ANÁLISE: Conector Mini HDMI revelado!

A Revolução Industrial nunca foi tão bem reproduzida nos games

Desde 2009, no mês de novembro, um novo game da série "Assassin's Creed" é lançado acompanhado de uma mistura de sentimentos que vão da desconfiança à empolgação. E a mesma pergunta sempre se repete: é mais do mesmo ou vale a pena?

"Assassin's Creed: Syndicate", novo título da franquia, se enquadra bem mais no segundo termo. Produzido pela Ubisoft Montreal, o jogo foca totalmente na campanha, traz protagonistas carismáticos, sabe explorar a rica Revolução Industrial como tema central e apresenta sólidos refinamentos na jogabilidade para entregar uma experiência completa. 

Abaixo você acompanha a análise do game, testado na versão para Xbox One. O jogo também está disponível para Playstation 4. A versão para PC chega em 19 de novembro.


Gêmeos Assassinos X Templários em plena Revolução Industrial 

"Assassin's Creed: Syndicate" conta a história de Jacob e Evie Frye, dois assassinos que partem em busca de pedaços remanescentes do Éden. A premissa é a mesma dos jogos anteriores: impedir que esses artefatos caiam nas mãos dos Templários, os eternos rivais da franquia, e evitar que o mundo seja reorganizados por uma Nova Ordem Mundial. O pano de fundo é a cidade de Londres de 1868, durante a Era Vitoriana, em plena Revolução Industrial, quando as máquinas começavam a tomar conta do cotidiano das pessoas.

Ambos os personagens estão entre os mais carismáticos em toda a série. Não chega ao nível de intimidade de Ezio Auditore, mas cada um deles traz personalidades bem demarcadas e que logo permitem uma série de conexões emocionais, sempre de acordo com o que você acha certo ou errado perante a sua postura na sociedade. Enquanto Jacob é bem mais voltado a resolver tudo na porrada regada a muito sangue, Evie é bem mais racional e calculista, abrindo um leque de interpretações do porquê eles agem de tal forma. E isso influencia, inclusive, a jogabilidade de cada um deles.

E uma das característica mais marcantes do enredo da série é a presença de figuras importantes da respectiva época histórica. Desta vez, aparecem ícones como Charles Darwin (teoria da evolução), Alexander Graham Bell (inventor do telefone), e Karl Marx (teorias sociais, políticas e econômicas), entre outros. Cada um destes nomes tem uma importância fundamental no progresso na campanha, encaixando bem suas potencialidades ao fornecerem novos equipamentos. itens de suporte e informações preciosas aos dois protagonistas da trama.

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Variedade de missões garantem uma experiência sempre renovada

Uma crítica recorrente à série "Assassin's Creed" é a falta de variedade e de criatividade na execução de missões. Quanto a isso, os fãs de longa data e os novatos na franquia não precisam se preocupar. "Assassin's Creed: Syndicate" é um dos mais diversificados em toda a saga. As missões principais, por exemplo, usam toda a extensão central dos cenários, inclusive o subsolo (os esgotos) e os rios com suas embarcações, para fazer o jogador explorar cada cantinho do mapa, mas sem nunca se sentir um escravo da mecânica.

Elas podem ser de perseguição usando carruagens, infiltração de fábricas de motores, eliminação de alvos específicos, coleta de itens para fabricar um equipamento mais poderoso ou invadir alguma área protegida com a força militar inglesa. Parece o mais do mesmo, mas não é: a forma como o jogador é levado a cumprir esses objetivos é diferente de tudo o que já foi visto na série. Exemplos: usar um gancho de cordas, sequestrar soldados e bolar uma emboscada para os inimigos ou fugir no teto de um trem em alta velocidade. O leque de opções é bem variado e garante uma experiência sempre renovada.

As missões paralelas também seguem esse mesmo padrão. Cada ponto liberado no mapa (através das clássicas torres de visualização) revela fontes de diversão extra ao jogador. Elas são dividas em assassinatos em série, libertação de prisioneiros, corridas de carruagens, escoltar ou proteger alvos, dominar todas as gangues da cidade e ajudar mendigos, entre outras. Ainda acontecem eventos aleatórios conforme você vai explorando os cenários, como assaltos à população e brigas entre pedestres, cabendo você decidir se vai interferir ou apenas assistir de camarote tomando uma cerveja no pub mais próximo. Tem conteúdo de sobra para, pelo menos, 30h de aventura.   

