ANÁLISE: Total War: Rome II

ANÁLISE: Total War: Rome II

Assim como jÁ aconteceu em outros games, como em Medieval II e Shogun II, a série Total War revisita um período histórico em "Rome II: Total War". O jogo é uma repaginada do Rome original, lançado em 2004, incorporando todas as evoluções que a série desenvolveu nos games lançados neste intervalo. A SEGA disponibilizou gentilmente uma key para testarmos o game, então vamos a review!

Jogabilidade

O elemento mais marcante da franquia Total War, como é de se esperar, segue presente em Rome II. O game varia entre duas mecânicas clÁssicas dos jogos de estratégia para PC, sendo que a campanha se desenvolve em um mapa, onde o jogador administra e evoluiu suas cidades e produz e desloca seus exércitos em turnos, estilo bem familiar ao presente em séries como Civilization, enquanto as batalhas nos trazem para os detalhes do combate em um mapa com o formato RTS (estratégia em tempo real), onde você pode dar as ordens a suas tropas e ver o desenrolar da batalha.

Esta mescla traz tanto a parte lenta e tÁtica do mapa da campanha, quanto a emoção dos combates, onde o jogador pode até compensar a falta de tropas com uma estratégia eficaz. Este formato "2 em 1" traz um efeito negativo que tem sido inevitÁvel ao longo de todos os games da franquia: as "telas de carregando". Como saltamos de um mapa tÁtico (que neste game, estÁ bem complexo) para o cenÁrio da batalha (que também não fica muito atrÁs nos detalhes), o computador precisa de um bom tempo entre cada elemento. O jeito mesmo é minimizar o game e fazer outra coisa, enquanto esperamos este loading.

No mapa tÁtico, Rome II incluiu uma série de recursos tanto no deslocamento de tropas quanto na administração das cidades. Agora o recrutamento é feito obrigatoriamente por generais, e existem diferentes formas de deslocamento: seja por marcha forçada, que aumenta o campo das tropas em um turno mas reduz sua moral, ou com o modo "saque", onde as tropas pilham as regiões por onde passam (e como é de se esperar, não ganham a simpatia da população local, no processo).

Além das tropas, as cidades ganharam novos elementos. Agora elas estão dentro de províncias, e conquistar todo o conjunto de assentamentos que compõem uma região trazem diversos adicionais. Este agrupamento simplificou bastante a administração, sendo que conseguimos administrar até quatro cidades em apenas uma tela. As regiões em seus domínios recebem influências de suas construções de formas mais complexas, e agora é preciso equilibrar elementos como crescimento populacional, oferta de alimentos, recrutamento de tropas e "felicidade da população". Até mesmo diferenças culturais irão influenciar aqui, e também na diplomacia entre nações. 

O game melhorou muito em suas telas, além da administração. Basta colocar o mouse sobre algo e aguardar um pouco para que praticamente todo os aspectos do jogo sejam detalhados, e se ainda houver dúvida, basta clicar com o botão direito do mouse para abrir o "wiki" do game, com a descrição detalhada e até mesmo informações históricas sobre "a coisa" em questão.

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O grande destaque do game, na hora dos combates, é uma maior ligação entre os combates terrestres e marítimos, algo sem precedentes na franquia. Isto modifica a forma como as tropas se deslocam no mapa tÁtico, com barcos "desembarcando" em cidades, assim como legiões "cortando caminho" pela Água. Nas batalhas, a influência é ainda maior: é possível tomar cidades fortificadas invadindo o porto, ou reforços podem vir pela Água, desembarcar e fazer a diferença em terra. Esta novidade muda muito a dinâmica do jogo de uma forma muito empolgante, o único problema é um velho conhecido da franquia: os bugs.

JÁ vi tropas adversÁrias se encostarem sem se atacar, também fiquei sem dois grupos indispensÁveis de infantaria porque, depois de atracar, eles "se recusava" a sair do barco. Erros assim não são novidade na série Total War, e momentos bugados não são inesperados pelos fãs destes games. JÁ nos acostumamos a vencer (ou perder) batalhas por detalhes estranhos como estes.

