ANÁLISE: Lost Planet 3

ANÁLISE: Lost Planet 3

Desenvolvido pela Spark Unlimited, "Lost Planet 3" é a nova aposta da Capcom para a franquia de tiro em terceira pessoa surgida em 2006. Embora tenha o número 3 no título, o game é, na verdade, um prequel ao primeiro jogo da série e, assim como o original, se esforça a todo momento para fazer da história o ponto central ao mesmo tempo em que equilibra tiroteios contra alienígenas de todos os tipos, formas e tamanhos. A fórmula agrada num primeiro momento, mas logo se torna desinteressante porque alguns pontos falhos prejudicam grande parte da diversão e acabam não empolgando em praticamente nada no conjunto da obra.


Versão analisada: Playstation 3, cedida gentilmente pela Capcom Brasil


História e Jogabilidade

"Lost Planet 3" conta a história de como Jim Peyton resolveu se arriscar numa viagem especial até o gélido planeta EDN III. Pai de família em busca uma bela guinada na carreira, o especialista em exploração e extração de minérios chega ao local pensando que vai ter momentos tranquilos, mas acaba descobrindo que nem tudo serÁ tão simples e calmo quanto realmente parece. Peyton tem uma personalidade agradÁvel que se torna agradÁvel companhar seus dilemas, dificuldades, saudades de casa (da esposa e do filho) e suas preocupações quanto ao bem-estar da colônia terrÁquea hospedada no local. 

Quando descobre que existem outros habitantes desconhecidos, aos olhos do jogador, vivendo no local, tudo se torna mais interessante porque o enredo também passa a girar em torno da situação, desfocando parte do perigo vindo dos alienígenas (Akrids) para uma ameaça humana. Para além de Peyton, alguns personagens secundÁrios também são legais de conhecer e acompanhar suas trajetórias. Alguns deles são muito bem humorados e têm estilos próprios de se expressar, com piadas que não se tornam exageradas. Mas fora essa perspectiva mais pessoal dos personagens, as sequências de eventos do game não chegam a se tornar marcantes e realmente não empolgam como um todo. Muitas das situações são bem previsíveis (algo sempre dÁ errado no meio do caminho) e o desenrolar da trama é meio lento.   

Nos controles, "Lost Planet 3" manda bem com uma boa combinações de botões. Os comandos não são muitos, mas leva-se um tempo até aprender a dinâmica de todos os recursos, dependendo do que você vier a fazer. O clÁssico tiroteio em terceira pessoa estÁ aqui, com mira e câmera livres. Você tem a liberdade para ir onde quiser, desde que seja dentro do perímetro de ação dos cenÁrios, que costumam ser bem lineares e tentam fazer você acreditar o tempo todo que você estÁ num vasto ambiente e que pode ser explorado da maneira como desejar. Infelizmente, não é bem assim. Primeiro porque não hÁ muito o que ser explorado e a repetição do ambientes abala parte da diversão final.

As missões também não costumam ser das mais criativas: saia da sua base, fale com algumas pessoas, conserte equipamentos para fazer restabelecer a comunicação local, escale paredões ou desça em precipícios, enfrente hordas de inimigos genéricos, faça o caminho inverso, volte para o centro de operações, recarregue e prepare-se para o próximo objetivo. As muitas missões secundÁrias até trazem um aspecto mais variado ao corpo do game, mas não são o suficiente para disfarçar a mesmice dos desafios principais, de tão simples e superficiais que são para serem considerados significativos no envolvimento com EDN III.

 

 

- Continua após a publicidade -

 

 

 

Duas partes muito interessantes são o uso do robô, aqui chamado de mecanotriz, e os chefes do game. No primeiro caso, a mÁquina gigante, embora lenta de se locomover, é praticamente uma parceira de Peyton e vai ser uma mão na roda em vÁrios tipos de objetivos. Alguns se tornam bem repetitivos, em outros até pode ser usado em batalhas. Quem assistiu ao recente filme "Circulo de Fogo" logo vai fazer a associação. Nada que chegue aos pés da épica superprodução das telonas, mas é algo que traz uma variedade muito bem vinda à repetitiva dinâmica do gameplay. Quanto aos bichanos, muitos deles são gigantescos e precisam ser derrotados com estratégias diferenciadas. Uma vez aprendidos os padrões de ataque e desvio, basta atirar nas juntas incandescentes dos seus corpos para fazer um belo estrago. Estrago que pode ser potencializado com o tímido sistema de evolução de armas e equipamentos de suporte.

GrÁficos e Áudio

Graficamente, "Lost Planet 3" é satisfatório. Os aspectos que compõem o visual do game não são ruins, mas também não chegam a impressionar em nenhum momento. As partes mais bonitas são as vistas de longe da atmosfera turbulenta do planeta EDN III. Fora isso, o branco que cobre a maior parte dos cenÁrios é apenas monótona e não traz uma variedade interessante de locais. As vezes, é até mesmo difícil reconhecer se estamos num lugar realmente diferente, pois tudo as Áreas costumam ser muito semelhantes umas às outras. O design dos inimigos é bem genérico e se repete aos montes, não trazendo praticamente nenhuma novidade na série. As texturas são medianamente convincentes. E hÁ alguns bugs de colisões e inteligência artificial: alguns inimigos podem ficar presos em alguns cantos, mesmo que haja espaço suficiente para se locomoverem.

- Continua após a publicidade -

JÁ no Áudio, o destaque fica para as dublagens (em inglês). As interpretações são muito boas e todas as vozes combinam muito bem com as personalidades de cada personagem. A trilha sonora não vai marcar ninguém e estÁ ali apenas como pano de fundo para não deixar tudo silencioso e esquecido. Talvez, se ainda fosse dessa forma, poderia criar um clima mais sombrio e criar um suspense muito bem vindo à aventura. Afinal, estamos num local hostil totalmente desconhecido e a qualquer momento podem aparecer ameaças de todos os tipos. Existem jogos que abusam desse recurso e o resultado é muito positivo. Mas não foi dessa vez.

Multiplayer 

O multiplayer online de "Lost Planet 3" não é do tipo que vai atrair milhões de jogadores por muito tempo e tampouco traz novidades quanto a outros games de tiro em terceira pessoa por aí. As modalidades presentes nos duelos 5vs5 são Carnificina em Equipe (mata-mata tradicional), Extração (recolhimento de energia para somar pontos) e CenÁrio (uma rodada de três objetivos para as equipes realizarem o mais rÁpido possível). De longe, o mais interessante é este terceiro, pois adiciona boas doses de estratégia e privilegia as incursões em grupo bem planejadas. Mas quem jÁ estiver mais evoluído nas batalhas online, facilmente terÁ vantagens, o que pode frustrar os iniciantes. Fãs do cooperativo têm à disposição o Sobrevivência a Akrids, que põe o jogador em parceria com outros para sobreviver a hordas cada vez maiores e mais letais de inimigos. Consegue entreter por algum tempo, mas logo se torna banal por ser apenas comum e não se tornar realmente divertido.   

PRÓS
Personagens carismÁticos e engraçados
Controles bem ajustados e fÁceis de se adaptar
Usar o robô mecanotriz em batalhas é bem divertido
Chefes de fase são um alívio à mesmice dos inimigos
CONTRAS
Customização de armas sem profundidade
Tiroteios em terceira pessoa repetitivos
CenÁrios e inimigos muito genéricos 
Carregamentos longos a todo momento
Multiplayer defasado
Tags
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.