ANÁLISE: Killzone: Shadow Fall

ANÁLISE: Killzone: Shadow Fall

"Killzone: Shadow Fall" marca a estreia da principal franquia de tiro em primeira pessoa dos consoles da Sony no Playstation 4. Desenvolvido pela Guerrilla Games, os principais destaques do jogo são os grÁficos lindíssimos e os modos acessíveis do multiplayer online, que infelizmente não conseguem compensar muito a história fraca e a falta de inovação em um gênero jÁ explorado aos limites pela indústria de jogos eletrônicos. Acompanhe a anÁlise do game, abaixo.


Enredo e Jogabilidade

"Killzone: Shadow Fall" acontece 30 anos após "Killzone 3". Agora, as raças inimigas Helghast e Velkan foram obrigadas a viver lado a lado num mesmo planeta, separadas apenas por uma grande muralha de concreto. Como cada uma delas têm suas próprias culturas e ambições bem definidas, é claro que, mais cedo ou mais tarde, as tropas militares de ambas logo entrariam em confronto. A trama do game se apoia nesse impasse a aventura inteira, passando a impressão forçada de que algo pandemônico estÁ acontecendo, embora não pareça.

Algumas - poucas - passagens até que são bem executadas e impressionam pelo volume de coisas acontecendo na tela ao mesmo tempo, mas faltam momentos marcantes que empolguem pelo contexto e estimulem o jogador a não desistir da partida tão cedo. Como os personagens centrais também são bem rasos e tudo é apresentado de uma forma arrastada e morna quase que do começo ao fim, fica um tanto complicado criar algum interesse no que vem pela frente. Fica claro que a premissa é satisfatoriamente boa, mas também fica evidente que poderia ter sido melhor trabalhada.



Na jogabilidade, "Killzone: Shadow Fall" agrada quase como um todo, trazendo a tradicional combinação de botões de jogos de tiro em primeira pessoa em consoles. Os comandos são precisos e Ágeis, exatamente como se espera de um game desse gênero. Praticamente não hÁ inovações aqui, exceto pelo uso do touchpad do controle do Playstation 4. Com ele, é possível invocar um drone e ordenar um ataque em massa (ou hackear dispositivos), usar uma corda como rapel, criar um escudo de energia temporÁrio e ativar uma onda de energia que deixa os inimigos confusos e à deriva por alguns segundos preciosos.

A princípio, o recurso é bem interessante, promissor e, de maneira geral, funciona, mas não estÁ livre de problemas. Além de levar um bom tempo para se acostumar, confunde no começo e muitas vezes compromete a fluência da partida e eleva bastante as chances de falha por demandar muita atenção durante os tiroteios, expondo você ao perigo desnecessariamente e por tempo o suficiente para levar chumbo grosso. A impressão que se tem, às vezes, é de que não se estÁ no controle total da ação, o que acaba comprometendo a imersão do jogador e atrapalhando nas horas mais tensas. 

E pela primeira vez na franquia, algumas das 11 missões do jogo são não-lineares, ou seja, permitem caminhos diferenciados para completar os objetivos primÁrios. A ordem em que eles precisam ser cumpridos não muda, mas essas missões, que acontecem sempre nas com cenÁrios mais abertos, trazem algumas alternativas de incursão que permitem completÁ-las de formas distintas. Tudo depende da escolha do jogador, que decide qual a melhor rota por conta própria, de acordo com o seu jeito de jogar. Por exemplo, em vez de abrir fogo direto numa Área mais exposta, é possível atravessar encanamentos na surdina ou invadir locais silenciosamente, sem alertar uma frota inteira de inimigos.

- Continua após a publicidade -

 

 

Tudo isso definitivamente traz um ar fresco muito-bem vindo à mecânica da série, mas não se engane: os tradicionais corredores típicos de jogos de tiro em primeira pessoa, que pedem para ir apenas de um ponto ao outro, continuam tão presentes quanto antes. Inclusive nos cenÁrios mais abertos, que tentam amenizar e disfarçar a linearidade com um maior distanciamento entre esses mesmos pontos. Além disso, o jogo não tem um sistema de furtividade que priorize a estratégia e instigue a ser um jogador silencioso ou cauteloso, o que tira boa parte da vontade de querer passar pelos desafios sem ser percebido.  

