ANÁLISE: Motorola Moto G 2015 (3ª geração)

Nem parece, mas já faz dois anos que a Motorola revolucionou o mundo dos smartphones baratos com o lançamento do Moto G, um smartphone de R$ 649 com design simples, mas que tinha desempenho equivalente ao de aparelhos muito mais caros. Com isso, acabou a era quando você precisava investir uma boa grana para ter um celular que não travasse no uso cotidiano.

A fórmula fez sucesso e resultou em excelentes vendas aqui no Brasil, fazendo com que a empresa repetisse a dose em outras categorias. Desde então, tanto o intermediário/topo de linha Moto X quanto o celular de entrada Moto E ganharam novas gerações, que também apostaram na relação entre preços competitivos e recursos exclusivos.

Porém, isso mudou um pouco com a chegada do Moto G 2015 (3ª geração). Está certo que o Moto G 2014 (2ª geração) já tinha sido lançado custando R$ 150 a mais que a geração anterior do smartphone. Mesmo assim, como o preço subiu mais R$ 150 para a 3ª geração, o aparelho está quase subindo de categoria. Por sorte, a quantidade de recursos também aumentou bastante, mantendo mais ou menos a mesma relação custo/benefício das versões anteriores do aparelho. 

Análise: Moto G 2013 (1ª Geração)

Especificações e comparativo

Comparativo

Motorola Moto G 2015 (3ª geração)Asus Zenfone 6Samsung Galaxy A5 (2016)Microsoft Lumia 830

Preços

Preço no lançamentoR$ 900,00 R$ 2.199,00
Preço atualizadoR$ 850,00 R$ 1.299,00

Especificações

Armazenamento interno|8GB||16GB| |16GB||32GB| |16GB| |16GB|
Cartão microSDaté 32GB até 64GB Até 128GB Até 128GB
Memória RAM2GB 2GB 2GB 1GB
Número de núcleos4 2 8 4
Portas de conexão|Micro-USB| |Micro-USB| |Micro-USB|
Sistema OperacionalAndroid 5.1 Android 4.4 Android 5.1 Windows Phone 8.1
Update disponível para o sistemaAndroid 5.0 Android 6.0 Windows Phone 8.1
ProcessadorQualcomm Snapdragon 410 Intel Atom Z2580 Qualcomm Snapdragon 615 Qualcomm Snapdragon 400
Clock1.4 GHz2 GHz1.6 GHz1.2 GHz
GPUAdreno 306 PowerVR SGX544MP2 Adreno 405 Adreno 305
Bateria2.470 mAh3300 mAh mAh2.900 mAh2200 mAh mAh
Dimensões142.1 x 72.4 x 6.1~11.6 mm166,9 x 84,3 x 9,9 mm mm144,8 x 71 x 7,3 mm139,4 x 70,7 x 8,5 mm mm
Peso155 g196g g155 g150g g

Recursos

GPSSim Sim Sim Sim
Leitor de DigitalNão Não Sim Não
LTESim Não Sim Sim
NFCNão Não Sim Sim
Número de cartões SIM2 2 2 1
RadioSim Não Sim Sim
Tipo de cartão SIMMicro SIM Micro SIM Nano SIM Nano SIM
TV DigitalSim Não Não Não
Bluetooth4.0 4.0 4.0 4.0
ExtrasCertificação IPx7

Display

Resolução720 x 1280 720 x 1280 1080 x 1920 720 x 1280
Tamanho5 polegadas 6 polegadas 5.2 polegadas 5 polegadas
TecnologiaIPS IPS Super AMOLED IPS
ProteçãoCorning Gorilla Glass 3 Gorilla Glass 3 Corning Gorilla Glass 4 Gorilla Glass 3

Câmera

Vídeos1080p 30 fps 1080p 60 fps 1080p 30 fps 1080p 30 fps
Traseira13 13 MP 13 MP 10 MP
Frontal5 2 MP 5 MP 0,9 MP

Design e Tela

A tela segue sendo IPS de 5 polegadas, com resolução HD (720 x 1280) e Gorilla Glass 3, assim como era a do Moto G do ano passado. Isso resulta numa densidade de pixels de 294 dpi, o que é o suficiente para praticamente todas as atividades que se faz normalmente com um smartphone. O display serve muito bem para funções como navegar na internet, assistir a vídeos no Youtube, ver fotos ou jogar. Não é algo revolucionário ou espetacular, mas está dentro do que se espera para um aparelho do tipo.

