ANÁLISE: Pokémon X/Y

ANÁLISE: Pokémon X/Y

Eles demoraram, mas finalmente chegaram ao 3DS. "Pokémon", a franquia que sempre alavanca as vendas (e o tempo de uso) dos portÁteis da Nintendo chegou ao videogame 3D não só como um "upgrade" das versões anteriores, mas com uma repaginada completa. "Pokémon X/Y" com certeza é uma "mega evolução" da série ;)

Jogamos a versão X, mas a anÁlise vale para as duas - jÁ que, como de costume, o que muda entre uma e outra são alguns pokémons exclusivos de cada versão, o que inclui ao menos um monstrinho lendÁrio. Confira a seguir por que o novo episódio revitaliza completamente a série e pode ser um ótimo ponto de partida para quem ainda não se empolgou com os monstrinhos.

História

"Pokémon X/Y" continua super tradicional no enredo e na história. Não dÁ exatamente para dizer que é um roteiro forte, mas serve como um bom pano de fundo e incentivo para sair à caça dos pokémons. Na verdade, é uma releitura do que sempre vimos nos jogos da franquia: você entra na pele de um adolescente que mora com a mãe e se descobre pronto para iniciar uma jornada. O professor Sycamore quer que você veja o mÁximo de pokémons possíveis e colete todas as informações na Pokédex. Ou seja, você vai ter que sair batalhando, capturando e treinando monstros feito um louco.

Além disso, é claro, você terÁ que tornar-se um mestre Pokémon e derrotar os maiores treinadores da região de Kalos. São oito líderes de ginÁsio e mais a Elite Four da Liga Pokémon, o desafio final. No meio do caminho, você terÁ vÁrios desafios. Principalmente por conta do Team Flare, uma espécie de Equipe Rocket: um bando de malucos que se dedica fortemente a sabotar as coisas e atrapalhar você.

No início do jogo, você precisa escolher se serÁ um treinador ou treinadora, como em todos os jogos anteriores (desde a geração Gold/Silver). Mas agora, hÁ uma novidade: você pode customizar um pouco seu personagem, escolhendo o tom de pele e a cor do cabelo, por exemplo. E por toda a região de Kalos hÁ vÁrios salões e butiques nas quais você poderÁ mudar o penteado e a cor da cabeleira e até comprar roupas e acessórios novos. Não é algo essencial para o jogo, mas acrescenta bastante no sentido de tornar o gamer mais familiarizado e próximo de seu próprio personagem.  

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Jogabilidade e novidades

A jogabilidade também se mantém tradicional. "Pokémon X/Y" é, essencialmente, um RPG: você caminha por aí, encontra pokémons em batalhas aleatórias e, ao derrotÁ-los, seus monstrinhos sobem de nível. Isso não mudou. Mas a Game Freak acrescentou vÁrios elementos e balanceou outros, de modo que jogar "Pokémon" estÁ ainda mais divertido e agradÁvel, e o treinamento mais eficiente.

HÁ um total de 454 pokémons em Kalos. É interessante notar que a Pokédex é dividida em regiões para facilitar um pouco o seu trabalho e deixar as coisas mais organizadas, então não se assuste se, a princípio, o jogo der a impressão de que hÁ poucos monstrinhos para pegar. Além disso, ainda hÁ uma grande novidade: a mega evolução. Alguns pokémons, quando entram na batalha segurando um item específico (uma pedra específica que só funciona com determinado espécime) podem evoluir um estÁgio a mais além da sua forma final, ficando ainda mais poderosos. Você deve se lembrar dos pokémons da "velha guarda": Charmander, Bulbasaur e Squirtle, certo? Pois é, todos eles mega-evoluem! Mas a duração da "super forma" é limitada e termina assim que a batalha acaba. Depois disso, o monstrinho volta ao seu estado normal e só em outra luta ele poderÁ mega-evoluir novamente.

Por falar nisso, evoluir os pokémons estÁ um pouco menos cansativo em X/Y. No início da série, os monstrinhos só subiam de nível ao derrotar um oponente. Agora, eles também ganham experiência quando você captura um novo pokémon, o que torna o treino mais eficiente e a evolução menos demorada.

