ANÁLISE: Far Cry Classic

ANÁLISE: Far Cry Classic

"Far Cry Classic" é a remasterização em alta definição do clÁssico de tiro em primeira pessoa de mundo aberto lançado pela Crytek em 2004. Praticamente uma década mais tarde, a Ubisoft agora distribui a adaptação do game, que continua divertido e surpreendente como antes, ganhando melhorias significativas nos grÁficos, no som e sendo bastante prazeroso de se jogar na maior parte do tempo. Mas nem tudo são flores: também existem alguns problemas chatos que arruinam parte da experiência, mas você só vai ficar sabendo quais são se ler a anÁlise do título a seguir, testado na versão para Playstation 3.




História e Jogabilidade

"Far Cry Classic" mantém inalterada a história do jogo original. No comando de Jack Carver, um ex-agente das forças armamentistas dos Estados Unidos, seu papel é encontrar a jornalista Valerie Constantine, tida como desaparecida após uma sabotagem repentina ao barco onde ambos estavam sendo transportados, próximos a um arquipélago paradisíaco ao Sul do Pacífico. Preso numa das ilhas do local, não resta outra opção senão sair em busca da moça. Mas pouco tempo passa para Jack descobrir que a ilha esconde muito mais do que aparenta. Nada de tranquilidade: pesquisas e engenharias de mutação genética em humanos para transforÁ-los em armas de guerras são feitas ali sem qualquer pudor, liberando um mal irreversível pelas densas florestas, cavernas, acampamentos e laboratórios.

O mais legal da história são os acontecimentos surpreendentes. Aos poucos você vai passando a conhecer que algo muito errado tem acontecido acontecendo por ali. Só que felizmente nenhuma dessas informações são liberadas todas ao mesmo tempo, mas num ritmo cadenciado bem planejado que faz o jogador ficar cada vez mais interessado nos segredos do local. As cenas animadas, embora curtas, explicam bem os contextos de cada passagem e são completadas com as conversas dos personagens durante as missões. Ainda bem, mesmo com o perigo iminente, o enredo nunca se torna sério demais ou exageradamente dramÁtico: Jack tem ótimas sacadas e um humor que abranda as passagens mais tensas, sem perder a importância delas.

Na jogabilidade, "Far Cry" original foi um dos percussores de jogos de tiro em primeira pessoa com mecânicas de mundo aberto. E, assim como a trama, aqui permanecem intactas. É possível passear por onde quiser e explorar praticamente todos os cantos dos cenÁrios, seja a pé, por veículos, pequenos botes e até mesmo asas-delta. E ao mesmo tempo em que faz a limpa em todas as Áreas, inimigos estão espalhados - e muito bem posicionados - caçando qualquer intruso. E você pode fazer as aproximações de duas formas. 1) a partir da marcação do posicionamento deles pelo binóculos do herói, basta chegar atirando com todo seu poderio armamentista ou 2) bolar alguma estratégia e tentar eliminar um por um de forma sorrateira e sem soar alarmes desnecessÁrios.

 

A primeira opção funciona extremamente bem, pois o jogo oferece vÁrios tipos de armas e muita munição para fazer o estrago que quiser, em qualquer missão e em qualquer momento. Em contrapartida, tentar invadir um lugar e abater os inimigos sem ser visto ou sem chamar a atenção nunca funciona. Mesmo que esteja ao longe e encoberto por folhagens, no melhor estilo camuflagem da espionagem, é impossível não ser visto e, pior ainda, acionar vÁrios outros guardas pelo local. Pela mecânica ultrapassada e sem novidades nesta remasterização, o game não te dÁ artifícios para fazer uma incursão silenciosa e, infelizmente, não permite jogÁ-lo de outra forma que não seja o do jeito "Rambo". Uma pena, pois enriqueceria bastante a experiência como um todo.    

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GrÁficos e Áudio

Graficamente, "Far Cry Classic" não é nenhum colírio para olhos. Não me entenda errado: o jogo tem paisagens abertas paradisíacas bem bonitas e que dão vontade de seguir explorando o mapa. Mas é só isso. Todo restante não envelheceu muito bem e nem mesmo parece que recebeu uma repaginada no visual. As animações são muito robóticas, as texturas estão bem ultrapassadas e as expressões faciais são inexistentes. Além disso, estão faltando elementos de preenchimento nos cenÁrios, como detalhes da vida selvagem e até mesmo nuvens. Mas o chato mesmo são os congelamentos da engine que travam todo o sistema e impedem de continuar jogando e os insistentes bugs de colisão. 


Comparação entre a versão original de PC e a remasterização

No Áudio, o game faz bonito com algumas trilhas que combinam com diferentes situações da aventura, seja em momentos de maior suspense, tiroteios ou pura exploração nas selvas. Por exemplo, é com um se sentir constantemente ameaçado pelos batuques fortes de uma situação de perigo extremo e, na próxima tomada, lÁ estÁ você infiltrado sorrateiramente alguma base inimiga acompanhado por uma melodia de fundo que é, ao mesmo tempo, serena e hostil. São essas variações de emoções que garantem boa parte do envolvimento do jogador com as missões. As dublagens (em inglês) não tem um tom muito sério e, em alguns trechos, chegam a ser meio "pastelonas". Isso não é necessariamente ruim, pelo contrÁrio: garantem um lado descontraído entre os mistérios surpreendentes do enredo. 


Considerações

No conjunto da obra, "Far Cry Classic" faz o que se espera de um jogo: diverte do começo ao fim com tiroteios desafiantes e uma história instigante. Mas levando em conta o seu preço de US$9.99, o game se torna mais recomendado para quem nunca teve a oportunidade de se aventurar com o jogo original. Para os veteranos, as melhorias visuais e sonoras, embora sejam bem-vindas, são discretas e não fazem valer todo o investimento, principalmente por conta da mecânica consideravelmente datada, pelos problemas irritantes de travamento da engine e bugs de colisão.  

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PRÓS
Aventura envolvente com jogabilidade de mundo aberto
20 missões bem variadas, desafiantes e divertidas
Paisagens paradisíacas
Preço convidativo
CONTRAS
Congelamentos irritantes e bugs de colisão
GrÁficos não envelheceram bem
Texturas feias, animações ultrapassadas e expressões faciais muito robóticas
Mecânica consideravelmente datada não permite ser stealth
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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