ANÁLISE: Microsoft dá adeus ao Windows XP

Spin-off traz alívio temporário à cansada série de aventura da Ubisoft

Todo ano, desde 2007, pelo menos um novo jogo da franquia "Assassin's Creed" chega às lojas. Entre 8 games principais e mais 6 episódios paralelos já lançados, "Assassin's Creed Chronicles: China" chega para trazer novos ares à consagrada série de aventuras da Ubisoft.

Previsto originalmente como um DLC para "Assassin's Creed Unity", "ACC: China" é, na verdade, o primeiro de uma trilogia spin-off que terá mais dois jogos com temáticas na Índia e Rússia. E antes que comecem a "torcer o nariz", saibam que o game traz uma sólida mecânica de plataforma 2.5D que sabe usar os principais elementos da saga principal, ao mesmo tempo divertindo e incomodando com alguns problemas.

Abaixo você confere a análise de "Assassin's Creed Chronicles: China", baseado na versão para Playstation 4. O jogo também está disponível para PC e Xbox One.  


Assassinos x Templários na China medieval é inédito, mas não empolga 

A história de "Assassin's Creed Chronicles: China" conta como Shao Jun, a assassina protagonista, conseguiu derrotar o grupo templário Eight Tigers, que dizimou a irmandade dos assassinos chineses. Treinada pelo icônico assassino Ezio Auditore, Shao parte em busca de vingança para eliminar Zhang Yong, o inimigo supremo, e, assim, restaurar a dominância da sua ordem no país. Destemida e com muita personalidade, a personagem vai fazer de tudo para cumprir seus objetivos. No geral, a temática funciona bem para um jogo menor em termos de conteúdo e a própria estética de apresentação, com cenas estilosas, sustenta o jeito como a narrativa é apresentada.

Só que faltou o essencial: criar envolvimento e conexão com momentos marcantes que incentivem a continuar jogando pela simples curiosidade de saber o que vem a seguir. É bem raro esbarrar com esses elementos no jogo. No fim das contas, é só mais uma velha briguinha de Assassinos contra Templário, só que em outra era. Algo já utilizado à exaustão em todos os outros games da franquia. Por isso, é muito mais provável que quem se aventurar em "ACC: China" vai seguir na jogatina apenas pelo prazer de passar pelos desafios sem ser visto, sem sequer ter vontade de prestar atenção nos acontecimentos, de tão desinteressantes, óbvios e automáticos que são. 


Plataformas 2.5D: uma evolução sutil do clássico Prince of Persia

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A jogabilidade de "Assassin's Creed Chronicles: China" abandona o tradicional 3D em mundo aberto da franquia e aposta totalmente na mecânica de plataforma 2.5D. Numa óbvia influência do clássico "Prince of Persia" (lançado em 1989 e que era apenas em 2D), o estilo dá muito certo e combina totalmente com a proposta. O design de fase, além do rolamento lateral, é bastante verticalizado, permitindo, ainda, adentrar ou sair da perspectiva, alcançando novas áreas ao fundo ou na direção contrária, tudo em relação à visão do jogador.

E ainda que seja uma nova forma de jogar um "Assassin's Creed", os elementos mais básicos da série foram transportados para "Chronicles: China". Seu objetivo, claro, é acabar com a Ordem dos Templários. Só que, dessa vez, em vez de sair a cavalo por cidades históricas gigantescas e correr por um mar de telhados, é preciso se guiar lateralmente pelos cenários, subir em plataformas, se pendurar em diversos pontos de apoio, escalar escadas, ativar alavancas, saltar a grandes distância e assim por diante.

 

Para se adaptar a essa nova mecânica 2.5D, os inimigos agora têm um campo de visão que demarca o alcance com que enxergam afrente, cabendo ao jogador elaborar estratégias para driblar o padrão de movimento deles. Se for sorrateiro, é possível utilizar recursos que ajudam a ser mais discreto, como se esconder em pequenos vãos escuros, em cortinas ou plantações, ou usar um assobio ou uma bombinha de estalo para distrai-los momentaneamente. Se quiser partir para a porrada, o jogo ensina uma série de táticas de combate que vão desde o desarmamento dos soldados, desvio de projéteis e ataques fracos e fortes com espadas, incluindo pequenos combos. Independente da forma que escolher, se matar alguém a velha tática segue: livre-se do corpo. Se algo for encontrado, os inimigos começam a caçar o intruso (você) por um certo tempo, voltando à normalidade dentro de 10 segundos, dependendo do nível de alerta em que eles estão.

