ANÁLISE: Ex-MYM conquista a KODE5 polonesa

ANÁLISE: Ex-MYM conquista a KODE5 polonesa

Produzido pela Ubisoft para consoles de geração passada (Playstation 3 e Xbox 360), "Assassin's Creed: Rogue" amplia a saga dos Assassinos x TemplÁrios em um ótimo jogo de aventura que refina as mecânicas de combates e as de batalhas navais jÁ conhecidas na série ao mesmo tempo em que oferece um vasto mapa para a livre exploração. 

Tirando alguns problemas de mal aproveitamento da história, que pela primeira vez põe o jogador na pele de um TemplÁrio, e que os grÁficos, embora sejam bonitos e detalhados, não conseguem mais impressionar, o título oferece jogatina para 15h bem divertidas. E adicione pelo menos mais outras 20h no relógio se quiser buscar os merecidos 100%.

Abaixo você acompanha a anÁlise de "Assassin's Creed: Rogue", baseada na versão para PS3. 


Inversão de papéis: um TemplÁrio agora caça Assassinos

A história de "Assassin's Creed: Rogue" acontece entre "Assassin's Creed III" e "Assassin's Creed IV: Black Flag" e conta como o protagonista Shay Patrick Cormac, um membro da ordem dos Assassinos, se converteu à ordem dos TemplÁrios e passou a caçar seus ex-companheiros na busca de artefatos lendÁrios pelo equilíbrio da sociedade mundial. O desenrolar desses eventos tem alguns momentos bem bacanas, com algumas revelações (o final faz ótima conexão com "Assassin's Creed: Unity") que adicionam ainda mais contexto à grandiosa saga da Ubisoft.

Tirando Shay, que tem personalidade cativante e convicções sensatas para mudar de lado, praticamente mais nenhum outro personagem consegue se destacar pelas mesmas características. Mas isso não chega a ser exatamente um problema, jÁ que o que mais queremos saber durante o jogo é o que realmente levou o protagonista a mudar radicalmente de conduta e quais as implicações desta e das futuras escolhas que ele farÁ. E é exatamente aqui que o enredo perde consistência e falha em apresentar argumentos que justifiquem essa tal "primeira vez que você joga como um TemplÁrio".

Digo isso porque os Assassinos são tradicionalmente conhecidos na série por matarem tudo o que estiverem no seu caminho para alcançar seus objetivos. Mesmo que isso custe a vida de muitos inocentes. Mas adivinhem só: tirando o descaso das milhares de mortes de pessoas, o Shay jÁ iniciado entre os TemplÁrios continua matando seus alvos sem piedade. E com quais fins? Defender uma causa que ele acredita ser nobre: recuperar a posse de itens valiosos sobre a história da humanidade e supostamente garantir a paz mundial. Mas, opa! Esses não são praticamente os mesmos pretextos usados pelos Assassinos em todos os jogos da franquia? Sim, são.

As ambições políticas, sociais e econômicas de ambos os lados, adicionando as formas como que agem no mundo através de planos mirabolantes para expandirem sua influência na sociedade, são idênticas e carecem de pontos de diferenciação que identifiquem e expressem as vontades únicas de uma Ordem em detrimento de outra. E isso infelizmente não acontece em "Assassin's Creed: Rogue". Pode até estar escrito na tela que você agora é um TemplÁrio, mas é impossível se desvencilhar da sensação de que você continua sendo um Assassino que precisa cumprir suas metas de qualquer maneira, independente do que possa vir a acontecer no jogo.   

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Jogabilidade refinada e aberta à muita exploração

Sem quaisquer inovações na mecânica, "Assassin's Creed: Rogue" segue com a tradicional jogabilidade da série: com o simples segurar de um botão, você pode caminhar, correr, se equilibrar, escalar e alcançar qualquer um dos pontos mais altos disponíveis pelos mapas, desde que essas superfícies tenham algum elemento onde seja possível se agarrar ou proporcionem pontos de ligação entre um objeto e outro. 

Tudo acontece de forma bem intuitiva e responsiva, mas ainda acontecem alguns probleminhas de reconhecimento do personagem, em que às vezes ele faz um movimento não planejado (por exemplo, se pendurar em algum lugar onde não era a intenção primÁria) e desvirtua momentaneamente a dinâmica de movimentação do gameplay. Os combates também têm a mesma fórmula de antes e vão continuar agradando quem sempre gostou do esquema de defender, quebrar a defesa e contra-atacar.

Com uma campanha de cerca de 15h, o jogo tem missões consideravelmente diversificadas que vão de perseguir alvos (e matÁ-los), encontrar pistas sobre o paradeiro de conspiradores contra a ordem (Assassinos x TemplÁrios), infiltrar-se em um encontro privado para descobrir informações secretas, recuperar relíquias, abater navios cargueiros e assim por diante. Mas ainda não é aqui que o game se destaca. Isso fica para a imensa quantidade de coisas para fazer fora das missões principais e para coletar pelo mapa do jogo, que consomem, pelo menos, outras 20h de gameplay bem divertidas.

