ANÁLISE: LG G4

O G4 chega para ser o novo topo de linha da LG, empresa que vem se consolidando como a que entrega o preço mais agressivo no segmento topo de linha Android. Além do preço de lançamento sugerido de R$ 3.000 - abaixo dos R$ 3.499 da Samsung - vimos ao longo do tempo o seu antecessor (G3) disponível por preços mais competitivos que seus rivais como o Galaxy S5 e especialmente o Xperia Z3.

Com este ciclo de um ano entre lançamentos, o G4 não traz mudanças expressivas em relação ao seu antecessor. As principais novidades incluem uma câmera traseira com maior abertura, um sensor na frontal com mais resolução, uma tela com uma nova tecnologia e um novo chip, o Snapdragon 808. Vamos à fundo analisar estes elementos no restante da análise!

Comparativo

Samsung Galaxy S6 edgeApple iPhone 6 PlusApple iPhone 6LG G4

Preços

Preço no lançamentoR$ 3.599,00 R$ 1.900,00
Preço atualizadoR$ 3.499,00 R$ 1.900,00

Especificações

Armazenamento interno|32GB||64GB| |16GB||64GB||128GB| |16GB||64GB||128GB| |32GB|
Cartão microSDAté 128GB
Memória RAM3GB 1GB 1GB 3GB
Número de núcleos8 2 2 6
Portas de conexão|Micro-USB| |Micro-USB|
Sistema OperacionalAndroid 5.0 iOS 8.0 iOS 8.0 Android 5.0
Update disponível para o sistemaiOS 9.3 iOS 9.3 Não informado
ProcessadorSamsung Exynos 7420 Apple A8 Apple A8 Qualcomm Snapdragon 808
Clock2,1 GHz1.4 GHz1.4 GHz1.8 GHz
GPUARM Mali-T760MP8 PowerVR GX6450 PowerVR GX6450 Adreno 418
Bateria2.600 mAh mAh2915 mAh mAh Li-Po 1810 mAh mAh3000 mAh mAh
Dimensões142.1 x 70.1 x 7mm mm158,1 x 77,8 x 3,06 mm mm138.1 x 67 x 6.9 mm mm148.9 x 76.1 x 9.8mm mm
Peso132g g172 g g129 g g155g g

Recursos

GPSSim Sim Sim Sim
Leitor de DigitalSim Sim Sim Não
LTESim Sim Sim Sim
NFCSim Sim Sim Sim
Número de cartões SIM1 1 1 1
RadioSim
Tipo de cartão SIMNano SIM Nano SIM Nano SIM Micro SIM
TV DigitalNão
Bluetooth4.1 4.0 v4.0 4.1
ExtrasCarregamento por indução e Fast Charge Coprocessador de movimento M8, Apple Pay Coprocessador de movimento M8, Apple Pay Foco laser, carregar por indução, Quick Charge 2.0

Display

Resolução1440 x 2560 1080 x 1920 740 x 1334 1440 x 2560
Tamanho5.1 polegadas 5.5 polegadas 4.7 polegadas 5.5 polegadas
TecnologiaSuper AMOLED IPS IPS IPS Quantum
ProteçãoCorning Gorilla Glass 4 Vidro ionizado Vidro ionizado Corning Gorilla Glass 4

Câmera

Vídeos2160p 30 fps 1080p 60 fps 1080p 60 fps 2160p 30 fps
Traseira16MP 8 MP 8 MP 16 MP
Frontal5MP 1,2 MP 1.2 MP 8 MP
 

Design
Mexidas pontuais em um excelente - e grande - aparelho

O G4 está entre os maiores aparelhos do segmento topo de linha. Enquanto temos muitos concorrentes se concentrando na casa das 5 polegadas - Galaxy S6, HTC One M9, Xperia Z3+ - e outros partindo para o formato phablets - iPhone 6 Plus e Galaxy Note 4 -  desde o G3 a LG vem ficando "no meio do caminho" com uma tela de 5.5". Como resultado, o G4 tem medidas maiores que muitos de seus concorrentes, mas felizmente as bordas finas ao redor da tela ajudam este aparelho não ficar grande demais.

