ANÁLISE: Conficker: saiba como remover a praga de seu computador

ANÁLISE: Conficker: saiba como remover a praga de seu computador

Uma das franquias mais tradicionais do PC estÁ de volta com "Sid Meyer's Civilization: Beyond Earth". O jogo chega com uma proposta diferente de todos os demais episódios da série (edit: mentira, tem este jogo aqui de 15 anos atrÁs), abandonando o clÁssico estilo histórico e partindo exatamente de onde os outros games paravam: a exploração espacial, as tecnologias do futuro e o destino da humanidade após a Terra. Como acontece toda vez que uma franquia sai de sua "fórmula padrão", temos aqui um movimento ousado - e arriscado - para o tradicional "Civilization". SerÁ que deu certo?


Ficção científica no lugar de História

Uma das características mais tradicionais da série "Civilization" são todos os elementos históricos incorporados no gameplay. Temos múltiplas referências a evolução de diversas das principais civilizações humanas, formas de governo, tecnologias, unidades militares, líderes(como o aquele filho da $#%#$ do Gandhi), diplomacia... e aqui tudo isto praticamente desaparece. Em "Beyond Earth", a franquia entra com tudo na temÁtica Sci-Fi, e parte de onde os games anteriores costumam parar ou pegar "só de lasquinha": o futuro.

A civilização humana exauriu os recursos na Terra, e precisa partir para outros planetas para viabilizar a continuidade de sua existência (talvez um dos enredos mais clÁssicos da ficção científica). O jogo se passa neste período de exploração espacial, com a espécie humana se adaptando a um novo mundo e a disputa de terras - e planetas - não demarcados com outras civilizações. São nestes princípios que se escoram todas as novidades de gameplay.


Tipo Civilization, mas diferente

JÁ de cara nos deparamos com decisões estranhas aos jogadores clÁssicos da série: quem serÁ seu patrocinador (nação que enviou sua expedição), que tipo de tripulação estÁ em sua espaçonave, tipo de carga e que tipo de nave você usa. Cada uma destas decisões influenciam no início do gameplay, sendo que você pode ter tecnologias mais avançadas com uma tripulação de cientistas, ou melhor produção de comida se levar refugiados, por exemplo. Os mapas em si também são estranhos, alguns com semelhanças com a terra, outros bem mais acidentados.

Passado o começo, jogadores habituados com os "Civilization" anteriores vão se localizar com mais facilidade. Temos a cidade, temos o mapa baseado em Áreas hexagonais, temos as unidades se deslocando para explorar o mundo e buscar recursos. Tudo seria como estamos acostumados se não fosse pelo fato que o jogo não se passa na Terra, e que seus colonos são futuristas.

- Continua após a publicidade -

O game se baseia em um novo elemento, bastante central do gameplay: as afinidades. A colonização de um novo planeta demanda decisões que oscilam entre a "Harmonia", "Supremacia" e "Pureza". Decisões harmônicas progridem para uma sincretização entre a espécie humana e o novo mundo: sua civilização irÁ se adaptar ao ambiente, aprender a coexistir com os alienígenas e se integrar ao planeta. A Supremacia é uma postura mais agressiva: sua civilização irÁ abusar da nanotecnologia e cibernética para conquistar e controlar o ambiente. A Pureza é uma corrente que irÁ se esforçar para manter o legado humano, sua história e adaptar o mundo ao nosso estilo de vida.

As Afinidades são os elementos mais interessantes introduzido no novo Civilization. Oscilar entre decisões "harmônicas", "puristas" ou "de supremacia" trazem diferentes benefícios. Escolher entre estes caminhos trazem grandes impactos na evolução de sua civilização e em suas possibilidades no jogo, sendo esta a grande diferença com os demais games da série Civilization e sua lineariedade. Seja egípcio, seja fenício, seja alemão, no final todo mundo faz uma bomba atômica (especialmente o Gandhi), nos games anteriores. Aqui, seus inimigos (e você) podem te atacar com alienígenas modificados, com nanotecnologia ou com mecas, tudo de acordo com o caminho que decidiram traçar durante a evolução.

As Afinidades são os elementos mais interessantes introduzido no novo "Civilization". Oscilar entre decisões "harmônicas", "puristas" ou "de supremacia" trazem diferentes benefícios

   


Bom, se você curte Sci-Fi

Abrir pela primeira vez a Árvore de tecnologias é algo bastante desorientador para jogadores habituados com games anteriores. Como o game se passa no futuro, as tecnologias não serão aquelas tradicionais, como a leitura e a roda, e sim coisas bem mais abstratas como "nanotecnologia" ou "cognição". Como tudo é novo, não hÁ referências do que cada uma significa, o que quer dizer que você vai perder um bom tempo - e potencialmente vÁrios gameplays completos - até abstrair o que cada tecnologia realmente traz de benefício. É bom estar preparado para estudar esta Árvore de tecnologias e, principalmente, muita leitura de cada um dos benefícios que elas trazem.

