ANÁLISE: Uncharted: The Nathan Drake Collection

Coletânea de remasterizações a 1080p/60fps prepara terreno para Uncharted 4

"Uncharted: The Nathan Drake Collection" é a remasterização em alta definição para Playstation 4 da trilogia de aventura da Naughty Dog lançada originalmente no Playstation 3. Produzida pela Bluepoint Games, as melhores novidades da coletânea ficam para os gráficos em FULL HD (1080p) e fluidez de 60 quadros por segundo nos três games da franquia, formada por "Drake's Fortune" (2007), "Among Thieves" (2009) e "Drake's Deception" (2011).

Abaixo você acompanha a análise.


Três aventuras inesquecíveis a 60 quadros por segundo

A franquia "Uncharted" é mestre em contar histórias recheadas de mistérios, cenas de ação épicas e tesouros nunca antes descobertos pela humanidade. Nos três games da série, o protagonista Nathan Drake parte em busca dessas riquezas e divide suas aventuras com Elena Fisher e Victor Sullivan, dois outros personagens adorados pelos fãs.

O trio visita diversos países explorando tumbas proibidas, pontos turísticos famosos e sempre se mete nas maiores enrascadas, precisando sobreviver aos ataques de milícias terroristas que também têm os mesmos interesses dos heróis: encontrar esses locais perdidos e, com sorte, sair com o bolso cheio de grana. Esse padrão de apresentação é sempre bem balanceado com a jogabilidade da saga, que combina plataforma (escaladas) com tiroteios em terceira pessoa e quebra-cabeças tranquilos de resolver.

O legal é que agora todos os três jogos rodam a 60 quadros por segundo constantes, o que definitivamente garante uma fluidez de movimentos muito bem-vinda à série. Os principais pontos que se beneficiam desse implemento são o sistema de mira e o próprio controle sobre o protagonista, que responde melhor aos comandos. Tudo está muito bem otimizado neste padrão, sendo "Uncharted: Drake's Fortune" o jogo na coletânea que teve mais ganhos em relação à versão original, que mal segurava os 30 quadros por segundo na época. "Uncharted 2: Among Thieves" e "Uncharted 3: Drake's Deception" continuam impecáveis.          


Bela repaginada FULL HD nos gráficos

O pretexto máximo para lançar qualquer remasterização são as óbvias melhorias gráficas e de som que o game vai apresentar na nova versão. No caso de "Uncharted: The Nathan Drake Collection", a Bluepoint Games fez um ótimo trabalho: os três games da franquia, que já traziam um visual matador nas versões originais, ficaram ainda mais impressionantes com os retoques gráficos em resolução FULL HD (1920x1080).

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A diferença é bastante perceptível em várias frentes: na aplicação das texturas, nos diferentes efeitos de iluminação, que estão mais realistas, na geometria de posicionamento dos objetos, que transmitem o impacto exato de interação da jogabilidade, e na imensa quantidade de detalhes observados nos cenários, nas roupas e na modelagem dos personagens. As cinemáticas também seguem esse padrão, além de rodarem a 60 quadros por segundo, o que confere maior naturalidade na apresentação da história.

Separadamente por título, o que mais se beneficia dessas melhorias é "Uncharted: Drake's Fortune" (2007). Antigos problemas como screen-tearing e pop-in de texturas desapareceram, garantindo uma experiência de jogo mais consistente. "Uncharted 2: Among Thieves" (2009) e "Uncharted 3: Drake's Decpetion" (2011) também tiveram suas estéticas realçadas (cores mais vivas e serrilhados corrigidos), só que em menor escala, pois estes jogos já eram nativamente bem melhor otimizados do que o primeiro, além de explorarem a capacidade total do Playstation 3.


Trilha sonora marcante não disfarça dublagens ruins 

Boas aventuras são sempre acompanhadas de uma boa parte sonora. A trilogia "Uncharted" é mestre neste quesito. E o resultado com a coletânea não podia ser diferente: toda a épica trilha sonora já conhecida dos jogos originais está de volta, e com pequenos retoques que deixam a experiência mais impactante. Não tem como não se envolver e se deixar impressionar pelo uso inteligente de instrumentos que potencializam as cenas de história ou a dramaticidade de trechos adversos da jogatina.