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Jogabilidade refinada: gancho de corda e combates mais ágeis

A jogabilidade de "Assassin's Creed: Syndicate" retoma a mecânica que consagrou a série: uma variedade de comandos que, quando combinados, permitem uma exploração fluida e uma série de interações com diferentes tipos de objetos e estruturas. Você pode subir ou descer por uma sequência de plataformas, pular de um ponto ao outro com facilidade, se pendurar e se mover lateralmente, escalar arranhas-céus até o topo e nadar pelos rios. Tudo na base do bom, velho e funcional parkour.

Só que, pela primeira vez na série, um gancho com corda foi adicionado à jogabilidade, permitindo uma locomoção bem mais rápida e fácil pela grandiosa Londres da Revolução Industrial. É um recurso muito bem-vindo para todos os jogadores, mas que com certeza vai agradar mais aos que se sentiam incomodados com o sobre-e-desce pelos prédios das cidades anteriores. Agora tudo está mais direto ao ponto, esteja você no solo, pelos telhado das construções ou nos picos dos pontos turísticos.

Os combates de "Assassin's Creed: Syndicate" também foram incrementados. Os movimentos estão mais ágeis e é possível emendar uma série de combos sem muito esforço. Isso não quer dizer que eles estejam fáceis: é preciso combinar ataques, desvio e quebra de defesa na hora certa. Não adianta esmagar os botões a todo momento. Armas de fogo, bombas de fumaça e atirar pequenas facas, recursos já conhecidos na série, estão de volta, além de também ser possível usar o gancho de corda para um ataque fulminante dos céus. É realmente bem bacana e essas melhorias encaixam bem para qualquer tipo de jogador.


Sistema de habilidades, criação de itens e recrutar gangues expandem a jogabilidade

"Assassin's Creed: Syndicate" também traz de volta um sistema de habilidades e de criação de itens. Para cada tipo habilidade e item existem vários níveis que se desdobram em melhorias e recursos adicionais que complementam ou expandem os efeitos anteriores. Tudo funciona a partir do nível central do jogador, que é alimentado com a experiência e o dinheiro recebidos durante a jogatina. Qualquer coisa que fizer em Londres rendem pontos e, quanto mais complexo for o desafio, maior é a recompensa.

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O interessante é que ambos os protagonistas possuem árvores de habilidades exclusivas, cada uma ressaltando suas respectivas potencialidades como assassinos. Enquanto o dinheiro é comum aos dois heróis na criação e melhorias de itens secundários, é preciso gastar com sabedoria os pontos recebidos para a habilidade que mais convém naquele momento, seja nos recursos de combate, na movimentação aprimorada, nos aspectos de furtividade, na longevidade da saúde ou no uso de armas adicionais. Tudo depende do jeito de jogar do jogador.

Fora isso, ainda é possível recrutar gangues inteiras para ajudar não só nas brigas de rua aleatórias, mas também durante as missões. Os protagonistas vão fazendo novas alianças e reforçando as já existentes, conhecendo grupos de rebeldes descontentes com o avanço social da burguesia em detrimento dos menos favorecidos (a chegada do capitalismo). Por isso, é melhor unir os ideias, juntar a força bruta e partir para o ataque. Existe uma árvore de habilidade, inclusive, que permite melhorar o número de membros recrutados e sua força conjunta, o que também se adapta ao estilo de jogo e à responsabilidade de saber gastar os pontos ganhos.  


Beleza técnica na Londres da Revolução Industrial

"Assassin's Creed: Syndicate" também capricha nas questões mais técnicas. Esqueça o lançamento desastroso de "Assassin's Creed; Unity". Tudo o que deu errado no último game em termos gráficos, dá certo nesta nova versão. A otimização do jogo está decente: embora aconteçam quedas de quadros por segundo perceptíveis e com certa frequência, não é nada que chegue a incomodar a fluência das partidas.

