ANÁLISE: Remember Me

ANÁLISE: Remember Me

Produzido pela Dontnod Entertainment, "Remember Me" é a aposta da Capcom para entrar de vez no mundo dos games com temÁticas futuristas. O jogo combina os gêneros ação, aventura, plataforma e combate em terceira pessoa, empolga em vÁrios momentos e põe o jogador no fogo cruzado de uma conspiração que envolve roubo e trÁfico das memórias das pessoas. A ambientação do game gera um envolvimento único com a trama e Nilin, a protagonista, tem personalidade e é carismÁtica o suficiente para espantar qualquer tipo de machismo dos jogos eletrônicos.

 

 

 


Acompanhe a anÁlise de "Remember Me" nas próximas pÁginas. 

{break::Enredo}Você acorda num local com pouca luminosidade, jogado ao chão frio e cercado por equipamentos médicos de última geração. Você agoniza de dor, estÁ na posição fetal, sente calafrios, não tem a menor ideia do que estÁ acontecendo, de onde estÁ e, para piorar, não se lembra de absolutamente nada sobre você, seu passado ou sobre o cotidiano da sua vida. É dessa forma que conhecemos Nilin, a protagonista de "Remember Me", no primeiro minuto de jogo. E a heroína logo prova que tem muito carisma e forte personalidade ao sair em busca de respostas sem exatamente saber o grande perigo que a cerca.

A trama do game aos poucos expõe a conspiração que envolve o roubo e trÁfico das memórias das pessoas de Neo Paris, a cidade futurista de 2084. A tecnologia nesta época se tornou tão avançada que agora é possível pesquisar nanometricamente no cérebro, extrair lembranças e recordar fatos vividos com o intuito apenas de de reviver momentos felizes e ajudar em sessões de terapia. Contudo, como sempre existem os mal intencionados, a empresa Memorize, uma corporação que comercializa memórias, encontrou um jeito de entrar na mente das pessoas através da tecnologia Sensei, um tipo de holograma localizado na nuca dos habitantes e que permite a digitalização, a manipulação, a troca e a venda de memórias entre pessoas.

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Como uma ex-caçadora de memórias de elite e com habilidades naturalmente muito desenvolvidas, Nilin consegue fugir da reclusão onde estava aprisionada e se torna uma ameaça não só à Memorize, mas também ao governo opressor local, cujas autoridades são compostas por soldados equipados com armaduras militares de última geração e suporte de mÁquinas voadoras de vigilância. Ao longo da jornada, a personagem, ajudada por amizades que faz no decorrer do enredo, vai se lembrando de quem realmente é, começa a recordar técnicas de combate e a entender seu papel numa sociedade que aceitou ser totalmente vigiada em troca das comodidades da tecnologia. 

{break::Jogabilidade}Na jogabilidade, "Remember Me" agrada com uma combinação bastante simples de botões e recursos de interação ao mesmo tempo em que apresenta uma mecânica bem balanceada dos gêneros ação (e aventura), plataforma e combates em terceira pessoa. Abaixo, dedicarei alguns parÁgrafos a cada um desses pontos separadamente.

1) Ação/Aventura: essa parte consiste basicamente em perambular pelas ruas de Neo Paris atrÁs de respostas para as dúvidas constantes de Nilin. Só que o mais legal não é nem exatamente descobrir o que aconteceu com a heroína, mas o de conhecer cada canto da cidade futurista, acompanhar o cotidiano das pessoas que ali vivem, seus dilemas profissionais e familiares, conhecer recursos tecnológicos de 2084 e as deficiências quanto à segurança do local. O ruim é que os trajetos do game são todos lineares e não hÁ espaços amplos para exploração mais detalhada, algo que faz muita falta neste tipo de temÁtica. Além disso, a maioria esmagadora dos objetos não é interativa, o que consideravelmente prejudica a identificação do jogador com a proposta do game.



Além disso, existe um sistema na mecânica do jogo que permite a alteração das memórias das pessoas. É a partir daqui que o jogador passa a conhecer a importância dessa opção pois, de acordo com o que conseguir modificar, através da mudança do posicionamento de objetos, mÁquinas e atitudes dos envolvidos na cena da memória, tudo o que acontecer nas cenas subsequentes - e agora reais - serão consequência das suas ações. Não me entenda errado: não é algo aberto e com múltiplas opções. É algo premeditado e com um percurso jÁ programado pela produtora; mas, ainda assim, é inteligente o suficiente porque faz pensar e prever os acontecimentos antes de finalizar a alteração desejada. 

2) Plataforma: limitação e repetição são duas palavras-chaves para descrever esta parte. Isso porque o game até dÁ a oportunidade de escalar beiradas de diversas superfícies, encanamentos, muros e sacadas e combina essas ações com pulos simples em 3D. Mas o problema é que os caminhos são todos pré-definidos, restritos em possibilidades de interação e o padrão no cumprimento das missões não vai além do "recebe um novo objetivo, escala tal estrutura, pula um buraco no meio do caminho e chega ao local do desafio". Em outras palavras, a liberdade de plataforma e exploração costuma transitar entre o repetitivo e o limitado.

