ANÁLISE: Quantum Break

Um dos maiores e mais aguardados lançamentos de 2016, "Quantum Break" é a nova superprodução da Remedy Entertainment, a desenvolvedora dos clássicos "Max Payne" e "Alan Wake". Anunciado em 2013 junto com a revelação global do Xbox One, o título chega cercado de muita expectativa por prometer uma experiência cinematográfica ao combinar jogo eletrônico com seriado. Mas será que todo o hype foi correspondido?

É isso o que você vai descobrir abaixo na análise de "Quantum Break", baseado na versão para Xbox One. O jogo também terá uma versão para PC, com suporte nativo à DirectX 12.


História
Viaje no tempo e decida o rumo da humanidade, se conseguir sobreviver

A história de "Quantum Break" aborda questões de viagem no tempo e o quanto isso influenciaria na vida das pessoas caso o passado pudesse ser alterado e o futuro pudesse ser desbravado, garantindo que acontecimentos indesejados fossem evitados. O protagonista é Jack Joyce, que adquiriu poderes de manipular o tempo e de deformar o espaço em virtude de uma experiência mal-sucedida de Will Joyce, seu irmão cientista.

Seu objetivo é salvar a humanidade antes que as rupturas no tempo causadas pelo projeto falho gerem um cataclismo atemporal irreversível. Só que para isso terá que combater Paul Serene, vilão do jogo e chefe da Monarch Corporation, o poderoso conglomerado que detém o controle da tecnologia de viagem no tempo e que quer fazer de tudo para manter a falha experiência em andamento, mesmo que isso custe a vida de todas as pessoas.

Alguém criou uma máquina do tempo revolucionária, mas caiu sobre você a responsabilidade de salvar humanidade inteira, mesmo que isso custe a sua vida. Mas é você quem escolhe se quer fazer o processo inverso.

Dividido em 5 Atos, o enredo começa frio e caótico. Eventos aleatórios não deixam claro o que está acontecendo, causando momentos de pura confusão na cabeça do jogador. Nem a presença de um elenco forte, composto por nomes como Aidan Gillen ("Game of Thrones"), Dominic Monaghan ("O Senhor dos Anéis"), Shawn Ashmore ("X-Men") e Lance Reddick ("Lei & Ordem"), garante o envolvimento inicial, gerando uma sensação de desconforto pela falta de conexão com a temática.

Para o alívio da situação como um todo, isso dura apenas nos primeiros momentos. A trama, então, começa se desenvolver de uma forma sequencial bem estruturada, gerando curiosidade crescente pelo que pode acontecer pela frente. Sem perceber, o jogador logo está amarrado nos mistérios das entrelinhas da história, tentando ligar os pontos da conspiração da Monarch com a importância do papel de Jack Joyce, sem se esquecer dos personagens secundários que estão constantemente em contato com o protagonista, deixando questões em aberto quanto aos seus comportamentos e atitudes pouco confiáveis. 

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A parte mais bacana disso tudo é a forma como o jogador manda no seu próprio destino. Intercalando com o final de cada Ato, é possível escolher um entre dois caminhos existentes para dar sequência à narrativa. Aqui surge a inovação máxima de "Quantum Break": os vídeos live-action, cujo formato se assemelha bastante às típicas séries de TV. Qualquer escolha feita influencia não apenas nos trechos em que se joga, mas também nos próximos vídeos que serão mostrados em decorrência das decisões anteriores, além de também poderem gerar consequências variadas para os personagens envolvidos no contexto de cada momento.  

Só que as decisões feitas pelo jogador não são tomadas sob a perspectiva do protagonista, mas do antagonista (Paul Serene). Isso significa que você estará jogando contra si mesmo o tempo inteiro, tomando decisões baseadas no prévio conhecimento dos efeitos das suas escolhas. E isso atrapalha um pouco a naturalidade com que a narrativa se desenvolve, já que é comum levar em consideração que você nunca vai querer se sabotar, influenciando a si mesmo a escolher uma opção que menos põe em risco tudo o que tiver conquistado até determinado ponto da campanha.  