Mas nada disso consegue apagar - ou disfarçar - a qualidade duvidosa das dublagens em português brasileiro. O primeiro e o segundo "Uncharted" não tinham dublagens no nosso idioma, que apareceram pela primeira na série no terceiro game. Na época, o recurso engatinhava entre os consoles e o resultado final foi apenas mediano. A entonação de uma grande quantidade de falas, as vozes e a tradução de alguns diálogos não combinavam com os momentos mostrados no game, causando muito desconforto nos ouvidos.

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Estes mesmos problemas se repetem nas remasterizações da coletânea. Os dois primeiros "Uncharted" receberam dublagens inéditas em português brasileiro com o mesmo nível de qualidade de "Uncharted 3: Drake Deception", que continua com as originais. A iniciativa da Sony Brasil é elogiável e definitivamente facilita o entendimento da série por quem não domina outro idioma, mas é comum ficar incomodado, perceber exageros e falta de precisão nas interpretações, deixando a produção bem pouco natural como um todo.


Recursos extras complementam a experiência do pacote

Além das óbvias melhorias gráficas, "Uncharted: The Nathan Drake Collection" traz novos conteúdos que não existiam nos jogos originais. Essas novidades não chegam a ser expansões propriamente ditas em termos de história, mas recursos extras que complementam minimamente a experiência de jogatina para os três games, sendo bem mais atrativos aos fãs de longa data da série.  

A primeira delas é o tradicional modo Fotografia, que permite pausar a jogatina a qualquer momento e utilizar uma série de ângulos de câmera em qualquer direção e filtros de edição de imagens para capturar as melhores tomadas. Além disso, também existe uma espécie de ranking que compara suas estatísticas de jogo, como número de headshots e speed runs, por exemplo, em tempo real com jogadores que sejam seus amigos na Playstation Network. Serve mais para os curiosos para medir o desempenho durante a jogatina.  

Outra novidade é a dificuldade Brutal, a mais impiedosa de todas. Disponível para qualquer um dos jogos da coleção, definitivamente só os melhores aventureiros conseguirão se manter vivos e fechar as aventuras. Por isso, quem já sofreu demasiadamente na dificuldade Esmagador, que era a antiga mais complicada, é melhor nem iniciar o jogo. O estresse é bem alto e o número de vezes que você vai ter que repetir vários trechos passa fácil das três casas decimais. Portanto, esteja avisado.

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Multiplayer online de Uncharted 2 e Uncharted 3 faz falta

Um recurso que definitivamente faz falta na coletânea é o multiplayer online de "Uncharted 2: Among Thieves" e de "Uncharted 3: Drake's Deception". O competitivo online dos dois jogos, e o cooperativo por fases do terceiro game da série, estavam entre as atrações mais bacanas no Playstation 3, trazendo tiroteios em terceira pessoa que transportavam toda a diversão da campanha solo para a parte online. É simplesmente mancada não ter.

A ausência da funcionalidade, além de deixar a experiência da franquia incompleta, prejudica parte da justificativa de pagar R$199 no pacote. Com uma variedade de mapas, armas, personagens e perks para desbloquear, a presença do multiplayer traria uma longevidade adicional muito bem vinda, já que as três aventuras, uma vez terminadas, não têm incentivos sólidos para voltar a jogar em termos de conteúdo. A menos que esteja querendo fazer os 100%: troféus (conquistas) inéditos vão manter os jogadores entretidos por um bom tempo.   

O trabalho da Bluepoint Games em "Uncharted: The Nathan Drake Collection" ficou tão bom que a coleção serve tanto para os fãs de longa data rejogarem com visual atualizado em 1080p/60fps quanto para os jogadores que não tiveram a oportunidade de jogar antes.

Só faltou mesmo o multiplayer online para o segundo e o terceiro jogos da série, pois adicionaria longevidade ao pacote e faria os R$199 oficiais cobrados atualmente serem melhor justificáveis. Resumidamente, a coletânea é uma ótima preparação para "Uncharted 4: A Thief's End", que chega em 18 de março do ano que vem.

Conclusão

 

Avaliação: Uncharted: The Nathan Drake Collection

História
9
Jogabilidade
10
Gráficos
10
Áudio
8

 

PRÓS
Três aventuras sensacionais num único pacote
Remasterização excelente
Gráficos incríveis a 1080p
Fluidez de 60 quadros por segundo 
Trilha sonora marcante
CONTRAS
Cadê os multiplayers online de Uncharted 2 e 3?
Dublagens em português brasileiro ruins
Sem conteúdos extras relevantes
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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