ANÁLISE: Asus Transformer Book T100

ANÁLISE: Asus Transformer Book T100

O Transformer Book T100 é um tablet com Windows 8.1 do tipo híbrido, ou seja, tenta ser dois produtos em um só. Sozinho, é um tablet convencional com tela de 10" rodando o Windows 8.1 "completo" - nada de Windows RT por aqui - mas combinado com sua base vira algo muito próximo ao tradicional formato dos netbooks, os pequenos notebooks que tiveram seu auge ali por 2007.

O grande problema dos híbridos é sempre o dilema do pato. O curioso animal é bem versÁtil: anda, nada e voa. O problema é como faz essas coisas: anda desengonçado, não é muito rÁpido ou Ágil no voo e na Água ele passa menos vergonha. Os híbridos em geral passam pelo menos problema: fazem vÁrias coisas, mas tem a funcionalidade comprometida em cada uma de suas formas. SerÁ que o T100 escapa disso?

No caminho certo, mas ainda não chegou lÁ

Assim que você pega o T100, pode sentir uma nostalgia. O formato encaixado no dock torna este modelo algo muito semelhante aos saudosos netbooks, segmento que foi engolido pelos tablets. Seu design sofre das mesma limitações dos pequenos notebooks do início do milênio, com um teclado que não é enorme, mas utiliza todo o pouco espaço disponível, enquanto o touchpad tem um espaço ínfimo, então você muito possivelmente vai navegar mais com a tela sensível a toques, mesmo neste modo notebook.

 

Na forma tablet, temos um gadget com tela no formato de 10 polegadas. A qualidade dos acabamentos, borda e tela situam este modelo no que seria o equivalente a um tablet do segmento intermediÁrio, com bordas relativamente largas nas laterais e um peso um tanto acima de rivais. Seus 550 gramas não chegam a comprometer, mas ficam 100 gramas acima concorrentes como iPad Air e o Galaxy Tab 4 10.1. Como todos os tablets de 10", não foi feito para manusear com uma mão ou em pé: sua posição mais confortÁvel é no colo, deitado ou sentado, ou em uma mesa.

Ok, e aquele papo sobre patos? Hora de pesar o quanto da experiência ficou comprometida pelo duplo expediente que o T100 precisa bater. Como netbook, hÁ algo que me incomoda bastante: as conexões no dock. Este modelo vem com UMA conexão USB 3.0. Isto coloca você em dilemas como "conecto meu mouse USB ou copio os arquivos do pendrive?". Apenas uma porta USB é algo limitado demais, e compromete a funcionalidade como um netbook. Outras conexões seriam bem-vindas, como uma saída de vídeo, algo que estÁ presente no formato mini-HDMI, mas que não faria mal estar disponível na base no formato padrão. Entradas para cartões SD também seriam bastante úteis, se ele tivesse.

O T100 ainda apresenta problemas clÁssicos de produtos da linha Transformer, como o ângulo limitado de inclinação da tela. Ela chega até uns bons 110 graus, mas se você quiser inclinar mais para trÁs não hÁ jeito. Ele também tem o problema do desequilíbrio, pois os componentes estão concentrados na tela, fazendo com que ele caia muito para frente, quando no colo. Felizmente, o HD extra na base ajuda um pouco neste processo, além de ser uma adição excelente a um modelo com apenas 30GB disponíveis no tablet (e uma boa parte para o sistema). Uma versão com bateria adicional aumentaria o peso do dock e talvez melhorasse o equilíbrio. Quem diria, eu aqui querendo mais peso em um gadget...

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Na forma de tablet o T100 atua de forma mais eficiente. Fica pouco atrÁs dos rivais e, apesar de não ter a qualidade dos modelos topo de linha dos concorrentes, tem uma experiência de uso satisfatória. Seu problema não estÁ no hardware, e sim no software: o Windows 8. Com um touchpad eficiente porém minúsculo, a interação com este modelo é mais interessante através da tela sensível a toques. E é aí que percebemos como Windows 8 estÁ limitado, pois por mais que seja muito melhor usar os apps baseados na nova interface do sistema, a Modern, a cada pouco esbarramos com funções que só estão disponíveis no clÁssico desktop, uma interface horrível para ser comandada através de touchscreen

Um problema da forma tablet é a memória. Com 30GB disponíveis apenas, seus arquivos ficam espremidos no que sobrou, jÁ que o Windows 8 ocupa a maior parte do armazenamento presente apenas no tablet. Felizmente, isto pode ser amenizado com um cartão microSD. 

Windows 8 e netbooks como deveriam ter sido

O mais interessante sobre o T100, na minha impressão, é que enfim ele corrige erros cometidos por fabricantes hÁ anos. O formato de netbooks não morreu por conta de seu tamanho, e sim sua performance. Equipados com processadores Atom e com especificações péssimas como 512MB de RAM, o uso deste pequenos notebooks era uma experiência sofrível, lenta e ineficiente. Não é à toa que os tablets chegaram tomando o mercado em pouco tempo, com sua maior agilidade e simplicidade de uso, pois, no tempo que o netbook precisa para "bootar", o tablet jÁ respondeu o e-mail e jÁ estÁ inativado de novo. 

