ANÁLISE: Intel SSD 750 Series (1.2TB)

Com o limite das conexões Sata 3 (6Gb/s) atingido, surgiram no mercado novos padrões de conexões para unidades de armazenamento, sendo que as principais destinadas a usuários desktop e workstation são baseadas em soluções PCIe. Nessa análise iremos conferir o comportamento de uma unidade de 1.2TB da linha Intel SSD 750 Series, modelo em formato de placa dedicada PCIe com conector PCI-Express 3.0 4x – a linha também tem versões baseadas em formato 2.5 inch e conexão U.2.

A linha possui modelos em duas capacidades, 400GB e 1.2TB, em ambos os casos disponíveis nos dois formatos, PCI-Express 4x (para HHHL SSD) e U.2 (SFF-8643), exatamente com as mesmas especificações técnicas no que diz respeito a velocidades etc. Para maiores detalhes, acesse o site oficial da série 750.


O que é o NVMe
Os SSDs definitivamente representaram uma melhoria considerável de performance em relação aos HDs tradicionais. Porém, a conexão SATA já não consegue acompanhar o rápido avanço de desempenho que os drives de estado sólido vem proporcionando – mesmo com as interfaces SATA 3Gb/s e SATA 6Gb/s. Como desenvolver um SATA 12 Gb/s levaria muitos anos de desenvolvimento, aumentaria consideravelmente o consumo energético e acarretaria em custos muito altos para a Serial ATA International Organization (SATA-IO), era necessário achar uma outra saída.

Por isso, o jeito foi utilizar uma interface já existente, a PCI Express, uma saída que provou ser muito mais barata, rápida e prática. Só que otimizar o hardware é só uma parte da equação necessária para melhorar o desempenho. Além disso, se fazia necessária um novo protocolo. O protocolo AHCI, padrão utilizado nos drives SATA, foi criada lá em 2004, com os HDs em mente. Por isso, ela é melhor otimizada para as características dos discos rígidos – mídias rotativas de alta latência.

Foi para resolver esse problema que consórcio NVM Express Organization desenvolveu o Non-Volatile Memory Express (NVMe). O consórcio é formado por 80 membros, incluindo gigantes como Intel, Microsoft, Samsung, SanDisk e Seagate. O NVMe foi criado com drives não-voláteis de baixa latência (caso dos SSDs) em mente.

Com isso, sua principal e mais clara vantagem é oferecer latências consideravelmente mais baixas do que a AHCI – em média 2.8 µs, contra 6.0 µs da AHCI, de acordo com o site Anand Tech. O NVMe também permite melhor aproveitamento de todos os núcleos da CPU, utilizando melhor o potencial do processador. Antes, o IOPS dos drives sofria com o gargalo de um único núcleo da CPU. O benefício mais óbvio de tudo isso é para clientes corporativos, que possuem cargas de trabalho muito mais pesadas, que estavam sendo limitadas pelos padrões SATA e AHCI.

Mas existem benefícios para os consumidores também, em especial na redução do consumo de bateria. Isso acontece porque a menor latência reduz o tempo que o drive está em uso, aumentando o seu tempo inativo e consequentemente reduzindo o consumo. Além disso, em alguns casos, o melhor suporte processadores com múltiplos núcleos pode resultar em melhor desempenho.

Especificações
- Memória Flash NAND: 20nm Intel NAND Flash Memory Multi-Level Cell (MLC)
- Capacidades: 400GB, 1.2TB
- Dimensões (peso):
Intel SSD 750 Series HHHL Add-in Card: 68.9mm / 18.74mm / 168mm (195g)
Intel SSD 750 Series 2.5-inch 8639: 15mm / 70mm / 101mm (125g)
- Desempenho de referência:

Transferência de dados
400GB — 2200MB/s para Leitura e 900MB/s para Gravação
1.2TB — 2400MB/s para leitura e 1200MB/s para gravação

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Leitura/Gravação aleatória máxima 4K
400GB — até 430.000/ até 230.000 IOPS
1.2TB — até 440.000/ até 290.000 IOPS


Confira abaixo uma tabela comparando o Intel 750 Series (NVMe) com o HyperX Predator PCIe (que utiliza AHCI) e com o HyperX Savage 480GB SATA III 6Gbps (AHCI):

Fotos
Abaixo uma série de fotos do SSD, que mostram um acabamento muito bom. Como já destacamos, seu formato consiste em uma placa dedicada com conexão PCI-Express 3.0 4x, diferente do que costumamos ver em SSDs tradicionais. 

Para proteger a parte de cima da placa foi adicionada uma superficie metálica sobre um dissipador, que também dá um visual mais imponente ao produto, que se diferencia de projetos que utilizam apenas o PCB com as memórias NAND e o controlador aberto, como em outras soluções.

Nas fotos abaixo destacamos 4 LEDs integrados ao PCB, com função de informar ao usuário a situação da placa. O LED laranja quer dizer que ela está em atividade. Verde, tudo ok, amarelo, ela pode estar com problemas, e vermelho, como não poderia deixar de ser, a placa está com pau.

