ANÁLISE: Moto G

ANÁLISE: Moto G

Houve uma época em que escolher um Android barato era o terror. Economizar pegando aparelhos mais obscuros resultava em experiências terríveis, com fabricantes que ignoravam qualquer noção de hardware necessário para o SO (como só colocar 256MB de RAM). O aparelho não valia a economia.


Mas as coisas mudaram e agora o Google vem implementando certificações com fabricantes, nas quais somente os aparelhos que atendem especificações básicas recebem a sua "benção". O que faltava era um produto "made by Google" que aquecesse a guerra de preços da mesma forma como o Nexus 7 fez na área dos tablets. Não falta mais.

O Moto G, smartphone lançado pela Motorola (agora "a Google Company") chegou com uma proposta parecida com a do Nexus tablet: um preço acessível sem abrir mão dos elementos que tornam agradável o uso do gadget. Também há algumas sacadas interessantes, de olho em mercados emergentes como o nosso: tem opções dual-sim e nem se deu ao trabalho de ter uma opção 4G. Considerando os preços e a disponibilidade do LTE no Brasil, nem pensar nesta tecnologia de rede faz sentido.


Moto G
Lumia 720
Xperia M Dual
Processador
Snapdragon 400, quad-core, 1.2GHz Snapdragon, dual-core, 1GHz Snapdragon S4 Plus dual-core 1GHz
Armazenamento
8GB (interna)
8GB (interna) +
64GB (microSD)

4GB (interna) +
32GB (microSD)
Memória RAM
1GB 512MB 1GB
Sistema operacional
Android 4.3
Windows Phone 8
Android 4.1
Câmeras
Traseira 5MP /
Frontal 1.3MP
Traseira 6.1MP / Frontal 1.3MP Traseira 5MP /
Frontal VGA
Tela
4.5" LCD
720x1280
4.3" IPS LCD
480x800
4' LCD TFT
480 x 854
Dimensões
129.9 x 65.9 x 11.6 mm 127.9 x 67.5 x 9 mm
124 x 62 x 9.3 mm
Peso
143g 128g 115g
Bateria
Li-Ion 2070 mAh Li-Ion 2000 mAh Li-Ion 1750 mAh
LTE

HDMI

NFC
Dois chips SIM
Preço (22/11/13)
R$ 649
R$ 799
R$ 799

Design e tela

Quem compra o Moto G pensando que vai levar um aparelho de acabamento "nas coxas" por se tratar de um smartphone de entrada vai ter uma boa surpresa. Ele possui um visual bem íntegro e com capricho nos detalhes. Sua ergonomia é muito boa, com uma leve curvatura na parte traseira e o uso de um plástico áspero. O G lembra bastante o Moto X, só um pouco mais pesado e grosso.

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A tela de 4.5" é de ótima qualidade, considerando o segmento em que está o Moto G. Com resolução HD, ela tem uma boa densidade de pixels, bons contrastes e, principalmente, é muito legível, mesmo se observamos a tela com bastante inclinação. Normalmente é aí que os "aparelhos baratos" dançam: basta inclinar um pouco a tela para que as cores fiquem muito distorcidas, algo que não acontece com este modelo. Apesar de não competir com os topo de linha e suas tecnologias IPS ou AMOLED, eu definitivamente não senti qualquer perda na qualidade da experiência de uso deste celular.

Performance e funcionalidades

Um ponto crítico em aparelhos Android de baixo custo é a sua performance. Felizmente, a Motorola não errou na mão: abasteceu o aparelho com 1GB de RAM, uma CPU quad-core de 1.2GHz e uma GPU Adreno 305. Este perfil resulta em um aparelho ágil, que não fica devendo muito para os smartphones topo de linha.


O smartphone consegue facilmente alternar entre aplicativos, manter games em segundo plano, rodar vídeo em FullHD e qualquer outra atividade cotidiana, sem engasgos ou travamentos.

Sua autonomia é dentro da média. Com conexão com internet constante se alternando entre 3G e WiFi, brilho máximo de tela, uso do GPS, alguns games e bastante navegação da internet, o Moto G ficou pouco mais de 36 horas ativo. Dá para ir mais longe com um uso moderado, mas o ideal é carregá-lo diariamente. Assim você não passa apertos, como ficar sem celular no meio do dia.

