ANÁLISE: Uncharted: Golden Abyss (PS Vita)

ANÁLISE: Uncharted: Golden Abyss (PS Vita)

Produzido pela Bend Studio, com a supervisão da Naughty Dog, "Uncharted: Golden Abyss" marca a estreia da franquia de aventuras de Nathan Drake no Playstation Vita. O game, parte da primeira leva de exclusivos mais importantes do primeiro ano de mercado do portÁtil da Sony, consegue entregar uma experiência bastante sólida, sobretudo por causa da jogabilidade bem adaptada, grÁficos lindíssimos e uma trilha sonora bastante envolvente.



  

 

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Contudo, dois problemas comprometem a diversão final: o enredo é um tanto desmotivante e não existe um multiplayer online que use os recursos de rede do aparelho. Ambos os quesitos são muito bem trabalhados nos games da série lançados para Playstation 3, mas aqui infelizmente pouco lembram a qualidade destas versões ou simplesmente não existem. O que é uma pena, principalmente pela reputação que "Uncharted" conseguiu construir nesta geração de jogos. Ainda assim, o título é um dos melhores disponíveis no portÁtil e vale o investimento pelo conjunto da obra. 

Acompanhe a anÁlise do jogo nas próximas pÁginas.

{break::História e Jogabilidade}A história de "Uncharted: Golden Abyss" acontece antes de "Uncharted: Drake's Fortune", primeiro game da série lançado no Playstation 3 em 2007. Os dois títulos não tem relação alguma no enredo e um não influencia o que acontece no outro, o que jÁ dÁ uma margem para começar a jogar a série da perspectiva de qualquer episódio. Mas uma dica que posso dar é que você comece as aventuras pelos games do irmão maior do PS Vita, pois a trama aqui é bem sem graça, desmotivante e carece de momentos impactantes e cinematogrÁficos presentes em cheio nas outras versões.


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Culpa disso estÁ, obviamente, na construção da narrativa e ações dos personagens. JÁ conhecemos e estamos bem familiarizados com a personalidade e os trejeitos de Nathan Drake, o protagonista, e Victor Sullivan, mentor e fiel ajudante do caçador de tesouros. Mas os estreantes Jason Dante, Roberto Guerro e Marisa Chase não empolgam e essa última, a nova companheira de aventura do herói, não chega aos pés das inesquecíveis Helena e Cloe (as parcerias anteriores) em carisma, utilidade ou até mesmo personalidade. Além disso, buscar por uma cidade lendÁria no PanamÁ definitivamente traz um leque de mistérios que poderiam ser bem melhor explorados com aquela selva toda ao redor, perigos de armadilhas e animais mortais. Mas não é exatamente isso que acontece: fica-se esperando por algo realmente relevante acontecer a jornada inteira... e simplesmente nada muito elaborado dÁ as caras. ;(

 

 

 

A jogabilidade de "Uncharted: Golden Abyss" é excelente e muito bem adaptada às possibilidades de interação do PS Vita. A começar pelos dois analógicos: toda a experiência que você jÁ tinha na série quando a jogava no PS3 foi transportada para cÁ com exatamente a mesma precisão e conforto do controle do console. O esquema de mirar (botão L) e atirar (botão R), inclusive, é feito de forma igual. Mirar também pode ser feito com a inclinação do portÁtil, que usa a função de giroscópio para posicionar a mira na tela onde o jogador quiser.

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JÁ o simples ato de escalar também foi evoluído. Além de ainda poder subir nas plataformas apenas apertando o botão X, agora é possível tocar na tela dianteira e fazer com que Drake inicie uma subida, se posicione no local de escolha ou percorra algum trecho mais específico de escalada apenas pelo deslizar dos dedos entre as Áreas que permitem essa ligação entre caminhos. É algo que traz novos ares à franquia, sendo divertido fazê-lo e bacana de assistir a resposta automÁtica a um comando simples. Pelos comandos de toque, também é possível resolver quebra-cabeças ordenando as peças embaralhadas, tirar fotos (mirar e ajustar zoom) de locais específicos, pintar papiros (arrastar o dedo continuamente pela tela) sensíveis a carvão para descobrir segredos, coletar armas e outros itens espalhados pelos cenÁrios e atacar de surdina os inimigos mais desavisados.

