ANÁLISE: HyperX Cloud Revolver

Headset gamer oferece áudio excepcional e bastante conforto, mas cobra caro por isso

Depois de sua bem sucedida experiência com o HyperX Cloud, um bom headset feito em cima de um design da QPAD, a empresa não parou mais: veio o também competente Cloud II, o Cloud Core, o CloudX e o Cloud Drone. Mas o primeiro design original, feito totalmente dentro da HyperX, pertence ao Revolver Cloud – que, coincidentemente, também é o mais caro da companhia até hoje. De acordo com a HyperX, o produto vem de uma necessidade de gamers hardcore e de cyberatletas profissionais: melhorar seu desempenho através da possibilidade de ouvir um inimigo chegando de longe. Para isso, a aposta da companhia foi em trabalhar no projeto do periférico de modo que ele proporcione o melhor soundstage possível. Ou seja, que o headset traga a sensação de espacialidade necessária para ouvir passos e saber exatamente a direção de onde eles vêm.

Especificações técnicas do headset:
Driver: Dinâmico 50 mm com ímãs de neodímio
Tipo: Circumaural, fechado
Resposta de frequência: 12Hz–28.000 Hz
Impedância: 30 Ω
Nível de pressão sonora: 104,5dBSPL/mW a 1kHz
T.H.D.: < 2%
Potência de entrada: Nominal 30mW, Máxima 500mW
Peso: 360 g
Peso com microfone: 376 g
Tipo e comprimento do fio: Headset (1 m) + Controle de áudio (2 m)
Conexão: Headset - plugue de 3,5 mm (4 polos) + Controle de áudio - plugues estéreo e microfone de 3,5 mm

Especificações técnicas do microfone:
Elemento: Microfone com condensador Electret
Padrão Polar: Unidirecional, cancelamento de ruído
Frequência de resposta : 50Hz-18.000 Hz
Sensibilidade: -40dBV (0dB=1V/Pa,1kHz)

Design


Design bonito sem exagerar na extravagância, com destaque para conforto e promessa de durabilidade

A HyperX tende a fugir dos visuais absurdos que as empresas costumam adotar nos headsets gamer, que geralmente incluem muitas luzes e até designs que parecem ter saído de uma civilização alienígena de um filme de ficção científica dos anos 2000. O Revolver definitivamente é o design mais ousado da empresa até hoje, mas eu não chegaria a classificá-lo como extravagante. Não há nenhuma luz que acende quando o headset é conectado no PC, ou um design sem sentido feito totalmente em cores chamativas, como vermelho, verde, azul ou amarelo. Pode-se dizer que as laterais do periférico, onde fica o logo da HyperX, são o ponto onde o projeto chega mais perto de se tornar exagerado. Mesmo assim, vale lembrar que tem uma função para isso, pois esse suporte é que traz a angulação para os drivers de 50mm, que resultam no melhor soundstage.

De resto, não tem muito do que reclamar. O acabamento está a par do que vemos em outros periféricos dessa faixa de preço, com detalhe para as hastes de metal que ficam na parte de cima da cabeça e vão até a parte de fora do headset, chegando à lateral dos ouvidos. Elas indicam que o Cloud Revolver deve ser bastante resistente e duradouro – essa é a promessa da HyperX, pelo menos – mas só com muito tempo de uso para saber. Um detalhe é que é necessário tomar cuidado para não tocar nessas hastes de metal, pois elas fazem um baita de um barulhão no ouvido de quem está usando o fone. Tirando isso, elas são tudo de bom, inclusive visualmente. As conchas auriculares são revestidas em couro e feitas com a tecnologia memory foam, o que se adapta ao formato do usuário durante o uso, tornado-se ainda mais confortável, mas sem ficar deformada com o tempo. Falando em conforto: como é o caso de toda linha de headsets da HyperX até o momento, o Cloud Revolver não pesa muito, e não incomoda nem em longas sessões de jogatina.