 

Tudo na jogabilidade 2.5D costuma funcionar bem, exceto por um porém: os combates, que a princípio parecem legais e que vão ajudar bastante nas missões são, na verdade, monótonos, limitados e um tanto inúteis. A própria mecânica do game privilegia muito mais o jogador que decide se infiltrar pelos cenários do que aquele que quer confrontos mais diretos. Explicando: durante o gameplay, o jogador é avaliado a cada novo trecho de fase completado, resultando em pontuações que variam de acordo com medalhas obtidas (bronze, prata e ouro). Quanto menos barulho fizer, menos for visto, mais conseguir se esconder e passar pelos inimigos sem matá-los, melhores serão os resultados.

Com isso, habilidades importantes, como caminhar mais rapidamente, correr sem chamar a atenção, aumentar a energia ou carregar mais munição, por exemplo, são desbloqueadas mais cedo, trazendo bonificações temporárias ou permanentes na próxima jogada. Assim, quem decidir contrariar a proposta de quase ser um agente secreto vai, além de morrer muito, levar bem mais tempo para conseguir essas melhorias ou, talvez, nem mesmo conseguir adquirir algumas delas, já que as pontuações são bem menores. Por isso, por mais que seja louvável a presença dos combates para diversificar o gameplay, é um recurso bem subaproveitado, que acaba sendo prejudicial e que não potencializa a diversão. :/   

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A pureza da estética áudio-visual chinesa (só podia ser mais variado) 

"Assassin's Creed Chronicles: China" também manda bem nos gráficos. O estilo visual remete às aquarelas chinesas pintadas à mão, algo bem típico da arte milenar do país asiático. As cores são predominantemente frias e saturadas, transmitindo uma suave mistura de melancolia com vulnerabilidade. Os cenários, ricos em detalhes, passam por diversas localidades famosas, como a Muralha da China e a Cidade Proibida, além de cavernas, prisões, palácios imperiais, vilarejos e barcos imensos. Mas ainda que tenham elementos únicos que ajudam a inserir o jogador na proposta, são, no geral bem semelhantes uns aos outros. O design dos personagens, principalmente dos inimigos, também tem esse problema: é tudo muito semelhante e, muitas vezes, exatamente igual. Faltou um pouco de variedade para afastar a constante repetição visual do game.  

Já o áudio cumpre a premissa básica de sustentar a imersão na aventura, com melodias que costumam combinar e contextualizar, em drama e efeitos complementares, o que é mostrado na tela. Só não se empolguem muito: nenhuma das canções consegue se destacar ou ser daquele tipo que marca por muito tempo. Isso quer dizer que sejam ruins ou desconexos? Não. Mas a proposta é apenas encaixar com os momentos de infiltração (espionagem) e de combates mano a mano da jogabilidade. A ideia aqui não é emocionar. Por isso, nada de grandes expectativas ou impactos profundos.   

"Assassin's Creed Chronicles: China" é um alívio temporário na sequência quase semestral de jogos lançados da franquia mais rentável da Ubisoft. A ótima mecânica de plataforma 2.5D com elementos de aventura da saga principal e os gráficos que lembram aquarelas animadas já são pretextos mais do que suficientes para querer jogar. Sobretudo se você for fã da saga. Se não for, esteja avisado que a história não é interessante e os combates são bem rasos, prejudicando boa parte da diversão e do envolvimento geral com o game. Ainda assim, vale experimentar. ;)

Conclusão

 

Avaliação: Microsoft dá adeus ao Windows XP

História
5
Jogabilidade
8
Gráficos
8
Áudio
7

 

PRÓS
Ótima mecânica 2.5D de plataforma com aventura
Elementos consagrados da série foram mantidos
Gráficos estilosos (pinturas em aquarelas)
Ser sorrateiro demanda estratégia e é muito divertido
Sistema de habilidades
Um alívio temporário na saga principal
CONTRAS
Combates rasos e limitados
Iniciar combates não compensa
História desinteressante
Cenários e missões repetitivos
Um DLC que virou trilogia é uma jogada descaradamente oportunista
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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