Vai lÁ fera, entende isto tudo 

- Continua após a publicidade -

As unidades militares são mais fÁceis de serem entendidas, pois na essência são muito parecidas com o que a arte da guerra jÁ é hoje: unidades aéreas dão vantagem no campo, blindados abrem caminho e dão agilidade aos combates e quem resolve tudo segue sendo a infantaria. A única coisa que "Beyond Earth" modificou foi a "estética" da guerra. Na medida que sua civilização se encaminha para uma das três afinidades, suas unidades militares se modificam, e próximo do final do jogo você pode estar montado em alienígenas ou em mechas, mas na base os combates seguem com mecânicas semelhantes, com unidades lutando corpo-a-corpo, de forma aérea ou à distância. Aqui havia mais espaço para a criatividade dos produtores, que tinham a "liberdade poética" de reimaginar a arte da guerra, mas que foram mais conservadores e mantiveram o tradicional estilo das civilizações humanas de se matarem entre si.

As Afinidades modificam suas tropas ao longo do jogo 


Bons grÁficos e Áudio 

Na parte estética, "Beyond Earth" se sai bem. O estilo semi-cartunesco de personagens e dos cenÁrios ajudam a visualizar os elementos no mapa, algo muito importante considerando a sobrecarga visual que este game traz, por conta da complexidade dos mapas e dos elementos influenciando o gameplay. As cores são usadas em uma medida que torna o game mais atraente e os elementos mais informativos, sem pender para algo "tolo".

Nos menus, porém, o game não se sai tão bem. A sobrecarga de informações e a disposição dos elementos levam o jogar a perder um bom tempo até entender onde estão as coisas, e o que é que estÁ na frente dele. Sem dúvida as primeiras horas de jogo serão de mais perguntas do que respostas, por parte do jogador, e isto mesmo com o tutorial ativo.

Apesar de indicar como funciona muitos dos elementos do jogo, o tutorial não é suficiente para compreender claramente a distribuição dos menus e comandos do jogo. Você precisarÁ do bom e velho "tentativa e erro" até entender como algumas coisas funcionam, e muita paciência para encontrar onde estão alguns elementos importantes do jogo.

Um exemplo de como a Firafixs errou a mão é o menu das tecnologias. Na hora de escolher qual a próxima tecnologia sua civilização irÁ trabalhar, temos um dos momentos mais difíceis de se localizar neste novo jogo. Além do próprio desafio de estudar todas as possibilidades de novos recursos para desenvolver e os múltiplos efeitos que eles trazem, é preciso uma dose de paciência para ficar dando "zoom in" e "zoom out" para entender onde você estÁ olhando, e outra dose de bom-humor para não se irritar com a necessidade de ficar colocando o mouse em cima de milhares de ícones para saber o que significam, pois os símbolos não representam nada.

- Continua após a publicidade -

Até os tutoriais são "difíceis", com grandes blocos de texto e poucas ilustrações 

A trilha sonora estÁ condizente com o que esperamos de um game da série "Civilization", com músicas orquestradas que dão o tom épico necessÁrio para quando alguém estÁ prestes a salvar a espécie humana. As músicas acompanham os momentos de ação, ganhando um ritmo mais frenético quando são travadas as batalhas. A dublagem estÁ ok, e é muito útil especialmente nos tutoriais com um importante porém: não hÁ opção em português, nem em Áudio nem em legendas. Para um game que jÁ tem uma curva de aprendizado dificílima, não dominar o inglês torna este game impeditivo.

 É indispensÁvel o gosto pela temÁtica Sci-Fi. Beyond Earth pede paciência e dedicação do jogador para entender todos os seus mecanismos e elementos deste mundo ficcional

 

Conclusão

Avaliação: Conficker: saiba como remover a praga de seu computador

História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
9.0
Áudio
8.0

A série "Civilization" entra de forma convincente na temÁtica futurista. "Beyond Earth" cria um mundo coerente e bastante complexo para o game de estratégia. Todo o estilo dos combates, as diversas tecnologias, o formato do planeta e a forma de desenvolver sua civilização abrem um leque bastante abrangente de possibilidades, o que significa que você vai jogar MUITAS vezes antes do game cair na "mesmice". 

Mas como sempre acontece quando arriscamos algo novo, corremos riscos novos, e este game não é necessariamente uma pedida certa para todos os fãs da série "Civilization" ou mesmo games de estratégia. É indispensÁvel o gosto pela temÁtica Sci-Fi. "Beyond Earth" pede paciência e dedicação do jogador para entender todos os seus mecanismos e elementos deste mundo ficcional, tudo isto inserido na jÁ complexa jogabilidade e equilíbrio de múltiplos fatores que jÁ é uma marca registrada do game de Sid Meyer. É um jogo que você precisarÁ de muitas horas antes de realmente conseguir abstrair todos seus mecanismos e as "viagens" dos desenvolvedores na hora de imaginar o futuro. E também muita paciência, curiosidade e espírito esportivo para encarar os fracassos até chegar lÁ.

Se você gosta da temÁtica futurista, dos games anteriores da série ou gosta de um bom game de estratégia que traga muito desafio ao jogador, "Beyond Earth" é algo que você precisa experimentar. Fãs da série Civilization também deve conferir este game, mas entrem no jogo prontos para "experimentar coisas novas", e não apenas querendo jogar "mais um Civilization".

PRÓS
Gameplay complexo e interessante
Múltiplas formas de evoluir e vencer
Bons grÁficos
CONTRAS
Curva de aprendizado bastante longa
Confuso mesmo para fãs da série - e mesmo com ajuda do tutorial
Todo em inglês
Assuntos
Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.