ANÁLISE: Asus Zenfone Go

Apesar do "2" no nome, o Zenfone 2 não é exatamente a continuação dos modelos que foram introduzidos no ano passado. Com foco no segmento topo de linha, a Asus ainda não possuia um sucessor para seu popular Zenfone 5, aparelho que causou barulho no mercado ao ser apresentado por R$ 599 e chegar brigando com o Moto G de 1ª Geração.

Quem enfim assumiu esse posto de aparelho do segmento intermediário da Asus é o Zenfone Go, aparelho lançado no começo do mês por R$ 799. Com um preço mais salgado que seu antecessor (algo que aconteceu praticamente sem exceções na indústria), vamos ver se o novo Zenfone de baixo custo tem condições de mexer com o mercado e, principalmente, se está valendo a compra.

Comparativo

Asus Zenfone GoMotorola Moto G
2015 (3ª
geração)
Quantum GOXiaomi Redmi 2

Preços

Preço no lançamentoR$ 900,00
Preço atualizadoR$ 850,00

Especificações

Armazenamento interno|16GB| |8GB||16GB| |16GB||32GB| |8GB|
Cartão microSDaté 64GB até 32GB até 32GB
Memória RAM2GB 2GB 2GB 1GB
Número de núcleos4 4 8 4
Portas de conexão|Micro-USB| |Micro-USB| |Micro-USB|
Sistema OperacionalAndroid 5.1 Android 5.1 Android 5.1 Android 4.4
Update disponível para o sistema- -
ProcessadorMediaTek MT6580 Qualcomm Snapdragon 410 Mediatek MT6753 Qualcomm MSM8916 Snapdragon 410
Clock1,3 GHz1.4 GHz1.3 GHz1.2 GHz
GPUARM Mali-400 Adreno 306 Mali-T720 Adreno 306
Bateria2070 mAh mAh2.470 mAh2300mAh mAhLi-Po 2200 mAh mAh
Dimensões71 x 144,5 x 5,2 ~ 9,98 mm mm142.1 x 72.4 x 6.1~11.6 mm145 x 71,5 x 6,5 mm134 x 67.2 x 9.4 mm mm
Peso135g g155 g115g g133 g g

Recursos

GPSSim Sim Sim Sim
Leitor de DigitalNão Não Não
LTENão Sim Sim Sim
NFCNão Não Não
Número de cartões SIM2 2 2 2
Radio- Sim Sim Sim
Tipo de cartão SIMMicro SIM Micro SIM Micro SIM Micro SIM
TV DigitalNão Sim Sim Não
Bluetooth4.0 4.0 v4.0 4.0
ExtrasZen UI Certificação IPx7 MIUI 6.0

Display

Resolução720 x 1280 720 x 1280 720 x 1280 720 x 1280
Tamanho5 polegadas 5 polegadas 5 polegadas 4.7 polegadas
TecnologiaIPS IPS AMOLED IPS
ProteçãoCorning Gorilla Glass 3 Gorilla Glass 3 Dragontrail

Câmera

Vídeos- 1080p 30 fps 1080p 30 fps 1080p 30 fps
Traseira8 MP 13 13MP 8 MP
Frontal2 MP 5 5MP 2 MP
 

Design
Bordas menores resultam em um aparelho mais compacto

O Zenfone Go mantém os traços clássicos da linha Zenfone, com os círculos concêntricos e botões capacitivos na base, encaixes precisos nas laterais e um acabamento plástico de ótima qualidade na parte traseira. O modelo Go herda as características que vimos ser introduzidas no Zenfone 2, sendo que a mais interessante é a mudança nas bordas: comparado ao Zenfone 5, o Zenfone Go tem bordas muito mais estreitas ao redor da tela. O resultado é bem interessante: temos um aparelho com um display também de 5 polegadas, porém em um smartphone com medidas menores, e somado ao formato arredondado na parte traseira, é um aparelho com uma ergonomia e uma pegada bastante confortável.

As bordas em torno da tela foram reduzidas, e como consequência o Zenfone Go é um aparelho mais compacto

 

Uma das características do Zenfone 2 não foi incorporada: os botões de ajustes de volume e desbloqueio de tela não foram para trás ou topo do aparelho. Isso não é um problema. Pelo contrário: é muito mais acessível o destrave da tela na lateral, e o único empecilho é que usuários vindo do Zenfone 5 vão precisar se acostumar com a mudança da posição deles, já que o de desligar foi para baixo dos de volume.

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A tela segue com um display de 5 polegadas com resolução HD e uso da tecnologia LCD IPS. É uma configuração de boa qualidade, que resulta em uma tela com boa densidade de pixels, cores, contrastes, e baixa distorção da imagem, considerando o segmento no qual está inserido. 

 

Performance e autonomia
A bateria segura melhor, mas a performance já não é mais a mesma

Uma das mudanças mais importantes do Zenfone Go, junto com as melhorias do design, é a mudança do processador. O Go deixa de utilizar os chips da Intel e passa a utilizar SoCs da Mediatek e essa troca traz impactos marcantes no desempenho e na autonomia do novo modelo. Do ponto de vista da performance, o modelo da Mediatek passa longe do que o Intel Atom oferecia em termos de performance gráfica (3DMark), e também não é capaz de manter o ritmo do processador anterior em atividades gerais (Antutu, Basemark).

No uso cotidiano, felizmente, os 2GB de RAM seguram legal o multitarefa e o smartphone é ágil na hora de abrir e alternar entre apps. O processador tem performance suficiente para lidar com o sistema Android e engasgos são raros. Na parte gráfica, porém, o desempenho da GPU é sentido e jogos mais intensos podem não rodar de forma fluída no smartphone.

