ANÁLISE: Battlefield 4

ANÁLISE: Battlefield 4

"Battlefield" estÁ se volta! Depois da terceira edição, lançada hÁ 2 anos, que chegou arrasando quarteirões usando a até então inédita engine Frostbite 2, a quarta edição chega sem muitas surpresas. Por incrível que pareça, o jogo chega a ser inferior ao episódio anterior, principalmente na parte single-player.

O grande problema é que "Battlefield 3" inovou e revolucionou na engine, na física, no realismo, no som, nas tÁticas de jogo e ainda trouxe um single-player interessante, embora curto. Sendo assim, "Battlefield 4" teria também que inovar em muitas coisas para ter o mesmo impacto causado pelo antecessor, o que não é o caso. Mas isso não quer dizer que o jogo seja ruim. Muito pelo contrÁrio: "Battlefield 4" é um excelente jogo e você saberÁ os motivos ao ler essa anÁlise.


História

Mesmo que a franquia "Battlefield" seja originalmente um jogo multiplayer, é uma pena que a DICE ainda não dê muita atenção na parte single-player. O problema aqui é o fato da história ser incrivelmente curta, com apenas 7 missões, sendo que algumas delas nem variam muito de cenÁrio, o que acaba se tornando repetitiva mesmo com pouquíssimas missões.

Isso deixa claro que o modo single-player serve apenas para mostrar o poderio grÁfico da engine Frostbite 3.0. Isso fica mais óbvio ao jogar qualquer partida multiplayer: os grÁficos caem vertiginosamente, embora ainda continuem bons e rodando bem em qualquer mÁquina de 2 anos atrÁs.  

O jogo se passa em uma época em que as relações entre Estados Unidos e China se tornaram perigosas, com ameaças de ambos os lados, principalmente quando o futuro líder do país, Jin Jié, é assassinado e os Estados Unidos acusados pelo crime. Enquanto isso, na China, o comandante chinês Chang se aproveita da situação de "quase guerra" para aplicar um golpe militar e chegar ao poder.

No meio desse caos, o jogador assume o papel do Sargento Daniel Recker, membro de um grupo de soldados de elite conhecido como esquadrão Tombstone. O jogo começa exatamente com esse esquadrão em uma missão para coletar informações em Baku, no Azerbaijão, quando o seu time é descoberto e o jogador tem que fugir através dos ataques das tropas russas.


Sem entender a situação, o grupo descobre que um general russo - e desertor - confirmou que a Rússia estaria disposta a apoiar Chang em um golpe militar. Quando voltam ao porta-aviões americano USS Valkyrie, eles decidem ir para Xangai (China) com o objetivo de tirar algumas pessoas importantes do país. LÁ, encontram um misterioso casal chinês junto com um agente da CIA chamado Laszlo Kovic. À partir daí a história toma forma e qualquer coisa dita agora pode se tornar um spoiler. Tudo é bem previsível e na metade do jogo jÁ dÁ para perceber qual serÁ o final.

Com a poderosa engine Frostbite 3 e os armamentos que o jogo possui, assim como as dezenas de veículos, o modo single-player poderia ser épico, o que agradaria uma gama maior de jogadores. Pena que não seja bem assim.

Jogabilidade e Multiplayer

Todos os jogos da franquia "Battlefield" sempre tiverem a mesma qualidade na jogabilidade. É de fato uma marca registrada e o ponto forte da série, principalmente no uso - e abuso - de veículos de todos os tipos. Sejam terrestres, aquÁticos ou aéreos. O limitadíssimo modo single-player não traz nem 10% do que o jogo oferece em material bélico, o que é uma pena. Mas mesmo assim, existem momentos espetaculares e frenéticos na campanha, que realmente tiram o fôlego. Isso demonstra que "Battlefield" tem potencial para um single-player arrebatador.

Por outro lado, o multiplayer cresce e se aprimora a cada nova edição. O grande destaque dessa vez é a destruição quase que total do cenÁrio, em grande escala, criando a possibilidade de usar novas tÁticas e/ou mudÁ-las forçadamente quando menos se espera. Para se ter uma ideia, existem momentos épicos como, por exemplo, quando um hotel desaba quase inteiramente abrindo caminho para o fogo inimigo, ou quando uma represa é totalmente destruída, levando tudo que estÁ pela frente, incluindo os jogadores.

A versão PC suporta até 64 jogadores e hÁ oito modos de jogo: Conquest Large, Conquest, Obliteration, Domination, Rush, Squad DM, Team DM e Defuse. De todos os modos, o destaque fica com o inédito Obliteration, onde as equipes lutam entre si para capturar uma determinada bomba e usÁ-la para explodir as posições inimigas.

"Battlefield 4" traz um total de 10 mapas, cada um com suas peculiaridades. são eles: Zavod 311, Lancang Dam, Flood Zone, Golmud Railway, Paracel Storm, Operation Locker, Hainan Resort, Siege of Shanghai, Rogue Transmission e Dawnbreaker.


O mais interessante na parte multiplayer é que o jogador poder ser novamente o Comandante de sua equipe. Nesse caso, ele controla a sua equipe dando ordens de como, quando e onde ir, usando uma visão de um painel estratégico como se tivesse em um tablet. Ele pode ainda enviar reforços para um determinado local onde sua equipe estÁ sendo atacada, dependendo do modo de jogo que tiver jogando, claro.