A inteligência artificial fica longe de merecer este nome. No mapa da campanha, seu comportamento na diplomacia e posicionamento das tropas é regular, mas nas batalhas as coisas ficam completamente sem sentido. Exércitos inteiros subitamente decidem que todo mundo estÁ fora do lugar, e o resultado é um verdadeiro espetÁculo onde cinco mil pessoas decidem que "o último grupo de infantaria da esquerda fica melhor na direita, e vice e versa". A artilharia fica constantemente exposta e a única estratégia que o computador parece capaz de fazer é mandar a cavalaria bater nos flancos, e a infantaria no meio.

A IA pode achar uma boa ideia jogar sua cavalaria pra cima desta galera 

Muitas vezes, o PC nem é capaz de reconhecer que estÁ em vantagem atacando a distância, e manda suas tropas "ir pra cima" quando são, em sua maioria, arqueiros ou balistas. Em outros momentos, a inteligência artificial simplesmente para um ataque, e fica imóvel até o fim do combate, o que resulta na derrota do computador. Múltiplas tropas em campo tornam tudo ainda pior: a inteligência artificial não consegue manter um trabalho conjunto entre as tropas, e aí fica fÁcil: é só bater em uma de cada vez para vencer uma batalha.

História

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Se por um lado temos adições, Rome II traz uma série de "cortes" em relação ao game anterior tematizado em Roma. Enquanto o game original retratava o conflito entre famílias dominantes do governo romano e o senado, relações complexas como a Árvore genealógica e o líder de sua facção e também conflitos como guerras civis, o novo jogo desapareceu com estes elementos. A atuação do senado estÁ bem mais limitada: você nota sua presença, na maioria das vezes, quando surgem missões pedidas pelo corpo político.

O Rome II ainda mantém elementos como familiares, influência política de seus parentes e até mesmo mecanismos de adoção de pessoas, ou de casamentos para incluir pessoas influentes entre seus parentes. E tudo isto tem um impacto tão pequeno no gameplay que, se você não procurar nos menus, nem se darÁ conta que existe! Em alguns momentos podem surgir intrigas políticas, que levarão o jogar a ter que optar pela forma de solucionÁ-las, e a opção escolhida influencia no próximo turno (positivamente ou negativamente).

O jogo incluiu batalhas históricas, com direito a uma explicação do contexto do embate antes de começar a luta, e hÁ também uma espécie de "campanha tutorial" com alguns elementos históricos. São adições interessantes, mas acho que a The Creative Assembly poderia agregar mais da história ao game, seja em modos diferenciados ou mesmo na campanha.

GrÁficos

Rome II é o game graficamente mais impressionante da série Total War. Desde batalhas em campo aberto, com nada além da vegetação e a topografia, até a tomada de cidades gigantescas, o game chama a atenção pela complexidade e os detalhes. Basta mudar o zoom para ter desde a vista aérea das tropas se deslocando até o detalhe de um soldado sendo "finalizado" pela infantaria.


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The Creative Assembly foi bastante minuciosa na recriação das cidades, dos cenÁrios e, principalmente, da movimentação e do comportamento das tropas. É possível ver até mesmo detalhes de como os soldados se portavam, com direito a "formação tartaruga" e até mesmo os pilos atirados pelas legiões romanas antes de começar o combate corpo-a-corpo.

O capricho na criação de personagens e cenÁrios, porém, esbarram em problemas técnicos. Muitas vezes, as texturas carregam com bastante atraso, os quadros por segundo caem a níveis perceptíveis e, pra piorar, bugs surgem de tempos em tempos para dar um efeito cômico acidental ao jogo. O pior é que estas falhas atingem todos os perfis de hardware, e mesmo um eventual computador superpotente não escaparÁ das falhas grÁficas ou da lentidão  se colocar a qualidade no limite mÁximo.

Multiplayer

O Rome II possui duas formas de multiplayer: a batalha e a campanha. O modo batalha é dentro do que jÁ vimos ao longo dos games anteriores, com direito a criar um lobby, chamar um número de adversÁrio, definir condições como recursos e então cair "na porrada". O modo campanha é um pouco diferente: você chama outro jogador para participar da "experiência completa" do Total War, podendo ser uma partida cooperativa ou "cada um por si". Também é possível definir limites de tempo para movimentos e para as batalhas, ou mesmo forçar a "simulação" de todos os combates.