A principal mudança no design do aparelho é algo que vem se tornando uma característica da empresa: o formato curvado. Apesar de não chegar a um extremo como do G Flex 2, a curvatura é perceptível na parte traseira e inclusive na tela. Este formato traz uma pegada bastante interessante ao aparelho, que é bastante confortável de ser manuseado.

Outra característica que a LG vem consolidando é o uso do botão de desbloqueio e de volume na parte traseira. Aqui temos muito mais uma questão de "ser diferente" e não necessariamente "ser melhor". A posição excêntrica pode desagradar alguns usuários, e no meu caso fiz o uso extensivo do Knock On - as duas batidas na tela - para travar e destravar o aparelho, que é o jeito mais confortável de fazê-lo. 

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Na escolha de materiais, começa a existir uma diferença em relação aos rivais. Enquanto a maioria das marcas já usa os acabamentos em alumínio e materiais como o vidro em seus topos de linha, entregando um visual mais rebuscado, a sul-coreana segue utilizando o plástico como principal composto na estrutura. O principal ponto negativo são os acabamentos cromados nas bordas, material que "adora" lascar ou descascar. Na traseira passa, entramos em uma questão de gosto, e a LG vai conseguir atender bem a maioria dos clientes, sejam aqueles que preferem um acabamento mais exótico em formato de cristais, o clássico "plástico que simula aço escovado", e também aquele que busca algo diferente de tudo, com as opções em "couro legítimo".

Dos topos de linha, o G4 é um dos últimos a não partir para materiais mais "refinados" como metais e vidro

 

A tela continua com a expressiva resolução QuadHD (2560 x 1440) e a novidade fica por conta da tecnologia, o Quantum Display, que promete maiores contrastes, cores e luminescência. A evolução é perceptível: o G4 traz uma das telas mais bonitas que já vimos, trazendo excelente saturação de cor e brilho intenso, algo que combinado com a alta resolução do display torna este smarpthone em um aparelho ideal para ver vídeos e fotos. Ele traz dois defeitos: a visibilidade distorce mais que os concorrentes, enquanto a tela de alta resolução Quantum é cruel com a bateria - como você podem conferir lá embaixo, na análise da autonomia.

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Desempenho e autonomia
Não o mais rápido, mas bem rápido

O G4 curiosamente não utiliza o topo de linha da Qualcomm, o Snapdragon 810. A sul-coreana equipou seu melhor smartphone com o Snapdragon 808, SoC desenvolvido de forma "muito próxima" entre a LG e a Qualcomm. Inicialmente criticada, a escolha da sul-coreana se mostrou bastante acertada após as polêmicas sobre o superaquecimento do 810 e testes que mostram uma performance mais consistente do 808

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Ao longo dos testes temos um resultado bastante postivo do G4 que, apesar de não figurar no topo dos benchmarks, fica entre os aparelhos mais potentes do mercado. Na hora do uso cotidiano, é muito difícil ver qualquer diferença entre um 808 e um Exynos topo de linha: ambos possuem respostas imediatas e alta performance. 

O aquecimento, algo que se tornou uma grande preocupação desta geração dos Snapdragons, parece sob controle no G4. É perceptível o aquecimento na parte de traz em games e alguns momentos de uso intensivo de 4G, GPS e algum outro app, porém nada exagerado ou que visivelmente passe a influenciar na performance do aparelho. 

Na hora de testar a bateria, tivemos resultados bem divergentes. Quando utilizamos o Basemark OS II, que estressa o processador até descarregar o aparelho, o G4 ficou em um patamar próximo ao dos melhores modelos que já testamos. Em nosso teste de streaming de um vídeo, o resultado foi outro: o aparelho ficou longe de seus concorrentes, com uma das piores performances. O motivo é simples: no Basemark, o brilho de tela é mantido no mínimo, enquanto o streaming de vídeo é feito em brilho máximo, o que mostra que a tela é um fator determinante. A nova tela Quantum com resolução QuadHD não pegou nem um pouco leve com a bateria, resultando nesse péssimo desempenho.