GrÁficos e Áudio

A minúscula parte single-player serve ao menos para mostrar o potencial grÁfico da nova versão da engine Frostbite com suporte total ao DirectX 11.1. Como a engine é a mesma de "Battlefield 3", o jogador vai se familiarizar com os grÁficos de 2 anos atrÁs, com os efeitos de iluminação - aquela película que simula poeira ao olhar para algum spot de luz -, com a qualidade de sombras e ainda a convincente animação corporal e da face dos personagens. O visual é maravilhoso, com a adição de pequenos detalhes visuais e uma melhor otimização, que deixa o jogo mais suave e fluido.


- Continua após a publicidade -

A primeira coisa que se nota nesta nova versão é o efeito de clima, seja uma ventania, um temporal ou um tufão quase devastador. O efeito gerado pelos ventos é de encher os olhos de tal forma que o jogador para por alguns segundos - que podem ser fatais - apenas para olhar a sua volta e vislumbrar o cenÁrio.

Outro ponto bastante aprimorado é a destruição dos cenÁrios. Agora praticamente tudo pode ser destruído, seja um muro, uma parede, até uma enorme pedra. Isso cria uma outra forma de pensar na estratégia, porque o jogador pode achar que estÁ seguro e, na verdade, em um segundo tudo pode ir abaixo.

A engine Frostbite é extremamente poderosa e com certeza ainda vai durar muito anos, até porque vÁrios jogos estão sendo produzidos com esta nova versão. Mas hÁ problemas nela, que vão desde personagens presos em paredes ou objetos, até armas e corpos que flutuam pelo cenÁrio depois de mortos.

JÁ a pior coisa é o mar do modo single-player. Chega a ser absurda a péssima qualidade nas missões que se passam em alto mar. Parecem bolhas que vão crescendo e diminuindo em um ritmo fixo, tentando simular ondas. Realmente feio, à ponto de assustar e destoar completamente do resto do jogo. EstÁ na hora da DICE ter umas aulinhas com a Rockstar de como criar uma Água realista sem precisar usar tecnologias avançadas. O cruioso é que, no modo multiplayer, o mar estÁ bem mais bonito e com um toque mais realista, embora ainda continue aquém de outros jogos do mercado.


A texturização do jogo estÁ bem melhor. Agora é possível até identificar o tipo de material usado para "tecer" as roupas dos personagens. A qualidade estÁ absurda na maioria das texturas dos cenÁrios, embora algumas ainda deixem a desejar como, por exemplo, as texturas do chão. Isso é curioso porque em alguns cenÁrios, essas texturas do solo estão impecÁveis, jÁ em outros ficam extremamente borradas. Fica evidente a falta de comprometimento com o single-player.


Na parte do Áudio, a grande novidade é ter pela primeira vez uma dublagem brasileira e com dois atores famosos:  Dan Stulbach e André Ramiro, o inesquecível Tenente Mathias dos filmes "Tropa de Elite". O problema na dublagem é que a voz de Dan Stulbach definitivamente não combina com o personagem Clayton "Pac", destoa do clima do jogo, não passa determinação e força que se exige em uma guerra. JÁ voz de André Ramiro, combina perfeitamente com o personagem Kimble "Irish" Graves, inclusive usa jargão do filme Tropa de Elite, o que dÁ um tom mais realístico no jogo. Ele fala palavrão, reclama, dÁ bronca nos soldados, é grosseiro em vÁrios momentos e com certeza é o maior destaque da dublagem e condiz exatamente com o que a situação de caos exige.

O som dos tiros, explosões, destruições, vento, passos, e muitas coisas estão incríveis. Ao usar um sistema de som com suporte 5.1, a sensação é de estar em uma guerra de verdade. Cada arma tem um som diferente, incluindo o manuseio e os tiros. E alguns deles chegam a assustar de verdade. Isso sem falar no impacto delas nos muros, paredes e objetos, perto do jogador. O jÁ conhecido modo "som de guerra" de Battlefield traz outro realismo que pode até ser perturbador para quem não estÁ acostumado com jogos desse tipo. Nesse caso, o som fica quase todo distorcido, com zumbido ao fundo, vozes quase imperceptíveis, e som dos tiros quase ensurdecedores, assim como deve ser em uma guerra.


Conclusão

Tirando o modo história, "Battlefield 4" é realmente um ótimo jogo multiplayer, assim como toda a franquia. As novidades ficam por conta de alguns aprimoramentos visuais e as destruições em larga escala que afetam diretamente à jogabilidade.

A dublagem brasileira é uma grata novidade. Ela cria uma maior imersão principalmente no modo single-player, com as vozes de André Ramiro e Dan Stulbach, além de outros dubladores famosos. Os efeitos sonoros são dignos de aplausos, com uma qualidade tão absurda que chega a assustar em alguns momentos de intenso tiroteio.

Apesar disso tudo, é uma pena que a DICE não se aprofunde mais no modo campanha na franquia "Battlefield". Com o potencial da nova versão da Frostbite 3.0, fazer um single-player curtíssimo e limitado é decepcionante. Teria tudo para ser épico, e assim agradar à gregos e troianos.


PRÓS
Jogabilidade se mantém clÁssica
Destruição em larga escala
Som assustador de tão realista
Dublagem é muito bem vinda
Multiplayer
Efeitos de clima são fabulosos
CONTRAS
Single-player curto demais
História cheia de clichê e previsível
Mar feio demais para um jogo desse porte
Tags
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.