A única conexão adicional do dock

Apesar de seguir com um processador Atom, as coisas mudaram bastante. Com um chip da geração Bay Trail-T e 2GB de memória RAM, a experiência com o T100 é excelente. Os apps reagem de forma quase instantânea, e o multitarefa é feito de forma rÁpida e Ágil. Até a bateria, critério onde os tablets massacraram os netbooks, jÁ caiu a diferença: o T100 segura mais de 10 horas na bateria, em nossos testes, e foi o bastante para dois ou três dias sem precisar recarregar.

Temos um salto e tanto em relação ao último tablet Atom que testamos, o LG Slidepad, que vinha com um chip Clover Trail e apenas 1GB. Este tablet é duas vezes mais rÁpido, e aproximou consideravelmente a linha Atom dos chips Core, como o chip Core i3 Ivy Bridge do Vivobook.

Com uma touchscreen eficiente e um touchpad que faz o que pode no espaço que tem, usar o T100 com os comandos do Windows 8 é muito mais interessante que as interações tradicionais, mostrando que a recepção ruim do novo sistema estÁ muito mais relacionada a falta de sentido em interagir com ele em um PC tradicional. O T100 é o tipo de dispositivo que precisava estar disponível logo no começo do novo sistema da Microsoft, pois é estes gadgets que justificam a nova filosofia do sistema.

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Conclusão

O Transformer Book T100 é um modelo muito interessante. Consegue ser um bom tablet e um relativamente eficiente netbook, ao mesmo tempo, o que é bem útil ao longo do dia: na hora de navegar na internet, você desconecta o teclado e usa como um tablet, na hora de responder e-mails ou escrever algo mais longo, conecta a base e pode trabalhar nele. Ele apresenta vantagens comparados aos ultrabooks híbridos, especialmente em sua forma tablet, pois os modelos como o Yoga ou o XPS 12 são mais potentes e eficientes como notebooks, mas pesados e grandes demais para ser um equivalente a um tablet.

Este modelo não foi capaz de escapar totalmente do velho problema dos híbridos, e tem perdas em seus dois formatos, comparado aos sistemas que "fazem só uma coisa". Porém, este é o modelo mais eficiente em múltiplos formatos que jÁ testamos, com uma boa experiência tanto como tablet quanto netbook, tudo pesando apenas em torno de 1 quilo.


Seu preço na casa dos R$ 1.699 nos coloca numa situação um pouco complicada, jÁ que com este valor dÁ para adquirir um notebook e um tablet, cada um melhor que ele em suas duas formas. Então não faz sentido? Não é bem por aí. Usando o T100 dÁ para perceber a vantagem de ter um único dispositivo. Apesar de aplicativos jÁ compartilharem bastante informações, conseguir manter a experiência coerente é bem conveniente. Você estÁ ali navegando a esmo na internet na forma tablet e recebe um e-mail de trabalho, ou quer fazer um comentÁrio mais longo no site, e basta encaixar o dock para mudar a experiência. Passado isto, é só desencaixar e voltar para o modo tablet. Esta versatilidade pode ser suficiente para justificar este produto, se é isto que você busca.

Os processadores Atom jÁ não são o que eram antigamente, e isto é ótimo. A CPU do T100 encara atividades cotidianas e até alguns aplicativos um pouco mais pesados de forma Ágil e eficiente, com uma ótima experiência no Windows 8. Você não irÁ se lamentar por não ter escolhido um tablet Android, por exemplo, exceto pela falta de alguns (vÁrios) aplicativos no formato Modern.

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Ainda assim, hÁ muito espaço para melhorias. Mais conexões e uma postura mais equilibrada como netbook, bem como um formato ainda mais leve e fino para o tablet podem tornar um eventual T200 o gadget que enfim vai resolver o dilema do começo da anÁlise, pois neste modelo a Asus estÁ no caminho certo, e temos no horizonte sinais que isto estÁ a caminho. O T100 ainda não é um primor de elegância, mas jÁ é um pato bem menos desengonçado.

O Transformer Book T100 é o melhor híbrido que jÁ testamos, com o melhor equilíbrio entre uso como tablet e notebook, mas ainda sofre perdas em suas duas formas

 

{break::Benchmarks} O T100 estÁ em uma classe de aparelhos que possuímos modelos analisados, logo o comparativo ficou difícil. Colocamos modelos de ultrafinos, all-in-one e outros modelos de computadores, porém ainda são poucos os tablets com processador Atom disponíveis no mercado, e/ou avaliados aqui no Adrenaline.

PRÓS
Conjunto tablet + dock bastante leve
Boa performance
Tablet e notebook em um aparelho
HD adicional no dock
CONTRAS
Custo de um tablet e um notebook melhores
Pouca memória no tablet
Poucas conexões na base
Desequilibrado e com poucos ângulos de tela (notebook)
Custa o mesmo que um tablet + notebook
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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