3) Combates: é um dos pontos mais altos do jogo na parte do gameplay. Como Nilin vai se recordando da suas habilidades de caçadora de memórias aos poucos, slots de combinação de ataques para combos com diferentes tipos de objetivos são liberados no menu Laboratório de Combos. Dessa foma progressiva, é possível customizar as sequências de acordo com seu modo de jogar, dando preferência para golpes que inferem dano (socos e chutes), que regeneram sua energia aos poucos ou que parcialmente recuperam a habilidade especial da personagem. E é você quem escolhe qual botão terÁ que apertar para executar a sequência que determinou e ser bem sucedido nas batalhas.

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E quanto mais você avança, mais possibilidades e variedade de combinação aparecem. E aqui aparece um problema que vale destacar. HaverÁ muitas vezes que você não se lembrarÁ, logo de cara, da sequência que deve fazer para atacar com mais danos, recuperar mais a sua energia ou o regenerar o especial. Leva-se um bom tempo para se acostumar com as opções. Por isso, é possível que você passe por algumas batalhas apenas apertando os botões freneticamente, sem realmente pensar no que estÁ fazendo, ao passo que em outras você serÁ facilmente derrotado porque deixou de realizar comandos de recuperação ou não usou o ataque especial, um recurso muitas vezes necessÁrio.

Além disso, as batalhas conta os chefes são todas bem diferentes umas das outras, trazendo uma dinâmica de alternância entre ataque e defesa bem delimitadas. Cada um dos inimigos tem um padrão de ataque que vai mudando de acordo com a progressão dentro das próprias batalhas, o que faz você reaprender toda a dinâmica de combate em pouco tempo de transição entre esses momentos. É desafiante, traz momentos únicos ao gameplay e fecha com golpes sensíveis ao contexto que encerram as lutas de uma forma épica.

{break::GrÁficos e Áudio}Nos grÁficos, "Remember Me" também convence bastante. O destaque mesmo fica para a rica ambientação da cidade futurista de Neo-Paris (2084), que traz uma sensação única de opressão e hostilidade bem marcantes. Ao mesmo tempo, a infinidade de detalhes espalhados pelos grandiosos cenÁrios faz você crer em absolutamente tudo o que estÁ vivenciando no jogo, sem nunca deixar de surpreender por apresentar uma ampla diversidade de Áreas (construções, restaurantes, apartamentos, bares, feiras, igrejas, casas, empresas, favelas, esgotos e arranhas-céus) e por você ainda poder acompanhar de perto a vida cotidiana, os dilemas e as preocupações dos seus misteriosos habitantes.

Outros pontos que chamam atenção são o design de personagens, iluminação e a definição de texturas. No primeiro, os modelitos das roupas dos personagens são todos muito bem produzidos, sem serem exagerados demais ou destoar da personalidade de cada um deles. No segundo, hÁ uma variedade de ambientes com as mais diferentes incisões e reflexo de luz, algo que adiciona mais vida aos ambientes mais amplos e maior morbidez aos espaços mais apertados. JÁ a reprodução das texturas, na maior parte dos casos com excelente nitidez de resolução (alguns raros momentos de borrões excessivos) condiciona a um realismo ainda mais verossímil para Neo-Paris.

No Áudio, a maioria das composições são orquestradas e absolutamente dão o tom das passagens mais calmas aos momentos mais tensos. Não é raro, por exemplo, estar num momento de exploração mais silencioso e deixar-se ser levado por uma melodia que aguça a vontade de continuar procurando por pistas ou de visualizar cenÁrios inteiros. Quando o cerco fecha, as batidas obviamente se tornam muito mais agressivas e regem os combates com batidas mais eufóricas e mixagem eletrônica com vozes femininas, mas sem nunca se tornar algo deslocado ou exagerado. Fora isso, as dublagens (inglês) dos personagens também estão bastante convincentes e costumam combinar com a forma como falam (sotaques e trejeitos) e combinar com suas personalidades. 

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{break::Conclusão}"Remember Me" não chega para inovar com sua temÁtica futurista, mas nem por isso deva ser desmerecido pela sua proposta. Só a incrível ambientação de Neo Paris (2084) jÁ vale, pelo menos, um teste mais prolongado do game. Além disso, o sistema de alteração de memórias consegue adicionar não apenas novidades à mecânica de interação, como também faz o jogador passear por sentimentos que vão da culpa ao prazer, sempre misturados em cada cena. Fora que o título consegue balancear passagens de plataforma, exploração e combate (sistema eficiente de combos) de uma forma divertida e sem quase nunca parecer descontextualizado; mas que, às vezes, se torna repetitivo e limitado e pode acabar enjoando alguns. 

  

  

  

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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