ANÁLISE: Motorola Moto E (2ª Geração) 4G DTV

ANÁLISE: Motorola Moto E (2ª Geração) 4G DTV

Quando lançou a primeira geração do Moto E, a Motorola já tinha definido muito bem sua nova estratégia no mercado de smartphones: apostar no custo benefício dos aparelhos, com design simples, bom hardware, Android puro e preços bastante atrativos. A compra da empresa por parte da Lenovo não mudou em nada essa tática, que se mostra especialmente forte no segmento intermediário (que o diga o Moto G).

A 2ª geração do Moto E chega para trazer mais uma opção com bom custo-benefício para o mercado de smartphones de entrada, mas com uma novidade. As versões mais caras do dispositivo colocam um pézinho no segmento intermediário, com recursos emprestados do Moto X e até internet 4G Â– e, é claro, preço condizente.

Especificações e comparativo

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Lumia 730


Zenfone 5


Moto G 2ª Geração


Moto E 2ª geração

Processador (CPU)
Snapdragon 400, quad-core, 1.2GHz Intel CloverTrailPlus 2x2, dual-core, 1.6GHz Snapdragon 400, quad-core, 1.2GHz Snapdragon 410,
quad-core, 1.2GHz
Chip Gráfico (GPU)
Adreno  305 PowerVR SGX544MP2 Adreno 305 Adreno 306
Armazenamento
8GB (interna)
+ 128GB (microSD) 
16GB (interna)
+ 64GB (microSD)
16GB (interna)
+ 32GB (microSD)
16GB (interna)
+ 32GB (microSD)
Memória RAM
1GB 2GB 1GB 1GB
Sistema operacional
Windows Phone 8.1
(Atualização Denim)
Android 4.3
(com upgrade para 4.4.2)
Android 5.0 Android 5.0
Câmeras
Traseira 6.7MP /
Frontal 5MP
Traseira 8MP/
Frontal 2MP
Traseira 8MP /
 Frontal 2MP
Traseira 5MP /
Frontal VGA
Tela
4.7" OLED
720 x 1280
5" IPS LCD
800 x 1280
5" IPS LCD
720 x 1280
4.5' IPS LCD
 540 x 960
Dimensões
134.7 x 68.5 x 8.7 mm 148.2 x 72.8 x 10.3 mm 141.5 x 70.7 x 10.9 mm 129.9 x 66.8 x 12.3 mm
Peso
130g 145g 155g 143g
Bateria
Li-Ion 2220 mAh Li-Ion 2050 mAh Li-Ion 2390 mAh Li-Ion 2390 mAh
LTE
NFC
Dois chips SIM
Preço (03/03/2015)
R$ 800 R$ 790 R$ 900 R$730

Design e Tela

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Sem enrolações: é nesta seção que estão os pontos mais fracos do aparelho. A começar pela tela de 4.5". Num mundo onde quase todos os smartphones vêm com telas de 5" ou maiores, o display do novo Moto E pode parecer pequeno demais para alguns. Mas isso é uma questão bastante pessoal, claro. Para mim, as 4.5" foram mais do que suficientes para atividades como navegar na internet e usar a maioria dos aplicativos.

Mas é na hora de jogar games ou assistir vídeos que a coisa pega, pois resolução de tela aparelho é apenas qHD (540 x 960). Na versão mais básica do novo Moto E (apenas com conexão 3G), que custa R$ 560, isso não chega a ser um problema. Afinal, os aparelhos dessa faixa de preço, como Xperia E3, LG L80 e Galaxy S III Mini, possuem telas com resoluções menores. O problema é que as versões mais caras do Moto E (com 4G incluso) chegam na faixa de R$ 730, o que o coloca na briga com Lumia 930, Zenfone 5 e até o Moto G de 2ª geração. E todos eles possuem display de alta definição.

 

O design do Moto E de 2ª geração é bastante simples, e segue o padrão adotado pela Motorola nos últimos anos. Isso significa que ele tem a mesma traseira arredondada que vimos no Moto G e no Moto X, que deixa o telefone bastante ergonômico e resulta numa pegada confortável. O corpo é todo feito de um plástico bastante duro e sem texturas, mas ao menos o acabamento é muito bem feito. Ah, e ele ainda vem com uma espécie de molduras removíveis, que trazem maior variedade de cores para o aparelho e quebram a monotonia dos modelos totalmente pretos ou brancos. Ou você pode fazer que nem eu e usá-lo totalmente preto.

Câmera

Aqui temos um ponto onde o novo Moto E praticamente não evoluiu em relação ao Moto de 1ª geração: a câmera. Ela continua sendo de 5 MP, o que é suficiente se você não tiver a intenção de utilizar o zoom digital com frequência. Só que ela peca por trazer os mesmos problemas que assolam os celulares intermediários da Motorola há mais de um ano.

Boa luz


Moto E 2ª Geração, Zenfone 6 e Lumia 535
Pouca luz

Moto E 2ª Geração, Zenfone 6 e Lumia 535

Como acontece com os dois Moto G e com o Moto E de 1ª geração, as fotos tiradas com o novo Moto E ficam, em muitas situações, demasiadamente granuladas. A coisa piora em situações de baixa luminosidade, e não há nem um flash para compensar isso. Claro, isso não é problema quando falamos da versão de entrada, que custa R$ 570. Mas quando falamos dos modelos com 4G, que chegam a R$ 700, a coisa complica um pouco. Afinal, ele chega na faixa de Zenfone 5 e Lumia 730, que possuem câmeras bem melhores.

