ANÁLISE: Gran Turismo 6

ANÁLISE: Gran Turismo 6

Enquanto muito do foco dos desenvolvedores e gamers jÁ estava na geração atual de consoles, em dezembro o mais novo game da série Gran Turismo foi lançado e, para a alegria dos donos do Playstation 3, a Polyphony Digital optou pela geração passada de videogames da Sony para lançar seu Gran Turismo 6, ao invés de figurar no line-up inicial do PS4 (que ganhou Drive Club como prêmio de consolação para fazer frente a Forza).


A franquia segue com sua principal característica, que faz a alegria dos entusiastas de automóveis: uma infinidade de carros e pistas. São mais de 1200 carros customizÁveis com ajustes da parte mecânica e 76 pistas que vão desde as pistas históricas como Monza, exótica como Ascari e até mesmo o circuito de Daytona, da Nascar.

Vamos a review do game lançado em dezembro do ano passado e que jÁ tomou muitas horas minhas. Sim, esta anÁlise definitivamente não estÁ sendo feita "próxima" do lançamento do game, e preciso fazê-la para parar de jogÁ-lo.

Jogabilidade

Aqui estÁ, junto com a grande biblioteca de pistas e carros do game, a essência do Gran Turismo. O game se intitula o "The Real Driving Simultator" (o verdadeiro simulador de direção, em tradução livre), e apesar de não fazer frente a games que realmente levam a sério o realismo, estÁ entre os jogos mais interessantes que um fã de automobilismo pode buscar.  Seu principal destaque é a grande variação de automóveis, cada um com suas características próprias de dirigibilidade, aliados com uma grande possibilidade de ajustes disponíveis.

Esta gama de probabilidades trazem a graça do gameplay com este jogo: você pode garantir uma vitória combinando ajustes no funcionamento do carro, como aumentar o downforce ou "esticar as marchas", que irão fazer a diferença na pista. Esta combinação de ajustes minuciosos na escolha e preparação do carro, mais a simulação na corrida, é que tornam este game um prato cheio para os entusiastas do automobilismo, que com certeza irão se divertir buscando o ajuste perfeito para cada carro e pista. Mudanças climÁticas e corridas longas, onde desgaste de pneu e consumo de combustível fazem a diferença, tornam a estratégia em um elemento importante para alcançar a vitória, fator que torna este jogo ainda mais interessante.

O game segue com a fórmula consagra da franquia, onde você parte de carros menos potentes e de baixo orçamento para progredir até as corridas de longa duração com supermÁquinas. Seu avanço pela "campanha" abre novas pistas, novos carros e novos desafios, o que torna este game incrivelmente viciante.


Carros, carros e mais carros

Felizmente o menu recebeu grandes melhorias em relação ao que vimos em Gran Turismo 5 e, apesar de não ser um primor estético, especialmente por conta daquela "galÁxia em forma de volante" ao fundo, é bem mais fÁcil e intuitivo navegar entre os modos do jogo. Os carros não estão mais separados entre os premiums (aqueles com modelagem mais precisa) e os convencionais, o que melhorou muito a busca e compra de novos carros, mas em compensação é preciso prestar atenção na hora da compra, para não levar um carro com design menos caprichado. 

O que se faz sentir é problemas clÁssicos da franquia. O primeiro deles são as colisões, que seguem não fazendo diferença nenhuma no jogo. Mesmo que você atinja uma parede à 300 km/h, seu carro irÁ rodopiar algumas vezes, capotar e, segundos depois, você volta a correr como se nada tivesse acontecido, algo que traz um grande prejuízo para a imersão neste jogo. Outro problema são as trapaças: sair cortando caminho ainda é uma possibilidade, em vÁrias corridas, e também sair fechando e jogando adversÁrios para fora da pista. As punições até estão presentes, mas só em corridas específicas e, felizmente, no modo online.

Outro problema histórico é a inteligência artificial. Seus adversÁrios seguem com a estratégia de sempre: ficar constantemente seguindo um trilho imaginÁrio, sem questionar. Esta previsibilidade dos oponentes é tão gritante que é possível juntar a falha anterior (falta de colisões) com esta (AI altamente previsível) para formar um combo curioso: usar uma batida no carro adversÁrio para reduzir a velocidade e fazer uma curva. Eles não reagem, não buscam te fechar ou qualquer espécie de atitude que faça parecer que possuem alguma vontade de vencer. Em raríssimos momentos você verÁ alguém rodando, uma batida ou qualquer coisa que torna seus adversÁrios "mais humanos". Exceto se você causar estas calamidades.


Algumas missões "extras" são bem excêntricas 

O famoso "efeito elÁstico" também traz seus efeitos negativos.  As corridas parecem possuir um script pronto, com a mesma lógica de sempre: no começo da prova os quatro primeiros colocados são inalcançÁveis e se distanciam muito de você e de outros pilotos. LÁ pelas duas últimas voltas você se aproxima deles, muitas vezes em um ritmo absurdo se comparado com as primeiras voltas, e a corrida termina com você disputando com os líderes o fim da prova. Esta situação se repete com uma grande frequência, com pequenas variações como o batalhão da frente (pode ser que só o líder escape, ou podem ser seis carros). Outra coisa que pode mudar isto é seu carro: se for muito fraco, você nunca chega lÁ, parando entre o batalhão dos "nunca ganham" e os "disparados na frente". Se for muito forte, vai ultrapassar todos jÁ na primeira volta. Esta previsibilidade do efeito elÁstico compromete parte da imersão das corridas. Esta jÁ é uma característica da série, mas fica a dúvida: Mario Kart é cheio destas "ajudas" para tornar as corridas emocionantes, principalmente ferrando com o líder da prova, mas um jogo que se apresenta como "o verdadeiro simulador de direção" deveria mesmo ter estas artificialidades para tornar as disputas mais acirradas?