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Nas fotos abaixo o SSD analisado ao lado de um modelo em formato 2.5 da linha Savage da Kingston.

Instalação
A instalação é bastante simples, mas tem alguns pontos bem importantes que podem gerar frustrações em usuários que não se informarem antes da compra desse tipo de produto, inclusive se optarem por marcas concorrentes com o mesmo padrão.


Primeiro é que, para instalar a unidade em formato de placa com conexão PCI Express 4x dedicada (ou padrão HHHL como são chamadas), é necessário que a placa-mãe tenha suporte a essa placa. Só que muitos modelos, mesmo alguns topo de linha mais recentes utilizando chipset Z97 por exemplo, ainda não possuem o suporte. Para adicionar suporte ao hardware, basta que o fabricante faça uma atualização de BIOS, mas dependendo do fabricante e modelo de mainboard isso pode demorar ou mesmo nem acontecer, sem contar que o suporte pode não ser para todos os SSDs nesse formato.

Nesse caso sempre indicamos modelos da Asus. Quando se trata de atualizações de BIOS, a empresa está bem a frente das demais, esse foi um dos motivos para utilizarmos a placa-mãe Z97M-Plus/BR para os testes do SSD analisado, uma placa-mãe de entrada com chipset Z97 da empresa, sendo que ao utilizamos modelos topo de linha de ASRock, Gigabyte e MSI, todas com chipset Z97, não foi possível fazer a unidade SSD PCIe funcionar. Ao colocarmos em uma mainboard X99 da ASRock, o sistema detectou a placa SSD normalmente, mas mantemos na mobo Z97 para ter testes bons para comparar.

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A versão da unidade no formato 2.5 inch é baseada na conexão U.2 (ou SFF-8643, como também é chamado). Se essa conexão não estiver disponível na mainboard (nenhuma Z97 possui, por exemplo), ela pode ser adicionada através de um adaptador que se conecta em uma conexão M.2. Só que isso pode ser um grande problema para alguns usuários, já que o adaptador não acompanha o SSD e, atualmente, dá para contar nos dedos de uma mão as placas-mãe que o incluem. Porém, essa situação deve mudar com o tempo, com possivelmente até algumas mainboards incluindo a conexão de maneira nativa.

Drivers
Os drivers nativos do Windows não possibilitam que os SSDs da linha Intel 750 Series trabalhem em sua velocidade máxima. Por isso, é recomendadíssima a instalação dos drivers próprios da Intel. Para o download deles, utilize esse link.

DOWNLOAD Intel® Solid-State Drive Data Center Family for PCIe Drivers

Firmware / ToolBox
Assim como todo drive de SSD, esse modelo pode sofrer atualizações de firmware. Apesar do nosso estar com o firmware atualizado quando analisamos, é importante ficar de olho no site oficial do produto para novidades a respeito desse assunto. A Intel possui um ToolBox para atualização de seus SSDs. Abaixo você confere algumas tela do aplicativo. Para download da versão 3.3.0 clique aqui.


Testes sintéticos
Abaixo, detalhes completos do sistema utilizado, que é baseado numa mainboard com chipset Z97:

Máquina utilizada nos testes
- Mainboard ASUS Z97M-Plus
- Processador Intel Core i7 4790K @ Stock
- Memórias Kingston HyperX Predator 8GB (2x4GB) @ 2800MHz
- Fonte XFX 850W Black Edition
- Cooler Noctua NH-U12S

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 8.1 Pro 64 Bits com updates
- Intel Windows NVMe driver 1.2.0.1002

Aplicativos/Games:
- AS SSD Benchmark 1.8.x
- ATTO Benchmark 2.47
- CrystalDiskMark 4.x
- PCMark 8
- Boot Racer 4.90
- Crysis

Temperatura
Drives de SSD não geram calor, ficando com a temperatura ambiente. Dessa forma, é importante se atentar ao local onde o SSD ficará instalado e a temperatura máxima desse ambiente.

AS SSD Benchmark
Começamos nossos testes com o AS SSD Benchmark, software específico para testes de drives SSD, HD etc.

O aplicativo faz uma série de testes em diversas situações de leitura e escrita e. no final. gera uma pontuação com a média entre todos os testes.

Fica evidente. já no primeiro teste. que a solução da Intel está muito acima de modelos padrão Sata3, com desempenho superior a 200%. Para diminuir a diferença, apenas unidades combinadas em RAID0.

ATTO Disk Benchmark
Outro famoso aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento é o ATTO. Vejam abaixo o comportamento dos modelos comparados, onde novamente temos uma diferença gigantesca a favor do SSD 750 Series da Intel. Ela chega a quase 400% no teste de leitura, quando comparamos com o SSD mais rápido. Novamente essa diferença cai quando temos dois SSDs trabalhando em RAID0, mas mesmo assim a solução da Intel continua bem mais rápida.

