ANÁLISE: The Crew

ANÁLISE: The Crew

The Crew chega com uma ideia ambiciosa: ter o maior mapa jÁ produzido para um game, baseado em um mundo real. Nesse ponto a produtora Ivory Tower conseguir se superar, trazendo todo os Estados Unidos em detalhes, com algumas das suas principais cidades.

Mesmo com alguns problemas grÁficos, que serão comentados mais abaixo, The Crew prima pelos detalhes dos cenÁrios, seja uma cidade grande onde cada uma é bem diferente da outra, seja pelas dezenas de cidades menores mas não menos detalhadas, seja pelas diversas planícies, estradas, plantações, cadeias montanhosas, vales, florestas, praias, desertos, etc. Existe tanta diversidade que fica difícil escolher para onde ir, e a curiosidade é tão grande que logo no inicio do jogo o jogador vai querer "fugir" da história banal para passear pelos Estados Unidos, principalmente se for com os amigos.

História previsível e descartÁvel

O que menos importa em The Crew é a sua história. É tudo previsível demais e jÁ visto em vÁrios filmes e jogos, que só vale a pena seguir para poder ter acesso à outros carros e itens, e juntar grana para poder comprÁ-los. O jogador encarna Alex Taylor que começa o game ajudando seu irmão, que é chefe de uma famosa gangue que age por todos os Estados Unidos. Em um determinado momento, durante um evento, o irmão de Alex é assassinado, e adivinha quem leva a culpa? Isso mesmo, você. É a velha história do inocente preso injustamente.

Depois de amargar por alguns anos na cadeia, Alex recebe uma "proposta" (?!?) do FBI para que ele os ajude a prender quem matou seu irmão, e é claro, ele aceita para ter a sua vingança pessoal. A partir daí o jogador passa a receber ajuda de algumas pessoas conforme vai conquistando as regiões dos Estados Unidos, que são cinco: Costa Oeste, Costa Leste, Estados Montanhosos, Centro-oeste e o Sul.

Alex se infiltra em uma gangue de corridas clandestinas chamada 510s, sabotando suas atividades, até conseguir conquistar cada uma das regiões. A ideia da história permite que o jogador não fique apenas fazendo corridas, mas sim algumas atividades que, pelo menos, diversifica a jogabilidade. Por exemplo, que tal caçar um carro em fuga e tentar destruí-lo batendo forte nele? Ou então levar uma pessoa em um determinado local num curto espaço de tempo?



Lindo em alguns locais, feio em outros

Devido ao mapa ser gigantesco, The Crew possui uma variação enorme no visual. É claramente perceptível que a Ivory Tower deu preferência à alguns locais em detrimento a outros. Isso quer dizer que os locais onde hÁ corridas baseadas na história, que seguem um roteiro, o visual é bastante detalhado e variado. JÁ em outros menos importante e que estão ali apenas para ajudar na imensidão do mapa, tudo parece mais genérico.

Obviamente que os locais famosos dos Estados Unidos são recriados com qualidade, mas as adjacências não são. Tive oportunidade de jogar todos os betas, de agosto até a ultima semana de novembro. Os mesmos problemas grÁficos encontrados no último beta continuam no game completo. Realmente existem locais enormes, incluindo alguns povoados com construções (casas, prédios, muros, etc.) que estão totalmente tortos, mal "colocadas" no mapa.

No beta isso era aceitÁvel, mas em um jogo completo posto à venda, é uma total falta de capricho. A imagem abaixo mostra apenas um desses problemas, que ocorrem por todo mapa onde hÁ alguma inclinação. A impressão que passa é que o cenÁrio estÁ incompleto, simplesmente jogaram qualquer coisa no mapa mas esqueceram de finalizar.



Mesmo com os defeitos e variações grÁficas, no geral o visual de The Crew é ótimo principalmente pelos efeitos de iluminação. Experimente assistir ao por do Sol do topo de um morro, ou do Grand Canyon, ou da Floresta de Sequoias Gigantes, ou ainda de cidades onde o Sol é escaldante como Miami. Realmente os efeitos são de encher os olhos.

Um detalhe que impressiona é o fato de nada ser estÁtico em The Crew. Basta parar por alguns minutos e ficar observando. Até mesmo uma simples grama na calçada sofre ação do vento. Isso cria uma sensação de mundo vivo, o que é fundamental para um game desse tipo com cenÁrios reais.

The Crew conta com sete rÁdios, que são: Brokemogul, 11 AM, 8 Radio, K-Beef, Koda Boom, Sine Wave Digital e Symphony Digital. Totalizando, o jogo possui mais de 120 músicas comerciais, além de algumas produzidas por Jonathan Trapanes, que trabalhou em filmes como Oblivion de Tom Cruise.