O design do dispositivo continua simples, mas a cada geração a Motorola está caprichando um pouco mais no acabamento. Na sua 3ª geração, o Moto G chega com uma traseira texturizada, que é bem agradável ao toque. Apesar de todo o acabamento ser em plástico, ele definitivamente não dá a sensação de ser barato, especialmente porque as peças são tão bem encaixadas.

O Moto G pode ser customizado através do Moto Maker, que permite alterar uma série de detalhes. Dá para escolher se a parte frontal vai ser branca ou preta, optar entre 10 cores diferentes para a traseira, colocar uma inscrição de até 14 caracteres e até comprar 3 Motorola Shells extras por R$ 30. Só é preciso ficar muito atento para encaixá-las bem, para que a resistência à água IPX7 funcione. Ela permite que o smartphone seja imerso em até um metro de água por meia hora. Isso quer dizer que ele pode ser usado tranquilamente na chuva, na piscina ou até mesmo durante o banho (por que não?). 

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A versão 2015 do aparelho é levemente maior que a geração passada – não mais do que 2 mm de largura e 1 mm de altura, o que não chega a ser algo perceptível. A Motorola não tem vergonha em fazer smartphones um pouco mais espessos para não sacrificar a autonomia e isso não muda com o Moto G. Ele possui entre 6,1 mm e 11,6 mm de espessura, dependendo do ponto usado para medir. Porém, sua traseira curva garante que a pegada mesmo assim fique firme e confortável. O único problema é que pode ser difícil usá-lo com apenas uma mão, especialmente se você tiver mãos pequenas.

 

Câmera

A Motorola definitivamente não é conhecida por ter as melhores câmeras, especialmente quando falamos dos mercados de entrada e intermediário. Mas a companhia fez um belo esforço para mudar isso com o novo Moto G. Ele agora possui câmera traseira de 13 MP  (contra 8 MP da geração passada) e câmera frontal de 5 MP (antes era de 2MP).

Além disso, o flash agora é dual-LED, o que ajuda na iluminação em fotos noturnas. Como já virou marca registrada dos aparelhos da empresa, para abrir a câmera basta sacudir o pulso duas vezes de maneira rápida. Isso por si só já tornaria o processo mais rápido do que na maioria dos outros dispositivos. Porém, o Moto G 2015 recebeu otimizações no software que fazem o app da câmera ligar de maneira bem ágil. Com isso, realmente fica bem difícil de perder uma foto.

Como você pode conferir nas fotos abaixo, em situações de boa iluminação a câmera é incrivelmente satisfatória e chega a ser capaz de tirar fotos de excelente qualidade. Sua alta resolução também permite usar um pouco mais de zoom digital sem perder muita qualidade. Já as melhorias na câmera frontal serão muito bem-vindas para aqueles que gostam de selfies, que agora ficam bem mais nítidas. O problema fica em situações onde a iluminação não favorece muito. Aí, voltam os velhos problemas de imagens granuladas e de baixa qualidade.

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Boa luz:

  
Moto G 2015 | Zenfone 6 | Galaxy A5 Duos

Pouca luz:

  
Moto G 2015 | Zenfone 6 | Galaxy A5 Duos

Flash:

  
Moto G 2015 | Zenfone 6 | Galaxy A5 Duos

Funcionalidades

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Como sempre, a empresa quase não mexeu no sistema operacional, que é o Android Lollipop 5.1. As únicas alterações são para colocar seus excelentes aplicativos próprios. O primeiro que você conhece é o Migração Motorola, que permite transferir artigos do seu telefone antigo para o novo. A tela inteligente, que mostra as notificações sem precisar desbloquear o display, e o Moto Assist, que auxilia o usuário com configurações padrozinadas para diferentes momentos do dia, também marcam sua presença. Para completar, todos os modelos do aparelho incluem internet 4G e são dual-SIM.

Performance

Assim como as versões do Moto E de 2ª Geração com internet 4G, o Moto G 2015 também utiliza o SoC Qualcomm Snapdragon 410, mostrando que a Motorola confia bastante no chip. E com razão, pois ele oferece o mesmo bom desempenho em tarefas cotidianas no Moto G, apesar da tela de maior tamanho e resolução. O sistema operacional é o Android Lollipop 5.1, que rodou sem nenhum engasgo durante os nossos testes – porém, vale notar que recebemos a versão com 2 GB de RAM para análise.

