ANÁLISE: F1 2015

Ano passado a Codemasters anunciou que lançaria dois jogos de Formula 1 na temporada. O primeiro, "F1 2014", além do PC, seria ainda voltado para a geração passada de consoles (Playstation 3 e Xbox 360). Este game foi lançado no segundo semestre e o fracasso foi inevitável, principalmente pela qualidade do jogo, que foi muito criticada por ser uma cópia piorada da versão 2013, com menos da metade dos modos de jogo.

Já a segunda versão seria voltada, além do PC, também para os consoles da nova geração (Playstation 4 e Xbox One). A promessa era de que seria um marco na questão de grafismo e jogabilidade e que, principalmente, traria toda a atmosfera real do mundo da Fórmula 1 para os videogames.

É bom que se diga:  "F1 2015" é realmente bem superior aos anteriores na questão gráfica e de jogabilidade, mas para por ai. Ser superior não quer dizer que seja um marco na franquia. O visual, apesar de muito bom, ainda poderia ser bem mais realista principalmente na paleta de cores e efeitos visuais, principalmente depois de games como "DriveClub" e "Forza Motorsport" serem lançados para os novos consoles e de fato serem nova geração de gráficos.

A jogabilidade é uma mescla entre arcade e simulador, mais puxado para a segunda opção. Mas o grande problema é a falta de conteúdo. A Codemasters limou todo e qualquer modo "interativo" do jogo, ou seja, não há mais como criar piloto e nem modo carreira, em que jogador poderia competir a fim de alcançar vitórias com equipes pequenas e ir recebendo convites para outras temporadas, em outras equipes.



Poucos modos de jogo

"F1 2015" traz poucos modos de jogo quando comparado com os games anteriores. Há o "Temporada do Campeonato", onde o jogador participa da temporada de 2014 ou 2015 com 25% do tamanho real de cada etapa - isso equivale a média de 10 a 15 voltas cada corrida. Também tem o "Corrida Rápida", onde o jogador pode correr em apenas uma corrida ou criar seu próprio campeonato escolhendo seus circuitos preferidos. No "Tomada de Tempo", o nome já diz tudo. E ainda tem o "Multijogador" e "Pro Mode", o único diferencial desta versão.

O "Pro Mode" é voltado quase que exclusivamente para os jogadores mais hardcores com um bom tempo disponível, já que este modo tem o mesmo tamanho de um campeonato real com todas as etapas, ou seja, corridas de 70 voltas em média ou 2 horas de duração, treinos livres reais, treinos classificatórios com duração real, tudo isso sem ajudas.   


Multiplayer interessante, mas só funciona na teoria


O multiplayer tem algumas diferenças e a principal delas é o "Modo Corrida", em que é possível participar da corrida atual da temporada de 2015 ao mesmo tempo que acontece a corrida de verdade. A etapa fica disponível até a prova seguinte na vida real, ou seja, agora a corrida disponível é a da Inglaterra até o próximo domingo, dia 26 de julho, quando a etapa será a da Hungria.

Além disso, o multiplayer é dividido por dificuldades dos competidores. São eles: 1) Iniciante, com modos Introdução de Iniciantes e Sprint de Iniciantes; 2) Mediano, com modos Sprint de Medianos, Favoritos da Temporada e Volante a Volante; 3) Avançado, com modos Avançado Sem Assistência e Resistência Avançada e 4) Corrida Personalizada, o jogador cria seu próprio evento e convida os amigos.

O problema é que o modo Corrida Personalizada é único em que o jogador pode criar e editar parâmetros como, por exemplo, duração da prova, uso de assistências, circuito e mudança climática, entre outros. Todos os outros modos são fixos e hospedados pela própria Codemasters, sem possibilidade de alteração de qualquer tipo de configuração. Durante os testes, somente o modo personalizado funcionou, em todos os outros apareciam mensagens dizendo que não foram encontradas sessões do jogo. Tanto na versão PC quanto na versão para Xbox One.




Jogabilidade é o grande destaque

O maior acerto de "F1 2015" é realmente a sua jogabilidade, que pode ser ajustada de forma que o jogo tenha a pilotagem mais fácil de toda a franquia - e também a mais difícil de todas. Isso, particularmente, faz com o que o jogo atinja a todo tipo de público, desde os fãs de games bem arcades aos que gostam de algo mais voltado para a simulação.