O vigor gráfico apresenta uma Londres Vitoriana belíssima, reproduzindo bem os aspectos visuais da época da Revolução Industrial. O motor gráfico é o mesmo da versão anterior, com uma paleta de cores que mescla tons de marrom com cinza, para realmente combinar com as novas engenharias desse período da História, como os trens a vapor, as fábricas de montagem, sujeira pelas ruas e imperfeições pelas cidades europeias, em virtude do forte crescimento do uso de máquinas nos afazeres cotidianos da população.

A iluminação e as texturas também estão ótimas, gerando o impacto perfeito durante a exploração diária e noturna dos ambientes. Estes, a propósito, repetem a fórmula vencedora da Ubisoft. Se tem uma característica na franquia que a empresa demonstra domínio absoluto de produção são os cenários, que continuam gigantescos, absurdamente detalhados, variados e extremamente convidativos à exploração. É simplesmente divertido e apaixonante passear pelas ruas, vielas, pontes, palácios, pontos turísticos e trechos aquáticos da Londres do século XIX.


Violinos regem a trilha sonora; dublagens estão ótimas

O áudio em "Assassin's Creed: Syndicate" também está sensacional. Criada pelo renomado compositor Austin Winstory, a trilha sonora é praticamente toda regada a sons de violinos. Esteja você em um trecho de exploração furtivo ou brigando com as gangues nas rua de Londres, os instrumentos sempre estão presentes. É claro que, no primeiro caso, as músicas são bem mais calmas e suaves, ainda que tragam sons que adicionam mistérios ao fundo, ao passo que ainda apresentam batidas adicionais e pratos estardalhantes quando a ação toma conta das porradas. 

Além disso, existe todo um cuidado no áudio para garantir que os ambientes sejam ainda mais imersivos na experiência. Qualquer grupo de habitantes, sejam os mendigos em vielas, bêbados nos bares da cidade ou rodinha de crianças brincando nos quintais das casas, tem seus diálogos cuidadosamente construídos e convenientes ao que estão fazendo naquele determinado momento. O mesmo acontece com os trabalhadores das fábricas e a burguesia passeando de carruagem pelos mapas. É um papo diferente para a realidade de cada tipo de classe social.

Não poderia deixar de citar, é claro, mais um ótimo trabalho com as dublagens em português brasileiro. A execução e as interpretações estão bem acima da média, algo também já consagrado nas produções da Ubisoft lançadas no Brasil. As vozes costumam combinar com os personagens e praticamente não existem trechos estranhos de interpretação descuidada. O que existe é problemas de sincronização da falas com os movimentos da boca. Não é algo que chega a atrapalhar a experiência, mas é perceptível e pode incomodar os mais atentos.

"Assassin's Creed: Syndicate" é um dos melhores games da série em muitos anos. O nível de qualidade não tem o mesmo impacto dos tempos áureos de "Assassin's Creed II", mas chega perto e consegue ser tão bom quanto o ótimo "Assassins Creed IV: Black Flag", além de ser superior ao problemático "Assassin's Creed: Unity".

A história aproveita bem a temática da Revolução Industrial com dois protagonistas bacanas, o aspecto de exploração ganhou agilidade com a adição de um gancho de movimentação. Além disso, o desempenho gráfico do jogo é condizente com a capacidade da geração atual de consoles e a trilha sonora fecha o pacote com composições muito envolventes. Ninguém vai sentir falta do multiplayer online.

Conclusão

 

Avaliação: Conector Mini HDMI revelado!

História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
8.5
Áudio
9.5

 

PRÓS
Protagonistas carismáticos
Ambientação espetacular
Combates mais ágeis 
Gancho traz dinamismo vertical à jogabilidade
Mapa gigantesco com muitos segredos para explorar
Ótimos gráficos e trilha sonora na medida
Multiplayer online não faz falta
CONTRAS
Quedas perceptíveis de frames
Efeitos climáticos singelos
População reduzida nas ruas
Comandos às vezes não respondem imediatamente
Dessincronização entre as falas e as bocas
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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