ANÁLISE: Motorola Moto X Play

Depois de lançar duas gerações do seu smartphone topo de linha, o Moto X, a Motorola resolveu trazer uma mudança para a terceira geração do aparelho. Desta vez, o dispositivo vem em duas versões: Moto X Play e Moto X Style. No Style, a empresa seguiu a linha dos principais concorrentes, trazendo configurações mais parrudas, como display de Quad HD de 5.7 polegadas, 3GB de memória RAM e SoC Snapdragon 808.


Enquanto isso, Moto X Play ganhou uma série de cortes no hardware, com o objetivo de oferecer mais uma opção em sua linha de dispositivos. Com isso, a Motorola tentou deixar apenas o que há de essencial no aparelho, com somente um grande bônus: a parruda bateria de 3630 mAh. Mas será que isso é o suficiente para justificar o preço, ainda mais com concorrentes como Asus Zenfone 2, Samsung Galaxy A7 e Sony Xperia M4 Aqua?

Especificações e comparativo

Comparativo

Motorola Moto X PlayMotorola Moto X 2014Samsung Galaxy A7 DuosAsus Zenfone 2

Preços

Preço no lançamentoR$ 1.399,00
Preço atualizadoR$ 1.299,00

Especificações

Armazenamento interno|16GB||32GB| |16GB||32GB| |16GB| |16GB||32GB|
Cartão microSDAté 128GB Não possui até 64GB
Memória RAM2GB 2GB 2GB 4GB
Número de núcleos8 4 8 4
Portas de conexão|Micro-USB| |Micro-USB| |Micro-USB|
Sistema OperacionalAndroid 5.1 Android 4.4 Android 4.4 Android 5.0
Update disponível para o sistemaAndroid 5.1 Android 5.0 Android 5.0 Android 5.1
ProcessadorQualcomm Snapdragon 615 Qualcomm Snapdragon 801 Qualcomm Snapdragon 615 Atom Z3580
Clock1.7 GHz2.5 GHz1.5 GHz2,3 GHz
GPUAdreno 405 Adreno 330 Adreno 405 PowerVR G6430
Bateria3630 mAh mAhLi-Ion 2300 mAh mAh2600 mAh mAh3000 mAh
Dimensões148 x 75 x 8,9 a 10,9mm mm139,17 x 71,99 x 9,97 mm mm151 x 72.6 x 6.3 mm mm152.5 x 77.2 x 10.9 mm mm
Peso169 g g144 gramas g141 g g170 g

Recursos

GPSSim Sim Sim Sim
Leitor de DigitalNão Não Não
LTESim Sim Sim Sim
NFCSim Sim Sim Sim
Número de cartões SIM2 1 2 2
RadioSim Não Sim Sim
Tipo de cartão SIMNano SIM Nano SIM Nano SIM Micro SIM
TV DigitalNão Não Não
Bluetooth4.0 LE v4.0 4.0 v4.0
ExtrasP2i – revestimento repelente a respingos d’água Detecção de movimentos e comandos por voz ZenUI, ZenMotion, DoubleTap

Display

Resolução1080 x 1920 1080 x 1920 1080 x 1920 1080 x 1920
Tamanho5.5 polegadas 5.2 polegadas 5.5 polegadas 5.5 polegadas
TecnologiaTFT LCD AMOLED Super AMOLED IPS
ProteçãoCorning Gorilla Glass 3 Corning Gorilla Glass 3 Gorilla Glass 4 Corning Gorilla Glass 3

Câmera

Vídeos1080p 30 fps 2160p 30 fps 1080p 30 fps 1080p 30 fps
Traseira21MP 13 MP 13 MP 13 MP
Frontal5MP 2 MP 5 MP 5 MP

Design e tela
Começando pelo display, há algumas mudanças em relação ao Moto X 2014. O Moto X Play traz uma tela de 5,5 polegadas e resolução Full HD, um pequeno crescimento em relação às 5.2 polegadas da tela do modelo da geração passada, que também era Full HD. Mas a principal mudança está no fato de que a Motorola abandonou a tecnologia AMOLED para adotar o LCD.

É difícil notar uma grande diferença, afinal ela continua sendo uma tela de boa qualidade, exibindo cores decentemente fieis e sem maiores problemas na formação das imagens. Talvez haja uma leve diferença no contraste e no gasto de bateria, mas nada muito óbvio. Sem contar que a boa autonomia já está garantida com os 3.630 mAh de capacidade.

