ANÁLISE: F1 2013

ANÁLISE: F1 2013

Como de praxe, a cada ano uma nova edição do simulador de Fórmula 1 da Codemasters é lançado para o PC e consoles. O grande problema é que esse tipo de lançamento gera desconfiança por ser sempre muito parecido com o game do ano anterior, vide "FIFA 14", "NBA 2K14", dentre outros. Embora continuem sendo bons, eles não são nada além do que uma simples atualização. E poderiam ser vendidos como tal.

Desde que a Codemasters comprou os direitos de produzir games oficiais da Fórmula 1, ela padece do mesmo problema com os lançamentos a cada ano, em que não hÁ novidades em relação ao game anterior que justifiquem uma nova compra. Pelo menos não no lançamento, quando o valor é mais alto. Desta forma, é inevitÁvel escrever uma review comparando com os games anteriores.


Em "F1 2013" ela foge à regra e pela primeira vez renova a franquia por completo. Nenhuma das edições teve tanta novidade quanto em F1 2013, a começar pela inclusão de um modo ClÁssico onde foram reproduzidos carros icônicos das décadas de 80 e 90, incluindo a Willians FW18B de 96, Ferrari F399 de 99, Ferrari F1-87-88C de 88 e a famosa Lotus 98T preta de 85, dentro outros mais.

Falando em pilotos, temos grandes nomes da Fórmula 1 do passado, como Alan Jones, Alain Prost, Satoru Nakajima, Jacques Villeneuve, Eddie Irvine, David Coulthard, Jean Alesi, Nigel Mansell, Mario Andretti, Damom Hill, Gerhard Berger, Emerson Fittipaldi, Mika Hakkinen, Michael Schumaker, Ivan Capelli, Jody Scheckter e Ralf Schumacher.

Obviamente que a principal falha é não ter o grande Ayrton Senna. Mesmo com problemas nas questões contratuais, a Codemasters poderia ter feito mas esforço para ter o campeão, considerado pela maioria dos pilotos e especialistas, como o melhor piloto da história da Fórmula 1.

Embora poucos, o jogo traz quatro circuitos clÁssicos como, Jerez de La Frontera na Espanha, Brands Hatch na Inglaterra, Estoril em Portugal e Ímola (antigo San Marino) na ItÁlia. Todos minuciosamente detalhados, com características - e problemas - da época.


Jogabilidade e Multiplayer

F1 2013 traz de volta o elogiado modo Grande Prêmio (Grand Prix) que ficou de fora da última edição. Este modo coloca o jogador na pele de um piloto real, podendo correr em apenas uma corrida ou uma temporada inteira. É um dos melhores modos de jogo single-player, principalmente para quem é fã de algum piloto da temporada deste ano, sentindo na pele como é ser um piloto real.

O modo Teste de Jovens Pilotos, que apareceu na edição anterior como novidade, continua em "F1 2013". Quem jogou a versão 2012 poderÁ pular a primeira etapa e seguir direto para a segunda que tem uma dificuldade bem mais elevada. Na verdade esse modo é bem curto e questionÁvel, jÁ que não faz diferença alguma para o jogador, seja completando ou não. Poderia ser mais interessante, caso afetasse diretamente outros modos, ou habilitasse algum extra para o jogo. O único fator de interesse é que este modo é baseado em um evento real, onde pilotos bem jovens participam com o sonho de um dia chegar à Fórmula 1. Pode ser mais interessante para quem não conhece a modalidade.


Além desses modos jÁ citados, existem vÁrios outros como o Modo de CenÁrios. Neste modo o jogador começa na temporada de estreia enfrentando os desafios mais comuns e completando os objetivos propostos,  como chegar 10 segundos à frente de um determinado piloto, conseguir marcar pontos na corrida, recuperar-se de uma parada tardia, dentre outras coisas. São situações reais que acontecem durante uma temporada, e conforme o jogador completa a temporada, outras vão se abrindo com objetivos mais difíceis.

Falando na jogabilidade de fato, ela mudou em vÁrios aspectos. A dificuldade de controlar um F1 em alta velocidade foi diminuída, seja em uma reta ou fazendo uma curva. Agora fica mais fÁcil controlar o bólido ao sair de uma curva em alta velocidade quando o carro sair de traseira. O carro se mantém bem mais estÁvel do que nos games anteriores, o que pode atrair mais público, principalmente os que achavam o F1 difícil de pilotar.