Não sabemos até onde foi o esforço para conseguir rodar o game no Playstation 3, mas em alguns momentos a idade do videogame se faz sentir. As telas de carregamento são longuíssimas, e não foram poucas as vezes que me perguntei "serÁ que ainda estÁ carregando ou travou?". Em algumas ocasiões, tinha travado mesmo. Em uma vez, o videogame simplesmente não conseguiu acompanhar o ritmo do carro, e carregou as texturas com atraso. Resultado: por instantes o carro se deslocava "no céu" por falta de um chão renderizado. 

GrÁficos

Gran Turismo 6 chega em uma geração "pela boa". O foco jÁ estÁ na "next-gen que jÁ chegou", e que traz claras evoluções grÁficas frente a jÁ defasada aparelhagem do PS3. Neste contexto, a Polyphony Digital fez o possível para tirar o mÁximo do hardware disponível, e o resultado em geral é positivo.

As estrelas deste game, os carros, receberam uma modelagem minuciosa e entregam um ótimo visual nos modelos premium. Os demais automóveis não se saem tão bem, mas não chega a ser incômodo vê-los na pista. O interior detalhado, presente em alguns veículos, são um ótimo adicional e que faz muita diferença. Se você corre com a vista de dentro do carro, definitivamente deve ter o cuidado de comprar carros que tragam o design da parte interna também.


As pistas trazem evoluções em comparação ao GT5, e também entregam o que é possível. Em geral, as pistas traçados possuem um visual convincente, principalmente nos efeitos de luz na pista ou as mudanças das condições climÁticas. Claro que o PS3 jÁ estÁ "na estica" de sua capacidade, então é bom não ficar prestando atenção demais aos detalhes, pois não demora muito para você notar algo em baixa resolução, ou alguma eventual barreira de pneus quadrada. É o clÁssico "entra mas não repara a bagunça", se você sair um pouco do trajeto principal da pista. 

Multiplayer

O multijogador deste game se dÁ de duas formas: no modo offline, a famosa splitscreen coloca até duas pessoas para correr uma prova, enquanto o online jÁ é mais permissivo, e abre espaço para disputas com até 16 pilotos.

Correndo online, o game traz uma boa variedade de modos e configurações para os jogadores, o que acaba sendo uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que você pode encontrar muita opção para jogar, com corridas preocupadas mais no "realismo" ou na diversão, é trabalhoso encontrar uma partida que se encaixe com o que você estÁ interessado.

A interface traz uma série de elementos para te auxiliar nos lobbys, mostrando as limitações e ajustes de cada partida, mas ainda assim é difícil perceber todas as configurações, ter segurança que os carros estarão equilibrados e cada detalhe das limitações de assistências. É preciso buscar minuciosamente por uma partida que se encaixe no que você busca, ou se conformar com o que estÁ disponível no momento. Infelizmente, este não é o tipo de jogo que você entra, clica em "partida rÁpida" e sai se divertindo.

Dividindo a tela em uma partida local temos talvez a experiência mais comprometida do jogo, por conta do hardware. Fica evidente as quedas de frames em alguns trechos de pistas com cenÁrios mais complexos, especialmente nos circuitos de rua, onde os quadros por segundo ficam abaixo do ideal para uma jogabilidade fluída. Este problema é ruim para games em geral, e nos de corrida é uma tragédia, afinal fica impossível jogar algo decidido em comandos precisos com poucos FPSs.

Conclusão

Gran Turismo 6 sofre uma série de limitações por ter saído na geração passada de consoles. Apesar disto, a Polyphony Digital fez um esforço e consegui entregar, dentro do possível um game com a principal característica que esperamos de GT: muito esmero e um trabalho minucioso nos carros e pistas.

Assim, fãs da franquia vão encontrar o que mais buscam neste jogo, com direito a horas e horas de gameplay em pistas e carros variados, tudo com ajustes minuciosos e competições interessantes. Os desafios sazonais, introduzidos com uma boa frequência, também mantém o jogador com novos conteúdos para se manter ocupado no game.


Esta continua sendo a grande alegria para os fãs da franquia

Apesar de manter o nome da franquia "em dia", GT6 infelizmente não foi muito além na hora de resolver os problemas da série. Mesmo com a boa evolução em alguns aspectos como a organização dos menus, em relação ao GT5, o game sofre de maus crônicos como falta de um mecanismo punitivo interessante para as batidas, inteligência artificial desinteressante e um multiplayer que até trÁs momentos interessantes, mas é preciso muita dedicação para encontrar uma partida que se encaixe no seu perfil (seja ele mais casual, ou mais realista).

Por conta disto, GT6 não eleva a concorrência frente a games como Forza. Ainda assim, é uma ótima pedida para fãs de automobilismo, e que querem dar uma boa fritada em seu Playstation 3 antes de partir para a next-gen atual geração de consoles.

PRÓS
Muito, mas muitos carros
Alta customização e ajustes nos veículos
Interiores detalhados
CONTRAS
Inteligência artificial "sem graça"
Áudio ruim
Faltam punições para coisas como cortar caminho ou batidas
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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