GrÁficos e Áudio

O ponto mais forte de "Killzone: Shadow Fall" são os grÁficos. A começar pelos cenÁrios, compostos por detalhes bem ricos, lindíssimos e bastante realistas. As texturas são bem apuradas e hÁ bastante capricho nos efeitos de luz, fumaça, partículas, Água, fogo e explosões. A ambientação futurista não é lÁ tão diferente dos jogos anteriores, com exceção de algumas Áreas mais abertas, e a presença de vegetação característica e de diferentes estruturas dos lugares resulta numa variação muito bem vinda para sair da monotonia visual. O que não é legal aqui são as expressões faciais bem robóticas dos personagens, que dificilmente transmitem alguma emoção durante as cenas. Ainda assim, o conjunto geral impressiona pela escala grandiosa de algumas Áreas e por causar impacto suficiente ao mostrar o potencial do console. 



No Áudio, o destaque vai todo para os efeitos de tiros e das explosões. Não é algo revolucionÁrio, é bastante realista e destoa da grande maioria dos outros games do gênero. A trilha sonora tem algumas composições legais que costumam aparecer em momentos mais marcantes durante a história mas, no geral, são apenas comuns e não são do tipo que ficam grudadas na cabeça por dias ou semanas seguidas. As vozes nas interpretações em inglês até que são convincentes e combinam com os personagens principais, embora boa parte das frases sejam ditas de maneira um pouco forçada e automÁtica. Não tivemos acesso à versão brasileira para conferir a dublagem nacional; portanto, não temos como analisÁ-la.

Multiplayer

- Continua após a publicidade -

Como também acontece nos outros games da franquia, o multiplayer online é um dos pontos fortes em Killzone: Shadow Fall". A ação rola solta e privilegia o trabalho em equipe em dois times com 12 jogadores cada. Antes das partidas começarem, é possível escolher entre três classes: Assault, Suppoort e Scout. Cada uma delas traz habilidades exclusivas que as diferenciam e as especializam em relação às outras. As classes dos outros jogos da série, como Médico e TÁtico, foram traduzidas em habilidades secundÁrias dentro dessas três classes centrais.

 

 

 

Todas as armas e habilidades jÁ vêm desbloqueadas desde o começo, não sendo necessÁrio gastar dezenas de horas de jogatina para ter acesso aos demais equipamentos. A decisão da Guerrilla Games em liberar tudo logo de início torna o multiplayer uma porção bem mais acessível que antes, principalmente para os jogadores que nunca testaram ou que gostariam de se familiarizar com a parte online. Mas certamente causa desmotivação nos mais dedicados, pois não se sentem recompensados pelo esforço em acumular experiência para usar algo a seu favor. 



No total, são 10 mapas ao todo que recriam partes da campanha solo. A maioria deles é grande o suficiente para permitir bolar estratégias junto com os outros amigos. HÁ esconderijos em vÁrios cantos, pontos aéreos perfeitos para ataques de suporte dos temidos atiradores de elite e pontos de encontro onde os tiroteios costumam ficar bem frenéticos. Também é possível criar seus próprios mapas, com direito a definição de regras para tempo, equipamentos e nível de energia. Embora leve algum tempo para se acostumar com todas as opções, é divertido e rende boas horas extras de entretenimento. E se quiser explorar ainda mais, basta tentar completar os 1595 desafios desse modo para ter ainda mais longevidade no game.  

- Continua após a publicidade -

Conclusão

Como título inicial do Playstation 4, "Killzone: Shadow Fall" agrada no conjunto da obra e cumpre a promessa de mostrar o potencial grÁfico da nova plataforma da Sony, dando uma boa ideia do que o visual dos jogos do console poderão apresentar no futuro. O multiplayer competitivo online diverte instantaneamente, tem profundidade de classes e longevidade o suficiente para entreter por dezenas de horas extras. Mas a histórica sem graça, carente de momentos marcantes, junto à falta de inovações na jogabilidade clÁssica de tiro em primeira pessoa comprometem boa parte da responsabilidade do game de ser o principal exclusivo no videogame.

 

 

PRÓS
GrÁficos excelentes
Jogabilidade precisa e bem intuitiva
Missões não-lineares em cenÁrios grandiosos são novidade
Multiplayer online bem acessível
CONTRAS
Histórica bem sem sal
Personagens rasos e faltam momentos impactantes
Uso do touchpad até funciona, mas confunde bastante e às vezes complica tudo
Expressões faciais muito robóticas
Trilha sonora não ajuda
Tags
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.