  

  

- Continua após a publicidade -

  

Áudio


Som extremamente nítido e equilibrado, e a promessa do melhor soundstage foi cumprida

Antes de falarmos sobre o áudio, um esclarecimento: Uma coisa que nós notamos sempre que escrevemos uma análise de fones de ouvido aqui no Adrenaline é a representativa quantidade de audiófilos que temos em nosso público. Com seu extenso conhecimento sobre áudio, esses usuários normalmente são contrários ao conceito de headphones gamer e nos falam de soluções que focam puramente na parte sonora. E, portanto, esses fones geralmente possuem excelente qualidade de som e custam mais barato, mas em alguns casos dispensam componentes indispensáveis para o gamer, como microfone, e alguns que podem ser interessantes para esse púbico, como design mais arrojado. Nosso objetivo aqui é analisar os headsets pela perspectiva do usuário gamer e não de um especialista ou entusiasta de áudio. Especialmente aquele que está atrás de um único periférico que cumpra suas necessidades em partidas de games online, que é o foco desse tipo de produto.

Agora, sobre o Cloud Revolver: o Revolver definitivamente tem a melhor qualidade de som que eu ouvi num headphone nos últimos tempos. O áudio é extremamente claro e puro, e cada frequência é muito bem definida: é possível distinguir muito bem sons agudos dos intermediários e, principalmente, dos graves. E é aqui que temos um ponto muito importante: não é que os graves são fracos (erro muito comum cometido nessa categoria de fone), mas sim que eles são precisos e secos. E, por isso, os graves não abafam as outras frequências, o que costuma acontecer em muitos modelos de headset gamers. Sem contar que o Revolver tem a capacidade de atingir um volume bem alto – então dá para "fritar os miolos à vontade".

Durante os testes, comparamos o Revolver com 2 headsets da Razer. O primeiro deles foi o Razer Tiamat 7.1, um periférico com uma proposta que hoje está sendo abandonada pelas empresas. Trata-se da tentativa de criar um surround 7.1 "real" em headphones, ao colocar 7 pequenos drivers de som e um pequeno subwoofer. Ao fazer isso, o fone acaba custando muito mais caro, ficando mais pesado e perdendo a pureza do som. Outro produto que foi posto à prova para comparação nessa análise é o Razer Kraken 7.1 Chroma, esse um concorrente mais próximo do Revolver, custando apenas um pouco mais caro. A saída para ele é usar 7.1 surround virtual, que é algo que fará parte da segunda versão do headset da HyperX, o Revolver S. Tirando isso, dá para dizer que ele empata em design com o Revolver, mas perde um pouco em conforto e principalmente em qualidade de som. A seu favor, porém, há o excelente software Razer Synapse, que auxilia bastante na configuração do áudio e possibilita ajustes interessantes no design com a mudança das cores e funcionamento das luzes.


Drivers de 50 mm do headset são angulados para proporcionar melhor soundstage

Já em comparação com os Cloud, Cloud II e Cloud Core, não há como negar que a qualidade do som e até mesmo o conforto subiram de nível nesse novo lançamento. Mas onde o Revolver realmente se diferencia e se supera é no soundstage, que definitivamente é superior ao de todos os headsets citados até agora. Mas o que é o tal do soundstage? Quando falamos de headsets, soundstage trata-se da profundidade e da riqueza do processo de reprodução do áudio. Para quem tem o costume de jogar, ter um melhor soundstage significa que o headset tem maior capacidade de transmitir a posição dos diferentes objetos que estão emitindo sons no ambiente. Ou seja, ouvir aquele jogador que está vindo por trás de você num FPS, ter a noção de onde está o carro adversário num jogo de corrida ou mesmo apenas ter uma maior imersão no ambiente do game. E é exatamente isso que o Cloud Revolver proporciona. De acordo com a empresa, isso foi obtido tanto com a angulação dos drivers dos fones quanto com a re-engenharia dos perfis de áudio.


