ANÁLISE: Jogadores do vsONE e semXorah se envolvem em briga

ANÁLISE: Jogadores do vsONE e semXorah se envolvem em briga

Lançado exclusivamente para Playstation Vita, "Assassin's Creed III: Liberation" é um episódio paralelo (spin-off) à franquia consagrada de aventura da Ubisoft. O game traz Aveline de Grandpré como protagonista, a primeira mulher na série, e reúne os melhores aspectos vistos na saga principal, como jogabilidade Ágil, ótimo sistema de navegação entre mapas, grÁficos bem acima da média e trilha sonora agradÁvel.

Entretanto, o game peca em duas partes essenciais: a história, apesar de encaixar consideravelmente bem no universo da franquia, não chega a empolgar muito e o multiplayer é uma das maiores aberrações jÁ vista na história dos jogos eletrônicos, de tão simplória, repetitiva e chata que a mecânica é. Ainda assim, o título é um dos destaques da leva inicial de ótimos jogos disponibilizados no primeiro ano de mercado do portÁtil da Sony.

História e Jogabilidade

"Assassin's Creed III: Liberation" complementa a história vista em "Assassin's Creed III", de 1765 e 1777, durante meados e após o fim da Guerra Franco-Indígena, um dos eventos militares mais importantes que antecederam a independência dos Estados Unidos. No controle de Aveline, seu papel é basicamente acabar com o trÁfico humano e a exploração impiedosa de escravos, tão essenciais para a manutenção social e econômica na colônica de Nova Orleans, ao mesmo tempo em que briga pela ressurgência do povo do local, totalmente dependente das leis impiedosas e das obrigações diÁrias exigidas pela corte.

 

 

A protagonista tem uma personalidade bastante forte e carisma o suficiente para gerar conexões assim que a partida começa. Por ser a primeira vez que a franquia adota uma mulher no controle principal, é interessante acompanhar que tipos de pretextos e artimanhas a heroína usa para alcançar seus objetivos, sem nunca ameaçar civis ou apelar exageradamente para contextos sexuais. É legal acompanhar sua evolução como assassina e que tipos de problemas ela enfrenta para conhecer a si própria, sua origem e o que pode fazer para contribuir para o bom futuro de onde vive. O chato é que o enredo não consegue empolgar em partes que não sejam momentos decisivos, como as (poucas) surpresas e a própria conclusão da história. Os personagens secundÁrios seguem o mesmo dilema e muitos deles, embora com bom potencial de complementação dos acontecimentos, somem sem devida contextualização.

- Continua após a publicidade -

Na jogabilidade, "ACIII: L" brilha em praticamente tudo. O jeito que você jogava a série nos consoles foi fielmente transportado para o para no PS Vita com bastante fidelidade: pode-se andar, correr, pular, nadar, escalar construções, se jogar de pontos altíssimos em recipientes de palha, planejar ataques aéreos de Árvores ou de construções, usar armas e acessórios diversos de combate e navegar pelos cenÁrios e regiões normalmente. Dessa forma, quem jÁ conhece "Assassin's Creed" nem vai precisar se reacostumar, jÁ que os dois analógicos do portÁtil dão conta do recado sem perda nos comandos mais simples ou complexos de jogo, nas respostas ou na precisão dos botões e suas funções. Quem for estreante, não demorarÁ 10 minutos para se sentir familiarizado e confiante com no progresso da aventura.

 

 

Aveline pode usar três tipos diferentes de personalidades: 1) Assassina, 2) Escrava ou 3) Dama. Cada uma das personas trazem características únicas quanto a perfis de navegação, escala e habilidades. As suas fraquezas também são únicas. A Assassina é a mais completa de todas, pois permite escalar tudo o que for possível e usar muitos comandos de combate, em detrimento de chamar a atenção das autoridade muito mais facilmente. A Escrava também consegue explorar grande parte dos locais, mas tem menos recursos de golpes e habilidades para lutas, embora consiga se disfarçar e camuflar melhor em alguns locais. JÁ a Dama não consegue escalar e é quase inútil em termos de combate, mas tem prestígio social, é protegida pelos guardas e pode facilmente seduzir e subornar alvos. É um sistema bem trabalhado que torna a jogabilidade mais versÁtil e profunda, adicionando mais diversão na parte estratégica das missões.

GrÁficos e Áudio 

Graficamente, "Assassin's Creed III: Liberation" estÁ entre os melhores jÁ vistos no PS Vita. Os cenÁrios, que variam da reprodução do centro econômico de Nova Orleans (comércios, navios, casas e mansões), passa por um pântano em Louisiana (tendas, lagos, Árvores, flora e fauna selvagem) e vai até o antigo México dos Maias (tumbas, cavernas e pirâmides), são imensos, densamente populados com NPCs, construções e lotados de detalhes visuais que ajudam a se identificar ainda mais com a aventura. É uma delícia explorar cada cantinho dos mapas e ver o capricho que a Ubisoft colocou na produção. Efeitos convincentes de Água, iluminação, texturas e design de vestimentas também são muito bem feitas e não vão desagradar os mais exigentes. Uma pena que as expressões faciais praticamente não existem e os personagens apenas mexem as bocas para sinalizar que estão em interação.

JÁ no Áudio, o destaque vai mesmo para a trilha sonora. Embora não tenha muitas composições, a maioria delas é bem marcante e combina perfeitamente com o que acontece durante a trama. Em pouco tempo de jogo é possível jÁ se sentir à vontade com cada ambiente e começar a solfejar as melodias automaticamente assim que elas começarem a tocar. Só tem um probleminha aqui: elas não são exatamente variadas e costumam se repetir aos montes. Com o passar do tempo, é possível que você se sinta um pouco incomodado ou enjoado, dependendo do seu gosto. As dublagens (em inglês, não existem em português), por sua vez, são bem, variadas e praticamente todos os os personagens têm sotaque com influência do francês, idioma muito utilizado na época da colonização do lugar real.

Multiplayer 

- Continua após a publicidade -

Decepção é a melhor palavra que encontrei para descrever o multiplayer online de "Assassin's Creed III: Liberation". Boa parte da diversão - e do valor final do produto - são minimizados pela bizarrice que as interações na rede foram planejadas pela produtora. Nada das caçadas eletrizantes com doses de espionagem e disfarces vistas nos outros games da série estÁ aqui. Tudo se resume a simples batalhas praticamente automÁticas em uma espécie de tabuleiro virtual que recria todos os países do mundo em um globo. A partir daqui você decide se quer se alinhar ao exército da Abstergo ou dos Assassinos e tentar os pontos estratégicos de cada região do mapa.


Uma vez feita a sua escolha, selecione um ponto de partida, escolha o símbolo de batalha, algum soldado disponível, com qual adversÁrio quer competir e apenas assista a quadros de animação de 4 segundos de duração no total para ver o resultado da breve luta. Independente do que você escolher, sempre serÁ o vencedor e obterÁ postos de controle que serão somados a outros jogadores online que estiverem na mesma região. Tudo isso funciona a custo do uso de energias, que não são infinitas e deve-se esperar algum tempo para recarregÁ-las e voltar a batalhar pelos seus objetivos. Chega a lembrar os piores jogos de Facebook. É simples, indireto, passivo, sem orientações e totalmente dispensÁvel. E isso é realmente uma pena.   

 

PRÓS
Experiência Assassin's Creed decente num portÁtil
Ótimos grÁficos e controles
Sistema de personas (assassina, escrava e dama)
Muitos coletÁveis
CONTRAS
Multiplayer horrível
Trilha sonora meio repetitiva
Assuntos
Tags
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.