ANÁLISE: Watch Dogs

ANÁLISE: Watch Dogs

Depois de alguns adiamentos, finalmente o jogo mais aguardado do ano foi lançado. Trata-se de "Watch Dogs", um jogo de mundo aberto que prometia uma interatividade nunca antes vista em um game. A Ubisoft, produtora do game, cumpriu com o que prometeu?

A resposta é sim: de fato ela cumpriu. "Watch Dogs" é um dos jogos mais complexos jÁ produzidos devido à quantidade de detalhes que surpreendem cada vez que ele é jogado. Além da interatividade que rola por cada esquina da cidade de Chicago, um dos maiores destaques são os NPCs. Eles possuem vida própria, desde emprego, hobby, conta bancÁria, situação fiscal, passagens pela polícia, dentre outras atividades.

Além disso, as reações são das mais variadas possíveis. Desde um espirro, passando por choros em cantos pela morte de algum parente, pedindo esmola nas ruas, escorregando e caindo no chão ao correr da chuva, discutindo com outro NPC por este ter esbarrado nele e até mesmo batendo foto e pedindo autógrafo ao jogador caso ele tenha uma boa reputação. É provÁvel que você vÁ passar horas apenas observando a vida das pessoas e suas reações.

Acha que era só isso? Não! VÁrios prédios de Chicago possuem um sistema interno de segurança. Caso você os encontre, poderÁ hackear esse sistema e, assim, observar as pessoas dentro de seus apartamentos, fazendo coisas das mais variadas possíveis. Mais voyeur que isso, impossível!


Um interessante começo

Em "Watch Dogs" o jogador encarna Aiden Pearce, um irlandês nascido em Belfast que se tornou um hacker altamente especializado depois de se naturalizar nos Estados Unidos. Com uma enorme ficha criminal por trabalhar para vÁrios chefões do crime organizado, ele acaba "servindo" no Cook County Correctional Facility por 11 meses, e ao sair, se depara com sérios problemas de ameaças à sua família, que culminam na morte da sobrinha Lena Pearce.

Após o crime, ele promete à irmã Nicole Pearce descobrir quem estÁ por trÁs disso, jurando vingança àqueles que mataram sua sobrinha. No entanto, Nicole, que vive com o filho Jackson Pearce, de 9 anos, ainda continua recebendo ameaças por telefone.

A história possui vÁrias reviravoltas a ponto de fazer o jogador ter raiva de personagens e querer ir até o fim. O jogo usa algumas técnicas interessantes que fazem com que o jogador fique preso à trama e realmente se importe com os mocinhos, o que não é muito comum em games.


Uma mistura de vÁrios elementos

A jogabilidade de "Watch Dogs" é a mais realista nesse tipo de jogo. Aiden anda com uma naturalidade incrível, bem diferente de outros jogos do mesmo estilo. Porém, hÁ problemas quase imperdoÁveis: Aiden não pula, a não ser que tenha algum obstÁculo "pulÁvel" pela frente e apareça na tela a tecla para este fim. Outro problema é o sistema de cobertura mal implementado que resulta em morte quase certa se não tiver cuidado ao sair da proteção.

Eu explico: para se esconder atrÁs de alguma coisa, basta apertar a tecla C (se usar o teclado como controle). Mesmo que esteja distante, Aiden corre para a proteção mais próxima e se agacha atrÁs dela. Até aqui, tudo normal e relativamente fÁcil. Porém, para sair é necessÁrio usar a mesma tecla, no caso a C. Se não usar, Aiden fica preso atrÁs da proteção. Isso confunde bastante, porque se você quiser sair correndo de trÁs de alguma proteção, é obrigatório sair do modo "cover" e só então correr. O problema estÁ em sair desse modo: ao apertar a tecla C, o personagem se levanta na maioria das vezes, ao invés de apenas "descolar" da proteção e continuar agachado. Ou seja, se tiver jogando no modo mais difícil, é morte certa. E foi o que aconteceu vÁrias vezes durante os testes.  

Se você gostou de "Driver: San Francisco", vai gostar de "Watch Dogs" no que diz respeito à dirigibilidade dos veículos. É praticamente a mesma, com grandes variações entre cada carro. O que muda são as colisões. Embora em "Driver: SF" as colisões do veículo do jogador sejam realistas e com farta destruição, em "Watch Dogs" isso não acontece. Talvez para ter uma maior fluidez no jogo e não obrigar o jogador a trocar de carro a cada batida. Por outro lado, as colisões dos outros veículos, controlados por NPCs, são muito bem feitas e com um pouco mais de realismo. Principalmente quando Aiden controla os sinais de trânsito e causa acidentes cinematogrÁficos.


