ANÁLISE: Gauntlet

ANÁLISE: Gauntlet

"Gauntlet" é um nome que gera lembranças em muitos gamers mais velhos, da época em que jogar videogame se resumia a ir com os colegas até um arcade próximo e gastar as moedas reunidas na semana. Mesmo recebendo vÁrias versões atualizadas, um dos maiores clÁssicos da Coin Era - os estadunidenses a chamam assim - nunca conseguiu o mesmo destaque de antes. Mas a Arrowhead  Game Studios teve uma boa sacada: tentar colocar aquela jogatina cooperativa toda no modo multiplayer online.

Mas serÁ que a internet consegue trazer a mesma experiência que os arcades apertados ou, se formos referir ao "Gauntlet" de PlayStation 2, que a galera sentada em torno do sofÁ (poucas pessoas tinham um que cabiam quatro pessoas)? Infelizmente não dÁ para saber. E não por causa da dificuldade dessa questão, mas sim porque o matchmaking do novo "Gauntlet" é muito ruim! E esse não é o único problema do game... Mas, enfim, vamos por partes!

Os fãs da série serão felizes 

Antes de mais nada: o novo "Gauntlet" é bonzinho; não é ótimo, mas também não é ruim. Os fãs da série provavelmente vão gostar do novo game, que possui grÁficos melhorados, personagens bem característicos e uma dificuldade muito desafiadora. A quantidade de fases também não desanima: são três capítulos, cada um com quatro fases, sendo que três dessas quatro possuem três andares e a outra é um chefão gigante bem apelão. Ou seja, podemos considerar que o novo "Gauntlet" tem 30 fases ao todo. ConsiderÁvel, mesmo que o jogo não tenha mais do que oito horas de duração e esse número seja menor do que "Gauntlet Dark Legacy" ou "Gauntlet Legends".

Além disso, a competitividade e a cooperatividade permanecem bem equilibradas, como nos jogos passados. Do mesmo jeito que é quase imprescindível que o seu time tenha quatro pessoas jogando bem para que vocês consigam passar das fases mais difíceis nas dificuldades mais difíceis, você também quer matar a maioria dos inimigos e pegar a grana primeiro para não sair da fase pobre.

Resumindo: para uma pessoa que teve um dos jogos da série como parte da sua infância ou adolescência, o novo "Gauntlet" mata saudades de forma satisfatória.

Quem não conhecia provavelmente não sairÁ satisfeito

Entretanto, a nova versão para PC deixa a desejar em vÁrios aspectos. Seus grÁficos - por mais que não sejam tão importantes para a experiência - são mal acabados, a Árvore de melhorias não melhora muita coisa (e estÁ mais para arbusto, cÁ entre nós) e o jogo é extremamente repetitivo. Primeiro: temos apenas cerca de 20 inimigos diferentes, contando chefes e mini-chefes. É menos inimigos do que fases! E isso porque estou sendo gente fina: alguns monstros são só diferentes fisicamente de outros.

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Segundo: os personagens possuem pouquíssimas habilidades. O mago, que é o que tem mais variações, ataca com apenas oito magias, para se ter uma ideia. As relíquias, que funcionam como habilidades extras, também não estão presentes em grande número. Por fim, terceiro: todos os capítulos são idênticos! Sério. É sempre assim: o primeiro andar de cada fase é grande, o segundo é pequeno, mas com algum "problema" - como a Morte correndo atrÁs de você, ou tudo escuro com aranhas nascendo do chão - e o terceiro é apenas um galpão cheio de monstros. São poucos os lugares secretos, é bem fÁcil conseguir o dinheiro necessÁrio para comprar os itens que você quiser e as roupas não mudam nada quando olhadas com a câmera do jogo. Ou seja, não hÁ nada que te faça jogar mais de uma vez.

Resumindo: o jogo não vale tanto a pena para quem não é fã da série porque cansa rÁpido demais. 

O online que deveria ter sido e que não foi 

A Arrowhead, como jÁ foi dito antes, tinha uma carta na manga: o primeiro "Gauntlet" com matchmaking online. A ideia era fazer que só fosse jogado sozinho por escolha própria: seria muito fÁcil formar um grupo e sair comendo perus e catando moedas de ouro pelas fases. Porém, faltou planejamento na hora de pensar no multiplayer online. Além de ser quase impossível jogar com os colegas pela internet, os personagens não podem ser substituídos a não ser que você volte pro lobby (se alguem der quit, o grupo fica com um homem a menos até passar a fase inteira) e o usuÁrio não escolhe as salas - só o Quick Match é possível.

Ainda por cima, a comunicação multiplayer in-game não é das melhores - ainda é necessÁrio que o usuÁrio utilize Skype ou RaidCall para conseguir se comunicar de maneira satisfatória. Ou seja, por mais que a novidade do online chame a atenção em um primeiro momento, o co-op local ainda é a melhor opção. A única coisa que a produtora tentou  trazer de novidade à série não funcionou.


 É dificil terminar uma fase com os quatro jogadores...

Conclusão: é igual bar sujo; só entra quem jÁ é cliente

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Em uma era totalmente diferente daquela que o primeiro "Gauntlet" foi lançado (que foi em 1986), a nova versão produzida pela Arrowhead Game Studios provavelmente não chama a atenção de novos gamers. O público alvo permanece sendo aquele que jÁ jogou um dos títulos da série e não espera muitas novidades e nem se preocupa com o enredo ou a qualidade grÁfica do game. 

Por mais divertido que seja, hÁ pouca variedade em quase tudo no game, são poucas horas de jogo e só vai fazer replay quem for muito fã da série. Mesmo aqueles que gostam de "platinar" o game e abrir tudo o que for possível não terão tanto trabalho: juntar dinheiro é questão de ser rÁpido e cara-de-pau e são poucos itens no final das contas. "Gauntlet" é, então, um jogo para quem jÁ tem uma paixão pela série. Porque se for para ficar apaixonado depois dessa versão, é melhor procurar um psicólogo (ou games melhores).

Para uma pessoa que teve um dos jogos da série como parte da sua infância ou adolescência, o novo "Gauntlet" mata saudades de forma satisfatória.

PRÓS
Mata a saudade de quem gosta da série
Ainda permanece com a experiência do co-op local
Personagens têm estilos muito característicos
Engraçadinho sem ser piegas
Pode ser bem desafiante
CONTRAS
Muito repetitivo
Poucas opções de habilidades e itens
Os capítulos são iguais: só muda a "embalagem"
Multiplayer online tem falhas
Só joga de novo quem for muito fã
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  • Redator: Luiz Menezes

    Luiz Menezes

    Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina desde o segundo semestre de 2012 e gamer desde 1999, quando teve a oportunidade de jogar "Adventure" no Atari (mesmo não passando nem da segunda fase). Hoje é estressado com o Xbox 360 e com os ADCs noobs que sempre feedam o Draven. Trabalha na Adrenaline por causa da paixão por games e porque precisa de dinheiro para comprar consoles novos.

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