A tela do G4, com alta resolução e a tecnologia Quantum, traz um impacto pesado na autonomia do aparelho

 

E no uso cotidiano? Aí temos um meio termo das duas coisas. O G4 ficou dentro da média dos demais aparelhos que já testamos, segurando bem um dia relativamente intenso de uso e chegando à noite com 30% de carga restante. Sendo mais ponderado, dá para arriscar dois dias de uso, enquanto os heavy users que abusam de games e vídeo vão precisar de uma nova carga, lá pelo meio ou fim de tarde. 

A autonomia do G4 fica dentro da média

  

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Câmera
Com nível para brigar pelo título de "a melhor do mercado"

A LG vem fazendo um ótimo trabalho com as câmeras da "linha G". O G4 mantém este nível e introduz novas capacidades, algumas bastante interessantes. A câmera frontal tem agora mais resolução, enquanto o destaque na traseira é uma maior abertura, conseguindo assim capturar mais luz e dessa forma melhora as fotos em condições ruins de luz.



Foto com pouca luz: LG G4 (esquerda) vs iPhone (direita)



Foto com câmera frontal: LG G4 (esquerda) vs iPhone (direita)

Outra novidade importante e que vem se tornando padrão nesta geração de aparelhos é a possibilidade de ajustes manuais nas fotos. Este recurso antes era mais localizado nos modelos da Nokia/Microsoft, porém praticamente todas as fabricantes vem dando aos seus consumidores a opção de controlar opções como tempo de exposição em seus modelos topo de linha.

O flash da LG é eficiente mas possui uma característica meio "chatinha". Em cenas escuras, o aparelho testa a quantidade de luz necessária para a foto e, depois de encontrar a regulagem ideal, faz a foto. O resultado fica excelente, porém o tempo de ajuste é meio lento, e suficiente para incomodar bastante as pessoas que estão na foto, que podem ficar bastante incomodadas com a luz.

A câmera do G4 está entre as melhores do mercado, com destaque para as fotos em cenas mais escuras

 

A presença da estabilização óptica de nova geração é outro fator a se destacar. Com esta tecnologia, o smartphone consegue compensar pequenas tremidas em vídeos ou fotos batidas de forma não muito firme, recurso bastante útil já que os celulares não costumam entregar uma pegada estável para fotografia, e muitas vezes os usuários não são cuidadosos na hora de fazer as fotos.

Boa luz

G4 vs Galaxy S6 edge vs iPhone 6 Plus

Pouca luz

G4 vs Galaxy S6 edge vs iPhone 6 Plus

Flash

G4 vs Galaxy S6 edge vs iPhone 6 Plus

O bom grau de precisão e agilidade da câmera do G4 ficam por conta do sensor de infravermelho, que "escaneia" a cena e define rapidamente onde é o ponto onde deve focar. Apesar de toda a velocidade que esta tecnologia garante ao G4, o tempo de resposta não fica tão a frente de seus concorrentes diretos que utilizam outras técnicas, como contraste, na hora de focar.

Em alguns momentos, o pós-processamento da imagem parece ficar devendo um pouco. Algumas fotos saem com pouco contraste, especialmente as batidas em locais mal-iluminados e com uma maior exposição.  

Os vídeos, como é costume, acompanham "o ritmo" da câmera nas fotos. A qualidade da imagem é bem interessante, e o aparelho é capaz de gravar vídeos na resolução 4K a 30 quadros por segundo, enquanto o modo "câmera lenta" consegue imagens a 120QPS e resolução HD, uma ótima pedida para quem quer fazer vídeos de cenas de ação. Ainda mais do que nas fotos, a estabilização óptica ajuda muito a tornar a filmagem mais firme, evitando uma imagem muito tremida.

