ANÁLISE: ScreamRide

Exclusivo do Xbox tem um estilo de jogo divertido e totalmente fora do comum

Desde seu anúncio na conferência da Microsoft na Gamescon 2014, ninguém sabia direito o que esperar de "ScreamRide", mas existem motivos para isso: não é todo dia que lançam um jogo focado em montanha-russa e destruição. Produzido pela Frontier, o título é considerado o "sucessor espiritual" de 'Roller Coaster Tycoon', famoso simulador que fez parte da infância de muitos gamers. A produtora manteve sua tradição, e além de fazer um bom simulador, trouxe algumas novidades bastante divertidas que vão explodir a cabeça dos fãs da antiga série de parque de diversões. Saiba mais sobre os pontos fortes e fracos de "ScreamRide" no restante da análise.

Bem-vindo a um futuro entediante

Apesar de ser bem objetivo, existe uma história em  "ScreamRide" que dá motivos para você fazer montanhas-russas e arremessar pessoas em prédios. O game se passa em futuro onde a tecnologia está bastante avançada e os humanos vivem em um mundo chato e depressivo. E para tentar salvar essa humanidade entediada existe a ScreamWorks, uma empresa com várias bases de testes pelo mundo que busca solucionar os problemas sociais fazendo as pessoas atingirem altos níveis de adrenalina. É ai que o jogador entra. Você é o novo empregado da "ScreamRide" e deve ajudar a humanidade seguindo uma das três carreiras: coletor de gritos, demolidor ou engenheiro.

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Vale destacar que a ScreamWorks preza pela segurança das cobaias e apesar das pessoas serem arremessadas para demolirem prédios, ninguém se machuca. Existe todo um esquema envolvendo barcos, drones e pesquisadores (que parecem o 'Zer0' de 'Borderlands 2') para proteger a vida das cobaias. E é isso. A única voz que você ouve durante o jogo é a do "Controle", inteligência artificial que dá os tutoriais e faz ironias com a segurança do local. Os bots apenas sorriem, dão um tchauzinho para a câmera e caem, para dar um toque de diversão durante os desafios.


Divertido, explosivo e cinemático, mas enjoativo

"ScreamRide" possui três modos de carreira que praticamente o fazem três jogos diferentes. O game tem 6 séries (cenários) espalhados por vários lugares do mundo, onde a dificuldade vai aumentando a cada novo desafio. Em todos os modos, o jogador deve vencer os desafios impostos para liberar as fases seguintes, subir de nível e ganhar materiais para utilizar na Caixa de Areia, modo que permite construir livremente. O game não possui modo multiplayer, mas é possível interagir com outros jogadores através do ranking de pontuações das fases e no Xbox One, por meio das pistas compartilhadas na comunidade. 

Apesar de ser muito divertido, "ScreamRide" se torna enjoativo depois de algum tempo. Mesmo com três modos de jogo diferentes e com novos recursos sendo adicionados, os cenários e a jogabilidade continuam parecidos durante todo o game, o que acaba cansando depois de algumas horas. Os três modos de jogo na carreira são:

Coletor de Gritos:  este modo de carreira foi o mais anunciado e traz maior novidade em relação aos "Roller Coasters" da Frontier: agora é possível pilotar o carrinho da montanha-russa. Apesar de parecer fácil, pilotar o carrinho e vencer os desafios não é tão simples. No Coletor de Gritos, as corridas sempre envolvem desafios relacionados ao tempo de conclusão da corrida, nível de turbo máximo, velocidade e descarrilhamento, e manter um equilíbrio entre os itens não é moleza. 

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A cada novo cenário, novos recursos e ferramentas são adicionados, o que deixa a jogabilidade mais atraente. Exemplificando: nos primeiros níveis, você aprende com os tutorias a utilizar da melhor maneira o turbo, fazendo largadas perfeitas e pegando velocidade extra nos trilhos especiais. No segundo nível, a novidade são os buracos no trilho, e o jogo te ensina como passar por eles durante a corrida. E assim vai, cada fase introduz uma nova ferramenta e o jogador deve aprendê-la para usar no nível seguinte. Com o passar das séries,  o nível de dificuldade nas montanhas-russas também aumenta e fica cada vez mais desafiador deixar o carrinho nos trilhos a todo momento. As construções também aumentam de tamanho e ficam mais elaboradas, o que deixa a experiência melhor e emocionante.


Condutor de Gritos: já imaginou isso em realidade virtual?

Especialista em Destruição: Neste modo, o objetivo é destruir o cenário usando esferas arremessadas em alta velocidade. Em todos as fases deste modo, os controles são mostrados na tela e, como no modo anterior, novos recursos são adicionados nas séries seguintes. No primeiro cenário, sua arma é uma esfera comum. Já na série 2, uma esfera explosiva que se divide é adiciona ao seu arsenal.