Divididas em três grandes regiões (Atlântico Norte, River Valley e Nova York), as atividades secundÁrias envolvem em dominar quarteis-generais de gangues, interceptar assassinatos, roubar cargas de mantimentos, destruir fortes de guerra, invadir acampamentos inimigos, coletar baús com dinheiro, reunir fragmentos sobre a Animus (a porção "offline" na série), encontrar mapas de tesouros, caçar animais para criar itens e melhorar equipamentos, encontrar pedras preciosas, encontrar pinturas sagradas em cavernas isoladas e coletar cantigas para os tripulantes marujos do seu navio, entre mais outras coisas para fazer. É claro que a maioria dessas tarefas extras veio de jogos antigos da franquia, mas isso nem chega a ser um problema, jÁ que elas mantém o jogador ocupado e são a base da construção da ótima sensação de aventureiro explorador que "AC: Rogue" transmite o tempo inteiro.

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Outro ponto que não posso deixar de citar aqui são as batalhas navais. Extremamente divertidas, adicionam profundidade extra e momentos bem empolgantes ao gameplay, que estÁ mais refinado na otimização de botões e suas funções. No começo, você tem apenas um barco bem fajuto e fraco, mas com o tempo vai melhorando atributos de canhões, morteiros, defesa de casco, tiros explosivos de armas secundÁrias e ofensividade da proa para abater navios inimigos cada vez mais difíceis. Tudo gira em torno do quanto de cargas de materiais (metal, pedra, madeira, etc) você acumula para ir aumentando o poder de fogo do seu navio de guerra. Depois de boas horas investidas nisso, serÁ possível enfrentar até mesmo os navios lendÁrios, o desafio mÁximo desta categoria - e que são realmente difíceis. 

Agora a parte em que "AC: Rogue" não se sai bem na jogabilidade: jogar como um TemplÁrio explorador e rei dos mares é muito gratificante, mas não existe nada na mecânica que a diferencie da maneira como você joga como um Assassino. Os itens, os movimentos, as armas (espadas, facas, etc), os acessórios de suporte (granadas de vÁrios tipos e armadilhas) são exatamente os mesmos para ambos. Sei que Shay era um Assassino que acabou se convertendo à ordem dos TemplÁrios, mas para um jogo que se vende sobretudo como a primeira vez em que você joga como tal, é preciso oferecer uma justificativa bem mais orgânica do que as meras diferenças nas vestimentas.


Visual é bonito e detalhado, mas não impressiona

"Assassin's Creed: Rogue" foi desenvolvido com foco no hardware dos consoles geração passada. Isso quer dizer que fica um tanto complicado hoje em dia se surpreender com qualquer game lançado para estas plataformas, definitivamente jÁ exploradas ao mÁximo das suas capacidades grÁficas. Mas não se engane, os grÁficos aqui não são ruins. Muito pelo contrÁrio, são muito bonitos, bem detalhados e diversificados. Só não conseguem mais impactar como antigamente.

O destaque é a diversidade de cenÁrios e a excelente reprodução das suas respectivas características naturais (clima, vegetação e animais selvagens) e das épocas históricas em que se situam. O Atlântico Norte, por exemplo, região bem próxima ao Ártico, é puro gelo e tem longas cadeias de montanhas cobertas por neve e trechos de mares congelados, com baleias pulando fora das Águas e causando uma sensação de desolação única no jogo. As ilhas coloniais caribenhas, Paris e Nova York também transmitem ótimo vigor visual com seus monumentos históricos, costumes da sociedade e cultura local reproduzida em diÁlogos, vestimentas, cantigas e manifestações artísticas no design das construções.    

Ótimas trilhas sonoras e dublagem garantem a imersão

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Um jogo de aventura precisa de uma ótima trilha que ajude no convencimento da proposta. Felizmente, "Assassin's Creed: Rogue" tem isso de sobra. As músicas do jogo são muito boas e combinam, na maior parte do tempo, com cada situação vivida na jogabilidade, seja durante uma perseguição frenética a um inimigo, nas emocionantes batalhas navais ou na livre experiência de exploração em mundo aberto. Os efeitos de som acompanham muito bem esses momentos e são potencializados com a ótima dublagem em português brasileiro que, mesmo com alguns poucos trechos estranhos, garantem a imersão no game.   


Conclusão

Avaliação: Ex-MYM conquista a KODE5 polonesa

História
7.0
Jogabilidade
8.0
Gráficos
8.0
Áudio
8.5
Sem inovações e apenas com pequenos ajustes na jogabilidade, "Assassin's Creed: Rogue" não convence muito na temÁtica de assumir o controle de um TemplÁrio. Tirando isso, o game tem muitos pontos fortes, com uma experiência completa no gênero aventura que rende missões diversificadas, muitas atividades extras, batalhas navais empolgantes e uma porrada de itens para coletar. O mapa do jogo é grandioso e é um bom exemplo de como servir bem ao jogador um mundo aberto para explorar até cansar.

Os grÁficos, embora muito provavelmente não vão deixar ninguém boquiaberto a esta altura do campeonato (é jogo de geração passada), são bem detalhados e reproduzem muito bem cada uma das épocas visitadas na trama. E a imersão é definitivamente garantida com uma bela combinação de uma trilha sonora marcante com uma dublagem em português decente.

PRÓS
Exploração extremamente gratificante por um mapa gigantesco
Muitas tarefas extras para cumprir e vÁrios tipos de colecionÁveis para encontrar
Batalhas navais empolgantes e desafiantes
Shay Cormac é um protagonista com boas convicções
Ótima trilha sonora e ótima dublagem
CONTRAS
Sem diferenças na jogabilidade entre Assassinos e TemplÁrios
Sem inovações relevantes na mecânica
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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