Mexidas LG
Boas adições ao sistema Android

A LG mantém sua política de adicionar recursos em seus smartphones, e alguns são bastante interessantes. Muitos herdados desde do G2, temos a capacidade de usar o sensor infravermelho como controle remoto de televisores e outros dispositivos como Blu-rays. No topo, junto com a barra de notificações, podem ser adicionados botões para ligar e desligar facilmente sensores e funções do smartphone, enquanto a última tela da esquerda na interface principal traz um misto de informações com dicas para uso do aparelho.

As mudanças no Android da LG não são excessivamente intrusivas, e muitas são bastante interessantes

 

Entre as modificações mais úteis estão os Smart Settings, um conjunto de ações automatizadas baseadas em "gatilhos". É possível definir qual aplicativo de música deve abrir ao conectar um fone ou fazer o 4G ser desligado assim que você chega em casa, por exemplo. Outra mudança muito bem-vinda é o Knock Code: baseado em um padrão que você bate na tela, o smartphone tem o display ativado e é desbloqueado, tudo em uma única ação.

Em geral, o Android a la LG não é ruim, com uma interface e transições que não "avacalham" com o conceito da fluidez do Lolipop, e também não parecem interferir negativamente na performance do smartphone. Os únicos problemas são os jogos pré-instalados, alguns toques estranhos e o teclado padrão, que é bastante ruim comparado ao novo presente no Android. Felizmente, os problemas são facilmente contornados desinstalando os apps que não interessam, mudando os toques e som do sistema e instalando um app diferente, na Google Play.

O LG G4 é um excelente aparelho, mas sofre pressão do preço competitivo de seu também excelente antecessor, o G3

 

A LG conseguiu trazer evoluções pontuais ao seu novo topo de linha, como melhorias na câmera, um display com melhores cores e contrastes e uma câmera fronta de melhor qualidade. Apesar de usar materiais menos atraentes que os competidores, que partiram para materias mais "rebuscados", o G4 não é um smartphone com acabamentos ruins. Seu maior problema é o uso do plástico cromado nas laterais. Para quem busca um visual mais "premium", há a opção de se gastar um pouco mais e levar o modelo com acabamento em couro.

O grande problema desse aparelho e de toda essa geração de topos de linha é o preço.O aparelho chegou com preço sugerido de 3 mil reais, mas já pode ser encontrado na casa do 2.3 mil. O problema é que o também excelente e muito semelhante G3, modelo de geração passada da própria LG, é encontrado por mil reais a menos. Avaliando os dois modelos lado-a-lado, há pouco que justifique este investimento todo, afinal a tela, processador e novo design do G4 são melhores, mas não "mil reais melhores" que o disponível no modelo da geração passada.

É difícil justificar o preço de um topo de linha, hoje. A relação entre custo e benefício é cada vez mais prejudicada com o crescimento dos preços, geração após geração

 

Enquanto muitos dos rivais de "iphonificaram", com o uso do alumínio no corpo, baterias internas e sem possibilidade de expansão na memória, o G4 vem se tornando um dos últimos Androids do segmento topo de linha a ainda deixar disponível ao usuário a possibilidade de colocar um cartão microSD e mudar a bateria, caso deseje, duas características muito apreciadas entre alguns consumidores do sistema Android.

Frente a seus concorrentes, o G4 foi o modelo com o preço sugerido mais competitivo e, se mantido o que vimos com o G3, deve ser o smartphone com um dos custos mais baixos do mercado no segmento topo de linha, o que pode tornar ele uma das melhores compras nos próximos meses. Neste momento, seu antecessor ainda tem muito a oferecer, por um preço muito mais baixo.

Conclusão

 

Avaliação: LG G4

Design
9
Performance
9
Autonomia
8.0
Funcionalidades
9.5
Câmera
10
Preço
5.0

 

PRÓS
Alta performance
Tela com excelente cores e contrastes
Ótima câmera
Design bastante ergonômico
Estabilização óptica de fotos
Carregamento por indução
Cartão microSD e bateria removível
Alterações interessantes no Android
CONTRAS
Custo elevado
Materiais de menor qualidade que rivais
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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