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Mas nem todos os efeitos da troca do SoC são negativos. Um dos pontos mais críticos do Zenfone 5 é sua autonomia, em muitos momentos incapaz de garantir um dia inteiro de uso. O chip da Mediatek, somado a melhorias de software do novo modelo, entrega uma experiência muito superior nesse aspecto. 

Avaliando esse rebalanceamento do Zenfone e pensando no uso cotidiano, a perda de performance em favor de uma bateria mais consistente é mais interessante ao consumidor. Porém, é um ponto bastante negativo termos aqui uma nova geração que traz um recuo tão grande em termos de performance, especialmente nos gráficos. Se você está procurando um smartphone para games, este aqui não é uma boa opção.

No uso diário, a troca de menos performance por mais bateria é interessante. Ainda assim, é uma pena ver uma nova geração de um aparelho ficar abaixo da anterior em termos de desempenho

Câmera
Poucas novidades nas fotos e vídeo 

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Assim como no display, a câmera recebeu poucas modificações por parte da Asus nesse modelo. Os sensores seguem na mesma dobradinha de câmera frontal com 2MP e traseira com 8MP. O desempenho é relativamente semelhante, com melhoria na parte do software na hora de fazer o balanço de cores e exposição.

Boa luz



Zenfone Go, Zenfone 5, Moto G 3ª Geração, Quantum GO e Redmi 2

Pouca luz

 

Zenfone Go, Zenfone 5, Moto G 3ª Geração, Quantum GO e Redmi 2

Flash 



Zenfone Go, Zenfone 5, Moto G 3ª Geração, Quantum GO e Redmi 2

Assim como no Zenfone 5, o Zenfone Go tem resultados dentro da média do segmento, sendo que seu destaque negativo é o flash, situação onde o aparelho não entrega bons resultados em termos de cores e definição da imagem. Em situações de pouca luminosidade ele consegue um resultado intermediário, não fazendo milagre e acontecendo a inevitável granulação.

O software traz algumas funções interessantes, como alguns modos pré-definidos e algumas opções de ajustes, como exposição e balanço de branco. Infelizmente os ajustes manuais, presentes em outros modelos da linha Zenfone ficaram de fora desse modelo. 

Em vídeos, temos uma qualidade semelhante à observada nas fotos, sendo que o Zenfone Go é capaz de gerar vídeos em resolução FullHD a 30 quadros por segundo. O smartphone não possui estabilização óptica, sendo que é possível estabilizar digitalmente o vídeo, algo que obriga a resolução a ser reduzida para HD.  


Câmera frontal

Extras
Um sistema Android bastante modificado

Não é só no design físico do aparelho que temos as características típicas de um Zenfone. O design do sistema do Zenfone Go recebe as profundas modificações da Zen UI, o Android com "a cara da Asus". As alterações no software por conta das fabricantes é um tópico polêmico, com uma parte dos usuários considerando o sistema "puro" (Android com nenhuma ou poucas modificações) uma opção mais interessante.

Para quem não faz tanta questão do sistema da Google "imaculado", a Zen UI é uma interface com bastante uso de cores e ícones bem auto-explicativos. Algumas adições da Asus são interessantes, como um botão para lanterna já na barra de status, enquanto as configurações estão bem distribuídas em um menu fácil de navegar. Apesar de presentes, os blootwares não estão "fora de controle" e alguns, como o gerenciador de memória, podem ser inclusive interessantes.

O Zenfone Go não chega com o mesmo apelo que seu antecessor. Enquanto o Zenfone 5 balançou o mercado, aquecendo a disputa no segmento intermediário dominado pelo Moto G, o Go é um aparelho que traz refinamentos comparado ao Zenfone 5, mas não chega se sobressaindo tanto entre seus rivais em faixa de preço semelhante.

Não que o aparelho tenha ficado devendo em melhorias, sendo que uma autonomia melhor era uma das urgências que a Asus precisava solucionar nesse modelo. Outro ponto importante também foi resolvido: menores bordas em torno da tela resultaram em um aparelho mais compacto, porém com a mesma tela de 5 polegadas.

O problema é que apesar de manter um bom display e câmera, o Zenfone Go perdeu uma das características mais positivas do Zenfone 5: a alta performance. Enquanto seu antecessor galgou para o topo de nossos benchmarks, o Go fica próximo ou na laterninha em nossos testes de desempenho. Ele não chega a comprometer seu uso, que ainda apresenta uma boa fluidez graças à boa quantidade de RAM, mas não possui mais uma boa margem para games mais avançados ou apps mais pesados.

Na hora de decidir a compra, o Zenfone Go entra em disputa com o Quantum GO, um aparelho com performance mais consistente e adicionais como TV Digital e opções 4G, enquanto o Redmi 2 da Xiaomi chegou ao mercado com um preço mais competitivo. Seu antigo rival, o Moto G, já não entra no confronto direto, depois de um reposicionamento de preço (ainda mais para cima) da linha.

Então, vale a compra? Ainda é interessante. O Zenfone Go continua como um dos modelos com melhor relação entre custo e benefício, e deve ser cogitado pelos consumidores que buscam algo na casa dos 700 reais. Porém, diferente do ano passado, a Asus não tem mais a supremacia no segmento intermediário.

Conclusão

 

Avaliação: Asus Zenfone Go

Design
8.5
Tela
9.0
Performance
7.0
Autonomia
8.0
Funcionalidades
8.0
Câmera
8.5
Preço
8.0

 

PRÓS
Design mais compacto
Ótima tela
Excelente ergonomia com seu formato curvado na traseira
CONTRAS
Menos performance, especialmente em games
Preço bem menos atrativo que geração passada
Sem opção 4G
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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