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No design, a Motorola aposta na mesma identidade utilizada nas duas primeiras gerações do Moto X. Isso significa que temos aqui um aparelho mais espesso do que a maioria dos seus concorrentes. Mas a fabricante compensa isso projetando uma curvatura na traseira do smartphone, que o torna bastante agradável de segurar. É consenso aqui na redação que os aparelhos da companhia estão entre os dispositivos mais confortáveis na pegada. 

A carcaça do Moto X Play consiste praticamente só de plástico. Mesmo assim, a Motorola deu uma caprichada na traseira, que possui uma textura bem agradável ao toque. Na lateral há um plástico prateado, que tenta imitar um metal. Isso resulta num efeito bem bonito, mas que dá a impressão de que ficará bastante riscado depois de um tempo.

Como já acontece com o Moto G de 3ª geração, a Motorola permite que os usuários customizem a configuração e a aparência dos smartphones comprados no site da empresa, ao utilizar a ferramenta Moto Maker (clique aqui para acessar a ferramenta do Moto X Play). A companhia deixa escolher entre 16 GB e 32 GB de armazenamento, 10 cores diferentes para a traseira, 7 cores para os detalhes e até gravar um nome customizado no aparelho.

 

Câmera
Conhecida por fazer câmeras bem abaixo da média, a Motorola definitivamente se redimiu com o Moto X Play. Claro, a empresa já tinha provado que poderia fazer uma boa câmera com o Moto G de 3ª geração, com um sensor que foi bastante elogiado em nossa análise. Mas ainda pairava uma certa desconfiança, afinal a linha Moto X nunca tinha apresentado uma câmera realmente boa.

O principal problema das câmeras dos dispositivos da Motorola costuma estar na elevada granulação em fotos onde as condições de luz estão abaixo do ideal. Esse problema ainda persiste no Moto X Play, mas temos que admitir que ele foi bastante atenuado, como é possível ver abaixo, especialmente nas fotos tiradas na exposição de carros. A iluminação estava bem abaixo do ideal naquele evento. As fotos do segundo gato (o nome dele é Ringo e ele não está impressionado) estão mais granuladas, porém muito menos do que vimos em gerações anteriores do aparelho.

   

   

   

A câmera do Moto X Play não apresenta muita diferença em comparação com o Moto G de 3ª geração, o outro smartphone que a Motorola lançou em 2015. E isso é uma coisa boa. Afinal, como já falamos, o Moto G 2015 foi o primeiro aparelho da Motorola que realmente convenceu em termos de câmera, considerando o segmento onde ele se encontra. Mesmo assim, todos os dispositivos da Motorola mostrados abaixo apresentam o mesmo problema de granulação em situações de pouca luz.

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Boa luz

    
Moto X Play | Zenfone 2 | Moto Maxx | Moto G 3ª geração | Galaxy A5 Duos

Pouca luz

    
Moto X Play | Zenfone 2 | Moto Maxx | Moto G 3ª geração | Galaxy A5 Duos

Flash

    
Moto X Play | Zenfone 2 | Moto Maxx | Moto G 3ª geração | Galaxy A5 Duos

Funcionalidades
Se tem uma coisa que não muda nos smartphones da Motorola é o sistema operacional Android mais recente (5.1, no momento da análise) puro, quase sem modificações. Isso não sobrecarrega os 2 GB de memória RAM do aparelho e ainda traz uma navegação direta e facilitada. Os celulares da Motorola continuam oferecendo a experiência mais próxima do que a Google imaginou para o seu sistema – com exceção dos próprios Nexus, é claro.

Mas isso não quer dizer que não existem modificações por parte da fabricante. A Motorola inclui as mesmas quatro funções de sempre, que já são bem conhecidas dos fãs da empresa. Tem a Moto Tela, que mostra de maneira simplificada o horário e as notificações, sem a necessidade de desbloquear o aparelho. O gesto de girar o pulsos duas vezes para abrir a câmera é outro detalhe que marca presença em praticamente todos os aparelhos da empresa, e se mostra surpreendentemente útil em muitas situações onde você precisa abrir rapidamente a câmera.

O Moto Assist usa os sensores do smartphone para determinar se você está dirigindo, e então ler mensagens que chegarem em voz alta, se você quiser. Também é possível pedir para o telefone ficar no silencioso durante os horários de reuniões, que são determinados com base em sua agenda. O assistente de voz Google Now é outro que marca presença, com a possibilidade de ser utilizado mesmo quando a tela do aparelho está bloqueada.

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Ele segue ganhando novas funções, e agora é possível pedir para abrir um vídeo no Youtube, postar no Facebook, enviar mensagem no WhatsApp e até tirar foto. Infelizmente, a conversa com o assistente ainda não é tão natural como gostaríamos, e muitas vezes oferece menos opções do que assistentes rivais, como é o caso da Cortana. De resto, o pacote de funcionalidades é bem farto. Existe suporte a internet 4G, a dois cartões do tipo Nano SIM, a NFC, a Rádio, suporte a cartões microSD de até 128 GB e até um revestimento que repele pingos de água. 

