ANÁLISE: The Amazing Spider-Man 2

ANÁLISE: The Amazing Spider-Man 2

O herói aracnídeo estÁ de volta em mais um game, desta vez seguindo uma história paralela aos acontecimentos do filme que estÁ em cartaz nos cinemas. Trata-se de "The Amazing Spider-Man 2", que traz novas animações, um visual melhorado, uma jogabilidade diferenciada em relação aos "voos" pelos céus de Nova York e vÁrios personagens conhecidos dos fãs do Aranha.

Mas novidade não quer dizer qualidade. De nada adiantou inovar em praticamente todos os aspectos se o resultado é apenas mediano e por vezes ruim, bem abaixo do que se espera de um jogo de mundo aberto baseado em um herói famoso. O que seria um jogo à altura do herói, se tornou um desperdício total de tempo.


Qualidade visual do herói é acima de média

O início de tudo

Resumindo, "The Amazing Spider-Man 2" começa exatamente quando Tio Ben é assassinado por um bandido que acabara de assaltar uma lojinha. O problema é que Peter Parker saiu desta loja segundos antes do assalto e se recusou a ajudar o dono quando este lhe questionou porque deixou o bandido escapar. Nisso, andando pela calçada - único momento do jogo onde Peter pode ser controlado em um Área externa -, ele escuta um barulho de tiro e sai correndo para ver o que aconteceu, quando se depara com Tio Ben caído do outro lado do quarteirão. Desde então, Peter segue na caça do assassino do seu tio.

Após 2 anos, enfim ele consegue uma pista do paradeiro do suposto bandido, mas descobre que as coisas são bem mais complexas do que  imaginava, principalmente com o envolvimento do assassino com vÁrios inimigos famosos do aracnídeo, como Duende Verde, Rei do Crime, Carnificina e até mesmo Electro (foto abaixo).


Raios e mais raios! Acho que vou fritar esses produtores!

Visual se destaca, mas ainda é old-gen

Indiscutivelmente o visual de "The Amazing Spider-Man 2" é bem superior ao primeiro game. A versão PC, usada nesta review, se sobressai sobre as outras versões incluindo PS4 e Xbox One, na qual foi usada como base de comparação. Alguns problemas que acontecem - e irritam - nessas versões para os novos consoles, ocorrem com menos frequência na versão PC. Um bom exemplo disso é quando o aracnídeo "voa" por entre os prédios de Nova York, e os veículos, pessoas, objetos e arvores vão aparecendo do nada e com uma distância bastante curta para os padrões de hoje. Chega a ser irritante realmente, e atrapalha a jogabilidade. No PC isso também acontece, mas com uma distância aceitÁvel a ponto de às vezes ser imperceptível.

As opções grÁficas presentes no PC são exclusivas, o que mostra que The Amazing Spider-Man não é um simples "port" dos consoles. configurações como City Life Density e Draw Distance deixam o clima de uma cidade grande mais realista com muito mais pessoas e veículos, incluindo engarrafamentos.

A texturização do game é discutível. Acontece que a Beenox, produtora do game, optou por fazer texturas em altíssima definição somente em itens e locais que são importantes para a missão que o jogador estÁ. Ou seja, se o jogador tiver que ir até o local X e olhar um cartaz na parede, esse cartaz estarÁ em altíssima definição, mas os que estão do lado, são totalmente borrados a ponto de parecer um jogo de 10 anos atrÁs. Isso acontece o tempo inteiro.

Em um determinado momento o Spider tem que ficar observando de longe - usando uma câmera - alguns capangas russos para saber suas rotinas. Só que eles ficam andando pela calçada, dando voltas no quarteirão. Até aqui, tudo bem. Mas quando algum pedestre passa do lado deles, percebe-se a diferença absurda na qualidade, tanto na animação quanto na texturização.

O mais absurdo nisso é que algumas vezes o jogador tem que observar apenas um único bandido em um local cheio deles, e apenas esse cara observado é que possui texturas em alta definição. Os outros, inclusive vÁrios com a mesma roupa, são horríveis e mal feitos.

Esses exemplos mostram que a Beenox não se preocupou muito com os detalhes. Ela criou um visual apenas genérico, por vezes abaixo da média, mas com alguns toques de qualidade em momentos que fazem parte da jogabilidade.

O destaque no visual de "The Amazing Spider-Man 2" é, sem sombra de dúvidas, as novas animações do herói. Tanto para escalar uma parede, andar pelas ruas, correr, saltar por entre os prédios, lutar e fazer suas acrobacias, as animações foram remodeladas gerando um realismo maior. Até mesmo quando ele interroga algum bandido, ele não para quieto um segundo se quer.


"Cara, cadê meu carro?"

Spider-Man: uma aranha ou uma barata?