Também hÁ outra forma de treinar seus pokémons para melhorar individualmente cada atributo. Trata-se do Super Training, que aproveita os recursos da tela sensível ao toque do 3DS. Ele interrompe seu jogo normal para colocar o monstrinho de sua escolha em uma arena com um gigante pokémon inflÁvel. Seu objetivo é arremessar bolas nos pontos fracos do oponente para melhorar individualmente características como força, velocidade, defesa e quantidade de HP.



Isso também pode ser feito durante o gameplay normal, mas de outro jeito: na tela de cima, a aventura continua normalmente. Na touchscreen inferior você escolhe sacos de pancada, cada um específico para um atributo, e dÁ toques repetidos nele para treinar o pokémon, até o momento em que ele darÁ um super golpe final e melhorarÁ o atributo que você definiu. Esses sacos são obtidos aleatoriamente enquanto você joga, ou dados como recompensa ao completar os treinos na arena.

A tela de toque ainda ganhou outro propósito: divertir os pokémons no, digamos, "modo tamagotchi". É o novo Pokémon-Amie, que permite ao jogador dar um pouco de atenção ao bichinho, que não seja apenas colocÁ-lo para lutar. Com a stylus, você pode fazer carinho no pokémon, dar comida e jogar alguns minigames. Além disso, a câmera do portÁtil detecta seu rosto e o pokémon pede para você fazer algumas caretas. É bem patético fazer isso acompanhado, não tente.

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O Pokémon-Amie não é essencial para o game principal, mas deixar os pokémons felizes e com um o mÁximo de afeição pelo treinador pode ser bem vantajoso. O monstrinho fica um pouco mais eficiente e até consegue desviar de ataques com mais frequência, além de ganhar um pouco mais de experiência do que os demais. Mas o game também não faz a menor questão de explicar como tudo funciona, então você terÁ que aprender sozinho. A hora de utilizar a câmera tem uma curva de aprendizado bem complicada, porque nem sempre o portÁtil reconhece o rosto e a pose ridícula que o jogador estÁ fazendo.

A novidade, porém, é crucial para obter ao menos um pokémon no jogo: o Sylveon, uma nova evolução do Eevee, que também faz parte de um novo tipo de pokémon incluído na nova versão: o tipo fada, eficiente principalmente contra monstros do tipo dragão. O Eevee só evolui para essa nova forma se estiver com 100% de afeição ao seu treinador, algo que só se consegue usando o recurso.

GrÁficos e som

"Pokémon X/Y" ganhou um belo tapa no visual. Saem de cena os personagens nanicos e pixelados para dar vez a um mundo em três dimensões, avatares maiores e com mais definição e jogos de câmera bem interessantes: ao percorrer uma trilha extensa que leva a um castelo, por exemplo, o personagem é visto de longe, com uma bela visão do cenÁrio e do céu nos arredores. Um detalhe que deixou o jogo muito mais bonito e moderno.

O uso do 3D é interessante. A desenvolvedora optou por não deixÁ-lo ativo no jogo inteiro, mas apenas em momentos específicos. Enquanto você anda pelas cidades e pelas rotas, o 3DS automaticamente fica em modo 2D. O 3D é ativado na hora das batalhas, o que deixa o clima mais imersivo. Algumas cavernas também ficam em 3D quando você percorre o caminho com seu personagem. Mas, na maior parte do tempo, o game fica em duas dimensões. Uma opção para alterar isso seria bem-vinda, mas, tendo em vista que muita gente desativa o 3D quando joga por muito tempo, talvez essa decisão tenha sido inteligente.

Além de serem em 3D, as batalhas também estão com animações bem mais bonitas. Quem jogou os primeiros episódios se lembra dos monstros estÁticos, um de frente para o outro, e cabia à imaginação dar a "cara" dos golpes. Agora, os pokémons mexem as caudas, lançam folhas, voam, se enterram, tudo isso com interação com o cenÁrio e com detalhes bem visíveis. Cada golpe tem animações peculiares e diferentes das outras, o que mostra bastante empenho no desenvolvimento do game.

Ainda no aspecto grÁfico, é interessante perceber que alguns pokémons mudam de aparência de acordo com o gênero. Embora pokémons macho e fêmea existam desde as versões Gold e Silver, agora vÁrios monstrinhos ficam diferentes de acordo com o sexo. O Wobuffet, por exemplo, usa batom na sua versão fêmea, o que não deixa de ser um bocado hilÁrio.

