ANÁLISE: Steam Link

A "conquista da sala de estar" da Valve é composta de várias frentes, com o Steam Controller, para trazer os games que antes não tinham lugar no sofá, as Steam Machines, novos computadores compactos e potentes capazes de fazer bonito na estante, e o SteamOS, um sistema operacional com uma interface redesenhada para ser confortável seu uso na "área nobre da casa".

O Steam Link é o quarto elemento dessa expansão do Steam para nossos televisores, e é pensado para os donos de um computador que não tem intenção de comprar outro, só para colocar na sala.

Steam Controller Um controle inovador, mas que não é para qualquer jogo 

O Steam Link resolve essa questão sendo um acessório bastante pragmático, com um objetivo simples: trazer a alta performance de seu PC em outro local da casa para sua sala, mas sem ter que levar o computador até ela. Vamos ver se o acessório de US$50 da Valve está valendo a pena no restante da análise!

Especificações técnicas

- Resolução 1080p 60fps
- Ethernet 100 Mbit/s Fast Ethernet
- Wireless 802.11ac 2x2 (MIMO)
- 3 conexões USB 2.0
- Bluetooth 4.0
- HDMI


Design - Simples, eficiente e discreto

A Valve foi bastante minimalista no design do Steam Link. O pequeno acessório tem medidas bastante modestas e seu corpo tem um plástico preto e fosco que faz esse gadget literalmente desaparecer em qualquer entrada, espaço ou fresta de seu armário, ou pode simplesmente ser fixado atrás do televisor. Os únicos elementos que separam o Link de ser um retângulo preto são uma borda arredondada em uma das laterais e o símbolo do Steam no topo, também na cor preta e praticamente imperceptível se não for visto em um local bem iluminado.

 

O visual é tão simples que é difícil dizer se o eletrônico está ligado. Não há LEDs ou qualquer outro recurso indicando que o Steam Link esteja operando. Você só consegue saber se ele está em atividade ligando a TV ou olhando na parte de trás na conexão de rede, vendo se as luzes de status estão piscando.

O Steam Link possui um design feito para desaparecer em sua sala

Falando em conexões, ele vai direto ao ponto: uma saída HDMI, uma entrada de energia, uma conexão ethernet, além de uma conexão WiFi no padrão 802.11ac 2x2 (MIMO) e bluetooth 4.0. No total temos três portas USB 2.0, duas na parte traseira e uma na lateral, onde podemos conectar acessórios como controles, teclados e mouses. O kit do Steam Link inclui um cabo de rede e um HDMI 2.0 nas cores pretas, fechando assim com o estilo "stealth" do acessório da Valve.


Configuração - direto e eficiente nos ajustes

O processo de instalação é bastante simples. Ao ligar o Steam Link, ele irá buscar na internet updates e os instalará, processo que toma poucos minutos. Depois disso, o gadget passa por duas etapas muito rápidas, onde você seleciona a língua e outro em que ele irá buscar computadores com o Steam operando.

Ao selecionar o computador, o Link "desaparece de vez". A tela passa a exibir a mesma imagem do computador selecionado, e todas as interações de mouse e teclado deixam de operar o Steam Link e passam a ser comandos para o computador que está sendo transmitido. O sistema foi desenvolvido para trabalhar com o modo Big Picture, compatível com Windows, Linux e SteamOS.

A interface do Steam Link é simples e direta

Mas o Steam Link também transmite a interface do próprio sistema operacional, apesar de eventuais problemas de redimensionamento da imagem. Essa capacidade é importante por conta de games que não estão vinculados exclusivamente com o Steam, como jogos da Ubisoft ou EA. Não raro, esses jogos de outras distribuidoras exibem uma tela própria antes de abrir o jogo, e a capacidade de transmitir a interface do sistema torna possível dar o "último OK" para o jogo abrir.

Essa capacidade também torna possível adicionar um jogo de fora do Steam a sua biblioteca e executá-lo remotamente no Steam Link, algo importantíssimo para garantir suporte a todos os games do PC. Para conseguir rodar um game de fora do Steam através do Steam Link é preciso acessar o PC fonte dos games e adicionar o executável no Steam nas opções "Jogos >> Adicionar um jogo não Steam à biblioteca", através da interface tradicional da plataforma.

Um dos grandes destaques do Steam Link é seu amplo suporte de periféricos. Praticamente qualquer teclado e mouse, seja via cabo ou transmissor sem fio, funciona no aparelho. O suporte a outros controles também é muito bom, sendo que via cabo conseguimos usar os controles do Xbox 360, Xbox One, Playstation 4, modelos da Logitech via cabo e bluetooth, o controle da Nvidia, e também funcionou o receptor sem fio para Xbox 360. Só houve uma exceção: o receptor do Xbox One foi o único acessório que temos por aqui que não funcionou. Considerando a eficiência da Valve em trazer suporte para periféricos que operam em PCs para seus softwares, não é improvável que este acessório vá passar a funcionar no futuro no Steam Link e outros hardwares baseados em Steam OS.

