ANÁLISE: DuckTales Remastered

ANÁLISE: DuckTales Remastered

"DuckTales Remastered" é um relançamento em alta definição de um dos maiores clássicos do NES 8-bits, o primeiro videogame da Nintendo. Produzido pela WayForward Technologies, com supervisão da Capcom, o título é extremamente recomendado para quem quer reviver momentos marcantes da infância ou descobrir que os games das antigas eram bem mais desafiantes que os atuais, por mais simplórias que suas mecânicas pudessem ser. Baseado no famoso desenho animado dos anos 80, que ficou muito popular no Brasil (reveja a abertura), a remasterização estÁ disponível para PCPlaystation 3 (usada nesta anÁlise) e Wii U. A versão para Xbox 360 chega em meados de setembro.

Enredo + Jogabilidade

Tio Patinhas estava apenas vivendo mais um dia da sua pacata rotina contando toda a sua fortuna a cada moeda quando, de repente, recebe um comunicado que a Caixa Forte, o gigantesco cofre onde guarda a dinheirama foi invadido pela gangue dos Irmãos Metralha! E o pior: Huguinho, Zezinho e Luizinho foram capturados e agora precisam também ser salvos. Cabe agora ao pato mais rico do mundo não apenas reaver sua riqueza como também salvar a pele dos seus sobrinhos mais pestinhas queridos. No final do caminho, você toma conhecimento da existência de um tesouro imensurÁvel. Pronto: acabou o sossego de Tio Patinhas, que não perde tempo em sair numa jornada em busca desse grande prêmio.


 

Seria injusto cobrar um enredo profundo, cheio de reviravoltas e momentos marcantes num relançamento que se propõe apenas a reviver uma aventura clÁssica. A simplicidade manda aqui e os diÁlogos, sempre presentes nos momentos mais decisivos das fases e transições entre estÁgios, dão conta da dinâmica dos acontecimentos sem ficar exagerado ou monótono. Para alguns, pode servir apenas de pano de fundo para dar algum tipo de pretexto ao game. Sendo bem sincero, definitivamente não hÁ problema algum em ser exatamente desse jeito, pois diverte da mesma forma e agrada bastante pela caracterização dos heróis, vilões e personagens bem tradicionais e muito carismÁticos. 

 

 

 

 

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No controle de Tio Patinhas, a dinâmica dos jogos antigos de plataforma 2D com rolamento lateral foi mantida sem nenhuma espécie de alteração. Basta andar para os lados e ir explorando os caminhos para derrotar os inimigos, resolver pequenos quebra-cabeças e descobrir segredos ocultos. Os comandos são bem retrôs e se resumem a usar um botão de pulo e outro de usar o pula-pula com a bengala de Tio Patinhas. O desafio e a dificuldade acima da média, características marcantes dos jogos da época e da respectiva geração, também estão presentes. O número de danos que você sofre e o de vidas que tem para gastar é limitado e você precisa ser bastante preciso em todos os movimentos e decisões que resolver tomar.

Até mesmo a forma de derrotar as ameaças foi mantido: pular na cabeça em momentos oportunos. Não é algo exagerado que vai fazer arrancar os cabelos, mas é bem dosado e uma ótima oportunidade para os novatos conhecerem como eram os games das antigas cuja energia não se regenera com o tempo e, se usar todas as vidas numa fase, terÁ que refazê-la do zero. Bom que a variedade de cenÁrios (cinco com duração de, pelo menos, trinta minutos cada) maquia parte do sofrimento que alguns poderão desenvolver ao longo do caminho. E assim que pegar o jeitão de como se aproximar de cada trecho, não haverÁ mais trechos demasiadamente frustrantes e logo tudo serÁ apenas divertido de de jogar. Finalizar o game leva-se cerca de três horas. Para pegar os troféus (ou achievements, dependendo da sua plataforma), adicione o dobro desse tempo, pelo menos.
 

Gráficos + Áudio

Além do desafio constante, os gráficos são o que mais chamam atenção em "Ducktales Remastered". O trabalho de remasterização em alta definição da WayForward Technologies é excelente, com uso de cores e de texturas cartunescas muito bem aplicadas, sem falhas, serrilhados ou exagero na paleta de tonalidades. O design e as animações dos dos personagens, desde o Tio Patinhos aos vilões, é muito convidativa não apenas à criançada, como também aos mais crescidinhos que costumavam assistir ao desenho animado. Os cenários, todos redesenhados em 3D com excelente profundidade, são vívidos e cheios de detalhes. Os elementos que os compõem, como objetos, efeitos e a construção dos sprites, costumam se repetir aos montes, mas essa mesmice nem mesmo de longe chega a incomodar. Afinal, é um relançamento que mantém imutÁveis as características do original. É a fusão do fiel com a atualização visual sem perda de identidade. Quer mais nostalgia que isso?


Comparação entre "DuckTales" original e "DuckTales Remastered"

O Áudio também foi retrabalhado no game e deixou de ter apenas sons polifônicos. Não me entenda errado: não existem orquestras ou uso excesso de instrumentos musicais. Mas está bem melhor trabalhada e enche os jogadores mais antigos de uma alegria e prazer sonoro quase indescritível. A música de abertura é a mesma que conhecemos do desenho animado: divertida e animada como sempre, só que não é cantada. As falas dos personagens, todas em inglês, também são bastante convincentes e fazem a experiência ser mais marcante. Agora, jÁ pensou se a Capcom desse uma atenção um pouco mais cuidadosa com o público brasileiro e colocasse a mesma canção de abertura com a dublagem nacional do desenho animado? Tenho certeza que muitos fãs, tanto do game clássico quanto do sucesso da TV dos anos 90, pirariam. E eu certamente estaria nesse meio.

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PRÓS
Nostalgia onipresente
Excelente remasterização dos gráficos em alta definição
Desafio e dificuldade típicos dos anos 90
Trilha sonora original com a música clássica do desenho animado
Legendas em português
CONTRAS
US$15 é um preço um pouco elevado
Não traz nenhuma novidade marcante em relação ao original
A música de abertura brasileira do desenho animado faz falta
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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