O interessante é que, embora "pareça" mais arcade do que nunca, F1 2013 é a edição mais gostosa de jogar. Tudo em relação à jogabilidade foi aprimorada. Desde o uso do Kers e DRS, até o uso do vÁcuo quando se estÁ atrÁs de algum carro em alta velocidade.


Existem diferenças enormes entre pilotar os carros atuais e os antigos. Isso é um atrativo à parte. Percebe-se claramente a dificuldade que era pilotar esses carros dos anos 80, onde não havia os aperfeiçoamentos que existem hoje. Naquela época, o piloto que vencia era o que tinha o melhor "braço", literalmente. E o F1 2013 mostra bem isso, com as dificuldades dos traçados, trepidação devido às ondulações da pista e a instabilidade de cada veículo.

O ideal é usar um volante, mesmo que não seja o top de linha. Nos testes foram usados dois deles: um G27 da Logitech e um Ferrari 458 Italia da Thrustmaster, que não tem Force Feedback. Os resultados foram ótimos, mas no G27 foi preciso diminuir MUITO o Force Feedback para que ficasse jogÁvel. No padrão do jogo, é praticamente impossível controlar o carro devido a força que o volante faz, o que torna bem irreal. Mas isso pode ser contornado através do driver da Logitech, que também pode mudar a rotação do volante para ficar igual aos da Fórmula 1.

O Multiplayer se mantém interessante com o uso da RaceNet onde, agora, é possível criar eventos diretamente no site da Codemaster e enviar para o jogo. Além disso, as corridas online suportam até 16 jogadores e mais 6 IA para completar o grid de 22. Isso seria interessante se a IA se comportasse adequadamente em uma corrida, o que não é o caso. Portanto, o melhor é correr sem IA mesmo.

Como a Codemasters não é boba, ela oferece um carro secreto para quem se cadastrar na RaceNet e logar de dentro do jogo. Vale à pena, porque o carro é icônico da década de 70. Mas é claro que não iremos estragar a surpresa e dizer qual é.

GrÁficos e Áudio


O grande surpresa do "F1 2013" são os grÁficos. As texturas melhoraram sensivelmente, estão todas em altíssima definição, sem aquele "borramento" típico quando se aproxima a câmera. O visual geral é incrível e os carros estão extremamente bem modelados, principalmente os antigos da década de 80 e 90, em que é possível ver em detalhes o motor traseiro.

Embora a engine seja a mesma, a qualidade grÁfica melhorou em tudo, não apenas nas texturas mas também nas animações, efeitos de chuva, mudanças climÁticas, damage, detalhes dos cockpits e até nas luvas dos pilotos, onde é possível ver as costuras. Para ficar melhor ainda, a Codemasters caprichou e o jogo foi todo otimizado, ficando mais leve que os anteriores.

O jogo se mantém dublado, exatamente igual a versão anterior de 2012, com a mesma qualidade, mesmo dublador e mesmo som característico de cada carro "atual". "Atual" porque ao pilotar os carros antigos, percebe-se o trabalho impecÁvel da Codemasters em reproduzir o ronco dos motores da época. É bem interessante procurar vídeos reais de cada carro no Youtube e comparar com o jogo, e perceber a diferença enorme de cada som, seja carros dos anos 80, 90 e os atuais de 2013.


Conclusão

"F1 2013" é, sem dúvida, o melhor game de Fórmula 1 jÁ produzido. Dessa vez a Codemasters se superou e juntou tudo de melhor dos jogos anteriores em um game. O visual é bem superior em relação aos anteriores e vale lembrar que, se você comprar a versão para console, também se surpreenderÁ com o grÁfico renovado.

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A jogabilidade melhorou bastante, tornando o game mais acessível, mesclando com sabedoria o toque de simulador com algumas características arcade. Para quem gosta de corrida, ou fã de Fórmula 1 e conhece a história da categoria, F1 2013 é imperdível devido à inclusão do modo ClÁssico, o ponto alto do jogo.


PRÓS
Modo ClÁssico é sensacional
Jogabilidade melhorada
GrÁficos mais detalhados
Ronco dos motores dos carros das décadas de 80/90
CONTRAS
Faltou Ayrton Senna
Apenas quatro pistas antigas
Faltaram Copersucar e Brabham
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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