecerem exageradas ou deslocadas, mas empolgantes e vibrantes.

Fora isso, as dublagens em português brasileiro estão melhores do que em qualquer outro jogo da série. A produção não chega perto do nível alcançado em títulos como "The Witcher 3: WIld Hunt", mas as vozes costumam combinar com os personagens e as interpretações também costumam refletir as nuances de cada cena em contexto. Existem alguns trechos estranhos, com palavras traduzidas de forma imprecisa e atuações aquém do esperado para uma superprodução deste calibre, mas que não chegam a comprometer o entendimento geral da trama. No fim das contas, quem não domina um idioma estrangeiro não vai ter do que reclamar.  

"Uncharted 4: A Thief's End" supera todas as expectativas ao entregar um pacote completo para o que se espera de uma superprodução. Jogabilidade prazerosa, gráficos impressionantes, narrativa envolvente e vigor sonoro se completam numa experiência sem precedentes que vai ser lembrada para sempre como exemplo de despedida triunfal de uma franquia consagrada. É, definitivamente, o melhor jogo disponível no Playstation 4. Mais do que isso: é candidato fortíssimo - e provável vencedor - a qualquer prêmio de melhor game de 2016.

Conclusão

 

Avaliação: Uncharted 4: A Thief's End

História
9.5
Jogabilidade
9.5
Gráficos
10
Áudio
10

PRÓS
Aventura épica, empolgante e inesquecível
Personagens principais e secundários carismáticos
Gráficos impecáveis: o melhor da geração 
Gancho e trechos de infiltração são evoluções bem-vindas na mecânica
Cenários amplos convidativos à exploração
Ambientes verticais possibilitam estratégias de combate
Puzzles com dificuldade progressiva
Trilha sonora extremamente bem aplicada à narrativa
Tesouros muito bem escondidos
CONTRAS
Multiplayer online indisponível
Mesmo botão para rolamento e cobertura é um problema
Dublagem brasileira aquém do esperado
Tchau, Drake... :/
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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