Aliás, o novo game da Fórmula 1 é o que se pode chegar mais perto de uma simulador, desde a própria dirigibilidade, até mesmo a questão da física dos carros e gastos, tanto no combustível quanto de pneus e motor. Todos os problemas que podem ocorrer em um carro de verdade ocorrem também no game e de forma bastante evidente. Ou seja, é bem nítido quando os pneus começam a ficar ruins, afetando drasticamente o tempo das voltas e o controle do monoposto.

No vídeo abaixo, no meio da corrida começou a chover e tive que trocar os pneus, e quase no final da prova o carro ficou extremamente ruim e difícil de controlar devido ao desgaste dos pneus e a um problema mecânico que começou a aparecer após eu forçar demais as marchas. Esse tipo de situação dita o tom do realismo em uma corrida, não que seja um simulador completo, mas sim de mostrar coisas que realmente acontecem em uma prova. Nos games anteriores também aconteciam problemas, mas eram menos evidentes.


"F1 2015 também possui vários bugs que precisam ser corrigidos. Alguns deles já foram consertados com duas atualizações já lançadas pela Codemasters, mas ainda há alguns bem chatos. Por exemplo, neste mesma corrida do vídeo acima, quando eu sai do Box após a troca dos pneus, o carro ficou travado na segunda marcha até acabar toda a linha branca da saída dos Boxes. É um bug que atrapalha bastante, principalmente se você sair na hora que o adversário estiver passando. Há diversos outros como, por exemplo, o bug do Force Feedback que por vezes desaparece do nada, ai o jogador alterna com ALT+TAB e o efeito do volante volta. Vale lembrar que esse bug do Force Feedback não aconteceu com a versão do Xbox One, também testada inúmeras vezes.


Box "não interativo"


Ainda falando dos Boxes, quando se anuncia um game dito "nova geração", há de se esperar novidades e ainda algumas funções importantes para um game da Fórmula 1. Em uma época em que os boxes são uma atração à parte, é inadmissível que um jogo da Formula 1 não faça uso disso. Quer dizer, o jogador entra no Box e apenas observa sem poder controlar nada. Resumindo, fica à mercê. Se der algum problema na troca de pneus, isso foi puramente algo já programado e não por culpa do jogador, que é o que deveria ocorrer.

Um exemplo do que ocorre: o jogador esta fazendo a melhor corrida da vida, disparado na liderança. Ele entra no Box para a troca obrigatória de pneus e do nada ocorre um longo atraso na saída do carro sem nenhum motivo aparente. Ao "conseguir" sair do box ele vê que já está em quinto lugar, e perde a prova. Isso acontece inúmeras vezes. Há casos onde o carro do jogador fica literalmente "estacionado" dentro dos boxes esperando todos os adversários saírem para ai sim sair.

Existem várias outras situações que deveriam estar presentes no game. Onde está o Pace Car (Carro Madrinha, que atualmente já existe até virtual!)? A gasolina é infinita? Já que quando o combustível termina o jogador continua andando devagar até chegar ao box? Cadê a volta de apresentação? Cadê a paralisação da corrida quando algum carro fica parado e/ou atravessado no meio da pista sem dar passagem aos outros?

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A importância de um Engenheiro

A comunicação entre seu engenheiro e o piloto é a melhor de toda franquia. De fato o "carinha" não para de falar, mas desta vez com informações importantes e até cruciais em determinados momentos. Agora, tudo que é dito pelo engenheiro tem uma certa importância, às vezes um pouco mais, outras um pouco menos. Desde previsão do tempo, que até onde joguei, todas se concretizaram, os tempos de voltas dos adversários, a situação do carro que quando está com problemas, e se o jogador não seguir as dicas passadas, vai sofrer danos graves mais adiante. A função até avisa quando algum piloto a frente faz besteira saindo da pista em alguma curva, e assim pede para você aproveitar e acelerar mais afim de alcançá-lo.