CrystalDiskMark
Com o aplicativo CrystalDiskMark, outro muito famoso para testes de drives, optamos por utilizar o teste "Seq". Abaixo os resultados em modo leitura e escrita, seguindo a diferença já mostradas pelos testes anteriores.

PCMark 8
O aplicativo PCMark 8 é o mais recente da série PCMark desenvolvido pela Futuremark. Esse teste é um dos mais completos do gênero, e testa o desempenho do drive em uma série de situações, desde conversão de vídeos ao carregamento de um game.

Diferente do que vimos nos testes anteriores, no PCMark 8, que simula testes de rotina de um usuário, como carregar um game, etc, a diferença já não se mostra tudo aquilo, ficando pouco acima dos drives padrão Sata3.

Testes práticos
Tempo de BOOT (Windows 8.1 Pro)
Com o software BootRacer, medimos o tempo necessário para inicializar o sistema operacional, um dos principais atrativos de drives SSD. Apesar de novamente ficar um pouco a frente, fica dentro da margem de empate técnico.

Carregando um game
Outro teste interessante é o carregamento de um game. Para isso, utilizamos o Crysis Warhead com teste em cima do mapa "ambush". O conceito do teste foi simples: computar o tempo que levou da hora que clicamos até a hora em que o gameplay começa.

Cópia de arquivo
O teste prático de cópia de arquivos consiste em enviar e receber 16.72GB, organizados em pouco mais de 800 pastas e representando um total de 35 mil arquivos. O teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Drive analisado para HD
Nesse teste copiamos as pastas/arquivos do drive analisado para um HD Seagate Barracuda de 2TB padrão Sata 3. Esse seria o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

HD para drive analisado
Invertendo o processo, agora copiamos as pastas/arquivos do HD para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 

Unidades de estado sólido, ou simplesmente SSDs, revolucionaram o desempenho em diversas aplicações para usuários desktop e workstation quando se trata de armazenamento de dados. Mas fica evidente que o mercado procura avançar mais nesse aspecto, no que diz respeito à velocidade. Soluções baseadas na conexão Sata3 já não são suficientes para atender o avanço que o mercado exige (mesmo que, às vezes, o objetivo seja simplesmente manter o mercado aquecido). Sendo assim, no último ano, vimos não uma, mas várias alternativas que tentam ainda tentam se firmar, entre elas opções via slot PCI-Express, conexões M.2, SATA Express, mais recentemente soluções PCIe 3.0 e U.2, sendo o modelo aqui analisado baseado em conexão PCIe 3.0 de 4x.

É evidente que os novos padrões estão aumentando bastante as taxas de transferência frente ao Sata3. Como comparativo, um SSD topo de linha da série Savage da Kingston tem velocidade de 560/530MB/s (leitura/escrita). Já um modelo de 1.2TB da linha SSD 750 Series da Intel tem 2400/1200MB/s respectivamente, números bem superiores.

Mas toda essa velocidade vai me trazer mais benefícios práticos no dia a dia? Dependerá do uso. Se você é um usuário domestico, o recomendado é uma unidade de SSD tradicional, onde ficou evidente em nossos testes que tem resultados semelhantes aos da solução topo PCIe da Intel, em tarefas rotineiras. Toda essa diferença de velocidade vai aparecer em situações como uso em servidores e sistemas virtuais, por exemplo, onde a máquina está sendo acessada por diversas pessoas ao mesmo tempo, e dessa forma requer tempos de acesso mais rápidos para que o trafego não fique limitado.

Tempos de acesso do Intel 750 Series chegam a ser 4 vezes mais rápidos que SSDs com conexão Sata3

Aprenda a configurar seus SSDs em RAID

Como toda solução nova que traz evoluções, especialmente em desempenho, seu custo não é dos mais atrativos. O modelo analisado, com nada menos que 1.2TB, está custando US$ 1050 em cenário internacional. Já o modelo com 400GB, parte de US$ 380. Soluções semelhantes também tem preços nessa faixa, consequentemente podemos dizer que o preço está na média de mercado, o que não justifica o investimento para todos os usuários. Como colocamos acima, é um produto direcionado para aplicações bem específicas, perdendo o sentido para usuários domésticos, mesmo para entusiastas, que podem optar por soluções de múltiplos SSDs Sata3 em RAID0, conseguindo se aproximar desse novo padrão no que diz respeito à velocidade.

Para quem não abre mão do alto desempenho, a versão com 400GB do Intel SSD 750 Series é a mais indicada

Conclusão

 

Avaliação: Intel SSD 750 Series (1.2TB)

Tecnologia
10.0
Capacidade
10.0
Desempenho
10.0
Preço
5.0

PRÓS
Os tempos de acesso mais rápidos do mercado(2400/1200MB/s), muito superiores a Sata3
Velocidade de transferência sequencias altíssimas
Tecnologia NVMe
5 anos de garantia
CONTRAS
Preço alto
Na prática não traz grande ganho sobre soluções Sata3 para usuários desktop
Pode limitar uso de combinações Crossfire/SLI
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  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

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