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Enquanto os topo de linha atacam com vários adicionais, caso do Galaxy S4 e o G2,  o Moto G é simples. O celular possui poucas modificações implementadas pela Motorola, e entre seus poucos diferenciais está o Assist, que automatiza ações como silenciar o celular durante a noite ou em reuniões. Outro adicional bacana é um recurso incomum neste segmento de preço: a tela tem proteção Gorilla Glass de terceira geração.

Multimídia e fotos

Chegamos na parte que a Motorola detesta, em reviews. Suas câmeras costumam levar a pior quando comparadas ao que Nokia, Samsung, Sony e Apple colocam em seus aparelhos, e o Moto G não chegou para mudar isto.

A câmera presente neste aparelho se limita a fazer o básico. Basta qualquer condição de luz fora do ideal para termos sérios problemas com granulação excessiva e obturação muito lenta, que resulta em muitas fotos borradas.




O foco do Moto G não é muito eficiente, e se deixar por conta dele o resultado pode não ser nem um pouco positivo. O jeito é definir manualmente o local onde quer que o smartphone ajuste a exposição e o foco da fotografia, para conseguir resultados mais interessantes.

 

O G fica em clara desvantagem, mesmo comparado a modelos mais baratos. No comparativo com o Lumia 520, em torno de 200 reais mais barato, o aparelho da Nokia se saiu melhor especialmente na eficiência do foco automático e nas fotos em condições de luz ruins. De vantagem para o Moto G, temos o flash de LED.

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Uma das coisas mais legais na minha opinião, é que apesar de gravar vídeos em apenas 30 quadros por segundo, ele possui um modo "câmera lenta". Mesmo com a baixa qualidade da imagem, o resultado das gravações é bem interessante, especialmente para quem quer capturar cenas com muita ação, como esportes. Outro ponto positivo é o suporte a HDR, algo que faz a diferença em fotos com muita diferença de claridade em áreas da cena.

Conclusão

O Moto G tem exatamente o necessário: um bom processador, 1GB de RAM e uma tela de resolução HD e boa qualidade. Com estas três coisas dá para ser muito feliz no mundo Android. Este aparelho se sai tão bem no uso cotidiano, que pode virar uma pedra no sapato dos intermediários e topos de linha, que vão precisar "suar mais" para justificar seus preços exorbitantes.

Mas nem tudo é flores: para entregar um aparelho barato, a Motorola fez seus cortes. Sem suporte a 4G, você vai precisar apostar em outros modelos "baratinhos" como o Lumia 625, se é um dos otimistas que acredita que um dia vai valer a pena o LTE por aqui. A memória é outro ponto crítico: sem expansão para cartões microSD, espaço pode virar um problema para quem optar pela versão com 8GB, que vai lotar rápido se você curte alguns games.

Outro problema do Moto G é quase uma tradição da Motorola: péssimas câmeras. A menor variação de luz faz a imagem granular totalmente, isto quando a foto não sai borrada. Se quer gastar pouco em um smartphone bom e barato, capaz de algumas fotos, o Lumia 520 vai te atender melhor, com um preço menor. Outras opções, entre os Androids, incluem modelos como o Xperia M, que só leva a melhor sobre o Moto G no quesito câmera e está 100 reais mais caro (ou seja, é opção só se você faz muita questão de fotos melhores).

Em sua faixa de preço, o Moto G é imbatível. Seus únicos concorrente estão lá pros lados do Windows Phone. Além do mais baratinho Lumia 520, o 720 briga "bonito" com o G, com um custo semelhante. Agora, se você faz questão do Android, e quer um aparelho de baixo custo (e não liga pra fotos), este smartphone da Motorola é o cara.

O Moto G é o aparelho de entrada Android ideal, que não compromete em nada a experiência do usuário. Só fica devendo uma entrada para um cartão microSD e uma câmera melhor

 

 

PRÓS
Boa tela
Design atraente para o segmento
Performance fluída
Gorilla Glass 3
Preço muito competitivo
CONTRAS
Não tem expansão para cartão microSD
"Motorola", "câmera" e "boa" continuam se recusando a existir na mesma frase
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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