No geral, as faixas comerciais não possuem grandes destaques. A variação vai de clÁssicas, Hip-Hop, Rock e Eletrônica, onde alguns grupos mais conhecidos são Arctic Monkeys, Bloc Party, Lorde, NAS, Mos def, Public Enemy, Mozart, Vivaldi e Wagner, dentre outros.

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Carros detalhados, mas com partes faltantes

As carangas de The Crew são bastante detalhadas tanto externa quanto internamente, com ótimas texturas incluindo sujeira na lataria. Os cockpits são completos e baseados nos carros reais, mas alguns deixam muito à desejar. Alguns painéis não possuem nem mesmo informações de velocidade, como os digitais de carros modificados. O painel fica literalmente em branco, como se tivesse desligado. Uma erro grave em um jogo onde muitas pessoas jogam com o HUD desligado, e usam somente os dados dos painéis.



Imagine um jogo de carro em um mundo aberto gigantesco com cenÁrios reais, veículos reais, cockpits reais, centenas de corridas, com transito intenso (que varia de acordo com a hora do jogo), com pessoas passeando pelas calçadas e... sem retrovisor. Isso mesmo, o jogo não possui retrovisor nem mesmo na câmera interna, onde no lugar dos espelhos fica uma Área cinza nitidamente incompleta. E isso atrapalha muito. É fÁcil perder diversas corridas por não saber que havia alguém colado atrÁs ou do lado.

Nenhum beta tinha retrovisor, e isso era até aceitÁvel porque foi dito que no lançamento do jogo teria o tal retrovisor, fundamental em qualquer jogo de corrida. Mesmo assim a Ivory Tower lançou o jogo sem ele.

Bom, então os problemas grÁficos são apenas esses? Não! Ainda tem mais: o jogo não possui variação climÁtica. Imagine um jogo de mundo aberto com o mapa inteiro dos Estados Unidos, o país com a maior variação atmosférica da Terra, sem nenhuma mudança de clima. O mais curioso é que você tem a certeza absoluta que vai chover a qualquer momento devido as nuvens negras que, do nada, tomam conta do cenÁrio, mas no fim não chove. Nas Áreas com neve, como Salt Lake City, pelo menos é possível enxergar alguns pequenos flocos de gelo caindo do céu, mas eles não fazem nenhum efeito no carro, nem mesmo sujam.

Para piorar, The Crew traz um número baixo de carros disponíveis para um mapa tão grande. Aqui hÁ cerca de 46 carros de 22 montadoras diferentes, onde cada carro pode ser modificado para um determinado tipo de variação. Ou seja, tem carro que só pode ser modificado para Street e Dirt, outros só podem ser Performance, e outros que podem ser adaptados para Raid e Circuit, e ainda outros que podem ser convertidos para qualquer tipo de corrida. Mesmo assim é comum ver carros repetidos entre as pessoas que estão jogando, principalmente porque as modificações de tunagens são muito parecidas entre si, além de poucas.

Dois tipos de jogabilidade

The Crew é um jogo que se adapta ao jogador na questão da jogabilidade, e não o inverso como costuma acontecer. Enquanto que usando controle o jogo se torna mais frenético e o jogador não tem total controle sobre veículo, usando um volante a coisa muda de figura. Devido às reações mais rÁpidas dos carros, usar um controle durante as corridas torna o jogo mais fÁcil. Por outro lado, se o jogador for passear com os amigos, usar um bom volante aumenta o prazer, e possibilita desfrutar mais dos cenÁrios e extras que o jogo possui. Inclusive o jogo avisa quando algum companheiro da equipe estÁ usando volante, jÁ que isso influencia diretamente nas performances das corridas.



Ao jogar com um volante, o ideal é usar o modo Hardcore onde quase todas as ajudas são desligadas (apenas o freio ABS continua obrigatoriamente ativado). Qualquer outro modo ("Toda ajuda de Direção" e "Esportivo") é indicado para uso com um controle ou teclado.

Com volante o jogo se torna mais realista, principalmente se deixar cambio manual, ativar 900 graus e usar embreagem. As reações dos carros são mais reais do que com controle, o que, para um passeio com os amigos, acaba se tornando o ideal.

No geral, a jogabilidade de The Crew é bastante arcade mas que pode ser amenizada se configurar muito bem os controles. E é aí que estÁ o maior problema: configurar corretamente. Tanto usando um controle quanto um volante, a dificuldade para se achar uma configuração ideal é enorme. As opções parecem não funcionar como deveriam, e as vezes não surtem efeito.

O maior problema é para quem usa controle ou teclado. Os carros "demoram" para responder aos comandos. A impressão que passa é que hÁ um pequeno lag entre executar o comando e o carro responder à ele. Na verdade o problema é que não hÁ um controle total sobre as rodas, e isso pode ser observado ao usar a câmera externa do veículo. Experimente fazer isso, colocando a câmera do lado do veículo, virando as rodas para esquerda ou direita. Observe a demora para fazer todo o movimento. Com um volante bem configurado isso não acontece. Você pode virar as rodas devagar ou rÁpido.