 

Como é possível ver nos benchmarks acima, o Moto G 2015 (3ª geração) possui exatamente o desempenho que você esperaria de um aparelho intermediário. O Snapdragon 410 é uma escolha levemente superior ao Snapdragon 400 usado em aparelhos como Xperia M2 Aqua, LG G3 Beat e o próprio Moto G 2014 (2ª geração).

Porém, na maioria das situações, essa diferença não deve ser perceptível, afinal o Moto G 2015 aguenta bem o sistema Android no uso cotidiano. A grande vantagem fica para a versão com 2 GB de memória RAM, que te permite arriscar um pouco mais no multitarefa. Quem se destacou nos comparativos acima foi o Zenfone 6, com seu Intel Atom Z2580. O aparelho da Asus também possui 2 GB de RAM, mas peca na peculiaridade de ser um phablet com tela de 6 polegadas, o que deve afastar parte do público interessado no Moto G.

Na parte da autonomia, a bateria ganhou um belo upgrade em relação ao Moto G do ano passado. Agora, ela é de 2470 mAh, contra 2070 mAh da geração anterior. Em nossos testes, o novo Moto G se saiu 81% melhor que o antigo, algo que ficou comprovado no uso cotidiano. Ele aguenta até o fim de um dia de uso intenso tranquilamente, e pode aguentar até dois dias longe da tomada, se você maneirar bastante no uso.

A cada ano que passa, a Motorola adiciona R$ 150 ao preço do Moto G, empurrando-o cada vez mais para uma outra categoria. Como contrapartida, é claro, são adicionados novos recursos, que acabam justificando o aumento no preço. No caso da nova geração do aparelho, as melhorias no design e a resistência a água IPX7 são excelentes argumentos para comprá-lo.

Além disso, a excelente câmera (para o segmento) e a boa duração de bateria também são novidades muito bem-vindas para a linha. No ano passado, nós reclamamos que a câmera do Moto G de 2ª geração era a única coisa que o distanciava da experiência de uso de um topo de linha. Já podemos dizer que isso não é mais um problema, afinal a câmera do modelo de 3ª geração chega a ser melhor que a do Moto Maxx em muitas situações. O tradicional Android puro e os aplicativos próprios da Motorola também são outros pontos a favor do dispositivo. 

Porém, ainda tem alguns detalhes que o afastam dos dispositivos topo de linha. Começando pelo design que, apesar de ter melhorado bastante, ainda utiliza bastante plástico. Isso sem contar que o smartphone tem uma espessura consideravelmente maior que a de seus principais concorrentes. Mesmo assim, tenho que admitir que eu prefiro um aparelho mais espesso do que um que venha com uma bateria que tem dificuldades para chegar no final do dia. Ainda mais no caso do Moto G, que compensa a espessura extra com sua curvatura, resultando numa boa pegada.

O grande porém fica pelo preço, que confirma que o Moto G definitivamente já não é mais aquele celular de entrada que era em 2013 – hoje esse posto é do Moto E. Isso é algo que pode afastar alguns dos fãs do aparelho, que o compram buscando um excelente custo/benefício. No caso do Moto G 2015, a Motorola já se deu ao luxo de colocar alguns recursos "de luxo", como a resistência a água IPX7 – algo que só vemos em aparelhos muito mais caros.

Apesar disso, o Moto G ainda se insere naquele segmento para quem está atrás de um aparelho dual-SIM e com ótimo custo/benefício. Quem estiver nessa situação pode considerar gastar um pouco mais no aparelho da Motorola, que se torna uma espécie de "premium" da categoria, que oferece um design mais caprichado, melhor câmera e resistência a água IPX7. Enquanto a Motorola enche seu aparelho de "perfumarias", resta saber quem vai lançar o smartphone que será o novo Moto G. Não esse de 2015, mas sim aquele lá de 2013, que soube direitinho em quais recursos economizar dinheiro.

Conclusão

 

Avaliação: Motorola Moto G 2015 (3ª geração)

Design
8.5
Tela
8.5
Performance
9.5
Autonomia
9.5
Funcionalidades
10.0
Câmera
9.0
Preço
9.0

PRÓS
Excelente câmera
Desempenho não decepciona
Resistência a água IPX7 é um excelente extra
Opções de customização do Moto Maker
Boa autonomia
CONTRAS
Tela não ganhou melhorias
Espessura muito maior que a dos concorrentes
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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

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