ANÁLISE: LG G Flex

ANÁLISE: LG G Flex

O LG G Flex é um produto atípico. Ele introduz alguns recursos inovadores, como sua tela curva e a traseira capaz de se "regenerar", transformando este smartphone em praticamente "um laboratório de testes comprável" da empresa sul-coreana. O aparelho topo de linha da empresa possui um design fino e leve - dentro do que é possível ser leve com um display de 6" - e traz componentes de alta performance.

 

Comparativo



Xperia Z Ultra

Lumia
1520

Galaxy
Note 3

LG
G Flex
Processador
Snapdragon 800, quad-core, 2.2GHz Snapdragon 800, quad-core 2.2GHz Snapdragon 800 / Exynos 5 Octa 5420 Snapdragon 800 quad-core 2.26GHz
Armazenamento

16GB (interna)
64GB (microSD)

16/32GB (interna)
64GB (microSD)

16/32/64GB (interna)
64GB (microSD)
32GB (interna)
Memória RAM
2GB 2GB 3GB 2GB
Sistema operacional
Android 4.3 (upgrade para 4.4 KitKat)

Windows Phone 8

Android 4.3 (ugrade para 4.4.2)
Android 4.2.2 (upgrade para 4.4.2)
Câmeras
Traseira
8MP /
Frontal
2MP
Traseira
20MP /
Frontal
 1.2MP
Traseira
13MP /
Frontal
2MP
Traseira
 13MP /
Frontal
2.1MP
Tela
6.4" Triluminus
1080 x 1920
6"  IPS LCD
1080 x 1920
5.7' Super AMOLED
1080 x 1920
6'  Curved POLED
720 x 1080
Dimensões
179 x 92.2 x 6.5 mm 162.8 x 85.4 x 8.7 mm 151.2 x 79.2 x 8.3 mm 160 x 81.6 x 7.9~8.7mm
Peso
220g 209g 168g 177g
Bateria
Li-Ion 3050 mAh Li-Ion 3400 mAh Li-Ion 3200 mAh Li-Ion 3500 mAh
LTE

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HDMI

NFC
Dois chips SIM
Preço (27/05/14)
R$ 1.499,00
R$ 2.108,00
R$ 1.999,00
R$ 1.999,00

Design e Tela

Não tem como não falar primeiro disto: este smartphone é torto. O primeiro contato com o G Flex causa um estranhamento, por conta de sua pegada diferente, a forma como ele fica no bolso e a sensação estranha de fazer o deslizar dos dedos, nas primeiras utilizações. Até deslizar as páginas de internet traz a sensação engraçada que o conteúdo vai "sair por baixo e cair em seu colo". É um recurso e tanto para começar conversa, e mesmo meus conhecidos mais céticos caíram na brincadeira de "sentei no meu celular e ele ficou assim".

Passada a euforia do novo, e utilizando por mais tempo, a conclusão é que se levarmos para o lado prático, não há qualquer função adicional no fato da tela ser curva. A usabilidade não recebe melhorias, a ergonomia não ganha nenhuma vantagem e é diferente, mas não é melhor. Ele chama a atenção, graças ao misto de ser curvo com ser enorme - mérito de sua tela de 6 polegadas - mas a tela POLED fica com os méritos de inovar. E só. 

Falando em ergonomia, é um parto segurar o G Flex. Primeiro porque tratamos de um phoblet/phablet/smartphonão, e não é novidade que esta categoria de aparelho só pode ser utilizada corretamente com as duas mãos. Ações simples como ler um e-mail ou atender uma ligação "emergencialmente" envolve um equilíbrio delicado e instável. Mas o G Flex tem um agravante frente a outros concorrentes, um problema que já me incomodava no LG G2: o acabamento liso em plástico.

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Enquanto o Galaxy Note 3 possui laterais em um acabamento plástico com uma certa textura, o G2 e o G Flex são inteiriços de um plástico liso, o que torna a "pegada" do aparelho menos estável. Pior para o G Flex que é enorme e fica ainda mais difícil de manejar, mesmo por mim, que tenho uma mão um tanto grande.

A tela do G Flex tem uma boa intensidade de cores, saturação e a resolução HD atende de forma regular a visualização dos conteúdos. Em termos gerais, fica abaixo de outros produtos da própria LG, como a tela presente no G2 e no G Pad 8.3, que trabalham com resoluções maiores. A inovação no display trouxe seu custo na qualidade da imagem que, apesar de não ser ruim, perde para os concorrentes do segmento e para produtos intermediários da própria sul-coreana.

O botão na parte traseira, como já falamos na análise do G2, não chega a ser nem uma vantagem nem um problema. Depois de uma adaptação inicial, ele funciona bem. Fiquei com a impressão que é mais difícil de localizá-lo no G Flex que no G2, talvez pela maior área que você precisa ficar "tateando" para encontrá-lo. Por algum motivo, também acionei muitas vezes acidentalmente o botão de destrave ao colocar o smartphone no bolso ou em cima da mesa, algo que não acontecia no G2. Possível que seu tamanho maior me force a pegá-lo de forma mais firme e no centro, e acabe acertando este botão no processo.

A LG contou bastante vantagem do recurso regenerativo do G Flex. Com uma traseira capaz de se "regenerar" como o herói dos quadrinho Wolverine, a empresa promete um polímero que se recupera de riscos superficiais. Porém, na prática, alguns riscos - que juramos que já vieram assim, LG - ficaram em definitivo. Esta tecnologia parece ser capaz de lidar com algo bastante superficial, e qualquer coisa um pouco mais avançada que isto fica de fora do superpoder regenerativo do G Flex.