Embora isso seja um problema para muitas pessoas que gostam de ter total controle sobre o carro, essa "demora" nas manobras ajuda a manter o carro estÁvel na pista, principalmente durante as corridas. Com o volante isso não acontece, ou seja, fica muito fÁcil perder o controle do veículo.

Totalmente online pode ser um problema


Para um jogo ser totalmente online, sem a possibilidade de jogar caso não tenha internet funcionando, é necessÁrio que os servidores sejam robustos e com potência suficiente para suprir toda a demanda de um jogo desse porte.

O que aconteceu com The Crew é que os servidores definitivamente não foram suficientes no início. A Ubisoft atualizou diversas vezes os servidores afim de que os problemas de conexão e performance fossem sanados.

Esses problemas da rede ocasionaram o atraso da anÁlise, jÁ que era impossível jogar com alguém e até mesmo criar uma equipe (Crew). Corridas entre os jogadores, conhecidas como PvP eram impossíveis, porque uma das vezes fiquei 18 minutos esperando alguém entrar para poder jogar, e em outras passavam de 25 minutos. Para complicar, algumas vezes, mesmo na espera de alguém para poder correr, o jogo me expulsava por Inatividade.

Neste último fim de semana, joguei por diversas vezes e em todas, tudo funcionou perfeitamente. Até mesmo a criação da equipe foi rÁpida e instantânea (fiz e refiz diversas vezes para testar), além das corridas cooperativas que funcionaram 100% e sem lag, e as corridas PvP que encontravam jogadores rapidamente.

É preciso ter em mente que The Crew é um MMO, onde é obrigatório o uso da Internet para poder jogar. Ou seja, o jogador serÁ sempre refém dos servidores da Ubisoft e da sua operadora de Internet

Mas quando tudo funciona perfeitamente - leia-se, os servidores -, o jogo se torna prazeroso, principalmente correndo com os amigos e/ou apenas passeando pelo gigantesco mapa, onde hÁ centenas de Áreas secretas incluindo locais que remetem à filmes famosos como Parque dos Dinossauros (com dinossauros de verdade) e outros relacionados à discos voadores.

Um Beta?

São "pequenos" detalhes citados na anÁlises, que faz pensar que o jogo ainda é um beta. Mesmo com alguns efeitos magníficos de iluminação e algumas Áreas extremamente detalhadas, no geral o jogo peca pela falta de cuidado e itens fundamentais para um jogo de corrida, como clima e retrovisor.

Quem jogou o beta para PC, hÁ 4 meses, percebeu uma nítida evolução grÁfica mesmo que ainda possua vÁrios problemas. Quem jogou o beta dos consoles (Xbox One e PS4) percebeu que o jogo é literalmente o mesmo, sem tirar nem por. Com os mesmos problemas grÁficos, mesmos problemas de servidor e a mesma jogabilidade, que nesse ponto não é ruim.

Depois de 2 semanas do lançamento, os servidores de The Crew melhoraram sensivelmente. Agora é possível jogar de forma satisfatória, mas mesmo assim os problemas iniciais não podem ser ignorados.

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Conclusão

Avaliação: The Crew

História
6.5
Jogabilidade
8.0
Gráficos
8.0
Áudio
7.0
Multiplayer
8.5

The Crew é um jogo extremamente ambicioso, com um mapa tão grande que leva horas para percorrê-lo em sua totalidade. A ideia é ótima, mas peca pela falta de capricho em vÁrios locais.

Obviamente que não se pode exigir o mÁximo de qualidade em um jogo tão grande, principalmente porque não tem loading, mesmo que o jogador vÁ de uma costa à outra dirigindo por algumas horas.

Depois de um tempo jogando, percebe-se que The Crew não é um jogo de corrida, mas sim de exploração. Pode até ser taxado de um "Adventure Automobilístico", onde o maior prazer é vasculhar todo o mapa atrÁs de curiosidades, Áreas secretas e as centenas de easter-eggs. Os fãs de "Test Drive Unlimited" agradecem.


PRÓS
Mapa completo dos Estados Unidos
Passear com os amigos
Muitas Áreas para explorar
Algumas corridas são interessantes
Check-ins contam curiosidades reais de centenas de locais
Chat via texto ajuda bastante
Circuitos reais de corridas
Detalhes incríveis da parte mecânica dos carros na garagem
Sistema de iluminação
CONTRAS
Bugs grÁficos
Crew com apenas 4 membros
História banal
Poucos carros para um mapa tão grande
Sistema econômico é ridículo
Problemas de servidores
Bugs no trânsito onde carros somem do nada
Tunagem precÁria
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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