Apesar das novas animações do aracnídeo se destacarem na parte grÁfica, elas causam sérios problemas de jogabilidade. O principal deles é ser totalmente impreciso, ou seja, é impossível pular por entre os prédios sabendo exatamente onde ele vai parar. Se o jogador quiser pular no sentido perpendicular, ou seja, "cortando" as ruas, a situação se torna um caos total. Na maioria das vezes o jogador vai ficar preso em becos, em paredes de prédios mais altos e sem ter por onde sair a não ser voltando para a rua e seguindo no sentido dela. É extremamente irritante. No vídeo abaixo percebe-se claramente isso.

A ideia de se usar teias saindo tanto do punho esquerdo quanto direito é bem vinda. De fato é a grande novidade da jogabilidade de The Amazing Spider-Man 2, onde agora o jogador pode escolher de onde sairÁ a teia através dos respectivos botões do mouse. Independentemente da ideia ser boa, na prÁtica ela não funciona tão bem em vÁrios momentos. Por vezes a teia não saia de um lado ou de outro, e isso incomoda bastante. Inclusive quando se usa o botão e a teia não sai, ecoa um som característico como se houvesse algum erro ou algo parecido. Não sei se é proposital ou se é algum bug do jogo, mas o fato é que atrapalha bastante em vÁrios momentos.

A Beenox caprichou nas animações mas se esqueceu de todo o resto. As lutas simples são por vÁrias vezes "descontroladas". Basta o jogador apertar os botões repetidamente e pronto. Quando a luta é contra algum grupo de bandidos, basta ficar no meio deles e sair apertando os botões que o Aranha faz todo resto: acaba com todos e ainda alterna entre os alvos de forma quase automÁtica.  Essa parte do jogo lembra bastante - de forma bem piorada - os games do Batman, tanto para aplicar os golpes quanto para defendê-los.


Missões paralelas repetitivas? Ah não!


As missões paralelas são interessantes apenas na primeira vez que você as faz. Com variações entre tentativas de assalto, arrombamento, sequestros, incêndios, vandalismos e tiroteios. Depois da terceira ou quarta vez que fizer algumas desses missões, o jogo se torna chato demais. Isso acontece porque todas as ações são iguais. Durante os sequestros os bandidos pegam alguém e fogem de carro em alta velocidade. O herói aracnídeo pula em cima do carro e tira um por um de dentro dele. O problema é que todas as vezes as animações e ações são literalmente idênticas.

A mesma coisa ocorre nos tiroteios, nos arrombamentos, nos vandalismos e etc. Até para pegar pessoas doentes pela cidade ou em perigo, como em acidente de carro, preso entre vagões de trem e/ou desabamentos a coisa se repete de tal forma que realmente incomoda muito.

Para piorar, o jogador se vê obrigado a fazer tudo isso o tempo todo durante a jogatina. Acontece que o jogo tem uma barra de status que mostra o quanto o Spider é respeitado, odiado, procurado, etc. E a cada missão completada da história principal, todas as barras ficam bastante negativas. Sempre. Adivinha o que o jogador terÁ que fazer?


Missões de sequestro sempre iguais

Áudio

Se a jogabilidade é apenas mediana, o som segue ladeira abaixo. Algumas dublagens são péssimas, tanto na voz quanto na sincronia. Quem jÁ viu filmes antigos japoneses, sabe do que estou falando. Alguns "capangas" possuem as mesmas falas, mas a animação é diferente. Daí jÁ dÁ para se ter uma ideia do problema.

Os efeitos sonoros estão na média no quesito qualidade de som. É nítido e cristalino, mas hÁ problemas na distribuição dele. Quem usa caixas de som 5.1 ou superior, vai ficar desapontado quando passear com o Aranha pelas ruas de Nova York e perceber que o som corta abruptamente, bastando ele virar o personagem para um lado ou para outro. Até mesmo as pessoas chamando o Aranha são cortadas assim, quando o correto seria diminuir o volume até sumir. É muito fÁcil testar isso e "ouvir" o problema: basta ficar parado perto de uma esquina e lançar a teia para voar.


Considerações


"The Amazing Spider-Man 2" tinha potencial para ser um dos melhores games de super-herói, fazendo frente aos do "Batman", que possui praticamente a mesma concepção. O que se vê aqui é um jogo que falta capricho em quase tudo, salvando apenas as animações do herói e seus famosos inimigos. A jogabilidade é estabanada na maioria das vezes, as missões paralelas são irritantemente repetitivas e as lutas são fÁceis demais quando não são contra os chefes de fases.

Juntando tudo isso com o som falho, "The Amazing Spider-Man 2" é um jogo que só agradarÁ aos fãs mais ferrenhos do Aranha, que colecionam qualquer coisa do herói. Uma pena que a Beenox não tenha dado a atenção que o personagem merece.


PRÓS
Cidade de Nova York muito mais viva que nos games anteriores
Visual bonito em alguns momentos
Animação espetacular do Aranha
VÁrios inimigos famosos
CONTRAS
Jogabilidade por vezes estabanada
Missoes paralelas medonhas e repetitivas
Parte técnica do som é abaixo da média
Lutas fÁceis demais
Não tem idioma Português
Bugs e mais bugs
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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