Outra tecnologia que parece interessante no papel, mas ganha pouco destaque na prática, é a flexibilidade, destacada até no nome do aparelho. Apesar de ser capaz de ser levemente flexível, o máximo que conseguimos e deixá-lo reto se pressionado com muita força, contra uma mesa. Forçar no outro sentido traz um barulho de plástico quebrando capaz de partir corações. Ironicamente, a única função da flexibilidade do G Flex é deixá-lo, temporariamente e a custa de muito esforço, igual a todos os outros aparelhos do mercado: reto.


Câmera e Multimídia

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A câmera do G Flex tem o benefício de capturar fotos instantaneamente, logo após apertar o botão. Ela não fica pensando. Mas isso traz problemas no resultado da imagem. Deixando a câmera no modo normal, as fotos saem borradas e granuladas, mesmo em um ambiente fechado com iluminação. Ela só se salva em fotos externas com boa iluminação natural ou quando o modo Tom Dinâmico é ativado. Esse modo também é conhecido como HDR, que tira várias fotos e as compacta em uma só para gerar mais qualidade. Ao contrário do modo normal, aqui ela pensa um pouquinho para processar a imagem. O surpreendeu e respeitou as cores do objeto em ambiente mal iluminado.



Na hora de gravar vídeos, o resultado não chega a ser fluído, mas também não é ruim, respeitando as cores e contrastes das imagens. Ela é capaz de filmar em 1080p. Já a câmera frontal é mais decepcionante do que a maioria dos produtos que analisamos recentemente. Em ambiente bem iluminado elas saem super granuladas.


Funcionalidades e Desempenho
Equipado com o processador Qualcomm Snapdragon 800, o G Flex possui um dos processadores mais potentes disponíveis para smartphones. A tela de resolução HD, da qual reclamamos na avaliação do design, traz um efeito positivo neste aspecto: com menos pixels para serem renderizados, fica mais leve rodar o sistema e os aplicativos, para o G Flex.

 

 

O resultado é um dos melhores scores ao longo dos benchmarks que rodamos por aqui. O aparelho ficou na mesma balada dos smartphones Android mais potentes do mercado, e mesmo do gadget para games Nvidia Shield.

Este aparelho lida com aplicações e atividades de forma fluida e sem travamentos. Mesmo quando abusamos do multitarefa, a alternância entre apps é praticamente instantânea e o celular como um todo é bastante reativo. Durante nossos testes, não foi possível perceber qualquer travamento ou lentidão.

Na parte de autonomia, o G Flex se saiu muito bem. Foi capaz de segurar um dia inteiro com uso muito intenso, terminando o dia com quase 30% da bateria. Em um uso mais moderado, ficou dois dias longe da tomada, com coisas como o 3G ativo de forma constante. Com certeza, ativando o recurso de economia de energia da LG, que reduz o consumo quando abaixo de um certo nível, ou desligando sensores que não estão em uso, este aparelho tem condições de ficar três dias sem ser recarregado se utilizado de forma moderada

Assim como vimos no G2, o LG G Flex traz algumas funções adicionais bem interessantes. Para quem não simpatizou com o botão na parte traseira, é possível desbloquear a tela com duas batidas no display. Em futuras atualizações, devemos ver a função KnockCode, que possibilita não apenas destravar a tela com estas "batidinhas", mas também definir um padrão específico para ser possível desbloquear o smartphone. 

Outro adicional interessante é um recurso de multitarefa: com um gesto com os três dedos deslizando para a lateral esquerda você coloca os apps "em espera". Basta repetir o gesto, agora para a direita, para puxar a lista de até quatro apps que você deixou separado em segundo plano, em uma interação bastante ágil para alternar entre os softwares. Outro ótimo adicional é o software QuickRemote, que possibilita configurar um controle remoto compatível com uma série de aparelhos, como televisores e players de Blu-Ray.

As modificações mais importantea, sem dúvidas, são o QSlide e o lado-a-lado com os aplicativos. Com o primeiro, é possível abrir alguns apps específicos, como o navegador, a calculadora e o Gmail em uma janela que pode ser redimensionada e até aplicada uma transparência, facilitando o multitarefa. O lado-a-lado de aplicativos também é muito interessante: você consegue clicar em um vídeo de Youtube, em um site, e assistí-lo em uma porção da tela, mantendo a página em que você estava no restante do display.

Conclusão
O G Flex não pode ser comparado diretamente com outros aparelhos, pois ele não é simplesmente um produto. Ele une alguns conceitos ainda em desenvolvimento e novas tecnologias que ainda nem possuem uma função prática definida.

O principal destes recursos é a tela curva. Apesar de curiosa e de chamar a atenção, não encontrei nenhuma função para esta novidade. Para não dizer que foi totalmente indiferente, seu formato excêntrico rendeu algumas conversas. Tirando estas brincadeiras e um assunto para "quebrar o gelo", não há nenhum benefício em seu formato.

O G Flex tem pouco a oferecer em relação ao G2, que é uma opção muito mais sensata, no meu ponto de vista. Com uma tela de melhor qualidade, e um porte melhor adaptado para quem quer usar com apenas uma mão, o LG G2 me parece um produto muito mais interessante. O G Flex acaba fazendo sentido apenas para os consumidores que estão atrás de um phoblet e que acham a tela curva um formato atraente, por mais que não tenha utilidade.

PRÓS
Fino e leve
Alta performance
Vanguarda de tecnologias da LG
Câmera capaz de bater fotos de forma muito rápida
Customizações do Android para explorar a tela maior
Apps adicionais interessantes
Tela curva é algo diferente...
CONTRAS
...que não serve para muita coisa
Qualidade da tela abaixo dos concorrentes
Sem slot para cartão microSD
Câmera não se sai bem em fotos de baixa luminosidade
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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