Da esquerda para a direita: HyperX Cloud II, Razer Tiamat 7.1, HyperX Cloud Revolver, Razer Kraken 7.1 Chroma e HyperX Cloud

- Continua após a publicidade -

Microfone


Não é o melhor da categoria, mas cumpre sua função

Como é possível ver pelas fotos, o microfone é destacável, e dá para deixá-lo de lado caso não seja necessário. A promessa da HyperX é de oferecer uma qualidade de voz mais nítida, mas ainda assim com foco em games online. Até por isso, o periférico tem certificação dos programas Discord, Skype, Ventrilo, Mumble e RaidCall. De fato, para esse uso, não há do que reclamar do Cloud Revolver. Ele é melhor que os Cloud anteriores nesse aspecto e definitivamente melhor que o Tiamat, mas não tem como discutir que na própria categoria há outros modelos que oferecem qualidade superior. O próprio Razer Kraken 7.1 Chroma tem um pré-amplificador digital que o deixa bastante interessante neste aspecto.

Áudio do microfone do HyperX Cloud Revolver
{audio}

Áudio do microfone do HyperX Cloud
{audio}

Áudio do microfone do HyperX Cloud II
{audio}

Áudio do microfone do Razer Tiamat 7.1
{audio}

Áudio do microfone do Razer Kraken 7.1 Chroma
{audio}

Ainda assim, é lógico que nenhum desses headsets é feito para ser usado como um microfone para uso profissional, e todos são mais do que suficientes para usar durante falar com amigos ou para jogar online. Pessoalmente, no caso do meu uso do Cloud Revolver, até gostei bastante do cancelamento de ruídos dele e não teria problemas na necessidade de aumentar sua sensibilidade e falar mais baixo nos momentos em que as pessoas que moram comigo fossem dormir. Em todas as situações, quem estava falando comigo conseguiu me ouvir bem e de maneira clara.

- Continua após a publicidade -

Depois de usar o HyperX Cloud Revolver por um bom tempo, não tem como ter dúvidas. Por si só, o headset é um excepcional produto, oferecendo qualidade de som exemplar e conforto para horas e mais horas de jogatinas sem grandes incômodos. Mesmo tendo o design mais ousado da empresa até agora, ele não chega a ser extravagante, e evita cair nos erros que a maioria dos headsets gamers cometem. Não há luzes que se acedem nas laterais ou graves exagerados que abafam os outros sons. Aqui, tudo é muito equalizado e equilibrado. Trata-se de um produto que acerta em cheio em quase todos os pontos fundamentais.

Mas isso não quer dizer que o Cloud Revolver é isento de falhas, muito pelo contrário. A primeira delas está em seu microfone, que é apenas aceitável. Quem se preocupar muito com esse aspecto de seu headset, se sai melhor indo atrás de outros produtos da mesma categoria. O preço também não colabora nem para o produto da HyperX e nem para os da Razer. Quem estiver atrás de uma opção levemente mais barata, mas que também ofereça um design robusto em metal – e talvez queira um design mais chamativo com luzes e tudo mais – tem como opção o SteelSeries Siberia v3.

Só que eu diria que a principal concorrência para o Revolver está dentro da própria HyperX. Isso porque o projeto da QPAD que foi utilizado nos headsets Cloud, Cloud II e Cloud Core tem excelentes qualidades, especialmente no que toca o conforto e o preço. Preço esse que é o fator fundamental, pois não tem como negar que o Cloud Core custa pouco mais que a metade do Cloud Revolver – R$ 400 contra R$ 750. O Revolver tem como trunfos o seu melhor soundstage e melhor qualidade de som, mas isso é algo que só deve convencer os gamers mais hardcore e os cyber-atletas profissionais.

Conclusão

 

Avaliação: HyperX Cloud Revolver

Áudio
10
Design
9.5
Acabamento
10
Microfone
8.5
Preço
6

PRÓS
Melhor qualidade de som que ouvi em um bom tempo
Muito equilibrado, não exagera nos graves
Belo design, com pouquíssimos exageros
Bastante confortável
Soundstage de fato é excelente
CONTRAS
Pelo preço, microfone poderia ser melhor
Não permite controlar áudio do microfone separadamente
Preço
Tags
  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.