ANÁLISE: Grim Fandango Remastered

Produzido pela Double Fine, "Grim Fandango Remastered" é a remasterização em alta definição do clássico adventure lançado para PC pela saudosa LucasArts em 1998. Para os fãs de longa data do game original, este relançamento serve mais para reviver um dos melhores jogos de todos os tempos do que realmente para curtir as melhorias gráficas e sonoras, já que elas são bem tímidas por aqui.

Já para os jogadores de primeira viagem que não jogaram anteriormente, esta é uma ótima oportunidade para conhecer um dos precursores máximos de um gênero que já colecionava elogios infinitos e milhões fãs mundo afora, muito antes da Telltale Games, fundada em 2004 por talentosos ex-funcionários da LucasArts, se tornar referência das narrativas nos jogos eletrônicos. 

Abaixo, você acompanha a análise de "Grim Fandango Remastered", baseada na versão para Playstation 4. O título também está disponível para PC e Playstation Vita.


Um ícone nos adventure e um grande clássico dos games

Como no game de 1998, "Grim Fandango Remastered" põe o jogador no controle de Manuel Calavera, um agente de viagens da Terra dos Mortos que até leva uma vida tranquila, mas tem dificuldades de evoluir socialmente e financeiramente. De repente, "Manny" descobre que algumas pessoas estão jogando contra ele e logo se vê encrencado numa conspiração do sub-mundo cheia de mistérios e entidades organizacionais poderosas, colocando a sua própria "vida" em risco. Ao mesmo tempo, ele busca saber o paradeiro de Mercedes Colomar, sua amada que repentinamente sumiu e ninguém parece estar disposto ajudar. O enredo é instigante e tem algumas reviravoltas inteligentes, apresentando também uma cadência de desenvolvimento exemplar.  

Absolutamente todos os personagens são carismáticos. Todos têm personalidades únicas, com propósitos de conduta muito bem definidos, mas que podem mudar a qualquer momento, dependendo que acontece no decorrer da trama. Os diálogos, cheios de trechos engraçados, com pitadas precisas de humor negro e sacadas que causam risadas, são marcantes. E o que ajuda ainda mais nessa imersão são as vozes dos personagens, que não somente são naturalmente cômicas, mas também variam bastante em sotaques e têm interpretações muito acima da média, causando uma identificação com aquele mundo controverso quase que instantaneamente. É muito divertido acompanhar o desenvolvimento da narrativa.

  

  

"Grim Fandango Remastered" pode ser jogado de duas maneiras. A primeira é a forma clássica, em que apenas é possível girar o jogador sobre um mesmo eixo e, então, caminhar ou correr na direção apontada, sempre para frente. É um método bem engessado e arcaico ou, como classifica o próprio criador do game, Tim Schafer, "de tanque". Os fãs não terão problemas em jogar dessa forma, bastando jogar minutos adentro para se reacostumar com o peso dos controles sobre o personagem. Os jogadores de primeira viagem é que devem estranhar esse padrão. Felizmente, existe uma segunda maneira de se jogar o game, bem mais dinâmica, leve e que pode ser mudada a qualquer momento da partida. Aqui, basta movimentar o personagem baseado no ângulo da câmera em que ele se posiciona que irá onde você quiser, agilizando significantemente o processo de exploração.  

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Mas os verdadeiros responsáveis pelo sucesso do game original, e que continuam presentes em "Grim Fandango Remastered", são os puzzles. Durante a jornada, você precisa interagir com tudo e coletar itens para resolvê-los. A grande maioria dos quebra-cabeças é bem complexa e, o mais interessante de tudo, nada óbvia e sem quaisquer indicações na tela do que deve ser feito, forçando constantemente o jogador a pensar nas combinações e na finalidade desses mesmos itens. Os cenários são parte inerente dos enigmas, muitas vezes atuando como "itens" secundários ao confundirem o jogador sobre os lugares que precisa visitar, os personagens que precisa conversar e quais itens usar em locais muito específicos para poder progredir. O desafio é alto, mas a recompensa, que vem na forma de muita diversão, é maior ainda. 


Remasterização bem pouco convincente

O pretexto máximo para lançar qualquer remasterização são as óbvias melhorias gráficas e de som que o game vai apresentar na nova versão. Nesse caso, "Grim Fandango Remastered" decepciona bastante. Os serrilhados quase todos foram embora e a iluminação até que está um pouco mais dinâmica, mas, no aspecto geral, o título nem realmente parece que recebeu melhorias, já que que as texturas estão em baixa resolução, os cenários tem borrões com imperfeições de objetos bem visíveis e o visual não aparenta ser moderno e nem ao menos condizente com as capacidades das plataformas atuais. 

Os design dos personagens são, de fato, as únicas melhorias visíveis dessa remasterização, ao passo que o estilo cartunesco combinado com paisagens pré-renderizadas do jogo foi mantido, garantindo a alegria dos fãs mais nostálgicos. Mas uma remasterização precisa impressionar para se justificar como relançamento e, sobretudo, fazer valer o preço cobrado, o que não é exatamente o caso. Fora isso, a imersiva trilha sonora e a cômica e excelente dublagem em português brasileiro não disfarçam os problemas nos diálogos: leves chiados aparecem em todas as cenas da aventura, denunciando uma certa falta de cuidado na aparente remasterização. Faltou adequação e capricho nessa parte.     

Infelizmente, "Grim Fangando Remastered" não consegue se justificar apenas como remasterização. Com exceção da ausência de serrilhados e da iluminação um pouco mais dinâmica, o visual quase não melhorou e a parte sonora, tirando as clássicas trilha sonora e dublagens, traz leves chiados nos diálogos e passam a nítida impressão de que não receberam cuidado adequado. A jogabilidade é que realmente traz alguma novidade: bem menos engessada, traz um aspecto bem mais moderno, deixando a experiência definitivamente mais pertinente aos padrões atuais.

Para os fãs de longa data, a jornada é exatamente a mesma de antes, com os mesmos quebra-cabeças desafiantes, os mesmos personagens super carismáticos e a mesma narrativa cativante, cheia de diálogos cômicos e muito humor-negro. E só isso já seria o suficiente para jogar novamente. Mas a remasterização deixou a desejar; por isso, é preciso considerar se o preço de US$15 (R$31) compensa. Já para os novatos no jogo, fiquem ligados: este é um dos melhores jogos de todos os tempos, dentro e fora do gênero adventure. Desconsiderando o descuido nas partes mais técnicas, é recomendo aproveitar o preço convidativo para conhecer este grande clássicos e se divertir por, pelo menos, 12h muito bem gastas.

Conclusão

 

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Avaliação: Grim Fandango Remastered

História
10
Jogabilidade
10
Gráficos
5
Áudio
8

 

PRÓS
Enredo bem bolado com personagens inesquecíveis
Clássica e cômica dublagem em português está de volta
Duas jogabilidades: retrô (mais pesada) e moderna (mais ágil)
Puzzles complexos forçam a pensar constantemente
Opção de tela em 16:9 (mais esticada) e 4:3 com ou barras laterais
Possibilidade de jogar em gráficos retrô ou remasterizados
CONTRAS
Remasterização com bem poucas melhorias gráficas e sonoras
Comentários do diretor não fazem falta
Sem qualquer conteúdo extra
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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