"Watch Dogs" usa alguns elementos de RPG, com os quais Aiden pode ser "aprimorado" com habilidades de vÁrios tipos, como combate, hackeamento, criação de itens e dirigibilidade. A inovação é a ideia bÁsica do jogo: hackear, que permite interagir com praticamente tudo o que se vê na tela, desde que o jogador tenha conquistado o ponto de habilidade e usado-o na Árvore de hackeamento para habilitar novos modos de invasão.

Para ter acesso aos smartphones das pessoas da rua de uma determinada Área e aos extras espalhados pela região, o jogador terÁ que invadir o sistema central da ctOS que controla a respectiva região. Feito isso, terÁ acesso à alguns itens bÁsicos daquela parte do mapa. Se quiser se aprofundar no hackeamento, terÁ ainda que invadir e instalar um vírus nas antenas da ctOS espalhadas pelos quarteirões. Depois de hackeÁ-las, o jogador passa a ter acesso ao hackeamento de vÁrios prédios de apartamentos que, uma vez hackeados, permitem invadir os sistemas de câmeras dos mesmos e observar as pessoas em suas casas.


Visual espetacular custa caro


O visual de "Watch Dogs" se destaca pelo imenso realismo. Seja nas construções reais oriundas da cidade de Chicago até mesmo às milhares de animações e reações distintas por parte dos NPCs espalhados pelas ruas.


Uma das grandes novidades nesse tipo de jogo é a câmera interna dos veículos. Isso foi prometido pela Ubisoft desde o início da produção do game, que inclusive dizia ser um diferencial exclusivo de "Watch Dogs". De fato existe a visão interna do cockpit, mas não como se imaginava. Aqui a visão é no topo do volante, sem mostrar muito o interior do carro.

HÁ a opção de ativar um desfoque no volante, que esconde o péssimo visual interno. Se desativar esse função, a situação piora e fica visível a falta de acabamento interno. Os mostradores não funcionam e nem se quer existem ponteiros. Isso leva a crer que essa câmera interna ficou esquecida e no último momento foi colocada às pressas no jogo, pois em alguns carros a textura é consideravelmente melhor, enquanto em outros ela é totalmente pixelada a ponto de não saber o que estÁ escrito no painel.

O grande destaque na parte grÁfica de "Watch Dogs" é a sua variação climÁtica. É simplesmente maravilhosa e digna de aplausos. Seja passeando ao pôr do Sol ou o oposto, em meio ao tempo nublado com uma enorme ventania, o visual é de cair o queixo. Nada no jogo é estÁtico. Até mesmo uma simples grama em um canteiro, na ponta de uma calçada, se mexe de acordo com o vento. Experimente ir ao centro do gramado do Bram Steffan Pavillon e observe tudo à sua volta.


Mas é bom lembrar que o jogo é o mais exigente jÁ lançado em termos de hardware. Se o jogador quiser rodar na qualidade dos novos consoles (PS4/Xone), em modo High, não terÁ problemas, desde que tenha uma VGA com pelo menos 2GB de Vram (o jogo avisa isso). Mas se quiser jogar em Ultra, a coisa complica. É necessÁria uma Nvidia GTX 780 ou superior, um processador i7 e ainda 8GB de memória RAM no mínimo. Vale lembrar que durante a jogabilidade, o jogo passou de 7GB de uso da memória RAM, algo inédito para um game. Ou seja, 8 GB é realmente o mínimo possível para rodar em Ultra, senão o jogo vai "engasgar" a cada segundo.


Os velhos problemas de sempre com a localização

"Watch Dogs" vem totalmente dublado para o nosso idioma e a qualidade do som estÁ acima da média usando vozes conhecidas do grande público. Mesmo assim, hÁ alguns probleminhas técnicos que persistem em jogos da Ubisoft. Chega a ser curioso um game atual como este ter os mesmos problemas técnicos de games mais antigos, como os últimos da franquia "Assassin's Creed".

Em algumas cenas de corte, as vozes são baixas demais à ponto de ser preciso ter que aumentar bastante o volume das caixas de som para poder entender alguma coisa. Outro problema, mais grave, é o fato de muitas conversas entre os NPCs não estarem dubladas, mantendo o inglês como idioma padrão. Esse problema acontece bastante nos "Assassin's Creed" que foram dublados. Parece que a Ubisoft não gosta de dublar literalmente tudo em seus jogos. Claro que, para quem for jogar com Áudio em Inglês, esses problemas não irão acontecer.


A trilha sonora possui pouquíssimas musicas conhecidas, ou seja, comerciais. A lista que tem dentro do smartphone de Aiden é apenas uma parte. As mais famosas são encontradas tocando espalhadas pela cidade. Seja alguém escutando no carro, ou dentro de alguma boate, bar, loja, ou mesmo alguém ouvindo pelo smartphone pelas ruas.

