ANÁLISE: The Stanley Parable

ANÁLISE: The Stanley Parable

"The Stanley Parable" é um jogo de aventura e ficção interativa, com foco na exploração do cenÁrio e na história. O problema, como diz seu próprio criador, é que a história não importa. E o game, talvez, nem possa ser considerado um jogo, por assim dizer. Mas, ainda assim, é um dos melhores dos últimos tempos. E, com certeza, é o melhor exclusivo de PC dos últimos anos.

História e Jogabilidade

O jogo conta a história de um homem chamado Stanley. Ele trabalha numa grande empresa, que conhece seus empregados por números, ao invés de seus nomes. O seu é 427. A sede dessa empresa fica num grande prédio, aparentemente normal, mas que é cercado de mistérios. A narrativa, contada no vídeo abaixo, parece ser um grande clichê, mas essa impressão acaba por aqui.


Desde o primeiro momento, a narração de Kevan Brighting jÁ se faz presente. E, de maneira brilhante, é preciso dizer. Suas falas possuem um tom de ironia e irreverência que tornam o jogo engraçado e divertido, mas sempre de maneira inteligente. O narrador não faz apenas figuração, e se torna um personagem do jogo, que conversa frequentemente com Stanley, o personagem principal, e também com o próprio jogador, frequentemente quebrando a barreira da chamada "quarta parede".

A jogabilidade é incrivelmente simples, e consiste apenas nos comandos de caminhar, virar a cabeça e um botão de ação. Pois é, você não pode nem pular. Mas isso não importa, pois a graça do jogo estÁ em suas escolhas. A primeira delas, vista na imagem abaixo, é, na minha opinião, a mais interessante de todas. Isso porque essa é a primeira chance que você tem de "quebrar" a narrativa, de contrariar o narrador, e vê-lo reagir Â– sempre de maneira muito engraçada e irônica Â– às suas ações.


Dizer qualquer coisa além disso seria um grande spoiler. E eu não quero estragar a diversão de ninguém. Mas, para completar a seção, devo ressaltar que, na parte da jogabilidade, "The Stanley Parable" consegue ser divertido e inovador usando apenas 4 teclas (W, A, S e D) e o botão esquerdo mouse. E, na parte da história, seu roteiro é tão intrigante (pelo mistério) quanto divertido, com destaque para atuação e falas do narrador.

GrÁficos e Som

O game foi construído a partir da Source Engine, e a utiliza muito bem, alcançando grÁficos que estão bem acima da média que se vê em games independentes. Tudo que se vê no jogo é muito bem construído, com texturas de boa definição e boa modelagem. O design do prédio onde se passa o game é outro destaque. Isso porque caminhar por seus corredores ocorre de maneira fluída e natural, e explorar os segredos contidos nele é sempre empolgante.

- Continua após a publicidade -

Na parte do som, é preciso destacar, mais uma vez, a dublagem de Kevan Brighting, o narrador. A interpretação é de altíssima qualidade, com entonações de ironia, raiva, tristeza e alegria (sim, o narrador sente todas essas emoções) muito bem representadas. JÁ a trilha sonora é discreta e aparece em poucos momentos. Mas também é de qualidade, e, sempre que é tocada, contribui bem com o clima do jogo. No começo, transmite o mistério do prédio onde se passa o game, e varia o seu estilo dependendo das ações que o jogador tomar. 


Conclusão

Uma coisa que "The Stanley Parable" faz questão de fazer é criticar jogos que apresentam narrativas completamente lineares, onde as ações do jogador em nada impactam no enredo. E mais do que isso: é um jogo que mostra como se faz e experimenta com narrativas diferenciadas.

Definitivamente podemos dizer que foi uma ótima estreia da Galactic Cafe. Afinal, "The Stanley Parable" é, provavelmente, o jogo mais divertido lançado desde "Portal 2", pelo menos nos PCs. É um game diferente de todos jÁ feitos, com o qual dÁ para rir bastante. Mas só não espere muita ação.

- Continua após a publicidade -

PRÓS
Experimenta com narrativas não lineares
Roteiro inteligente e engraçado
Ótimo desenho de níveis faz jogabilidade fluir
GrÁficos acima da média de indies
CONTRAS
Poderia oferecer (ainda mais) alternativas de ações para o jogador
Tags
  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation 1. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia. Formado jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.