ANÁLISE: The Walking Dead: Season Two

ANÁLISE: The Walking Dead: Season Two

Na maioria das vezes, sequências de grandes jogos deixam a desejar. Imaginem, então, como a Telltale Games ficou depois que "The Walking Dead: Season One" foi lançado e ganhou mais de 90 prêmios, incluindo 23 Game of The Years - o Games Radar até chegou a considerÁ-lo o melhor jogo de todos os tempos! Pois é... a pressão poderia ter acabado com a segunda temporada. Felizmente, NÃO foi isso que aconteceu.

Por mais que muitos críticos, como a IGN e o Gamespot, tenham falado que a primeira temporada do jogo/série interativa de zumbis foi superior à segunda - e, de certa forma, foi mesmo -, "The Walking Dead: Seadon Two" permanece sendo um jogo excelente, muito bem trabalhado, com uma trama interativa muito aprofundada e com uma carga emocional bem carregada. Por mais que um seja a sequência de outro, não podemos desfazer do segundo só porque o primeiro é "melhor" (as aspas serão explicadas ao decorrer da anÁlise).

PS: prometo que vou tentar fazer uma review com o menor número de spoilers possível. Então fiquem atentos aos sinais, caso não queiram ler alguma parte do jogo que vocês ainda não viram e esperam ver. Porém, não vou avisar sobre spoilers da Season One, uma vez que, se você não jogou a primeira temporada, não devia sair lendo textos sobre a segunda. Quem mandou ser curioso... ;p


Uma sequência que começa e termina com a saudade

"The Walking Dead: Season Two" é baseada totalmente na falta que Clementine sente de Lee. Não importa com quem ela esteja sobrevivendo: a impressão que dÁ é que ninguém conseguirÁ tomar o lugar de seu grande amigo na jornada. Esse é um dos pontos que podem ter diminuído sua nota em outros sites, uma vez que Clem é uma personagem bem menos interessante que o Lee. Enquanto ele tinha meio que a obrigação de salvar a garotinha, ela jÁ não tem mais nada a perder. Logo, as escolhas da segunda temporada não são tão difíceis quanto a primeira e nem trazem tanto arrependimento. 

O plot de Clementine, portanto, é menos emocional do que o do Lee; entretanto, é bem mais humano. Clem é uma pré-adolescente que foi obrigada a crescer por causa de um apocalipse zumbi e, mesmo que ela jÁ tenha chegado no nível de achar pessoas mortas uma coisa normal, ainda demonstra fragilidade, fraqueza e incerteza, principalmente nas suas escolhas. ControlÁ-la gera uma ligação menor, mas mostra perfeitamente como uma pessoa não tem tanto poder assim em suas decisões - quem disse que só porque ela é a protagonista que ela pode controlar geral?

Porém, ao decorrer do jogo, Clem vai crescendo e se tornando cada vez mais forte. O grupo começa a levar suas opiniões em conta e suas escolhas começam a fazer mais efeito. LÁ pelo quarto episódio, Clementine jÁ mostra independência e sua fragilidade jÁ não é tão perceptível. Quem joga "The Walking Dead: Season Two" não estÁ mais tentando fazer a galera andar nos trilhos, mas sim ajudando a personagem principal a conseguir a sua maturidade.

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O grande problema do jogo nem é tão grande assim 

Se o fato da segunda temporada não ter tido a mesma "pegada" da primeira não tirou pontos na anÁlise (como vocês podem ver, História ganhou nota 10.0), por que, então, ele não recebeu uma nota mais alta? Agora vêm a explicação das aspas na palavra "melhor" no começo do texto: "The Walking Dead: Season Two" tem muito mais erros grÁficos do que seu antecessor.

Não hÁ nenhuma reclamação com os grÁficos. Pelo que ele se propõe - um 3D desenhado à mão, no estilo de "Borderlands" - ele é maravilhoso. A arte é muito bela, os personagens são bem característicos, o ambiente tem um clima perigoso... o problema é que a segunda temporada tem muito mais bugs. Machados que cortam sem acertar os membros, crânios com função raio-x e sombras "bugadas" são alguns exemplos. Não são tantos a ponto de estragar o game; mas perder a atenção por causa de errinhos grÁficos assim é um pouco frustrante.

O outro ponto negativo do game (a falta de outras línguas) também não pode descontar muita nota por dois motivos: é um problema herdado de todos os jogos da Telltale Games e daria muito trabalho. Mas, cara, os jogos da produtora são excelentes! Deixar pessoas que não são tão boas em inglês chupando dedo por não conseguirem aproveitar inteiramente o jogo é um pouco mau.