O Áudio e a trilha sonora é o que se espera de qualquer "Pokémon". São melodias simples, mas que dão todo o clima para o jogo e grudam na cabeça - especialmente a música de batalha. Boa parte das canções são velhas conhecidas dos fãs da franquia, o que não deixa o jogo repetitivo. Na verdade, serve para o gamer se sentir em casa e reconhecer aspectos recorrentes da série, como o Centro Pokémon, por exemplo.

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Faltou um pouco mais de esmero apenas nas "vozes" dos pokémons, que continuam praticamente tão precÁrias quanto eram no GameBoy. Ainda quero ver um Pikachu gritando como no desenho, sério mesmo.

Multiplayer

"Pokémon X/Y" traz recursos online hÁ muito esperados pelos fãs da franquia. O Player Search System (PSS) é uma tela no display inferior que concentra todas as possibilidades. E é muito fÁcil batalhar e trocar pokémons online. Basta deixar seu 3DS conectado durante a jogatina que, na Área inferior, vão aparecer os gamers que também estão conectados. Basta tocar no avatar de qualquer um deles para escolher uma atividade.

É assim que você desafia pessoas do mundo inteiro para batalhas. Você pode determinar algumas regras (como a quantidade de pokémons usados e limitar ou não o uso de monstrinhos raros e especiais) e, então, procurar por algum oponente seguindo esses critérios. Você ainda pode optar pela Free Battle e a Rating Battle, esta última que permite enfrentar treinadores do seu nível.

Na Free Battle, você deve limitar o nível em que os combatentes estarão. É um pouco esquisito: não importa o quanto você tenha treinado o bichinho, eles irão aparecer, por exemplo, todos no nível 50, tanto os seus quanto o do seu oponente. Mas manterão os golpes que você ensinou. Isso significa que, caso seu oponente tenha bem mais tempo de jogo, apesar de os pokémons estarem no mesmo nível, terão golpes muito mais poderosos que o seu.

O Rating Battle é mais interessante, mas exige um registro no site http://www.pokemon-gl.com, logo, entrar em uma luta dessas não é tão prÁtico à primeira vista. 

Ao invés de lutar, você pode optar por trocar um pokémon com qualquer pessoa que encontrar no PSS. AliÁs, existem vÁrios modos de troca, o que incrementa bastante a experiência. O "Wonder Trade", por exemplo, é uma troca surpresa: você manda um pokémon de sua escolha e recebe outro, de maneira aleatória. 


A novidade mais interessante, porém, é o GTS. É uma espécie de banco de dados, algo como um "Classificados" de pokémon. Os jogadores cadastram o monstrinho que desejam, qual sexo e qual nível procuram, e você pode fazer o mesmo. Assim, fica fÁcil saber com quem trocar uma determinada espécie. Claro, hÁ um monte de malucos que oferecem um Pichu e querem um Articuno em troca - vai que cola, né?

Conclusão

"Pokémon X/Y" é tudo o que um fã de Pokémon pode desejar. Uma aventura extensa, com enredo bastante tradicional, embelezado por um visual bem mais refinado e moderno e uma trilha sonora nostÁlgica e envolvente. E, finalmente, com um modo multiplayer cheio de possibilidades - agora não existem desculpas para não trocar nenhum pokémon.

As batalhas online são uma ótima adição, mas ainda podem melhorar bastante, sem nivelar todos os pokémons para um único nível, o que tornaria as lutas pela Internet mais parecidas com os encontros durante o próprio jogo. Mas o sistema de trocas online foi a melhor coisa que poderia acontecer na série, especialmente o sistema GTS.

Apesar dos grÁficos lindos, que deixaram para trÁs aquela estética essencialmente 2D e bastante datada, o Áudio poderia ter sido melhor trabalhado. Mas esses pequenos detalhes passam quase despercebidos diante da imensidão que "Pokémon X/Y" é: com novos modos de jogo e muitas formas de treinar os pokémons, o game tem uma longevidade praticamente infinita.

PRÓS
GrÁficos remodelados e belas animações de luta
Sistema online para trocas super eficiente
Novas formas de treinar os pokémons
Longevidade enorme
CONTRAS
Inteligência artificial dos treinadores é baixa
Modo online ainda pode ser melhorado
Áudio um pouco pobre
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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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