Praticamente todos os controles que possuímos na redação funcionaram no Steam Link via cabo ou bluetooth. A exceção foi o receptor sem fio para controles de Xbox One


Performance - Ótima fluidez e qualidade no gameplay

O Steam Link promete performance suficiente para jogar seus games na qualidade FullHD a 60 quadros por segundo. Como todo streaming, acontece uma compactação da imagem para tornar possível o envio de forma constante das imagens sem trazer problemas para a largura de banda de rede disponível. Em geral nossa experiência é excelente, com uma compressão que em vários momentos pode até ser confundida com o game rodando como se o computador estivesse ligado diretamente na televisão. Por conta de característica desse tratamento da imagem, alguns elementos como grama ou imagens com determinados padrões deixam mais evidentes efeitos como "aquele granulado" típico de um vídeo sendo transmitido.

O software trabalha de acordo com a banda disponível, sendo que oscilações na rede podem causar perdas de qualidade. É possível que o usuário configure o balanço entre qualidade e consumo de banda, mas em geral o próprio software consegue se virar bem em sua configuração padrão.

Em nossos testes a conexão foi confiável na maioria das situações. Eventuais transferências de dados pela rede local em alguns momentos foram capazes de atrapalhar a transmissão, mas foram momentos bastante pontuais. Oscilações na conexão wireless também impactaram a experiência, especialmente em nossa redação onde o "espaço aéreo" WiFi é carregado de muitos dispositivos. É importante destacar que o ideal é conectar tanto o Steam Link quanto o computador que gera o jogo através de cabos de rede, pois é dessa forma que você garante constância e largura de banda ideais para a transmissão. O roteador também passa a ser um elemento importante, sendo que aqueles capazes de priorizar os dados de games e streaming que trafegam na rede trazem um importante diferencial.

O streaming por WiFi é possível, mas o ideal é conectar o Steam Link e o PC que rodará o jogo através de cabo. Um bom roteador também é uma boa pedida

Mas mais importante que os gráficos é a latência. Se as respostas aos seus comandos não forem imediatas muitos games perdem muito da graça, e em alguns casos como games competitivos ou de corrida fica até impossível. Esse é um dos aspectos em que o Steam Link se sai melhor: mesmo com eventuais oscilações em gráficos, em momento algum percebemos perda na responsividade de nossos comandos, e a sensação era de estar jogando diretamente do sistema onde o jogo estava sendo renderizado.

A latência nos comandos é praticamente instantânea

O Steam Link é um set-top box com um missão simples: trazer os games de um computador em outro cômodo para sua sala ou para qualquer ambiente onde você possui uma televisão. Com isso em mente, ele é um gadget bastante eficaz e entrega exatamente o prometido.

Comparado a outros dispositivos conectados aos televisores, como o Nvidia Shield ou o Razer Forge TV, o Steam Link é um aparelho bastante limitado: não possui capacidade de receber novos apps, não traz suporte a nenhuma plataforma de streaming de conteúdos de terceiros, como YouTube e Netflix, e nem possui funcionalidades próprias, estando sempre restrito à transmissão do que está sendo exibido no computador de origem.

Essas limitações trouxeram um benefício importante: o preço. Enquanto o Forge TV e o Shield são baseados no sistema Android, ou seja, são dispositivos com capacidades independentes, sendo capazes de outras funções como rodar games e apps baseados no sistema da Google sem depender de ninguém. Por conta de sua simplificação, o Steam Link é bem mais modesto em hardware, o que derruba seu custo para a casa dos 50 dólares, enquanto os aparelhos da Nvidia e da Razer custam 199 e 149 dólares, respectivamente. Bom lembrar que os dois sistemas acompanham um controle, enquanto o Link não traz acessório algum. Outra diferença é que o Shield promete streaming de conteúdo em até 4K em até 60fps.

O Steam Link fica devendo em outras funcionalidades além do streaming, porém tem a vantagem de ser mais barato

Por conta dessas características, o Steam Link se tornou o produto ideal para quem está de olho em uma forma de fazer streaming de seus games de outro computador, e não está interessado em nenhum outro recurso como suporte a apps ou funcionalidades complementares (sendo que muitas dessas funções já estão sendo embarcadas nas próprias Smart TVs). Nessa situação, você adquire um produto que cumpre muito bem sua proposta, e não gasta mais com funcionalidades que não irá tirar proveito.

Conclusão

 

Avaliação: Steam Link

Design
10
Performance
9.5
Funcionalidades
9
Preço
9

PRÓS
Design muito discreto
Silencioso
Eficiente na transmissão
Funciona com jogos de fora do Steam
CONTRAS
Problemas de resolução fora do modo Big Picture
Nenhuma função adicional
Instabilidades na rede podem influenciar transmissão
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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