ANÁLISE: Intel Core i7-5820K

A plataforma X99 da Intel teve sua estreia com o lançamento de três modelos: o já avaliado por aqui Core i7-5960X, o Core i7-5930K e o CPU de "entrada" - afinal, quando falamos da linha Extreme Edition, fica difícil chamar algo de produto de entrada - Core i7-5820K. Pois chegou a vez de testarmos este que é o modelo mais "discreto" da linha de máxima performance para usuários domésticos da Intel.

Abaixo a caixa do processador, que atualmente está custando no Brasil cerca de R$1.430 (pesquisa feita no site Kabum no dia 13/04/2015). Vale ainda destacar que todos os processadores da linha Extreme não trazem junto um cooler, sendo necessário a compra do mesmo.


Na tabela abaixo é possível conferir algumas especificações técnicas dos processadores da linha Extreme compatíveis com socket LGA 2011-v3.

Em comparação com os demais modelos da família, a característica mais marcante é a redução nas configurações possíveis de PCI Express. Diferente das duas outras CPUs Haswell-E, com até 40 linhas PCI Express, este processador está limitado a 28 linhas, algo que pode não representar um grande problema para um bom grupo de consumidores, e ainda é uma vantagem considerável sobre um Core i7-4790K e suas 16 linhas, por exemplo. Ainda assim, esta perda é notável se considerarmos que o modelo de entrada do Ivy Bridge-E, o Core i7-4820K, possui 40 linhas.

Esta limitação pode pegar em cheio o público que em teoria este modelo atende: os entusiastas. Na melhor das hipóteses, caso a placa-mãe for capaz de operar na configuração 8x + 8x + 8x, este processador será capaz de operar em um 3-way SLI, ou seja: o mais seguro é cogitar esta CPU para uma configuração de no máximo duas a três placas de vídeo. Partindo para algo mais robusto, será preciso a troca para o Core i7-5930K ou o topo de linha Core i7-5960X.

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Frente ao 5930K esse modelo também tem clocks levemente mais baixos,  algo que não deve trazer um impacto pesado no desempenho e pode ser facilmente revertido com um overclock, comparado ao 5960X esse modelo também tem menor quantidade de núcleos. São "apenas" 6 núcleos com um total de 12 threads através do Hyper-thread, enquanto o Core i7-5960X traz um total de 8 núcleos e 16 threads, vantagem que será mais notável em aplicações que façam bom uso do paralelismo.

A principal limitação deste modelo mais "barato" Haswell-E são as possibilidades de uso de múltiplas placas de vídeo. O ideal é parar em duas.

 

A principal novidade da linha X99 é a introdução da tecnologia de memórias DDR4. Esta é a primeira linha de produtos disponível ao consumidor doméstico que incorpora esta tecnologia que promete clocks mais altos, maior desempenho e menor consumo. Os processadores Haswell-E são os pioneiros e, atualmente, a única opção para quem quer usar as memórias DDR4 em seu PC doméstico, com possibilidade de usar estas memórias em até quad-channel.

Comparando com a geração passada, mas especificamente com o modelo de entrada dos processadores Ivy Bridge-E, o Core i7-4820K, a litografia continua sendo em 22 nanômetros e apesar dos refinamentos da arquitetura Haswell, o consumo não foi reduzido, sendo que o TDP é 140W neste modelo versus os 130W do 4820K. A principal mudança em relação à geração passada é mesmo o número de núcleos, já que a CPU Ivy Bridge-E possui 4 núcleos e 8 threads, enquanto os clocks também estão um pouco menores, reduzindo de 3.7GHz de clock base para os 3.3GHz no Haswell-E que analisamos.

Fotos
Como os demais modelos da linha Intel Extreme, o Core i7 5820K não acompanha cooler BOX, sendo necessário comprar um cooler, diferente dos demais modelos da linha Core, como o Core i7 4790K, Core i5 4670K etc, que trazem um cooler junto.

Abaixo algumas fotos do processador:


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Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistemas utilizados, sendo que priorizamos manter todos com memórias trabalhando em 2133MHz, 8GB(2x4GB) no caso das plataformas com suporte a dual-channel, e 16GB(4x4GB) nas plataformas com suporte a quad-channel.

Componentes dos sistemas:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos componentes com exceção de placa-mãe e processador, são eles:

- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 980 (referência)
- Memórias: 16GB (4x4GB) Kingston Predator DDR4 (LGA2011 e LGA2011-v3)
- Memórias: 8GB (2x4GB) Kingston Predator DDR3 (LGA 1150 e AM3+)
- SSD: Kingston HyperX 3K 240GB Sata 6Gb/s
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s
- Cooler: Noctua NH-U12S
- Fonte de energia (PSU): XFX ProSeries 850W PSU

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 8.1 64 Bits com Updates
- GeForce 347.88

Aplicativos/Games:
- CineBENCH R15
- x264 FHD Benchmark 1.0.1
- wPrime 2.10
- 3DMark (DX11)
- Bioshock Infinite (DX11)
- Metro Last Light (DX11)
- Middle Earth Shadow of Mordor (DX11)
- Tomb Raider (DX11)

CPU-Z
Abaixo, telas do CPU-Z mostrando detalhes da placa-mãe e sistema utilizado nos testes.


Overclock
A plataforma X99 tem como um de seus grandes destaques seu bom potencial para overclock. No overclock deste modelo, utilizamos um perfil pronto da BIOS da mainboard utilizada, o processador trabalhou em 4.4GHz, totalmente estável. Abaixo a tela principal do CPU-Z:

Temperatura
Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.


Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

Consumo de energia
Fizemos os testes do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.


Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistema com vídeo integrado rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Testes de desempenho
Abaixo temos uma série de testes de desempenho, comparando o processador com outros modelos do mercado exatamente nos mesmos testes, inclusive com overclock do modelo analisado.

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CineBENCH R15
Iniciamos os testes de desempenho em aplicações com o CineBench, que testa o processador convertendo uma imagem. 


x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:


wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark.

BioShock Infinite
Em teste de games, começamos pelo "Bioshock Infinite", o mais recente da franquia, lançado em 2013.

Metro Last Light
Outro excelente teste que exige o máximo do sistema é o game "Metro: Last Light", que também é referência de qualidade gráfica em games para PC, será que também exige dos processadores, vejam abaixo:

Middle Earth Shadow of Mordor
O novo game inspirado no universo da franquia "O Senhos dos Anéis" chegou sem gerar muita expectativa e se tornou um dos grandes lançamentos do ano, com destaque para seus gráficos muito refinados. Nosso teste utiliza a melhor qualidade possível do game, com as texturas em alta qualidade.

 

Tomb Raider
Para finalizar os testes em games, vamos ao teste de desempenho do "Tomb Raider".

Alguns meses após o lançamento dos processadores Haswell-E, nossa análise do Core i7 5820K, modelo mais simples da plataforma LGA 2011v3, mostra que o processador também é um dos mais interessantes entre as três opções disponíveis. Os testes comprovaram que o 5820K tem desempenho semelhante ao topo de linha da geração passada, o Core i7 4960X, mas com alguns atrativos importantes. Menor consumo de energia e melhor dissipação do calor estão entre os bons ganhos sobre a geração passada, mas um dos maiores atrativos está em seu custo vs desempenho comparado ao modelo topo de linha da geração anterior.

Atualmente o Core i7 5820K custa cerca de R$1.430 no Brasil, um Core i7 4960X está custando em média R$3.500 pra cima. Além desta vantagem em custo, com o 5820K temos uma plataforma totalmente atualizada, por enquanto a única com suporte a memórias DDR4.

O porém é que os testes em games comprovam o que já mostramos em uma série de análises e artigos, o que define melhor desempenho dentro de games quando o assunto é FPS é a placa de vídeo, então um processador muito bom como o Core i7 5960X pode ficar em pé de igualdade com um processador de R$400 em muitos games, desde que os demais componentes sejam parecidos, especialmente a placa de vídeo, isso deve fazer o usuário se questionar se vale a pena o investimento tão alto em um processador, mesmo ele sendo a melhor opção da plataforma na média como é o caso desse 5820K.

Agora não podemos deixar de destacar que em testes que não utilizem a placa de vídeo, o processador faz toda a diferença, e mesmo com a melhora de poder de renderização dos GPUs gráficos, hoje utilizados por uma série de aplicativos como Adobe Premiere, After Effects, AudoCAD, 3D Studio, Maya, etc, na hora de lidar com um render massivo um processador de alto desempenho ainda é a opção mais segura, sendo o 5820K uma boa opção frente a plataformas mais simples, podendo ainda ter um bom ganho de desempenho através de overclock, algo bastante simples de se fazer com as placas-mãe X99 atuais, especialmente porque desde o modelo mais simples já temos boas opções para overclock.

Em se tratando de contras, o que destacamos é a limitação de canais PCI Express frente aos outros dois modelos de mesmo socket, isso na prática quer dizer que um sistema com múltiplas placas de vídeo terá limitações frente ao 5930K ou 5960X ou mesmo modelos anteriores como o 4960X. A principio não existirá nenhuma limitação na combinação de 2 placas de vídeo, ou mesmo 3 em um cenário ideal em que placa seja capaz de operar em 8x + 8x + 8x,  mas 4 placas podem sofrer limitações e não tingir o desempenho normal ou, em casos mais extremos como acontece com os drivers da Nvidia para placas operando abaixo do 8x, a opção do SLI simplesmente não vai estar disponível. Logicamente esse tipo de combinação é feita por uma quantidade limitada de usuários, ainda mais em um número superior a duas placas, então a grande maioria de usuários não deve ver essa limitação como algo grave. Para estes casos, o jeito é se conformar e desembolsar mais, partindo para os chips mais potentes da linha Haswell-E ou mesmo os mais antigos, como os já citados 4960X. Lembramos que em nosso artigo do PC Games dos Sonhos 2015 mostramos uma config de 4 placas de vídeo GeForce GTX 980, em vários casos apresentando problemas na hora de somar a força de todos os modelos.

Por conta de seu poder de processamento, capaz de rivalizar e superar o modelo mais caro da família, o Core i7-5820K vira uma opção muito interessante para quem precisa de altíssimo desempenho de CPU, quer entrar na nova plataforma e suas tecnologias, como a memória RAM DDR4, e não se importa com a grande limitação da CPU que é seu limite de combinações de até duas placas.

O Core i7-5820K é a CPU para quem precisa de alto poder de processamento, e não vê a limitação em combinações de placas de vídeo para no máximo duas como um problema

Conclusão

 

Avaliação: Intel Core i7-5820K

Performance
10.0
Tecnologias
9.0
Overclock
10.0
Preço
8.0

PRÓS
Desempenho semelhante ao Core i7 4960X custando menos da metade
Baixo consumo de energia
Melhor dissipação de calor comparado a geração anterior
Via overclock alcança um 5960X em seu clock padrão
CONTRAS
Limitação na quantidade de canais PCI Express
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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