O melhor da história de Quantum Break são os desdobramentos da narrativa: o jogador escolhe os caminhos que quer seguir

Ainda que tenha esse problema de idealização, a proposta de combinar game com seriado para contar uma história cinematográfica é um dos trunfos de "Quantum Break". Além de dar muito certo, a mistura é uma iniciativa de concepção pioneira na indústria dos jogos eletrônicos. Não existe nada parecido disponível no mercado, fazendo com que o game já se torne uma referência instantânea para as superproduções que surgirem nos próximos anos. Méritos todos à produtora Remedy Entertainment.   


Jogabilidade
Subverta a realidade controlando o tempo e o espaço 

A jogabilidade de Quantum Break abusa de sólidas mecânicas de tiro em terceira pessoa (TPS), algo já bastante explorado por muitos outros jogos. Tudo acontece à base de muita cobertura, em que o jogador precisar usar as estruturas nos arredores para se defender e ter melhores chances de sobreviver aos tiroteios mais intensos. A progressão pelos cenários acontece de forma bastante linear, com raras passagens mais abertas, podendo executar comandos simples como correr, pular, escalar, atirar e interagir com alguns objetos que apenas complementam detalhes à história. 

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O diferencial de "Quantum Break" para se destacar diante da diversidade de títulos com a mesma mecânica está no uso dos poderes de Jack Joyce para manipular o tempo. É possível criar um campo de energia para se proteger dos disparos e se deslocar rapidamente e surpreender seus alvos pelas costas. Também é possível lançar um campo de força explosivo para causar grande destruição nos arredores ou desacelerar o tempo e concentrar todos os seus disparos para causar o máximo de dano possível em um só alvo. 

Quantum Break se diferencia de outros jogo de tiro em terceira pessoa pelas habilidades de controlar o tempo e de deformar o espaço

Usar estas habilidades individualmente é bacana, mas nada se compara à ótima sensação de combinar o uso inteligente entre elas para ter vantagens momentâneas. Assim que sacar a dinâmica de uso de cada uma delas, conhecer os seus alcances e o quanto de estrago causam, levando em conta sempre as possibilidades de emboscadas e algumas estratégias adicionais, você realmente se sentirá poderoso, capaz de influenciar no tempo a seu favor e de mudar o curso da história dentro da temática do jogo.  

Além de poderem ser evoluídas em até três níveis, todas as habilidades ainda exigem um tempo de carregamento prévio para serem usadas novamente. A decisão de mediar a frequência com que o jogador pode usá-las é bastante acertada; caso contrário, tudo ficaria fácil demais e prejudicaria não apenas a própria mecânica de tiro em terceira pessoa, como também não haveria muito sentido em disponibilizar as óbvias áreas mais abertas de tiroteios, já que os inimigos seriam eliminados muito rapidamente, cortando drasticamente a diversão. 

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No geral, os tiroteios são prazerosos. Só que a experiência de jogabilidade também traz dois problemas que incomodam constantemente. O primeiro deles é o sistema de cobertura: feita automaticamente, não existe um botão específico para acioná-la e sua execução não funciona do jeito que se espera, expondo jogador gratuitamente aos perigos dos arredores. Às vezes, inclusive, a mecânica nem reconhece as estruturas mais próximas e ignora qualquer possibilidade de defesa, pondo tudo a perder injustamente. Repetir alguns trechos em dificuldades mais altas, nestas horas, chega a ser frustrante. 

Existem dois problemas na jogabilidade: o sistema de cobertura é falha e o pulo insiste em não funcionar como se espera

Pular também é impreciso. Esteja apenas explorando os cenários ou fuzilando alguns soldados, a ação não costuma ser bem reconhecida pela mecânica, impossibilitando subir em plataformas não produzidas para este fim, mesmo que pareçam totalmente possíveis de serem escaladas. Em contrapartida, outras plataformas ou objetos, ainda que sejam mais altos ou que interliguem trechos de deslocamento à distância, poderão ser normalmente acessadas, mesmo que você tivesse pensado anteriormente que não podiam ser alcançadas. Usar esse recurso durante os tiroteios para fugir ou encontrar abrigo emergencial, então, é pedir para ser fuzilado pelos adversários, mesmo que esteja você o novamente prejudicado pela falta de cuidado polimento nesta parte.   