Para "pegar" essas músicas e adicionar ao playlist, a Ubisoft criou o Song Sneak, um app usado para detectar que música estÁ tocando e, assim, copiÁ-la para seu aparelho. HÁ ainda uma outra maneira de descobrir mais músicas: hackeando os NPCs. Alguns possuem músicas nos seus smartphones que podem ser copiadas ao aparelho de Aiden.



Diversidade e inovação na parte online


O multiplayer de "Watch Dogs" é bem interessante. O mais curioso é que a qualquer momento um outro jogador poderÁ entrar no seu jogo para te hackear. Mesmo que esteja jogando o modo história, uma pessoa pode invadir seu sistema. No momento que um humano entrar no jogo, um aviso irÁ informar o fato e aparecerÁ no mapa uma Área marcada onde esse humano estÁ. O jogador terÁ um tempo para descobrir quem é essa pessoa e onde ela estÁ.

Parece fÁcil, mas não é! O humano que invadir o jogo de outra pessoa aparecerÁ como NPC, e ele só vai ser descoberto se agir de forma estranha ou se Aiden perfilar cada NPC da Área marcada, o que não darÁ tempo.

Durante a jogatina, fui "invadido" dezenas de vezes e em vÁrias delas descobri o humano e em outras o tempo se esgotou. Nas vezes em que descobri, o erro foi cometido pela reação do invasor. Seja escondido dentro de um carro estacionado de forma "esquisita" em cima da calçada, seja agachado atrÁs de um muro ou pilastra, ou até mesmo ficando nervoso quando cheguei perto e ele saiu correndo. Ou seja, para quem estÁ invadindo, uma boa tÁtica é se manter calmo e agir exatamente como um pedestre comum. Bem interessante isso.

Além desse sistema de invasão (que independe se estÁ ou não em um modo multiplayer), hÁ outros modos interessantes que são acessíveis pelo smartphone. 1) Corrida Online de 2 a 8 jogadores, onde os competidores correm em uma corrida normal, podendo usar seus métodos de hackeamento durante as provas; 2) Desafio ctOS Mobile, onde um jogador controla a polícia em um tablet de verdade usando o app ctOS Mobile da Ubisoft enquanto o outro tenta fugir da policia; 3) Perseguição Online, onde um jogador fica observando tudo que o outro faz sem ser detectado; 4) Decodificação Online de 3 a 8 jogadores, onde os jogadores saem na busca de um arquivo importante que estÁ escondido na cidade; e por último o modo livre chamado 5) Vagar Livremente, para até 8 participantes, onde os jogadores fazem o que quiserem pela cidade.

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HÁ ainda um interessante sistema de "ajuda" aos amigos: Check-in. Apesar de não ser um modo multiplayer, o fato de fazer Check-in em locais famosos de Chicago (existem 100 deles!) possibilita que se deixe um "presente" para o próximo jogador que fizer o mesmo no mesmo local. O "presente" pode ser dinheiro, munição ou medicamentos, e o jogador pode estipular se o "presente" pode ser pego por qualquer pessoa ou apenas pelos amigos do Uplay.

Para quem ainda não sabe, os Check-in servem para contar a história daquela local, seja um crime famoso ou ponto turístico. Quem fizer mais Check-ins pode se tornar o prefeito da região e, assim, ganhar vÁrios itens especiais e bônus em alguns locais.



Conclusão


Um dos jogos mais aguardados dos últimos anos, "Watch Dogs" chegou com a premissa de ser inovador na jogabilidade e revolucionÁrio na parte visual. A parte visual é realmente revolucionÁria, mas apenas se o jogador tiver uma mÁquina extremamente potente, com o que hÁ de mais moderno em termos de placa de vídeo e processador. Tirando esta exigência, ele ainda é um jogo belíssimo, com efeitos visuais de encher os olhos.

A jogabilidade inovou em alguns aspectos, principalmente na parte de se poder controlar tudo hackeando. Mas é também muito bÁsica para um game desse porte e tem problemas, como o sistema de cover que deixa a desejar. Embora tenha seus prós e contras, "Watch Dogs" é um jogo indispensÁvel para quem gosta de novidades e principalmente para quem possui uma mÁquina de ponta.


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PRÓS
O mais belo visual em um jogo de mundo aberto
Hackear é demais
NPCs não são meros robôs
Invadir o jogo de outra pessoa
Multiplayer inova com uso de um Tablet
Muitos extras
CONTRAS
Exige hardware caro para aproveitar todo o vigor do visual
Falta dublagem em algumas falas
Sistema de cover é um pouco falho
Carro do jogador praticamente não possui danos
Câmera interna é absurdamente feia
Ser invadido constantemente atrapalha o desenrolar da história
Alguns erros de português nas legendas
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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