ANÁLISE: Jotun

Os jogos independentes estão cada vez mais populares. Na contra-mão das superproduções, que se apoiam basicamente em sequências de franquias consagradas, a galera fora desse escopo costumar se arriscar e abusar da criatividade para chamar a atenção do público.

"Jotun", da canadense Thunder Lotus Games, é mais um game indie que se encaixa perfeitamente nesse perfil, trazendo uma aventura tecnicamente caprichada numa temática que explora a rica mitologia nórdica. Abaixo você confere a análise do game, disponível apenas para PC


A épica jornada de Thora rumo à Valhalla

"Jotun" conta a história de Thora, uma guerreira viking que sofreu uma morte desonrosa em combate e que agora precisa provar seu valor perante aos deuses da mitologia nórdica para merecer um lugar em Valhalla, o palácio dos guerreiros mortos em glória comandado por Odin.

Só que a tarefa não será nada fácil: a personagem precisa derrotar os Jotun, seres gigantescos que atuam em oposição às vontades dos deuses escandinavos. São 5 deles espalhados pelos mais diversos reinos da mitologia, e Thora precisa conquistar poderes especiais para ter alguma chance de sucesso.

Toda a evolução da aventura é mostrada com diálogos rápidos narrados pela própria Thora. São nesses momentos se passa a conhecer um pouco mais da origem e da personalidade da guerreira, que se mostra sempre determinada a alcançar seu objetivo.

Contudo, fica o recado: o jogo não traz contextualizações históricas ou documentos que expliquem mais sobre essa rica mitologia, o que pode decepcionar ou até mesmo desencorajar quem não conhece o tema já naturalmente pouco explorado nos games a não experimentar a obra. O que eu totalmente recomendo fazer o oposto.   


Explorando os reinos mitológicos e derrubando os gigantescos Jotun

- Continua após a publicidade -

Na jogabilidade, "Jotun" combina exploração em visão isométrica com combates em terceira pessoa. Tudo o que você precisa fazer é se preparar para as batalhas contra os Jotun, encontrando pelos mapas a maçã dourada da deusa Ithunn, que aumenta parte da sua energia, os portais de luzes, que abrem os portões para enfrentar os temidos gigantes, e as estátuas dos deuses nórdicos, que concedem poderes especiais à Thora.


Os controles são bem simples: um botão para ataque fraco (rápido), um para ataque forte (lento), outro para rolamento em qualquer direção e um quarto botão para usar os seus poderes, que são 6 no total, todos baseados nas próprias características das divindades.

São eles: cura (Frigg), dano maior com o martelo Mjolnir para ataques à curta distância (Thor), velocidade maior de movimento (Freya), escudo de invencibilidade (Heimdall), clone de disfarce (Loki) e uma lança para ataques à longa distância (Odin). Todos têm duração temporária e só podem se usados duas vezes, a menos que sejam regenerados no poço de Mimir, que também serve como checkpoint na jornada.

O melhor da jogabilidade - e do jogo - são as batalhas contra os Jotun. Enfrentar cada um deles traz uma mistura de sensações que vão da insignificância à inferioridade perante a tanto poder emanado pelas criaturas. Os imponentes seres elementais da mitologia escandinava exigem estratégias diferenciadas para serem derrotados, trazendo padrões de ataques e movimentos que não se repetem e nem se parecem uns com os outros, o que agrega uma experiência mais variada de gameplay.

É sempre necessário planejar bem os seus golpes para não se expor muito, ao mesmo tempo em que aguarda o melhor momento para atacar e usar as habilidades especiais para ativar vantagens ou causar o máximo de dano possível. Em outras palavras, não adiantar querer jogar como se fosse "God of War": esmagar botões não mantém os inimigos distantes e nem resolve as batalhas, mas apenas deixa o jogador mais vulnerável a uma morte que chega cada vez mais rápido.

Mas como nem tudo são flores, uma crítica válida nessa parte é o jogo não tem nenhuma espécie de quebra-cabeças, inimigos para enfrentar ou alavancas para acionar, o que deixa os cenários com bem pouca interatividade. Explorar é muito bacana e é bem interessante acompanhar a pesquisa da produtora traduzida na profundidade da aventura, mas chega uma hora que essa ação se torna demasiadamente automática, denunciando a falta de elementos que poderiam deixar a jogabilidade mais substancial, e sobretudo, divertida.

- Continua após a publicidade -


Estética estilizada à mão e áudio épico garantem a imersão

Um dos pontos mais fortes de "Jotun" são os gráficos. Todos desenhados à mão, trazem traçados consistentes e cores saturadas que resultam numa beleza estética que não costuma aparecer em outros games indies. O destaque fica para a ambientação dos cenários, que são bem detalhados, caracterizados com elementos únicos da própria mitologia e apresentam paisagens deslumbrantes.

Além disso, os chefes gigantescos, também produzidos da mesma maneira, são uma atração à parte, sendo intimidantes com suas animações com efeitos colaterais muito convincentes, sendo possível sentir todo o impacto, o peso, a agilidade e o poder dos ataques desferidos por eles, mesmo que não cheguem a comprometer um risco da sua sua energia vital. É de impressionar. 

O áudio também é sensacional. A trilha sonora é muito envolvente, misturando orquestras, melodias épicas, dramáticas e outras mais serenas, sempre acompanhando a evolução dos momentos de ação ou de exploração da jogabilidade. As músicas só podiam ser mais variadas, pois costumam se repetir exaustivamente, gerando incômodo caso você passe tempo demais em alguma área específica.

Um ponto a se considerar é a ausência da dublagem em português brasileiro (existem legendas no nosso idioma). Mas não pelo aspecto ruim da coisa: as falas originais estão em islandês, uma das cinco línguas nórdicas, o que confere ao game um charme todo especial. É um recurso que não só potencializa o trabalho da produtora na sua visão sobre a mitologia nórdica, mas que também assegura a imersão do jogador na experiência.      

Um tema muito pouco explorado nos games, a mitologia nórdica está bem representada em "Jotun". O jogo traz uma ótima combinação entre história envolvente com a viking Thora, batalhas contra os chefes inesquecíveis, lindos cenários elementais desenhados à mão e trilha sonora envolvente.

- Continua após a publicidade -

O resultado só não é melhor porque os cenários do jogo são poucos interativos, cabendo ao jogador se prender à mecânica de exploração para se dedicar totalmente às lutas contra os Jotun. Ainda assim, vale experimentar, principalmente se você for fã da temática.

Conclusão

 

Avaliação: Jotun

História
7
Jogabilidade
8
Gráficos
9
Áudio
9

PRÓS
Batalhas inesquecíveis contra os Jotun
Estilo gráfico belíssimo
Trilha sonora envolvente
Thora é carismática
CONTRAS
Cenários com pouca interatividade
Exploração muito automática
Tags
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.