Gráficos
O ápice do Xbox One - e da Remedy Entertainment

Sem sombra de dúvidas, o aspecto que mais brilha em "Quantum Break" são os gráficos. O trabalho da Remedy Entertainment está extremamente caprichado, a ponto de tornar o visual do jogo indiscutivelmente o melhor do console da Microsoft e definitivamente um dos melhores desta geração de videogames. Existem pouquíssimos concorrentes neste mesmo nível de cuidado e esmero de desenvolvimento levando todas as plataformas do mercado em consideração. 

Diversos fatores contribuem para todo esse vislumbre. Os cenários, dos mais abertos aos interiores de construções, são extremamente detalhados e recheados de objetos de composição milimetricamente posicionados. As texturas também estão extremamente precisas e superiores à maioria dos outros jogos disponíveis no mercado. O design dos personagens, suas vestimentas e, sobretudo, suas expressões faciais, são absurdamente realistas e convicentes.

O capricho da Remedy é soberbo: este é o jogo com os melhores gráficos no XOne, além de estar entre os melhores desta geração de videogames

Outras questões técnicas que também chamam bastante atenção são os efeitos de iluminação, de sombra, de reflexo, de água e de partículas, fazendo com que qualquer jogador mais entusiasta em gráficos fique boquiaberto em diversos trechos. Fora isso, o jogo tem um desempenho condizente com as capacidades do XOne, conseguindo segurar os 30 quadros por segundo na imensa maioria do tempo. Raríssimas são as vezes em que engasgos acontecem e, quando são percebidos, não são capazes de atrapalhar a experiência.


Áudio
Show de efeitos sonoros e de dublagens

"Quantum Break" também faz bonito no áudio. O destaque fica para a plasticidade sonora dos habilidades especiais de controlar o tempo e de deformar o espaço, que tem efeitos bastante realistas e causam grande impacto nos tiroteios. A trilha sonora também acompanha essa qualidade com batidas empolgantes nos momentos mais críticos e com melodias épicas nas partes decisivas do enredo.  

As dublagens estão excelentes. Quem quiser o áudio original, é possível selecioná-lo sem precisar sair do jogo.

A dublagem em português brasileiro também merece elogios. Embora as legendas estejam dessincronizadas com o que é mostrado na tela, as interpretações dos atores escalados na produção combinam com o desenvolvimento da história em praticamente toda a aventura. Existem alguns diálogos em que o uso de alguns termos específicos do nosso idioma soam um pouco deslocados e fora do contexto da situações, mas são bem raros de acontecer e não influenciam no excelente trabalho de localização.

"Quantum Break" inova ao misturar jogo eletrônico com série de TV, em que a narrativa dá liberdade ao jogador de escolher seus próprios desdobramentos. Mesmo que não revolucione, essa característica inovadora já é suficiente para fazer o jogo valer a pena. Fora isso, os gráficos são os melhores que o Xbox One pode oferecer e os poderes de controlar o tempo garantem uma sólida experiência de gameplay, ainda que alguns dos seus comandos mais básicos sofram com alguns problemas de ajustes. Mas não é nada que impeça o título de ser um dos melhores já lançados até agora neste ano.

Conclusão

 

Avaliação: Quantum Break

História
8.0
Jogabilidade
8.0
Gráficos
10
Áudio
9.0

 

PRÓS
Os melhores gráficos do Xbox One: realmente é espetacular
Possibilidades de escolher caminhos na narrativa: faça sua própria história 
Habilidades de controlar o tempo são diversificadas e empolgantes
Tiroteios prazerosos
Excelente localização em português brasileiro
Mistura de jogo com seriado é algo inovador na indústria
CONTRAS
Pulo e sistema de cobertura problemáticos
Duração dos trechos live-action (em média de 20 min cada) pode incomodar
Puzzles extremamente simplórios
Legendas dessincronizadas
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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