Apesar destes ajustes, o game por turnos torna tudo um pouco lento, ainda mais somado a tempo de carregamento das fases e cenÁrios. Alguns jogadores também reclamam de problemas de sincronia, algo que desmotiva usar este modo. Eu arriscaria ao menos uma partida com algum amigo, mantendo no modo janela para você poder fazer outras coisas enquanto o outro jogador faz sua rodada, ou nos carregamentos.

Além das partidas online, o multiplayer estÁ limitado a trazer um ranking entre todos os jogadores, que varia de acordo com suas conquistas nas partidas. Comparado ao Shogun II, que trazia recursos como evolução de personagem e um avatar customizado, é possível notar que a Sega não foi longe na hora de investir no modo multijogador. DÁ para gastar algumas horas a mais, por aqui, mas não é um destaque do jogo.

Conclusão

Entre minhas vÁrias choradeiras ao longo do texto, especialmente sobre bugs e a "burrice artificial", talvez vocês se enganem sobre minha experiência geral: este é o melhor jogo da franquia. As adições em relação a administração das cidades e províncias, movimentação de tropas e complexidade das batalhas "anfíbias" modificaram a série Total War de formas empolgantes, e em vÁrios momentos Rome II, como na captura de uma cidade enorme ou em uma batalha gigantesca, jogar este game é muito prazeroso.

Mas, então, os males crônicos da franquia atacam. Personagens atravessam paredes, flutuam, param sem motivos. O computador decide posicionar seu exército costas para você ou repete pela 1.23 x 10²¹³ vez o mesmo estilo de ataque, inclusive quando ele não faz sentido em relação ao tipo de tropas que ele possui. Estas coisas chegam a estragar a imersão do jogo, e o que tinha tudo para ser o jogo mais épico de estratégia jÁ feito esbarra nas limitações de seus desenvolvedores, e que agora remendam um jogo com cara de "fase beta".

Apesar de desinteressante em alguns momentos (não gosto da temÁtica), o Shogun II é um game que mostrava uma série de melhorias nestes aspectos, e adicionais interessantes como vÁrias cutscenes, que simplesmente foram reduzidas neste novo game. A mecânica do Total War jÁ cativou vÁrios (me incluo neste grupo), mas precisa deixar de ser tão "bugado", se quer ir além de sua base de fãs e realmente se tornar um sucesso comercial maior.

Como se trata de um software, vamos torcer para que a The Creative Assembly corrija muitas das falhas em futuros patches para o game, que por sinal vem sendo lançados "a toque de caixa" (muitas vezes, dÁ para desconfiar que foi neste ritmo que o game foi feito, no final das contas). O que irrita é que algumas correções causam situações como a recomendada do patch número 4: "para aproveitar todas as novidades e correções, comece uma nova campanha". RÁ! Depois que um gamer comprometeu horas de seu gameplay em algo, não se pode pedir para ele começar de novo (né Rockstar?). Mais de um mês depois do lançamento, a impressão que temos é que Rome II é um game ainda em desenvolvimento.

Se você estÁ na dúvida, na hora da compra, eu pensaria da seguinte forma: se você gosta de games de estratégia, a compra de Rome II é muito interessante, pois em vÁrios aspectos este é o melhor jogo da franquia, e a mecânica "RTS + mapa tÁtico" tem potencial para divertir. Caso você jÁ seja fã de Total War, este game também é uma parada obrigatória, por conta de seus pontos fortes. Os pontos fracos, infelizmente, jÁ são bem conhecidos desde outros games da franquia e muitos de nós jÁ estão inclusive conformados com eles.

Se não se encaixa em nenhum destes perfis, ou prefere esperar que a The Creative Assembly termine de fazer ajeitar o jogo, deixe para depois, quando aparecer em promoção no Steam. Nestas horas, gostaria de ter um selo "Recomendado... para depois", em nossas reviews. Com um patch por semana, como tem sido, ele deve ficar bom daqui uns meses.

PRÓS
Mapa tÁtico mais complexo
Administração de províncias melhorada
CenÁrios de batalha mais detalhados
Batalhas unem combate em terra e mar
CONTRAS
A inteligência artificial passa perto de arruinar o jogo
Bugs nos grÁficos, bugs no gameplay... eles estão por toda a
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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