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Funcionalidades

Passados os pontos fracos do dispositivo, agora é só alegria. A começar pelo sistema operacional: Android 5.0 Lollipop (praticamente) puro. Como é costume, a Motorola praticamente não mexeu no sistema. E quando mexeu, ela sabia o que estava fazendo. Você começa a perceber isso quando liga o celular e ele lhe oferece o aplicativo Migração Motorola. O app permite que você transfira seus arquivos do telefone antigo para o novo. Isso funciona mesmo que seu celular anterior seja um iPhone ou mesmo um feature phone (e, logicamente, com Androids também).

Mas o mais legal mesmo são os recursos reaproveitados a partir do Moto X, que trazem um diferencial para o Moto E, em relação aos outros intermediários. O primeiro é a tela inteligente, que avisa de suas notificações sem que você tenha que desbloquear o aparelho. Além disso, ela também mostra o horário de tempos em tempos, ou quando você pega o smartphone.

A outra função é a que permite abrir a câmera fazendo dois rápidos movimentos com a mão. Pode não parecer muito útil a princípio, mas depois que você se acostuma ela se torna uma maneira mais rápida e prática de ativar a câmera. Sem contar que isso resolve aquelas situações onde você perde de tirar a foto porque demorou para abrir a câmera.

Outra função bastante inteligente é o Moto Assist, que já vimos tanto no Moto G quanto no Moto X. Ela te deixa configurar o horário em que você está dormindo para evitar que você seja incomodado durante esse período. Você pode, por exemplo, colocar entre meia noite e 8h da manhã como o seu horário de sono. A partir de então, apenas ligações e notificações vindas dos números que você colocou como exceções irão tocar no seu horário de sono. O mesmo pode ser feito para reuniões, o que é especialmente útil se você tem uma reunião semanal que acontece sempre no mesmo dia e horário.

Desempenho e autonomia

Depois dos interessantes recursos, outra surpresa positiva: o Moto E tem excelente desempenho, mesmo quando comparado aos aparelhos intermediários, como Zenfone 5 e Moto G. Isso fica na conta do chip Snapdragon 410 que Motorola colocou no modelo com internet 4G do dispositivo, versão que testei. Como não coloquei as mãos no Moto E com internet 3G, não tenho como comentar sobre seu desempenho.

Na versão que testei, a configuração é mais do que suficiente para rodar o sistema Android, e o smartphone não apresentou nenhum travamento. O que eu percebi foi um pequeno atraso na resposta aos toques na tela, mas esse é um problema que encontramos em outros dispositivos com Android Lollipop, e um problema que a própria Google já reconheceu. Portanto, isso é algo que vai ser resolvido nas próximas atualizações.






Como mostram os benchmarks, o Moto E de 2ª geração tem hardware levemente superior ao do novo Moto G, e chega a bater o Moto X de 1ª geração no teste do Antutu. Ou seja, pelo preço que se paga, o aparelho entrega excelente performance. O novo Moto E só ficou atrás do Moto G de 2ª geração no 3DMark, que testa o desempenho em jogos. Mesmo assim, ambos rodam praticamente todos os games de maneira satisfatória, mesmo que nem sempre com os melhores gráficos possíveis.

Só que o verdadeiro destaque (e a melhor surpresa) do Moto E de 2ª geração está no último teste, o de duração de bateria. Ele simplesmente é o smartphone com maior autonomia de bateria a ter passado pelo Adrenaline. Ou seja, não tem pra Moto Maxx, Galaxy S5, ou Xperia Z3, antigos líderes no quesito. O bom desempenho do Moto E é facilmente explicado pela sua bateria de 2390 mAh, maior que a da maioria dos aparelhos intermediários. Junto com a tela qHD de 4.5", que não consome tanta bateria assim, dá para aguentar até 2 dias sem recarregar, se você controlar um pouco o uso do aparelho. Mas o ideal segue sendo recarregá-lo todo dia.

Depois de tudo isso, tenho duas afirmações sobre o Moto E. A primeira é que ele tem péssima câmera e uma tela bem mais ou menos (que não é nem HD!). A segunda é que a duração de bateria dele é algo espetacular, seu desempenho é surpreendente e seus recursos são bastante úteis no dia-a-dia – assim com o Moto X, ele é um smartphone verdadeiramente inteligente.

Mas a questão que vocês todos estão esperando eu responder é: "este aparelho vale o meu rico dinheirinho?". Bom, se estivermos falando da versão mais barata do Moto E, a resposta é: com certeza. Por R$ 570, ele traz uma tela de maior qualidade e melhor desempenho que seus concorrentes da mesma faixa de preço, sem que você precise abrir mão do dual-SIM. Sem contar os úteis recursos exclusivos da Motorola (como Moto Tela e Moto Assist) e o Android Lollipop.

Só que, quando falamos da versão com 4G, a questão fica mais complexa. Afinal, o smartphone passa a concorrer com pesos-pesados do mercado intermediário, como Moto G, Zenfone 5 e Lumia 730. E todos têm os seus pontos fracos: a câmera do Moto G, a bateria do Zenfone, os aplicativos desatualizados do Lumia...

No caso do novo Moto E, o que você sacrifica é resolução de tela e qualidade da câmera. Se esses fatores não estão entre suas prioridades, o Moto E 4G é uma aposta sólida. De sobra, você ganha a maior duração de bateria que já testamos, e ainda desembolsa um pouquinho menos. Nada mal, não é?

Conclusão

 

Avaliação: Motorola Moto E (2ª Geração) 4G DTV

Design
7.5
Performance
9.5
Autonomia
10
Funcionalidades
10.0
Câmera
8.0
Preço
9.0

 


PRÓS
Melhor autonomia de bateria de todos os aparelhos que testamos
Funções vindas diretamente do Moto X, como a Moto Tela
Preço competitivo
Bom desempenho para a categoria de intermediários
Internet 4G
CONTRAS
Tela não é nem HD
Câmera continua sendo o ponto fraco da Motorola
Design não se destaca
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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

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