Em geral, os objetivos envolvem destruir prédios, telas e objetos no cenário (até mesmo o dirigível) utilizando o menor número de cabines. Cada objeto destruído gera pontos que contam para ganhar estrelas e uma boa colocação no ranking online.  O estilo de jogo é "parecido" com "Angry Birds", mas em 3D e com uma física melhorada (tirando o fato de que esferas de metal quicam na água). O ponto forte deste modo são as demolições cinemáticas. As destruições são bem detalhadas e o jogador pode ver um prédio explodindo de vários ângulos diferentes.

 

Engenheiro: Neste modo os entusiastas de "Roller Coaster Tycoon" têm um orgasmo mental: o objetivo é construir os trilhos, emocionar as pessoas e aumentar os medidores de gritos, intensidade e náusea. Quanto mais alto os marcadores, maior a pontuação. Dentro desta carreira, existem dois tipos de engenheiros: de gritos e de destruição. Nas fases de Engenheiro de grito, o jogador deve fazer uma montanha-russa pensando em aumentar o nível de emoção dos passageiros. O essencial é fazer uma pista radical e não descarrilhar ou derrubar as cobaias. Já os Engenheiro de destruição, além de fazer os passageiros ficarem emocionados, no final da montanha-russa, você deve explodir construções com o carrinho. Fazer o carrinho alcançar altas velocidades e explodir em pontos estratégicos das construções é ideal para conseguir pontos e conquistas para liberar os novos níveis.

Em relação a construção, este modo tem limitações devido aos objetivos, mas os controles são bem intuitivos e fáceis de aprender.  O game também conta com o comando conclusão automática, que finaliza a pista automaticamente, se o jogador estiver cansado de construir. 


Caixa de Areia: o lugar onde tudo é possível 

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Games que envolvem construção e criatividade podem ser considerados incríveis quando um fator é levado em conta: os jogadores. Na Caixa de Areia, os jogadores podem criar o que quiserem, escolher um modo de jogo e impor desafios. E, no Xbox One, é possível compartilhar as montanhas-russas e baixar pistas compartilhadas na Xbox Live. Como já foi dito, as fases da carreira liberam itens que podem ser usados na Caixa de Areia: trilhos, paredes, construções, etc. E a partir dai, é só criar.  Como no modo engenheiro, é simples construir e desconstruir cenários. Os controles sempre estão na tela e alterar entre a edição e o testes é relativamente rápido.  

No jogo todo, A Caixa de Areia é onde o jogador gasta mais horas, pois, depois de completa a carreira, que é bem pequena, existe uma biblioteca imensa com trilhos, turbos e loops que podem ser usados para criar montanhas-russas colossais de um jeito fácil e divertido.


Gráficos compatíveis com a proposta e músicas eletrônicas


Após o final de Borderlands 2, Zer0 saiu de Pandora e foi trabalhar para a Frontier

Apesar de não ser revolucionário e muito elaborado, o visual do game é bom levando em consideração a proposta do jogo. Os gráficos tem um estilo cartoon e são bem definidos. É claro que uma experiência gráfica mais rebuscada nas explosões seria legal, e a Frontier tem capacidade de fazer melhor, mas o que é oferecido no jogo já diverte bastante. Outro ponto que podia ser explorado no futuro é a realidade virtual, pois um game como "ScreamRide" e uma tecnologia imersiva como o HoloLens, por exemplo, daria uma boa combinação.

O áudio do jogo se resume a músicas eletrônicas/dubstep que lembram o futuro e a narradora, chamada "Controle", interagindo com o jogador. A narração em português é ótima, mas em corridas de pouca duração no modo Condutor de Gritos, a Controle fala todas as ações em um curto período de tempo, o que acaba se tornando chato. 

"ScreamRide" traz uma proposta bem inovadora para o Xbox e é bem divertido, mas depois de algumas horas o game vai perdendo a magia e se torna cansativo. Se você já jogou 'Roller Coaster Tycoon' terá alguns bons momentos nos simuladores e dirigindo o carrinho de montanha-russa, mas não se engane, o objetivo do jogo não é ser o novo 'RCT', mas sim oferecer uma nova experiência envolvendo montanhas-russas e brinquedos de parque de diversão, e ele faz isso muito bem.

Se você está procurando um game para se divertir insanamente por horas e testar sua criatividade construindo montanhas-russas e brinquedos radicais, ScreamRide é a melhor opção disponível atualmente no Xbox. Recomendo que espere uma promoção ou baixe a demo para ter certeza se ScreamRide é mesmo o que você procura, pois o preço não é muito camarada.

Conclusão

 

Avaliação: ScreamRide

História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
8.0
Áudio
8.0

PRÓS
Modo Condutor de Gritos é muito divertido
Proposta totalmente diferente e inexistente no Xbox One
Sistema de construção intuitivo e bem completo
Destruições cinemáticas
Narração em português com ironias e piadas com bots
Caixa de Areia e níveis compartilhados na Xbox Live
CONTRAS
Cenários e jogabilidade repetitivos acabam deixando o jogo cansativo
Narradora hiperativa no modo condutor de gritos
Pequenos bugs no modo Especialista em Destruição
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  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.

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