O legal é que, dessa vez, a coleta de tesouros se tornou mais interativa e útil. Através do aplicativo Near do PS Vita, você pode compartilhar informações e trocar, com outros usuÁrios, tesouros, objetos, moedas e cartas recolhidas durante a aventura. É uma função que ajuda a completar a sua própria coleção, ainda mais se você estiver precisando de um tipo de colecionÁvel muito raro ou de difícil localização, além de servir como uma nova forma de interação entre jogadores do sistema e de facilitar a busca pelo suado troféu de Platina para expor com orgulho na sua conta da Playstation Network (eu estou nesse processo, por exemplo ;p).

{break::GrÁficos, Áudio e Multiplayer}Na parte visual, os fãs da série e donos de um PS Vita não terão do que reclamar. "Uncharted: Golden Abyss" tem grÁficos muito caprichados e, algumas vezes, muito próximos aos grÁficos de "Uncharted: Drake's Fortune", o primeiro episódio da série. O game esbanja cenÁrios belíssimos e ricos em detalhes em praticamente todos os momentos da aventura. Sabe aquela vontade que às vezes se tem de parar por alguns instantes só para apreciar a paisagem, "respirar" aquela brisa virtual e se sentir ainda mais inserido na experiência do game? Isso acontece algumas vezes aqui. 

Os elementos que compõem os ambientes vão de largas e vívidas cachoeiras a paredões de rochas imensos, passam por abismos rentes à floresta de Mata Atlântica densa e hostil e chegam a túmulos apertados e cavernas gigantescas que guardam monumentos históricos e vilas cidades perdidas da América Central. É sempre muito recompensador aos olhos - e à satisfação do jogador - visitar um novo lugar, explorar seus cantos e vislumbrar as novas Áreas, identificar-se com a flora caraterística, ver e ouvir a vida selvagem que vive por ali. É uma típica sensação que você tem ao jogar qualquer game anterior da franquia. Foras as texturas e as animações de movimento, que são bem fiéis e bem trabalhadas, respectivamente.

 

 

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No Áudio, o jogo também faz bonito. A grande maioria das composições são bastante envolventes e costumam combinar no ponto certo com as situações mais diversas da aventura. Não existem exageros de melodias ou partes desleixadas quanto a ritmo ou repetição de uma única música. A dublagem (em inglês; não existe em português brasileiro, apenas legendas) segue o alto padrão consagrado, com Nolan North no papel de Nathan Drake, Richard McGonagle no de Victor Sullivan e alguns novatos na interpretação de outros personagens importantes e também de coadjuvantes. Todos são muito bem feitos e adicionam credibilidade à fraca trama.  



E é realmente lamentÁvel que não exista qualquer tipo de multiplayer online em "Uncharted: Golden Abyss". O Playstation Vita é vendido em versões Wi-Fi e 3G/Wi-Fi de conexão com a internet, então por que não aproveitaram esse potencial do Playstation Vita para fazer algo nos moldes de "Uncharted: Among Thieves" e "Uncharted: Drake's Deception", com tiroteios contagiantes em terceira pessoa? Se houvesse algo do tipo, o game definitivamente seria o melhor pacote de boas-vindas não apenas para os que jÁ conhecem a franquia e as qualidades dos portÁteis da Sony, mas também poderia atrair mais consumidores, coisa que o PS Vita tem patinado em obter êxito.

PRÓS
GrÁficos lindíssimos e cheios de detalhes
Jogabilidade aproveita vÁrios recursos únicos do portÁtil
Ótimas composições na trilha sonora
Muitos colecionÁveis, que podem trocados via Mercado Negro
CONTRAS
Enredo não empolga com personagens e vilões bem sem graça
Ausência de qualquer tipo de multiplayer online
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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