Velho! Olha o tamanho dessa chave Philips! Parece uma lança!


Anadel merece um Grammy 

Desculpa, Jared Emerson-Johnson - para quem não sabe, responsÁvel pela maior parte da soundtrack da Season One -, mas a banda Anadel te deixou no chinelo. "The Walking Dead: Season Two" tem uma trilha sonora melhor do que o seu antecessor. Sei que é difícil bater a música de encerramento do quinto episódio da primeira temporada, mas os caras conseguiram fazer um som tão casado com a história, que só jogando para conferir. A Telltale, em todos os seus jogos, faz um bom trabalho na parte sonora; logo, não podíamos esperar menos do que uma obra-prima. Vai saber colocar as músicas no tempo perfeito lÁ na p*$# que pariu. 


Só consegui achar uma compilação dos dois primeiros episódios. Se acharem uma total, avisem nos comentÁrios, por favor.


Uma menção especial para as músicas dos créditos. Todos os episódio possuem músicas sensacionais em seus finais. São tão boas que você não quer que o crédito acabe! Sério. Além disso, a música "In the Water", que aparece no primeiro episódio, provavelmente vai concorrer, no final do ano, como melhor música dos games. E para tirar o prêmio dela vai ser difícil... 


Não precisamos de uma terceira temporada 

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"The Walking Dead: Season Two" possui um total de cinco finais, sendo que dois meio que se repetem. Todos eles não deixam abertura para uma continuação. Não adianta, por mais geniais que seja essa série, ela não pode continuar. A não ser que, como a própria Telltale Games jÁ disse, a próxima temporada não fale nada sobre Clementine. Aí sim é aceitÁvel.

Mas por quê? Simples, a jornada de Clem acabou. A segunda temporada, como eu mesmo disse antes, trata do crescimento humano da personagem e de como ela consegue atingir sua independência. Não importa o final, [SPOILER] a não ser que você escolha o de ficar com o Kenny - que é uma bobagem sem tamanho - [/SPOILER] Clementine terÁ se tornado uma pessoa livre e forte. Continuar a sua história não acabaria em um fracasso, porque na Tell Tale eu confio, mas não faria o menor sentido. Um dia ela vai morrer, isso é verdade; mas isso não é importante. O importante é que ela, agora, consegue viver sozinha.

*A imagem abaixo foi retirada do final mais emocionante de "The Walking Dead: Season Two". Não é tão triste quanto a morte de Lee, mas você ainda chora que nem uma garotinha.


Conclusão 

"The Walking Dead: Season Two" é tão bom quanto o primeiro, mesmo não tendo uma pegada emocional tão forte. O seu único problema é a falta de acabamento grÁfico em algumas partes do game, mas nada que interfira no gameplay ou na experiência que só jogos da Telltale conseguem trazer aos players. Quem não jogou a segunda temporada, deve jogar o mais rÁpido possível. E quem ainda nem jogou a primeira temporada, perdeu completamente o meu respeito.

Os cinco episódios por menos de R$50 são totalmente vÁlidos, não só pela experiência que eles proporcionam, mas também pelas horas de jogo e pelo trabalho maestral com que o game foi feito. ("Murdered: Soul Suspect" era bem mais caro, não era tão bom e foi fechado tão rÁpido que só deu tempo de ver seus erros, por exemplo) Pagar menos do que isso não seria justo com a qualidade nem a preocupação da empresa.

Resumindo: Telltale Games é sinônimo de excelência.

PRÓS
Excelente sequência de um excelente game
História envolvente e bem construída
Personagens característicos e profundos
Atmosfera cativante que é melhorada, ainda mais, pela trilha sonora maravilhosa
Cinco finais
Preço justo
Foi feito pela Telltale Games
CONTRAS
Quantidade maior de bugs grÁficos
Só pode ser jogado por pessoas com um bom inglês
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  • Redator: Luiz Menezes

    Luiz Menezes

    Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina desde o segundo semestre de 2012 e gamer desde 1999, quando teve a oportunidade de jogar "Adventure" no Atari (mesmo não passando nem da segunda fase). Hoje é estressado com o Xbox 360 e com os ADCs noobs que sempre feedam o Draven. Trabalha na Adrenaline por causa da paixão por games e porque precisa de dinheiro para comprar consoles novos.

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