Performance e autonomia
É nessa parte da análise em que tudo que a Motorola acertou no Moto X Play começa a ser questionado. Tudo bem que o Snapdragon 615 que a empresa colocou no aparelho não é um SoC ruim para o uso diário. O dispositivo aguenta abrir e-mails, navegar na internet, enviar mensagens, tirar fotos e acessar redes sociais sem problemas. Até agora, não vi o menor sinal de travamento ou algo do tipo. Isso sem contar que os 2 GB de RAM garantem uma boa dose de multitarefa.

Só que o mesmo não pode ser dito da GPU Adreno 405 que vem junto com o processador. Claro, ela se saiu mais de 70% melhor que a Adreno 306 do Moto G de 3ª geração nos benchmarks do aplicativo 3DMark. Mas estamos falando de um aparelho que custa R$ 899. Em comparação com o Moto X 2014, aparelho que custa os mesmos R$ 1.399, o Moto X Play teve desempenho 157% pior. Contra o Asus Zenfone 2, dispositivo de R$ 1.299, o Moto X Play foi 138% pior.

Se a diferença fosse perceptível apenas em testes sintéticos, isso seria uma coisa. Só que basta abrir um jogo um pouco mais pesado, como Real Racing 3, que você percebe como as configurações automáticas já pioram bastante o visual no Moto X Play. Os gráficos ficam com mais serrilhados, as texturas são levemente piores e a própria taxa de quadros não é tudo aquilo. Em games com opções para alterar os gráficos, como GTA: San Andreas e o visualmente simples Motorsport Manager, o aparelho da Motorola não te permite colocar tudo no máximo sem apresentar algumas travadinhas.

Porém, existe um lado positivo: ao sacrificar o desempenho, a Motorola conseguiu melhorar ainda mais a excepcional duração de bateria do Moto X Play. Equipado com 3.630mAh, o dispositivo aguenta tranquilamente um dia inteiro de uso muito intenso sem o menor problema. Para usuários menos ativos, que apenas olham as atualizações dos e-mails e das redes sociais de vez em quando ou mandam ocasionalmente uma mensagem, ela chega a durar dois dias.

Em nosso teste de alto consumo, o Moto X Play se saiu 50% melhor que Zenfone 2 e Moto X 2014, o que pode compensar um pouco a diferença no desempenho em games e aplicativos pesados. Já no segundo benchmark, do Basemark OS II, o Moto X Play acaba se saindo um pouco pior que o dispositivo da Asus. Isso porque esse teste foca bastante na eficiência do processador, mostrando mais uma vantagem do Intel Atom sobre o Snapdragon 615.

O Motorola Moto X Play possui uma proposta bastante confusa. Pelo preço de R$ 1.399, ele foi lançado custando o mesmo que o Moto X 2014, mas sem trazer melhorias em termos de desempenho. Na verdade, ele chegou com uma séria deficiência na performance gráfica. Ao invés disso, a Motorola tentou focar esforços em duas áreas onde um maior número de usuários vai sentir diferença: duração de bateria e qualidade da câmera.

Na primeira, eu posso atestar tranquilamente que ela foi muito bem sucedida. Acho que não tem sensação melhor do que poder usar o smartphone com toda a tranquilidade de saber que ele vai durar até o final do dia. E a bateria do Moto X Play passa essa sensação com sucesso. O aparelho se tornou o novo recordista no nosso teste de alto consumo de bateria.

Parece que a câmera finalmente está deixando de ser o grande problema da Motorola. Assim como aconteceu com o Moto G de 3ª geração, o Moto X Play traz um sensor de boa qualidade, que atenua a forte granulação que víamos nos fotos do Moto X 2014. Portanto, se Android Puro, bateria incrivelmente parruda e uma câmera decente estão nos seus requisitos, o Moto X Play é uma sólida escolha. Porém, se você está atrás do melhor desempenho – e é aqui que a Asus criou seu nicho – o Zenfone 2 passa a ser uma melhor escolha.

Conclusão

 

Avaliação: Motorola Moto X Play

Design
8.5
Tela
9.0
Performance
7.0
Autonomia
10.0
Funcionalidades
10.0
Câmera
8.5
Preço
8.0

 

PRÓS
Duração de bateria incrível
Câmera melhorada
Android Puro com bons apps da Motorola
CONTRAS
Desempenho não impressiona
Deveria ser mais barato
Acabamento pior que geração anterior
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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

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