Ainda há várias outras como informações de que o pneu não vai durar muito. Ou que o freio está aquecendo demais em uma determinada curva. Ou que o seu carro está perdendo ou ganhando rendimento. E até mesmo avisa qual seria a melhor mistura de gasolina a fim de que o carro consiga chegar até o final da corrida sem sofrer pane seca. Desta vez realmente ficou interessante.


Gráficos: ame ou odeie


O visual de "F1 2015" é bem superior aos games anteriores, mas ainda assim abaixo do que se espera de um game voltado para a nova geração. Há melhorias nítidas, principalmente nos efeitos climáticos, texturização, efeitos de calor, partículas e modelagem dos circuitos, que são mais detalhados e com o público um pouco mais ativo do que nas outras edições. Mas quando olhado de perto, a coisa chega a assustar de tão precária que é. Ou seja, só funciona visto de longe.

As animações são fixas. Depois de duas ou três corridas, elas já se tornam chatas, já que são sempre as mesmas e de gosto duvidoso - eu nunca vi modelos na Fórmula 1 ficarem mandando beijinhos para a câmera -, principalmente no que diz respeito às recriações em 3D dos pilotos. Qualquer empresa mediana já consegue fazer personagens bem mais realistas.

Tudo isso leva a crer que o jogo não estaria 100% pronto a tempo de ser lançado. Assim, me parece que a Codemasters resolveu cortar coisas de "F1 2015" para que ele fosse lançado no meio do ano, com a temporada de Fórmula 1 em vigência. Uma pena.

Agora com "comentarista"

O jogo é narrado em português do Brasil, mas de forma um pouco genérica demais. Também há comentários que são feitos antes e depois de cada treino e/ou corrida. Tudo muito robótico, como se os locutores tivessem lendo um texto.  Na verdade eles nem fariam falta, diferentemente do engenheiro que dá valiosas dicas durante a jogabilidade.

O áudio no decorrer das corridas ganhou um belo upgrade, seja no ronco dos motores que está impecável - lembrando que o som é mais baixo e abafado desde que a Fórmula 1 passou a utilizar motores turbos -, seja no barulho do ambiente e isso inclui o público, e até mesmo o som da aderência dos pneus ao passar nas zebras e/ou fora da pista.

Tudo está impecável, inclusive pequenos detalhes que às vezes passam despercebidos. Como o ronco dos motores são mais baixos do que antigamente, era de se esperar que o barulho do vento se sobressaísse durante as provas, principalmente por correr a 300Km/h. Além disso, ao passar por placas publicitárias, seja nas laterais ou suspensas, ou ainda sob as passarelas presentes nas pistas, o som do vento sofre pequenos cortes, como também pode ser percebido no vídeo postado mais acima. É algo realmente interessante e que dá um realismo a mais na experiência. 

Para aqueles que gostam apenas de correr, sem se preocupar em criar personagens fazer carreira e evoluir, "F1 2015" é um prato cheio. O jogo acertou a mão na parte da jogabilidade, trazendo mudanças importantes que agradam tanto os que preferem simuladores quanto os que preferem algo mais descompromissado. Claro que há jogadores que preferem criar seu piloto e evoluir em modos de carreira, recebendo convites de equipes e participando de várias temporadas. Para estes, "F1 2015" deixa bastante a desejar. O fato é que a Codemasters levou a franquia à outro patamar, tanto na jogabilidade quanto nos gráficos, mas ainda assim não chega a ser um jogo à altura da nova geração como havia prometido exaustivamente.

Conclusão

 

Avaliação: F1 2015

Jogabilidade
8.0
Gráficos
8.0
Áudio
9.0
Multiplayer
7.0

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PRÓS
Jogabilidade melhorada
Agrada tanto aos fãs de simuladores quanto de arcades
Física aprimorada
Ótimos gráficos
Som impecável
Pro Mode para os mais fortes
Temporada completa de 2014 e a atual de 2015
Multiplayer permite jogar em tempo real, baseando-se na corrida da TV ao vivo
CONTRAS
Poucas opções de jogo
Sem modo carreira
É um bom jogo, mas ainda não é "next-gen"
Multiplayer temperamental, só funciona às vezes
Boxes não-interativos
Sem carro madrinha
Sem volta de apresentação
Muitos bugs
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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